Ketsueki No Omoide - Kaen No Rei
9 Capítulo 8
Notas iniciais
CAPÍTULO 08
Ártemis observou o movimento das tropas com o arco abaixado no colo. A manutenção dele tinha se tornado tão fácil com o passar do tempo que era quase inconsciente. Todo o processo de trocar a corda e testar sua flexibilidade, checar os ganchos da madeira e sua envergadura, a resistência e a qualidade das flechas foi sendo feito enquanto ele seguia com os olhos como os shinobis corriam de um lado pro outro, trocando ordens e informações e reclamações. Ele estava tão distraído que fez o processo todo duas vezes sem nem perceber, a mente pulando de um lugar para o outro, exatamente como ele fazia desde criança.
Crescendo sozinho, num mundo cheio de pessoas assustadoras que não precisavam dos punhos pra lutar, podiam usar o fogo e a água, e eram tão rápidos que você podia morrer antes mesmo de notar isso o fez ser imensamente cauteloso sobre os seus arredores. No entanto, sua mente era teimosa. Enquanto uma parte dela se ocupava em categorizar tudo ao seu redor, desde os múltiplos possíveis alvos e a maneira mais eficiente de mata-los, todas os níveis de plataforma na vila e a distância e velocidade do vento, uma outra parte ficava lhe trazendo memórias inúteis de volta. Divagando. Seus braços pareciam se ajustar a resistência do arco, sabendo o momento preciso de soltar a flecha e o interminável ciclo de puxar outra da aljava de suas costas. Agora eram duas. Numa guerra, ele não podia se dar ao luxo de ficar sem flechas.
-Ártemis-sama! – um dos ninjas na rua arquejou, se vendo de repente na mira de uma flecha agilmente colocada no arco pelo estranho sentado no telhado – M-Mei-sama pediu pro senhor comparecer a sua sala...
-Entendido...
Recolocando a flecha junto com as outras, ele dobrou o arco por trás do antebraço, de forma que ele fosse coberto pela capa. Seu sensei o tinha ensinado como colocar o arco nas costas, mas levava tanto tempo pra tirar de lá que seria inútil num ataque. Também foi o motivo pelo qual ele morreu. Desde aquele dia, Ártemis nunca mais guardara o arco, o mantendo sempre na mão rente as costas. Isso tinha tanto tempo que sua mão esquerda não conhecia mais a sensação de estar relaxada.
Saltando do telhado, ele deslizou pela parede íngreme até parar suavemente no chão, seguindo a pé numa caminhada lenta e tensa. Um flash incomodo daqueles lábios violeta no seu pescoço vieram a sua mente por um segundo, deixando seu rosto vermelho até a raiz dos cabelos. Ele se forçou a esquecer isso.
No escritório, Mei esperava com dois outros shinobis. Eles eram bem aleatórios, as roupas padrão de jounnin, sem nada que os pudesse diferenciar um do outro. Ambos se curvaram quando ele entrou.
-Mandou me chamar, Mizukage-sama?
-Hai – ela respondeu tranquilamente, sorrindo – Eu não tenho nenhuma missão de importância por hora, então resolvi te ocupar com uma patrulha, afinal, não estou te pagando pra ficar sem fazer nada...
-Você não esta me pagando de qualquer maneira...
-Não fique se prendendo a detalhes – ela agitou as mãos com um sorriso constrangido no rosto corado, então soltou um sorriso lascivo na sua direção – Eu posso te pagar depois... o que acha?
O rosto do arqueiro poderia estar fervendo por debaixo daquela capa, mas seus cabelos longos escondiam as feições envergonhadas.
-H-Hai... – ele resmungou – Qualquer que seja, eu vou estar esperando nos portões...
Ignorando o rubor no rosto dos dois jounnin, Mei os dispensou, e voltou a observar o mapa. Todo o tampo da sua mesa era ocupado por ele, meio amarrotado, coberto com alguns papéis esparramados sobre as áreas sem importância e com machas de café no azul do oceano.
