Killer

13 Nos Braços de Um Anjo


Notas iniciais
Olá!Sei que fiquei ausente tipo... MUITO TEMPO, mas estou aqui para finalmente postar o capítulo 13 de Killer.Peço desculpas pela demora, pois acabei me focando muito em minha outra fanfic e deixando essa de lado, mas agora tracei uma meta de postar apenas um capítulo de uma e um capítulo da outra por semana, para não deixar mais nenhuma das duas de lado.Os novos capítulos de killer serão postados provavelmente todas as quartas-feiras, então fiquem atentos.E, se ainda tiver algum leitor acompanhando essa fanfic, dê-me um sinal e comente para eu saber que você ainda está por aqui, ok?Beijos e aproveitem o capítulo.

[Loren P.O.V.]

Quando Madeline me jogou em meu quarto eu ainda estava gritando desesperada. Queria que ela me deixasse voltar a Ala de Convivência e procurar por Bryan, porque depois de tudo o que havia acontecido era como se ele tivesse levado parte de minha sanidade consigo ao desaparecer. Uma parte da qual eu não podia abrir mão agora.

Me dirigi até a janela cheia de grades de meu quarto e dei uma boa olhada na paisagem lá fora que àquela hora estava banhada pela luz intensa do sol e parecia reluzir.

De onde estava, eu conseguia ver os bosques esverdeados que circulavam o Saint Auguste e, bem mais ao longe, podia divisar as águas escuras do grande Rio Mortari que mais tarde, eu sabia, desaguaria no mar. Tudo ali parecia tão convidativo... Como se, de alguma forma, ao correr por aqueles bosques ou colocar meus pés nas águas gélidas do Rio Mortari, eu pudesse recuperar toda a vida que eu havia perdido ao entrar no Saint Auguste, mas eu sabia que não era assim.

Mesmo que eu saísse dali algum dia – o que poderia nunca acontecer – minha vida jamais seria a mesma. Eu havia perdido tudo aquilo para sempre e tudo o que me restava agora eram as paredes e grades frias do Saint Auguste.

E, ao pensar nisso, lágrimas quentes começaram a escorrer de meus olhos, molhando todo o meu rosto. Eu pensava em minha mãe que havia me deixado cedo demais, em Jess e Norah a quem eu nunca mais teria a oportunidade de ver e, principalmente, pensava em Pietro a quem eu havia tirado a vida e, sendo assim, qualquer outra oportunidade.

Pietro era um garoto bonito, gentil e inteligente. Teria um ótimo futuro, mas eu havia tirado tudo isso dele naquela noite em Angel’s House e, pensando nisso agora, talvez se eu tivesse escutado meu pai e ficado em casa nada daquilo tivesse acontecido. Infelizmente não havia formas de mudar o passado.

Voltei para minha cama e me deitei, abraçando o fino travesseiro de fronha branca que havia sobre ela e permitindo-me chorar por cada escolha errada que eu já havia feito.

Sem perceber, caí em um sono profundo e repleto de pesadelos, que nada mais eram do que tudo o que eu havia vivido de ruim até ali: a morte de minha mãe, as brigas com meu pai, o período de investigação do assassinato de Daniel Clark, as visões assustadoras em Angel’s House, a morte de Pietro, minha vinda para o Saint Auguste e, claro, os curtos períodos que passei com Bryan ali.

Não vou dizer que essa ultima parte era de todo ruim. A verdade é que tinha sido bem mais fácil aguentar meu primeiro dia no Saint Auguste tendo Bryan ao meu lado. Embora eu não o conhecesse bem, ele havia me passado uma segurança que eu, certamente, não teria se tivesse de enfrentar tudo sozinha. A parte ruim, entretanto, é que eu começava a achar que estivesse ficando realmente louca, já que parecia que apenas eu podia enxergá-lo e já que ele desaparecia como fumaça, sem deixar vestígios.

Acordei com Rose – uma das enfermeiras que eu havia conhecido em meu primeiro dia no Saint Auguste – abrindo a porta de aço de meu quarto, segurando uma bandeja com uma tigela de plástico cheia de uma sopa esverdeada e de aparência duvidosa, que era o jantar daquela noite. Ela colocou a bandeja sobre minha cama com cuidado e me entregou um pequeno copo descartável com duas pílulas – uma vermelha e outra amarela, como as últimas que eu havia tomado.

