Killer

12 Entre a Cruz e a Espada.


Notas iniciais
Desculpem a demora para postar. Com as provas na faculdade e escrevendo duas fanfics ao mesmo tempo, ficou meio difícil ter inspiração suficiente para terminar esse capítulo, mas aqui está ele. Espero que gostem e espero que, com ele, eu possa esclarecer alguns fatos dos últimos capítulos. Boa leitura!

[Bryan P.O.V.]

Já estava escuro quando pousei sobre uma das pilastras da Ponte Melbany. Minha mente trabalhava a mil por hora para encontrar uma solução ou um sentido em tudo o que eu estava fazendo, mas não encontrava nada, além da vontade louca de protegê-la e do sentimento terrível de que, de alguma forma, eu estava fracassando.

Só notei muito tarde que alguma coisa se aproximava rápido demais. Senti um golpe forte atingir minha mandíbula e me arremessar à distância, fazendo-me deslizar sobre as águas gélidas do Rio Mortari, de encontro a um conjunto de rochas em seu leito.

Com o impacto, as rochas se partiram e alguns pedaços desabaram sobre mim, praticamente soterrando-me. Agitei minhas asas e lancei alguns pedaços das rochas para longe, impulsionando-me logo em seguida para sair dali.

Antes que eu pudesse sequer estar totalmente livre de todos os pedaços de rocha, outro forte golpe acertou meu rosto e, mais uma vez, fui lançado longe. Meu corpo bateu nas árvores da floresta densa que margeava o rio, rachando o tronco de boa parte delas, até que eu finalmente parasse.

Só então pude ver Jeremyah voando em minha direção com os punhos cerrados. Ele pousou há alguns metros de mim, encarando-me com uma expressão de fúria no rosto e a raiva apoderou-se de mim no mesmo instante.

– Você é louco? – berrei para ele, pondo-me de pé num salto e indo em sua direção disposto a descontar cada soco que ele havia me dado.

– O que você pensa que está fazendo, Bryan?! – Jeremyah berrou de volta para mim, também partindo em minha direção.

Antes que pudéssemos nos alcançar, Lorelei aterrissou entre nós, estendo as mãos para nos interceptar.

– Parem com isso! – ela gritou – Já chega, Jeremyah.

Jeremyah parou ainda relutante, depois olhou furioso para mim e se afastou, socando uma grande árvore próxima dali, partindo seu tronco ao meio.

– Qual é o seu problema? – gritei para ele.

– Você! – ele respondeu, virando-se para mim – Você é o problema, Bryan. Sempre foi e sempre será o problema.

Jeremyah parecia transtornado. Daquela forma assemelhava-se mais a um demônio que a um anjo e eu nunca o tinha visto tão furioso assim. Olhei para Lorelei confuso.

– Do que ele está falando?

– Sabemos que você tem ido ao Saint Auguste. – ela respondeu, tristemente.

– Ah, então é isso. – disse eu, virando as costas para os dois.

– Você nunca vai aprender, Bryan? Nunca?! – perguntou Jeremyah – Você prometeu que iria parar. Porque não pode apenas cumprir sua promessa e esquecer essa garota?

– Porque eu a amo. – gritei, virando-me para encará-lo – Eu a amo, Jeremyah. Por isso eu não posso esquecê-la.

Jeremyah cobriu o rosto com as mãos e respirou fundo algumas vezes. Quando finalmente o descobriu, seus olhos ardiam com uma mistura de fúria e tristeza incontidas.

– Eu desisto. – disse ele – Não posso mais, Bryan.

– Jeremyah...

– Você é nosso irmão e eu quero o seu bem, mas eu desisto de tentar te salvar, porque eu simplesmente não posso salvar quem não quer ser salvo.

– Você não entende...

– Não, Bryan. É você quem não entende. – Jeremyah me interrompeu – Não importa o quanto eu, ou Lorelei, ou quem quer que seja, tente fazê-lo entender, você jamais entenderá. Jamais entenderá que enquanto estiver perto da Loren só vai conseguir acabar com sua vida e com a dela. Jamais entenderá que enquanto acha que a está protegendo, apenas a está condenando ainda mais. E jamais entenderá que vai acabar perdendo-a de uma forma ou de outra.

– Eu estou fazendo o melhor que posso, Jeremyah. – disse eu cansado.