-Esses jovens de hoje em dia – um ninja escondido nas sombras murmurou – Misturando seus deveres com diversão desse jeito, no meu tempo nós não pagávamos as pessoas com sex...
-Ao... – Mei disse docemente – Cale a boca ou vou te matar...
-H-Hai...
Zabuza parecia mais tenso a capa quilômetro que nos aproximávamos da ilha. Não tenho como adivinhar o que ele estava pensando, mas medo não era uma das hipóteses mais prováveis. Pessoas como ele, e eu tinha que admitir, não se assustavam fácil. Muitos dos mais perigosos shinobis desses tempos eram pessoas que não tinham medo de nada. Alguns idiotas que se atiravam de frente ao perigo, outros peões manipulados de forma que perdessem completamente seus sentimentos e pensamento próprio, e outros eram ainda mais idiotas do que a primeira categoria, por que mesmo estando apavorados, engoliam isso e continuavam lutando com tudo o que tinha.
Se fosse pra chutar, eu colocaria Zabuza em algum lugar entre a primeira e a terceira categoria.
-Falta muito pra chegarmos? – perguntei por perguntar, só pra quebrar o silêncio. Há centenas de anos que eu nadava fundo naqueles mares, e pouca coisa tinha mudado desde então.
-Esta ficando cansado Naru-chan? Se quiser eu te carrego – Yugao sugeriu com um sorriso.
-Não precisa Yu! Eu carrego! – Anko retorquiu.
-Não! Eu carrego!
-Baka! É claro que eu vou carregar o Naru-chan-kawaii!
Vendo as duas começarem a brigarem sobre quem devia carregar me fez considerar se era melhor ter ficado quieto... Nem, assim era mais divertido.
-Kurenai-sensei! A senhora pode me carregar? – Kiba pediu, se fazendo de cansado de repente.
-Iee...
-Mas...
-Seja homem Kiba! Nós não corremos nem trinta quilômetros ainda – Kurenai rugiu, em seguida se voltou pra mim com um sorriso bobo – Mas se quiser eu te carrego, Naru-chan...
Neguei envergonhado enquanto Kiba me fulminava com o olhar. A situação era impagável. Hinata e Shino estavam se mantendo muito bem também, embora suor escorresse mais abundante pelo rosto de Shino que dos outros. Compreensível. Seu treinamento era principalmente focado na manipulação dos insetos, físico não era um forte dos Aburame. Kurenai notou isso alguns minutos depois, e passou a carrega-lo, quando Anko e Yugao já tinham parado de brigar e estavam conversando sobre algum assunto qualquer, um pouco tensas pela expectativa do que estava pra acontecer.
Éramos quatro gennins, três jounnin de elite, dois nukennins e cinco cachorros. Um grupo incomum em muitos aspectos diferentes, incluindo o de um dos nukennins ser um Deus Dragão que podia dobrar a água a sua vontade, e eu um Deus Demônio que ainda lembrava a época que os humanos marcavam suas posses em tábulas de argila... Apesar disso, teria sido uma boa ideia interferir naquela guerra?!
Talvez sim, talvez não... Eu não via Haku a muito tempo, e a vontade de continuar com ele me fez agir impulsivamente, ainda assim, todos e cada um naquele grupo eram ninjas extraordinários, e os que ainda não eram tinham um potencial monstruoso.
A começar de Hinata, uma garota tão genial que me assustava de verdade que todos achassem que era um fracasso. Quando as pessoas se prendem tanto aos seus próprios conceitos, qualquer melhora é encarada como uma falha, e foi isso que aconteceu com ela. O seu corpo flexível não dava conta de dominar com perfeição os movimentos rígidos do estilo Hyuuga de punhos leves, mas isso era apenas por que era um estilo incompleto e imperfeito. Se as katas fossem modificadas um pouco, adaptadas a fisiologia daquela garota... Seria devastador, toda a precisão dos seus golpes fulminantes aliado a uma esquiva perfeita... Pena que eles não sabiam disso... Talvez eu devesse contar?!
Shino, por outro lado, era simples e puramente inteligente o bastante pra entender tudo, analisar tudo e aprender tudo com eficácia o bastante pra deixar as artes falarem por si próprias. Ele não era o que eu consideraria um gênio, mas era muitos degraus acima de Sasuke, com certeza.