– Tome a medicação. – ela disse num tom que não era nem gentil nem rude.

Sua expressão permaneceu inalterada enquanto esperava que eu tomasse as pílulas, mas ela segurava discretamente em sua mão direita um pequeno taser igual ao que Janete havia usado em mim quando tentei fugir.

Olhei para ela por um instante, mas acabei por ingerir as pílulas depois. Ainda me lembrava da sensação de perder o controle sobre o meu corpo depois daquele choque e não queria repetir a dose. Além do mais, eu parecia estar ficando louca realmente... Talvez o melhor a fazer fosse mesmo tomar a medicação.

Rose recolheu o copo descartável onde estavam as pílulas e me estendeu o copo descartável com água, retirando-se da sala em seguida. Ela voltaria dali a quinze minutos para recolher a bandeja e o que sobrasse da sopa, então me sentei na cama e me forcei a comer o máximo que conseguisse daquela gororoba que chamavam de jantar, utilizando meus talheres descartáveis.

Em quinze minutos, pontualmente, Rose voltou para Recolher a bandeja acompanhada de Madeline e sua expressão de raiva interminável.

– Levante-se. – disse Madeline com seu jeito rude – Está na hora do banho.

Eu permaneci sentada em minha cama, apenas encarando-a. Era absurdamente estranho, ao meu ver, que eu precisasse de supervisão até para tomar banho, mas pela cara com que Madeline me olhava, estava claro que ela não se importava com esse fato.

– Você vai se levantar daí agora ou prefere passar a noite inteira suja? – perguntou ela, impaciente – A escolha é sua.

– Acho que posso tomar banho sozinha. Não preciso que me leve. – disse eu, colocando-me de pé, mas sem me mover um passo em sua direção.

– Ah, claro. Porque não pensei nisso antes? – disse ela irônica – Ah, me lembrei. É porque você tem mania de tentar fugir.

– Eu não vou tentar fugir. – respondi de mau humor.

– Se eu ganhasse um dólar toda vez que ouvisse isso, já poderia me aposentar. – disse Madeline pegando-me pelo braço e arrastando-me até o banheiro.

Ela esperou do lado de fora da porta até que eu terminasse e depois me arrastou de volta ao quarto, fechando a porta com força ao sair. Ainda fiquei encarando a porta por alguns instantes após a saída de Madeline, perguntando-me a que ponto minha vida tinha chegado. Toda a independência que eu havia conquistado ao longo de meus dezessete anos tinha sido arrancada de mim ao entrar no Saint Auguste, pois agora era como se eu fosse uma criança que precisasse de supervisão para tudo.

Deitei em minha cama e fiquei encarando o teto por um tempo, perdida em meus pensamentos. Quase tive outro surto de pânico quando as luzes se apagaram às sete horas, mas felizmente me lembrei que aquilo era normal no Saint Auguste. A informação, entretanto, não influenciou muito em meu desconforto.

Meu quarto estava na penumbra, sendo iluminado apenas por alguns raios do luar que conseguiam ultrapassar as grades da janela e havia ainda os diversos ruídos que ecoavam ao longo de todo o Saint Auguste e que deixavam tudo com uma áurea mais assustadora, fazendo-me quase desejar que Bryan estivesse ali de novo para me reconfortar.

Afastei essa ideia da cabeça e fechei os olhos, tentando me forçar a relevar todos os sons assustadores a minha volta e dormir, mas não obtive sucesso. Já havia cantado mentalmente quase todas as músicas que havia na playlist intitulada “As 25 melhores” em meu antigo MP3 e contado tantos carneirinhos que já havia até perdido a conta, mas não conseguia dormir. Então, decidi apenas cobrir minha cabeça com o travesseiro e esperar até que o sono quisesse vir.

– É difícil dormir quando se está com a consciência pesada, não é? – a voz grossa de Pietro disse para mim.