– Não. Você não está. Parece que não ouve uma só palavra do que tentamos dizer a você e eu não quero estar aqui quando o pior acontecer. Não quero ver você ser lançado no inferno como tantos de nossos irmãos e, mais do que tudo, não quero ver seu sofrimento quando finalmente se der conta de que podia ter feito tudo certo e não fez.

– Estou tentando salvá-la. – retruquei – Há um motivo para a Loren ter sido mandada para aquele lugar.

Jeremyah bufou impaciente.

– Bryan, ouça o que Jeremyah está dizendo. Apenas uma vez o ouça. Não caia nas armadilhas de Lúcifer. – Lorelei implorou.

Olhei para os dois por um momento. Meus irmãos e companheiros de tantos anos, que agora me olhavam como se eu fosse uma guerra perdida. Eu sabia que eles queriam o melhor para mim, mas eles teriam que confiar que dessa vez eu faria a coisa certa.

– Não vou deixá-la. – disse eu, por fim.

Jeremyah e Lorelei me olharam com pesar e eu quase podia tocar a tristeza que emanava deles.

– Então, simplesmente, não tenho nada mais que fazer aqui. – disse Jeremyah – Adeus, Bryan.

Ele abriu as asas e alçou voo, afastando-se rapidamente. Lorelei me encarou por mais um instante.

– Espero que saiba o que está fazendo. – disse ela, correndo para me abraçar.

Eu retribuí ao seu abraço com força.

– Eu também espero. – respondi.

Lorelei soltou-se de mim e abriu suas asas.

– Adeus, Bryan. – ela alçou voo e rapidamente sumiu no céu escuro.

Ainda permaneci encarando o céu por alguns minutos antes de começar a chorar. Não sei até que ponto os sentimentos angelicais se assemelham com os sentimentos humanos, mas se eu pudesse descrever o que sentia seria um completo sentimento de impotência diante de tudo o que estava acontecendo.

Eu sabia que estava deixando passar alguma informação importante, mas não conseguia identificar qual era. Por isso repassei mentalmente toda a conversa que Jeremyah, Lorelei e eu tínhamos tido na noite após a festa em Angel’s House, onde Loren acabou ferindo Pietro, e tudo o que acontecera depois.

***

– Estive conversando com Natanael. – disse-me Lorelei naquela noite, assim que entramos na casa da colina – Ele disse que O Exército está em alvoroço porque Lúcifer está tramando para tomar o lugar de Deus.

– Não sei qual é a grande novidade. – disse eu de mau humor – Lúcifer trama para roubar O Trono desde a criação dos seres humanos.

Lorelei olhou para mim com raiva. Ela odiava ser interrompida, mas eu odiava ainda mais o fato de ela e Jeremyah não terem me deixado ajudar a Loren naquela noite, por isso não estava com muita paciência para aquela conversa.

Meu corpo estava na casa da colina, mas minha mente vagava até Angel’s House, onde eu havia deixado Loren desamparada. Eu me perguntava se ela estava bem e o que havia acontecido depois que saímos de lá.

– Natanael me disse que O Exército encontrou indícios de que Lúcifer esteve na Terra. – Lorelei continuou.

– Isso é impossível. – disse eu interrompendo-a mais uma vez – O próprio Miguel selou a prisão. Lúcifer não pode sair do inferno antes do Apocalipse.

– Acho que ele encontrou uma maneira de burlar o selo de Miguel, então. – disse ela.

Eu bufei e me coloquei de pé, indo em direção à janela.

– Que seja! – exclamei impaciente – Que importância tem isso para mim? Você e Jeremyah me trouxeram até aqui para falar sobre a incompetência de Miguel ou para me explicar porque O Exército estava em Angel’s House essa noite? – perguntei frustrado – Ter Lúcifer passeando pela Terra é um grande problema, é verdade, mas foi Miguel quem selou a prisão e se ele não fez o trabalho direito, não há nada que se possa fazer. Os planos de Lúcifer não são problemas meus.

– Lúcifer esteve aqui em Trevolts, Bryan. – disse Lorelei. – E O Exército estava em Angel’s House porque acha que os planos dele envolvem você.

Eu estava pronto para retrucar, mas tudo o que consegui depois foi encará-la sem reação, enquanto tentava assimilar o que ela havia dito.

– Eu?! – exclamei por fim – Porque esses idiotas acham Lúcifer estaria atrás de mim?