E por último, e não menos importante, Kiba. Ele era o caso mais simples, e ao mesmo tempo, o mais interessante. Apesar de ser cabeça oca e gritalhão, ele tinha um chakra tão arredio que me assustava. A razão pra ele levar algum tempo pra dominar os jutsus mais complexos do seu clã era que, mesmo pra padrões Inuzuka, seu chakra era selvagem demais. Como uma besta incontrolada que ansiava por cravar as presas em alguma coisa, chegava a ser medonho. Dê uma direção a essa besta, e ela vai derrubar tudo em seu caminho. Ao contrário do caso de Hinata, os Inuzuka sabiam bem disso e como lidar com isso também, já tendo um caso anterior em mãos...
Inuzuka Hanna... Agora, aquela era uma garota interessante. Se Kiba se tornasse metade do quão assustadora ela poderia ser, já seria o bastante pra classifica-lo como um jounnin de linha de frente. Afinal, se fosse comparar com o seu Nekoka Gatsu...
Perdi o rumo dos pensamentos quando vários odores penetraram meu nariz. Cheiro de veneno e orvalho, sal e óleo. Olhei pra Kiba e vi que ele tinha notado, e apenas um segundo depois Anko e Zabuza perceberam, seguidos de Kurenai e todos os outros, em sequência.
-Parece que temos companhia...
Ártemis calçou a flecha na corda, e a deixando perfeitamente rente ao olho, a soltou. Como se estivesse em câmera lenta, ele pode ver claramente a seta ser carregada com toda a energia potencial do arco retesado, e disparar pra frente, a ponta aerodinâmica cortando o ar e girando, enquanto ela avançava velozmente pelo ar, parando firmemente no pescoço de um dos alvos. Ele só teve tempo de engasgar e cair pra frente, enquanto duas outas flechas passavam lado a lado do seu pescoço, um se prendendo na testa de outro alvo e o fazendo cair pra trás, enquanto a segunda parou alojada no lado esquerdo do peito do terceiro, que se curvou pra frente, antes de receber outro tiro, logo ao lado do primeiro, e cair pra trás morto.
Todos os shinobis sendo atacados olharam pra ele, os mais jovens assustados e os mais velhos com uma sobrancelha arqueada. A garota ruiva com a espada não teve muitas reações. Ela avançou rapidamente em direção a um grupo de ninjas de Kiri, passando correndo por eles como um raio. Os movimentos da sua espada foram tão ligeiros que pareceram flashes de luz, e enquanto ela embainhava a katana, todos eles tiveram seus rostos contorcidos em caretas de dor e caíra pra trás, desacordados, sem nenhuma gota de sangue na lamina limpa.
-Isso foi impressionante... – Ártemis disse baixinho, com um sorriso de canto, mas ela pareceu notar, por que sorriu docemente pra ele, imediatamente voltando a katana contra o antebraço e desferindo outro golpe rápido no braço de um shinobi que fazia selos, o deixando desacordado um instante depois, com uma volta rápida e um golpe na nuca.
Ártemis não conseguiu evitar um leve rubor lhe subir as faces, vendo a garota lutar... Ela era reta como uma tábua, ok, mas a beleza dos seus movimentos era inegável. Dançando em torno dos shinobis atacantes, ela parecia leve e graciosa como uma pena em meio a uma ventania, deslizando calmamente enquanto mesmo as árvores eram arrancadas e jogadas pra longe. Aquele nível de suavidade ao lutar era tão incomum quanto fatal, sendo um arqueiro a tanto tempo, e tantas vezes lutando junto com samurais do país do ferro, ele podia dizer isso com certeza. Ela não era uma espadachim ordinária, mas até onde se estendia sua habilidade, ele não sabia julgar. Até agora, todos seus movimentos foram perfeitos, sem nenhuma falha que seus olhos afiados pudessem detectar. Havia mais garotas no grupo, ele notou enquanto disparava flecha após flecha, e todas elas eram bastante bonitas...