Meu coração disparou no mesmo instante e eu abri os olhos, assustada, retirando o travesseiro de cima de minha cabeça e olhando ao redor sem encontrar nada. Meu quarto continuava tão vazio quanto antes e o único barulho que eu conseguia ouvir eram os habituais ruídos noturnos do Saint Auguste e o silvo baixo do vento.

Desci da cama e me dirigi até a janela. A lua crescente lançava raios prateados sobre a paisagem lá fora, iluminando-a um pouco e deixando visível que tudo ali parecia na mais perfeita ordem, assim como em meu quarto.

– Eu devo ser mesmo louca. – eu disse a mim mesma, em voz baixa, dando uma última olhada na paisagem antes de voltar para a cama.

Entretanto, ao me virar me deparei com Pietro parado ao lado de minha cama e um grito esganiçado escapou de meus lábios.

Ele usava apenas uma calça branca de algodão e uma pulseira, também branca, estava presa ao seu pulso. Estaria muito parecido com os internos do Saint Auguste, não fosse pelo fato de estar descalço e sem blusa e, principalmente, pelo fato de estar todo encharcado pelo sangue que fluía de forma incessante dos três furos paralelos que havia em seu abdômen.

Pietro me encarou com seus olhos cor de mel, que estavam quase imperceptíveis por conta das olheiras arroxeadas que havia sob eles e de seus longos cachos dourados que praticamente os cobriam.

– Está com medo? – perguntou ele, assustando-me ainda mais.

Recuei o máximo que pude até a janela e fechei os olhos com força, sentindo meu corpo inteiro tremer por causa do pavor.

– Isso não é real. – sussurrei para mim mesma – Você está tendo um pesadelo, Loren. Acorde.

Abri os olhos devagar e olhei para o lugar onde Pietro estava, segundos antes, encontrando apenas o vazio. Já estava quase soltando um suspiro de alívio, quando fui brutalmente arremessada para o outro lado do quarto e meu corpo se chocou contra a parede, fazendo o ar deixar meus pulmões por um breve instante, antes de eu despencar no chão atordoada.

Ergui a cabeça o suficiente para ver Pietro próximo à janela, encarando-me com os olhos ardendo de fúria.

– Você fez isso comigo, Loren! – ele urrou para mim, enquanto eu me esforçava para me levantar do chão – Você me matou!

– Pietro... Eu nunca quis machucar você. – eu disse com certa dificuldade.

Ele se aproximou de mim novamente, segurando meu pescoço com força.

– Você está mentindo! – gritou, arremessando-me longe mais uma vez.

Meu corpo bateu contra a parede oposta e tive certeza de que, pelo menos, uma de minhas costelas havia se quebrado com o impacto. Ignorei a dor e me coloquei de pé no mesmo instante, movida mais pelo medo que pela força e corri em direção à porta.

– Socorro! – gritei, batendo os punhos com força na porta de aço do meu quarto, acordando todos os internos do corredor com o barulho.

Pietro agarrou meus cabelos e puxou-me para longe da porta enquanto eu me debatia desesperada.

– Você não pode fugir de mim, Loren. Vai ter de pagar pelo que fez comigo. – disse ele, jogando-me novamente contra a parede.

– Pietro, por favor, me solte! Eu não queria machucar você. – choraminguei, apoiando-me na parede para tentar me levantar, mas voltei a desabar quando a mão de Pietro acertou meu rosto em cheio.

– Cale a boca, sua maldita! Você me destruiu! Você destrói tudo, Loren!

Eu tentei me erguer mais uma vez, mas Pietro me atirou em minha cama, fazendo meu corpo se chocar contra sua cabeceira de ferro com um barulho estrondoso. Eu arfei, apertando minhas costelas com força e lutando para controlar minha respiração, mas Pietro não me deu muito tempo para me recuperar.

Com uma rapidez sobrenatural ele desapareceu de meu campo de visão e reapareceu ao meu lado, segurando meu cabelo mais uma vez e empurrando-me da cama com brutalidade. Sem tempo para reagir, acabei batendo meu rosto contra o chão,, abrindo um grande talho em meu lábio inferior de onde o sangue logo começou a jorrar.