– O que mais há aqui em Trevolts que poderia interessá-lo, Bryan? – perguntou Jeremyah.

– Como eu posso saber? – perguntei indignado.

Era simplesmente uma droga que todos achassem que eu podia decifrar a mente de Lúcifer só porque nós éramos amigos quando ele ainda era um anjo. Aquilo tinha sido há muito tempo atrás e muita coisa havia mudado desde então. O próprio Lúcifer havia mudado tanto que chegou a ser aprisionado no Inferno. Eu e ele não tínhamos mais nenhuma afinidade agora.

– Lúcifer sabe quem você era, Bryan. – disse Jeremyah – Pode ser que vocês não tenham mais nenhum contato, mas Lúcifer não se esqueceu de você.

– Eu não sou mais como era antes. Não serviria de nada para ele agora e ele deve saber muito bem disso. – retruquei – Lúcifer pode ser doido, mas não é burro, Jeremyah.

– Ou talvez ele tenha outros planos agora. – disse Lorelei, cautelosa.

– O que quer dizer com isso? – perguntei já alterado.

– A Loren, Bryan. Será que você ainda não percebeu? Os espíritos na festa, o que ela fez com o garoto... Aquilo não foi normal e eu aposto minhas asas que Lúcifer estava por trás de tudo.

Pensei um pouco a respeito. De fato, os acontecimentos daquela noite contrariavam tudo o que podia ser considerado natural, mas seria mesmo possível que Lúcifer fosse o responsável por tudo aquilo? E, se fosse, o que ele poderia ganhar atormentando a Loren daquela forma? Ela era apenas humana, afinal.

– Não consigo entender que valor a Loren teria para Lúcifer. Ela não pode fazer nada por ele. – expliquei.

– Aí é que você se engana. – disse Jeremyah, colocando-se de pé também – Tem uma coisa que só ela pode fazer.

– Que seria? – questionei.

– Enlouquecer você. – disse ele.

Soltei uma grande gargalhada. Não podia acreditar que Jeremyah estava falando sério, mas ele continuou a encarar-me com seriedade.

– Você precisa se afastar da Loren, Bryan. É sério.

– Preciso me afastar dela porque você acha que Lúcifer vai usá-la para me enlouquecer? – perguntei divertido – Foi a desculpa mais esfarrapada que você já inventou até hoje.

– Não é uma desculpa. Lúcifer está criando uma armadilha para você e você está fazendo questão de ir direto para ela. O que você sente pela Loren está te deixando cego.

– Ok, Jeremyah. Então, vamos apenas supor que você esteja certo. Como você acha que posso me afastar da Loren sabendo que Lúcifer a está usando como uma peça de xadrez? – perguntei – Se você sabe o que eu sinto por ela, então sabe que eu não posso simplesmente deixá-la nas mãos dele.

Tanto Jeremyah quanto Lorelei se calaram depois disso, porque havia ficado óbvio para eles que eu não os escutaria e como eles não disseram nada mais, eu me dirigi à porta.

– Onde você está indo? – indagou Lorelei.

– Vou ver se a Loren está bem. – respondi.

Ela e Jeremyah me encararam com visível preocupação.

– Fiquem tranquilos. – acrescentei – Serei cuidadoso.

Então saí para a noite fria de Trevolts e segui para Angel’s House, deixando-os inconformados atrás de mim.

A fazenda estava agitada quando cheguei. Havia luzes e sirenes por todos os lados, além de pessoas chorando e policiais andando para lá e para cá com suas lanternas pelo estábulo a procura de qualquer evidência. Eu sabia que Trevolts tinha apenas dois policiais, então aqueles deveriam ter sido chamados como reforço.

Pietro já havia sido retirado dali e levado para o hospital, mas havia uma grande poça de sangue no local em que antes ele estava. Loren, porém, não estava em lugar algum de Angel’s House.

Imaginei que ela pudesse ter sido levada para a delegacia para esclarecer o que havia acontecido com Pietro, mas antes que eu pudesse me deslocar até lá senti a presença de um anjo próximo a mim. Meio segundo depois Sarakiel pousou na minha frente.

– Está perdido? – perguntou ele.

Apesar de seu tom calmo, seu olhar era frio e duro sobre mim.

– Não. – respondi apenas.

Sarakiel se aproximou e andou ao meu redor, analisando-me.

– Então, poderia me explicar, porque não fez o seu trabalho?

