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2 Capítulo 01 - Euforia


Ele correu pela multidão, tentando encontrar a garotinha sem ao menos saber como era seu rosto. Estava no meio das pessoas que passavam pela rua, olhando para os lados, quando viu uma menina segurando a mão de sua mãe. Estava olhando para ele.

Vincent viu quando a garotinha deu um sorriso malicioso, tirou de dentro do seu vestido rosa uma faca de cozinha, virou-se para a mãe e a esfaqueou na altura do estômago.

A mulher caiu no chão e a garotinha, descontrolada, continuou a esfaqueá-la furiosamente. As pessoas perceberam e começaram a gritar desesperadas. Algumas correram para longe, enquanto alguns homens tentavam segurar e desarmar a garota, que gritava incessantemente, como... Como um demônio.

Ele correu para ajudar a mulher, que estava deitada no chão, com os olhos semiabertos. A esposa do dono da quitanda já estava com o kit de primeiros socorros e o local onde a garota esfaqueara a mãe estava cheio de gases. A mulher quase não teve forças de sentir dor quando a outra colocou álcool para não infecionar. Estava morrendo.

A garotinha debatia-se loucamente nos braços de um homem, enquanto outros dois seguravam suas pernas e braços. Estava suja de sangue.

– O que houve? – Vincent ouviu uma mulher perguntar a outra ali perto.

– A garota esfaqueou a mãe, subitamente.

– Oh meu deus.

Ele ouviu um grito e todos olharam para o homem que segurava a garota. Ele estava com a mão direita sobre o braço esquerdo, onde um pouco de sangue escorria. Enquanto isso, a garota corria como um lobo em direção à floresta.

– Oh meu deus – Foram ajudar o homem. Quando ele tirou a mão do braço, Vincent viu o tamanho do ferimento que uma mordida da garota causou. As marcas dos seus dentes estavam ali, cheias de sangue, no braço do homem.

Quatro homens tentaram correr atrás da garota, mas ela corria de um modo que parecia humanamente impossível.

No meio da euforia – As pessoas horrorizadas com o que acabara de acontecer. A mulher quase morta no chão da cidade, sendo ajudada por outra que parecia mal saber o que estava fazendo – Ele lembrou do que a garota disse minutos antes. “Ele me mandou matar meus pais e minha irmã Althea e eu vou fazer”.

– Precisamos achar a garota – O padre disse, atraindo a atenção de todos ali – Ela vai matar o pai e a irmã.

– Como você sabe?

– Ela me disse, há alguns minutos, na igreja. Disse que iria matar o pai e a irmã, Althea.

– Mas que merda – Um homem exclamou.

– Vamos de carro? – O do braço ferido perguntou.

– Não podemos entrar na floresta em um carro – Vincent lamentou.

– Mas podemos ir até a casa dela, eu conheço seu pai – Outro homem entrou na conversa.

– Então vamos.

Os homens entraram no carro de um deles – Vincent estava no meio – E o motorista deu partida, saindo rapidamente em seguida.

***

Minutos depois, estavam correndo em alta velocidade (Alta para um carro pequeno daquele) por uma estrada esburacada no meio da floresta. Cinco homens dentro do carro.

– Aquela garotinha – O padre comentou – Ela não parecia normal.

– Eu conheço a família dela, Sophie sempre foi a mais doce das irmãs – O homem que dirigia disse.

– Ela tem mais irmãs, além de Althea?

– Sim, tem mais uma garotinha de 8 anos, Sarah.

– Precisamos chegar antes dela.

– Estamos de carro, é claro que chegaremos.

– Você viu como aquela garota corria? – Um dos homens sentados no banco traseiro exclamou.

– Não se preocupem, eles vão ficar bem.

Vincent fixou seus olhos na estrada, segurou seu pequeno terço com toda a força e fechou os olhos. Rezou.

***

O corpo sem vida de Amy Paulson estava dentro de um tipo de saco preto e alguns homens colocavam-na dentro de uma humilde ambulância que havia chegado tarde demais. A população estava chocada e nenhum familiar havia aparecido.

– A família ainda não foi avisada, devo mandar uma carta? – Uma mulher perguntou.

– O padeiro foi até a casa da família com alguns homens – Outra comentou.

***

O carro barulhento do padeiro parou em frente à entrada da pequena fazenda da família. As vacas estavam comendo o pasto normalmente e as galinhas cacarejavam no celeiro. Parecia tudo normal por ali.

A portinhola da cerca estava aberta, então eles entraram.

Chegaram à varanda da casa e bateram na porta. Ninguém veio atender.

– Merrin? – Um homem chamou o dono da fazenda, mas não obteve resposta.

– Vamos entrar – O padre disse.

– Por quê?

– Ninguém respondeu ao nosso chamado.

– Talvez estejam fora de casa.

– Merrin é fazendeiro, porque não estaria na fazenda? – O homem que o conhecia disse – É realmente estranho.

– E além do mais – Vincent continuou e girou a maçaneta, fazendo a porta abrir – A porta está aberta.

Os homens entraram na casa e instantaneamente ouviram algo. Era o rádio. Estava ligado e ninguém estava ouvindo. A casa parecia vazia naquele momento, e o silêncio era quebrado por um homem falando de modo engraçado pelo rádio.

O padre andou por um corredor da casa e percebeu que havia uma porta aberta no fim do corredor. E havia uma sombra saindo do cômodo. Uma silhueta.

Ele chamou os outros homens com um gesto com a mão e silenciosamente caminhou pelo corredor – Não queria assustar a garota, precisavam pegá-la.

Quando ele viu o que havia dentro do que aparentemente era um quarto, ficou horrorizado. Segurou o terço com a mão esquerda e fez o sinal da cruz no peito com a outra mão.

O que havia no quarto era realmente era uma pessoa. Era o pai de Sophie. Estava com uma corda no pescoço, pendurado o ventilador do teto. Sua barriga estava aberta e suas vísceras haviam sumido. Havia era sangue por todos os lados, e, também, algo pequeno no meio de todo aquele líquido espesso e vermelho. Pequenas pegadas que davam na janela. Vincent andou até ela e percebeu que as pegadas de sangue, misturadas com terra, corriam para o meio do mato. Para a imensidão verde que dava na floresta.

– Temos que achar a garota o mais rápido possível – Ele disse, segurando seu terço com toda a força.