– Porque fez isso comigo, Loren? Eu sempre ajudei você, sempre fui bom com você e foi assim que você retribuiu?! – disse ele segurando-me mais uma vez e arremessando-me contra a porta de aço de meu quarto, fazendo toda a estrutura do quarto estremecer.

– Desculpe... – foi tudo o consegui balbuciar, enquanto tateava o chão já sem forças para formular uma frase maior.

Quando eu olhava para Pietro já não conseguia mais enxergar o garoto gentil que havia sido meu amigo por quase três anos, só conseguia enxergar uma entidade cheia de ódio e rancor, muito parecida com todas as pessoas que me assombraram na festa em Angel’s House e, embora eu soubesse que o que estava ali agora já não era o meu amigo, não pude deixar de pensar que, talvez, o Pietro que conheci ainda estivesse ali em algum lugar e isso me deu forças para me levantar novamente.

– Pete... Eu... – balbuciei para ele, tentando ignorar a dor latente que percorria meu corpo – Eu nunca quis machucar você como machuquei. Por favor, me perdoe.

Ele me olhou com ódio e por um instante pensei ter visto seus olhos ficarem vermelhos, mas foi apenas por um breve instante. Logo em seguida, Pietro surgiu ao meu lado e me arremessou contra a janela de meu quarto, fazendo minha cabeça bater contra as grades da janela. Um corte profundo se abriu em minha testa e, um segundo depois, o sangue quente começou a escorrer por meu rosto.

– O que você fez não tem perdão! – ele gritou, arrancando uma das hastes de ferro da cabeceira de minha cama – Diga adeus a este mundo, Loren. Nós nos encontraremos no inferno.

Pietro investiu contra mim, mas não consegui me mover um centímetro sequer. Por causa da violência do impacto contra a janela minha cabeça latejava a tal ponto que impossibilitava qualquer tentativa de defesa ou fuga que eu pudesse ter. Então, apenas estendi a mão debilmente em sua direção já esperando por seu ultimo golpe, mas ele não aconteceu. Ao invés disso vi grandes asas negras surgirem, como se por mágica, a minha frente bloqueando toda a minha visão do quarto e, logo depois, ouvi o grito ensurdecedor de Pietro preencher o quarto.

Minha visão turva, por causa da pancada na cabeça, me impedia de compreender claramente toda aquela cena, mas eu pude notar que havia uma silhueta humana unida àquelas asas, e eu já não sabia dizer que parte daquilo era real e que parte era apenas fruto de minha mente danificada. Eu só sabia que todo o quarto estava girando e sumindo diante de mim.

– Loren. – ouvi uma voz aveludada e conhecida me chamar.

Abri os olhos devagar, conseguindo divisar com dificuldade o belo rosto de Bryan a minha frente. Seus olhos azuis profundos me encaravam com preocupação e, quando notei que ele possuía mesmo um grande par de asas negras preso às suas costas, eu quase sorri ao reconhecer o fato de que, talvez, eu tivesse mesmo ficado louca.

Tateei o ar a minha frente e toquei suas asas, sentindo sua textura macia, mas ao mesmo tempo forte. Elas pareciam muito reais sob o meu toque, mas eu sabia que aquilo era impossível. Seres humanos simplesmente não possuíam asas e, mesmo que possuíssem, eu já nem achava mais que Bryan era humano mesmo. Tinha quase certeza de que ele nem existia de verdade, afinal, de que outra forma ele poderia ter entrado em meu quarto naquele momento, quando eu mesma nem conseguia sair?

Então, apenas retirei a mão de suas asas e toquei seu rosto, sentindo o calor que emanava dele e me permitindo perder-me um pouco mais em minha loucura, enquanto ele me envolvia com cuidado em um abraço cheio de ternura.

Se aquilo era real ou não, eu não tinha como saber. A única coisa que sabia era, que fosse ou não uma alucinação, eu estava feliz por Bryan estar ali.

– Meu anjo... – foi tudo o que consegui dizer antes de cair na mais completa escuridão

Notas finais
Bem, mais uma vez desculpem a demora e espero que tenham gostado do capítulo. Se sim, me mandem reviews o/ e se não, me mandem reviews também porque a opinião de vocês é importante para mim.Beijos e até a próxima quarta-feira, no capítulo 14 de Killer!