Eu o encarei por um instante, sem entender o que ele estava querendo dizer, mas então arregalei os olhos ao lembrar-me de Theodore Walters. Com toda a confusão em Angel’s House eu havia me esquecido de acompanhá-lo.

Sarakiel balançou a cabeça de forma negativa.

– Está ultrapassando os limites de novo, Azrael. Você já foi punido uma vez. Não gostaria de repetir a dose, gostaria?

Fiquei em silêncio. Eu me lembrava bem de minha punição e sabia exatamente o que sofreria se cometesse outro erro.

– Muito bem. – disse Sarakiel diante de meu silêncio – Volte ao seu trabalho então.

Assenti de má vontade e virei as costas para ele, para me dirigir ao meu próximo trabalho então, mas antes que eu pudesse fazê-lo, Sarakiel colocou a mão em meu ombro.

– Mais uma coisa, Azrael. – disse ele, olhando-me com seriedade – Se eu souber que saiu da linha novamente, farei questão de arranjar um lugar especial para você ao lado de seu amigo. Sabe a quem me refiro, não é?

Desvencilhei-me dele e continuei a seguir meu caminho sem olhar para trás, logo depois senti a presença de Sarakiel desaparecer.

Em outras circunstâncias eu teria seguido imediatamente para a delegacia onde imaginei que encontraria Loren, mas ao invés disso, apenas abri minhas asas e voei para casa do humano que eu deveria matar.

Eu precisaria de mais cuidado daqui pra frente. Se fosse punido de novo, jamais poderia ver Loren outra vez.

Tudo o que soube sobre Loren nos dias que seguiram é que ela estava na delegacia e seria julgada pelo que fizera a Pietro. Reprimi o quanto pude o desejo de desobedecer Sarakiel e ir até ela, e estava sendo bem sucedido nisso, até Lorelei aparecer com uma péssima notícia.

– Pietro está morto. – disse ela preocupada.

Eu me coloquei de pé no mesmo instante.

– Isso não é possível. – retruquei – Ele só deveria morrer daqui a setenta anos.

– Eu sei, Bryan. – Lorelei me olhou assustada – Alguém desrespeitou as leis de Deus.

– Quem faria algo assim? – perguntou Jeremyah horrorizado.

Mas eu não precisei pensar muito para descobrir.

– Lúcifer! – vociferei e subitamente foi tomado pela fúria.

Minhas asas se abriram bruscamente antes que eu pudesse pensar nisso, e então saí em disparada para a delegacia antes que Jeremyah ou Lorelei pudessem me impedir. Não me importava se Sarakiel estaria ou não me vigiando. Eu precisava saber se Loren estava bem.

Quando cheguei à delegacia encontrei Loren em sua cela acompanhada de um homem, com quem conversava sobre a morte de Pietro. Ao que pude perceber aquele homem era seu advogado e tentava falar com ela sobre sua estratégia de defesa para o julgamento do dia seguinte.

Eles logo começaram a brigar e não demorou muito até que Loren o mandasse embora dali. Um dos policias veio abrir a cela para ele e quando ele passou por mim senti uma estranha vibração emanar de seu corpo. Eu poderia ter ignorado aquilo, mas havia algo estranhamente familiar naquela sensação, por isso decidi segui-lo.

Entretanto, assim que saí da delegacia o homem já não estava ali. Olhei ao redor confuso por um instante, tentando encontrar algum sinal dele na noite escura e já estava quase desistindo quando, novamente, senti aquela estranha vibração. Virei-me em direção à delegacia, dando de cara com o homem.

– Procurando alguém? – perguntou ele calmamente.

Ele olhou para mim e pude ver que seus olhos estavam tão vermelhos quanto sangue e então reconheci a vibração maligna que emanava dele.

– Lúcifer?! – exclamei assustado.

Ele abriu um sorriso diabólico para mim.

– Porque a surpresa? Não consegue mais reconhecer o próprio irmão?

Só então percebi o que estava acontecendo ali. Aquela não era a forma humana de Lúcifer. Ele estava apenas possuindo o corpo daquele mortal.

Segurei a gola de seu terno e empurrei contra a parede.

– Como saiu de sua prisão, Lúcifer? – exigi saber.

– Você saberá em breve. – disse ele e desapareceu.

