Killer

1 Tempestade de Sangue


Notas iniciais
Esse capítulo é o capítulo introdutório da fanfiction. Não possui muita ação, é mesmo só para apresentar a vocês um pouco sobre a Loren, a personagem principal. Por isso, talvez o capítulo fique um pouco monótono, mas espero que vocês compreendam o porque. Os próximos capítulos virão com mais ação, eu prometo.

[Loren P.O.V]

Meu nome é Loren Schinnyder, moro na pequena cidade de Trevolts – provavelmente você não a encontrará em um mapa se procurar – e, como em toda cidade pequena, a vida aqui não sai muito da rotina. Bem... Pelo menos não saía.

Eu moro com meu pai aqui desde que a minha avó faleceu e ele conheceu a Anne, minha atual madrasta. Anne tem dois filhos. O mais velho se chama Josh e tem dezenove anos e a mais nova se chama Kate e tem quinze, dois a menos que eu.

É um pouco difícil me relacionar com a Anne. Não que ela seja uma daquelas madrastas perversas de conto de fadas, ela até que é bem legal, mas é meio difícil pra mim aceitar uma mulher que tomou o lugar da minha mãe apenas dois meses depois que o meu pai abandonou a minha mãe e é exatamente por isso que meu relacionamento com meu pai ficou conturbado também.

Eu estudo na Trevolts High School, aliás, todos estudam já que é a única escola da cidade. Estou cursando o último ano e tenho boas chances de ir pra faculdade e, com isso, boas chances de sair de Trevolts também, algo que quero muito.

De segunda à sexta-feira faço sempre as mesmas coisas. Levanto às seis da manhã, acordo a Kate, me arrumo e vou tomar o café da manhã que Anne já deixa pronto quando sai pra trabalhar, meia hora antes, com meu pai. É trabalho da Kate acordar o Josh às seis e meia, pois eu desisti dessa tarefa após a primeira tentativa: é bem mais fácil acordar um defunto que o Josh.

Ás sete horas eu e Kate vamos para o colégio e, como fica perto de casa, vamos andando até lá. Josh normalmente vai conosco, não que precise, mas ele não perde a chance de me atormentar sempre que pode.

– Josh! – eu disse já irritada – O seu trabalho é para o lado contrário. Pense em como você poderia acordar meia hora mais tarde se não viesse até aqui só pra me encher o saco.

– E eu ia perder a parte mais engraçada do meu dia? Não, minha querida Loren. Não.

– Poxa, a sua vida deve ser um saco pra só eu te trazer alegria, não é maninho. – frisei a palavra, pois sabia que isso o irritaria, afinal, Josh me considerava tão parte da família quanto eu o considerava. Ou seja, não havia qualquer consideração.

– Tenho certeza que a sua vida é bem pior, Loren. – Josh retrucou com desdém – Por acaso alguém fala com você, hein? Eu não falaria.

– Rá Rá! Você é um idiota, Josh! – disse eu, socando-o no ombro.

– Vocês dois são uma piada. – Kate se pronunciou, rindo de nós – Como conseguem brigar toda manhã?

– Maninha, quando você for assim como eu... – Josh começou, colocando o braço em volta de Kate, mas eu o interrompi.

– Esquece Josh. A Kate nunca será tão fracassada e irritante como você.

– Mas olhem só quem pôs as garrinhas de fora. – ele me olhou furioso – Loren, estamos falando das minhas qualidades, não das suas. – ele riu.

– Ah, isso vindo do cara que abandonou a faculdade de Direito pra ficar dando banho em cavalo é muito preocupante realmente... – retruquei.

– Psiu vocês dois – pediu Kate – Ouviram isso?

– Isso o que? – perguntou Josh.

– Um barulho estranho.

– Estranho como? – perguntei, ficando alerta para tentar ouvir seja lá que barulho fosse.

– Sei lá... – disse Kate, confusa – Um zumbido estranho.

– Tipo uma nave alienígena? – Josh indagou e eu revirei os olhos.

– Nave alienígena? É serio? Quantos anos você tem? Cinco? – perguntei indignada com tamanha besteira.

– Claro que não era um OVNI, Josh. – Kate acenou com a mão descartando aquela ideia tola – Mas juro que ouvi algo fora do comum.

– Não há nada fora do comum nessa cidade, Kate. É só... Trevolts. – fiz um gesto abrangente para os lados.

– Eu juro que ouvi alguma coisa. – ela insistiu.

– E eu duvido. – retruquei – Agora, vamos continuar andando, por favor.

– E se alguém estiver precisando de ajuda? – ela arregalou os olhos para mim – Não é melhor chamar a polícia?

– Chamar a polícia?! Pelo amor de Deus, Kate. Você nem sabe que barulho ouviu e, além do mais, você sabe que a polícia daqui só serve para comer rosquinhas e tirar gatinhos de árvores. – comentei – O único presidiário da cadeia só está lá porque pegou a mulher na cama com o vizinho e ameaçou matar os dois. Acho que você está vendo muita TV.

– Mas eu...