Engolindo em seco, ele firmou uma seta no arco e a soltou, prendendo a barra da calça de um dos ninja de Kiri no chão. Ele tropeçou sem equilíbrio, e enquanto caía, a ruiva bonitinha se pôs a sua frente, com um giro mandando a katana de baixo pra cima, direto na sua testa, com força o bastante pra ele cair pra trás, completamente apagado. Mais duas flechas acabaram com a vida de outros dois shinobis, enquanto o grupo diminuía mais e mais. Os jounnin com ele estavam trabalhando em conter os ataques, sem atacar especificamente, dessa forma o arqueiro poderia se concentrar somente em matar, o que ele fazia com maestria assustadora.
Não levou muito tempo pro grupo de aproximadamente vinte shinobis ser completamente derrotados pelo grupo de Ártemis e pelos nove shinobis estranhos que estavam ali. Apenas cinco ainda estavam vivos, e eles suavam. Se vendo em clara desvantagem, três tentaram fugir, mas foram detidos rapidamente, um tendo uma flecha atravessando seu joelho e o deixando caído no chão, gritando de dor, outro coberto por uma nuvem de insetos e completamente exaurido de chakra, e o terceiro completamente envolto em cobras, que saíram das mangas de uma das garotas bonitas.
Os outros dois observaram calados seus companheiros serem capturados, e seus olhos correram por todos os que haviam sido mortos, alguns com cortes e picadas de cobra, outros completamente destroçados pela espada gigante de Zabuza, e alguns com flechas em pontos vitais. Apesar disso, pelo menos metade deles estavam desacordados, cortesia de Naruto.
-Desde que me formei na academia, alguns ninjas ainda me assustam – disse um deles, os olhos focados no azul oceano dos olhos da ruiva – Essas pessoas tão fortes que podem matar apenas com um gesto de mão... Sempre há aqueles que se sobressaem a todos os outros, aconteceu de toparmos com muitos deles hoje... Mas... Por que não os matou? Você teve o trabalho de virar sua katana...
Naruto sorriu tranquilamente, e se aproximou dele, estendendo a katana embainhada pra ele.
-Não matar é uma promessa que eu fiz – ele disse gentilmente, enquanto o shinobi, meio tenso, segurou sua espada e a puxou pra fora – Veja...
Os olhos dos dois se arregalaram, observando a luz dançar e refletir aquela lamina cega. O fio inverso da espada parecia tão agudo como uma navalha, eles se perguntaram o quão difícil seria portar uma espada daquelas, com o lado afiado permanentemente voltado pro seu portador.
-Entendo... – ele murmurou, e Naruto levantou a sobrancelha, de fato, ele entendia mesmo. Rurouni no seishin era uma espada repleta de significado — É admirável da sua parte...
-Obrigado.
-Espere, eu não estou entendendo – o outro ninja de Kiri disse, focando todos com uma sombra de medo nos olhos – Esses caras derrotaram todos nós, Zanza, e você fica calmamente conversando com um deles, o que...
-Calma, não tem o que a gente fazer, fomos completamente derrotados...
Ele deu um olhar meio zangado pra todos, mas se conteve em ficar quieto. Naquele momento, Ártemis e seu grupo se aproximaram do grupo que havia chegado, o arqueiro parecendo tranquilo enquanto os dois jounnin observavam todos tensos. Havia muitas garotas bonitas ali, seus olhos praticamente pulavam de uma pra outra, enquanto ele ria baixinho, tentando conter o rubor.
-Espere, eu não entendi – Anko disse, se aproximando de Naruto e observando a Sakabatou nas mãos do ninja de Kiri, que a mirava com respeito – O que tem demais nessa espada?
-Eu não sei quem fez essa espada, ou onde, não sou um especialista, mas duas coisas eu posso dizer com certeza – ele ficou em silêncio por alguns instantes – Quem a moldou é um gênio. Além dela ser de excelente qualidade, a lamina foi feita do outro lado. Do ponto de vista prático, essa seria uma espada horrível, já que seria extremamente perigoso usa-la com o fio voltado pra si mesmo o tempo todo, no entanto...