Ainda fiquei olhando ao redor durante algum tempo, tentando sentir sua presença ou descobrir para onde ele havia ido, mas ele sabia muito bem como ocultá-la. Agora eu sabia que Loren corria um grande perigo, mas ainda não conseguia entender o que Lúcifer poderia querer com ela.

Jeremyah e Lorelei apareceram de repente na delegacia com seus costumeiros olhares de preocupação para mim.

– Não pode sair assim, Bryan. Sarakiel pode estar vigiando você. – disse Jeremyah.

– Lúcifer esteve aqui. – disse eu, fazendo-o sobressaltar-se.

– Lúcifer?! – Lorelei exclamou – Você tem certeza?

– Eu o vi. Ele está possuindo um mortal e se fazendo passar pelo advogado da Loren. – expliquei.

– Você precisa contar isso ao Exército imediatamente. – disse Jeremyah.

Eu descartei a ideia.

– Eles irão me acusar de estar ajudando Lúcifer. – disse eu frustrado – Já esqueceu o que aconteceu no passado? Ninguém pode saber que encontrei Lúcifer aqui.

– Mas, Bryan, Lúcifer é traiçoeiro. Você e a Loren podem estar correndo um grande perigo. Você precisa avisá-los. – disse Lorelei.

– Não. Se ele está se passando pelo advogado da Loren, então ele deve ter um plano e eu preciso descobrir o que ele está armando. Não vou deixar O Exército agir antes de saber exatamente o que ele quer com ela. Prometam que não contarão a ninguém o que eu lhes disse sobre Lúcifer.

Jeremyah e Lorelei pareceram relutantes, mas por fim concordaram.

– Apenas tome cuidado, Bryan. Lúcifer é perigoso. – disse Jeremyah, antes de voltar com Lorelei para a casa da colina.

No dia seguinte, vi Lúcifer desempenhar seu papel de advogado no julgamento de Loren. No fim, Loren foi mandada ao Hospital Psiquiátrico Saint Auguste, embora eu tivesse plena certeza de que ela não era louca. Aquilo era, com certeza, mas uma armação de Lúcifer. O que eu não sabia era porque ele havia feito aquilo.

Não precisei confrontá-lo dessa vez, pois assim que o julgamento terminou ele veio até mim.

– Livrei sua amada da cadeia, meu irmão. – disse ele – Não está feliz?

– O que está armando, Lúcifer? O que quer com ela? – perguntei, tentando controlar a raiva que parecia fluir cada vez mais forte dentro de mim.

– Quero apenas ajudá-la. – respondeu ele.

– Não minta para mim. Eu conheço você melhor que ninguém. – retruquei.

– Apenas entristece-me, que você não acredite em seu próprio irmão. – disse ele – Mas um dia você descobrirá que tudo o que fiz foi por você, Azrael. Porque você é importante para mim.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, senti a presença de Lúcifer esvair-se por completo daquele mortal e logo seu corpo despencou aos meus pés. Lúcifer havia ido embora, deixando-me com uma enorme dúvida.

Tudo o que eu sabia era que fosse o que fosse que Lúcifer tramava, eu não poderia deixar Loren sozinha. Havia um motivo para ele tê-la mandado para Saint Auguste. Havia algo que ele queria dela e eu faria de tudo para descobrir o que era.

***

Aquilo era tudo de que eu me lembrava e por mais que eu repassasse tudo o que havia acontecido mil vezes em minha cabeça, ainda assim não conseguia encontrar nada que pudesse me ajudar a desvendar seus planos.

Gritei de frustração e levei as mãos aos olhos, permitindo-me cair de joelhos na areia grossa da margem do Rio Mortari. Toda força que eu tinha, não era suficiente para me manter de pé, quando eu sentia que estava deixando Loren à mercê das armações de Lúcifer.

Chorei em desespero por mais alguns instantes, até que finalmente pareci ter libertado toda a frustração de dentro de meu peito e, depois, me coloquei de pé novamente e encarei a noite escura.

Eu nada podia fazer enquanto continuasse ali me sentindo um completo fracassado. Se eu quisesse deter Lúcifer teria que me esforçar mais. Abri minhas asas negras e voei de volta ao Saint Auguste, onde eu a havia deixado horas antes.

Loren precisava de mim e eu não iria falhar com ela dessa vez.

Notas finais
Bem, espero que tenham gostado e espero que agora algumas peças tenham começado a se encaixar. Me digam sua opinião sobre esse capítulo e sejam bem criativos hein XD beijos e até o proóximo.