– Vamos Kate! – encerrei o assunto e continuei andando. Eu não estava com disposição para ter uma discussão sobre zumbidos estranhos às sete da manhã.

Chegamos, enfim, ao colégio e finalmente me livrei de Josh. Kate foi ficar com os amigos dela e eu com os meus: Pietro, Jess e Norah. Eu havia conhecido os três em meu primeiro dia na Trevolts High School e, depois disso, nos tornamos um time. Éramos praticamente inseparáveis e eu só não nos chamaria de Quarteto Fantástico porque todo mundo sempre chamava os quartetos assim e isso era chato, mas nós meio que nos sentíamos dessa forma mesmo: um quarteto fantástico, mas sem os superpoderes.

Ao fim da aula, que foi tão chata quanto em todos os outros dias, eu me despedi dos meus amigos e, antes de ir procurar por Kate para podermos ir embora, marquei de fazer o trabalho de geografia na casa de Norah, às sete horas.

A tarde passou monótona. Ajudei Josh a consertar a cerca do quintal que nosso cachorro havia quebrado e, depois, ajudei Kate a arrumar a casa e a fazer o jantar, antes de ir tomar um banho e me arrumar para ir até a casa de Norah fazer o trabalho.Encontrei meu pai na porta quando já estava saindo.

– Oi pai. Tchau Pai. – disse eu, passando quase correndo por ele, mas ele segurou meu pulso levemente e me fez parar.

– Aonde está indo com tanta pressa? – questionou.

Arrumei minha bolsa no ombro e levantei a cabeça para olhar para ele.

– Estou indo para a casa da Norah fazer um trabalho de Geografia. – expliquei – É para entregar amanhã.

– E você vai fazer o trabalho a essa hora? Loren, você teve a tarde toda...

– Não, pai. Eu não tive. – soltei meu pulso da mão dele e me afastei – Eu limpei a casa inteira, preparei o jantar com a Kate e ainda tive que ajudar o Josh a consertar a maldita cerca que o Elvis quebrou semana retrasada e que o senhor disse que consertaria.

– Querida, você sabe que eu ia consertar...

– Quando? – perguntei já irritada – Você disse o mesmo sobre a janela do meu quarto e sobre o banco da minha bicicleta e não me deixe esquecer da porta do meu guarda-roupa.

– Eu vou arrumá-la...

– Não precisa. Eu já arrumei. – respondi de maneira seca – Boa noite, pai.

Saí sem olhar pra trás e me dirigi para a casa de Norah. Irritava-me o fato de meu pai nunca dar importância às coisas que diziam respeito a mim. Ele às vezes nem notava a minha presença. No meu aniversário de 17 anos ele me desejou feliz aniversário no dia errado e ainda disse: "Minha menina hoje está fazendo 15 aninhos. Já é uma debutante". Argh! Ele era um péssimo pai.

Mal eu havia andado três ruas, começou a chover. Achei bastante estranho, pois não era época de chuva, mas devia ser coisa do aquecimento global. Comecei a correr para evitar me molhar muito, mas como Norah morava três quadras acima da minha, eu não acreditava que isso funcionaria.

– Boa hora pra chover. – resmunguei – A tarde inteira para isso e chove logo agora que eu preciso sair. Eu mereço...

Não bastasse apenas a chuva grossa que caía, a energia também me fez o favor de acabar, me deixando na mais completa escuridão e ainda mais irritada do que já estava. Era muito azar pra uma só pessoa.

– Isso mesmo. – praguejei – Agora um raio cai na minha cabeça. É só o que falta.

Diminuí o ritmo para evitar sofrer um acidente, pois correr já não era uma atividade muito simples pra mim. Correr na chuva e sem conseguir enxergar um palmo a frente do nariz era ainda mais complicado.

Estava mais ou menos na metade do caminho para a casa de Norah quando tropecei em algo esparramado no chão e caí, me esparramando na lama e na água que se acumulava na rua. Tirei o celular da bolsa e apertei uma tecla para ativar a iluminação e tentar me localizar, mas um segundo depois desejei não ter feito aquilo.

Jogado a minha frente, estava o corpo de um garoto, coberto de sangue. Seu rosto estava distorcido em uma careta horrenda de dor, e havia muitos ferimentos espalhados por seu corpo. O sangue escorria na enxurrada manchando de vermelho o chão ao redor e em sua mão esquerda faltavam dois dedos que jaziam ao lado da cabeça do cadáver.

Automaticamente senti meus músculos se retesarem, devido ao susto e ao horror, e acho que tentei gritar por socorro, mas minha voz ficou entalada na minha garganta, impedindo-me de pronunciar qualquer palavra que fosse.

Só o que ouvi antes de desmaiar foi uma voz masculina ecoar bem próxima a mim.

Notas finais
Bem, inicialmente é isso. Amanhã ou talvez hoje mesmo se eu tiver um tempinho eu já postarei o capítulo 2, ok?E... vejamos, o que posso dar de spoiler pra vocês:- Bryan aparecerá no próximo capítulo .Bjos.