Anko assentiu pra ele continuar várias vezes, mas seu olhar estava agora preso na guarda de mão. Zabuza, Yugao e Kurenai, assim como os gennins estavam prestando atenção no que ele estava dizendo, e mesmo Haku, que conhecia Chihiro e suas peculiaridades, estava curioso.
-Quando você me contou da sua promessa, tudo fez sentido – ele olhou pra Naruto com as feições neutras – É pra testar sua determinação...
-Testar a determinação... – Kurenai repetiu, tendo um vislumbre de onde ele queria chegar. Yugao também tinha notado isso, sendo ela mesma uma usuária de Ninja-to.
Naruto sorriu gentilmente, parecendo um pouco constrangido pelo grupo todo estar olhando pra ele:
-Muitos estilos de espada precisam que o usuário as vezes apoie a outra mão na lamina, pra aumentar a força do golpe, e mesmo que o meu não precise disso, ainda sim fica difícil de usar – ele pegou a espada de volta, a escorregando lentamente pra dentro da bainha – E lutar com com a lamina da sua própria espada sempre voltado pra você não te deixa esquecer da sua promessa. Basicamente, essa katana nunca vai tirar sangue de ninguém, e se tirar, seria o meu...
-Impressionante – Ártemis disse, se ajoelhando pra poder olhar nos olhos da garotinha, e afagando sua cabeça com a mão. Ela pareceu curvar a cabeça como um gatinho e ronronar – Alem de bonita você é muito inteligente...
-Ninja-san – Kurenai disse com as sobrancelhas franzidas, observando o arqueiro dar encima de Naruto, que não tinha percebido nada, mas depois se voltando para o shinobi da névoa — você disse que quem fez a katana era um gênio...?
-Sim, ela é de excelente qualidade, na verdade, é a melhor que eu já vi. A lamina é muito sólida e mais densa que o comum, eu não consigo entender como um ferreiro conseguiu moldar o metal pra ficar tão concentrado dessa forma...
-Espere... – Yugao fuzilou o garoto com os olhos – Naru-chan! Foi você que fez essa espada! Onde aprendeu a forjar desse jeito?!
-Yu-chan... – Naruto riu um pouco sem graça – Eu tive uma ajudinha, lembra...?
Os olhos dele brilharam vermelhos por um segundo, fazendo a ANBU se contrair levemente.
-Droga... vamos ter uma conversa quando chegarmos em casa...
-Hai...
-Eu não entendi muito bem – Zanza disse com uma sobrancelha arqueada – mas se você moldou a espada, eu estou surpreso, é necessário um nível muito alto de perícia pra isso.
-Arigato...
-Naru... – Ártemis, que curiosamente ainda estava abaixado, e ainda estava afagando a cabeça dele pareceu surpreso, mas depois riu consigo mesmo – É um nome bonito pra uma garotinha bonita.
Todos em volta se entreolharam e levantaram uma sobrancelha, enquanto ele ria com os olhos fechados.
-Ei tio... – Naruto disse – Eu sou um garoto...
-Claro, claro...
O silêncio pairou ali por vários instantes, nem mesmo os lobos pareciam ousar sequer latir.
-Um... garoto... – as feições dele congelaram – NAAAAANI?????
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Em Konoha, Sasuke se levantou, enxugando o suor da testa. Ao seu lado, um saco enorme de ervas daninhas arrancadas, que ele logo depois jogou nas costas pra levar junto com os outros. Sakura não parava de reclamar sobre seus cabelos estavam cheio de mato, ou suas unhas estarem destruídas, e o garoto estava começando a considerar se a punição por mata-la seria assim tão grave... Não poderia ter nada pior que passar todo dia daquele jeito...
Ele estremeceu, quando a mera lembrança daquele cheiro de morangos fez seu nariz se contrair, e ele o esfregou compulsivamente. Por que todas as garotas tinham que ter aquele cheiro?! E os gritos?! Por que ela não podia falar baixo?!
Caminhando até onde Kakashi estava, tranquilamente, lendo o mais novo volume do Icha Icha, ele deixou o saco aos seus pés. A organização do trabalho era simples: Sakura deveria arrancar as ervas daninhas do chão, enquanto Sasuke as recolhia e embalava, e Kakashi monitorava tudo o que eles faziam. Obviamente, não estava dando muito certo. Nada menor que uma explosão poderia chamar a atenção do jounnin, tão focado ele estava no seu pornô, de forma que Sasuke tinha que empilhar todos os sacos sozinho. Sakura, por sua vez, era tão inútil que ele tinha que fazer metade do seu trabalho também, enquanto ela ficava gritando na orelha dele o quão ele era legal por ajudar uma dama indefesa, e o quanto suas unhas e cabelos estavam horríveis. Pensando onde Naruto deveria estar agora, na verdade simplesmente imaginando que estaria longe de Sakura, fez o Uchiha desejar ardentemente nunca o ter desobedecido na missão.
-Sensei, esse é o último...
Silêncio.
-Sensei...
Silêncio.
Sasuke fez uma sequência de selos, e mandou uma bola de fogo em direção a Kakashi. O jounnin, sem nem tirar os olhos do livro retesou os músculos da perna e pulou alto, girando de costas no ar, e pousando suavemente no muro, se sentando logo em seguida.
-Uhun... – foi tudo o que ele disse, virando a página com um risinho pervertido.
Uma gota escorreu da testa de Sasuke.
-Sasuke-kuuun!!! – o grito veio de longe, mas mesmo assim, a espinha do garoto gelou – Nós terminamos finalmente! Você é tão poderoso! Por favor, saia comigo!
Se Gai tivesse visto a velocidade com que o Uchiha fugiu, deixando pra trás apenas um traço de fumaça e poeira, ele teria gritado em louvor as chamas da juventude, e prometido reforçar seu treinamento até limites ainda mais insanos que os atuais.
No entanto, era impossível fugir pra sempre, já que eles deveriam reportar o sucesso da missão. Por isso, poucas horas depois, uma nova secretária guiou o time sete até a sala do Hokage, com Sakura borbulhante de alegria e Sasuke esfregando compulsivamente o nariz, o mais longe que podia dela. Antes que entrassem, no entanto, uma pessoa saiu batendo a porta, um velho coberto com ataduras e seguido de perto por dois shinobis que Kakashi não reconheceu. O “toc toc” da sua bengala lhe acompanhando o caminho todo, até desaparecer nos corredores.
-Hokage-sama... – Kakashi bateu na porta, após observar o velho sumir, parecendo cauteloso – Podemos entrar?
-Claro... por favor entre Kakashi...
A sala do Hokage estava uma bagunça. Sua mesa estava quebrada no meio, o piso rachado e afundado no lugar onde, provavelmente, o punho do velho tinha acertado. Todos os papéis pareciam forrar o chão, e os vidros estavam trincados com a potência do golpe. Sarutobi não disse nada por um longo momento, apenas se levantou, e endireitou o quadro do Yondaime na parede, parecendo triste por um momento.
-Desculpem a bagunça...
Sakura e Sasuke estavam tremendo visivelmente, a voz, a presença, o próprio ar em torno deles parecendo pesado. A atitude do Hokage não estava como antes, aquele não era o velhote bonzinho que eles tinham se acostumado enquanto cresciam, era o Deus Shinobi, o gênio que tinha guiado Konoha por décadas, bastante conhecido dos shinobis antigos.
-Hokage-sama – Kakashi disse com um sorriso discreto passando pela sua voz, uma estranha alegria dividindo espaço com preocupação – O senhor esta bem?
-Sim... Só o conselho me dando problemas de novo...
Ele pareceu reparar nos garotos, e sorriu pra eles.
-Não fiquem acanhados, podem se sentar... – ele observou as cadeiras destruídas, e bufou – Sakura, você pode ir até a secretária, e pedir-lhe pra chamar Tenzou até aqui?
-Hai! Hokage-sama! – ela saiu quase correndo da sala.
-Sandaime-sama... será que o conselho...
-Sim...
Sasuke observou as feições, de repente cansadas, dos dois shinobis mais velhos. Antes que pudesse perguntar, no entanto, o Sandaime acendeu seu cachimbo, dando um longo e relaxante trago, e soltando levemente a fumaça pelo nariz.
-Como esse é um problema que diz respeito ao seu time, eu acho que devem saber – O Hokage fez uma longa pausa nesse momento – o conselho esta querendo exigir a execução de Uzumaki Naruto por traição.
-O que?! – Sasuke e kakashi gritaram ao mesmo tempo, a destrição da mesa de repente fazendo todo o sentido do mundo.
-Como vocês sabem, o pedido de missão da vila da Onda foi considerado um rank C, uma simples missão de guarda contra bandidos e problemas ocasionais na viagem, ele não cobre ataques shinobis em nenhuma clausula, a partir disso, seria classificado como rank B, ou até A, dependendo do nível dos shinobis mandados atrás do cliente...
Kakashi e Sasuke ouviram em silêncio enquanto o velho Hokage explicava, ambos tensos pelo que poderia estar acontecendo.
-Mas... de acordo com os relatórios de Yugao, o cliente havia mentido sobre a missão, vocês estão cientes disso, quando o grupo, incluindo você, Sasuke-kun, foram atacados pelos irmãos demônio...
-Sim, como eles eram de nível Chunnin, a missão seria classificado como rank B – Kakashi disse, enquanto Sasuke apenas assentiu em silêncio, um pouco envergonhado pelo seu desempenho diante dos dois shinobis – Mas provavelmente rank A, já que pelas informações de Tazuna, era Gathou que estava atrás dele. Alguém rico assim poderia contratar vários ninjas de alto nível.
-Sim, e de fato, ele fez isso... O ninja contratado por Gathou não foi outro sequer Momochi Zabuza, um dos sete espadachins da névoa, e ele não veio sozinho...
Kakashi tremeu visivelmente, pensando em Yugao e seu irmãozinho lutando contra alguém daquela categoria, era assustador só de imaginar. Sasuke ao lado dele ficou tenso, mas confuso por não saber quem era essa pessoa.
-Sensei, esse Momochi Zabuza, quem é ele?
-Zabuza... é um dos sete espadachins da névoa, são chamados de o grupo de usuários de katana mais fortes entre todos os países com vilas ninja. Além disso, dizem que todos são mestres no uso de jutsus suiton, e ainda peritos em assassinato silencioso, se fosse pra comparar, ele estaria facilmente no meu nível, talvez até mais que eu... – Kakashi voltou os olhos pro Hokage – Hokage-sama, será que Yugao conseguiu derrota-lo...?
-Não...
O ambiente na sala gelou por completo, enquanto Kakashi via a cena do seu irmãozinho morrer de diversas e dolorosas maneiras. Seus olhos queimaram e ele estava perto de sair correndo dali pra ir atrás de Zabuza, mata-lo ele mesmo, quando o Hokage abriu um largo sorriso:
-Naruto o derrotou.
Aquela frase não fez sentido nenhum por um longo tempo, e Kakashi e Sasuke apenas observaram abestalhados a expressão divertida do Hokage.
-O... senhor disse que...
-Sim, Naruto o derrotou – O Hokage continuou – Segundo o relatório de Yugao, Naruto derrotou Zabuza, mostrando uma perícia assustadora em kenjutsu, e ainda usando apenas uma espada de madeira. Segundo ela, ele saiu da luta sem nenhum arranhão, e conseguiu enganar até mesmo ela com um genjutsu que fez Zabuza desmaiar.
Sasuke mordeu os lábios nesse momento, seu corpo todo tremendo e os olhos vidrados. Naruto tinha derrotado ele. Naruto, o dead-last da academia tinha derrotado um ninja do nível de Kakashi, ou possivelmente maior, sem sequer se machucar, enquanto ele continuava tendo que arrancar grama do chão com aquela inútil da Sakura. Como era possível?! Ele tinha treinado incansavelmente desde os oito anos pra superar Itachi e mata-lo, ainda não era o suficiente?! Ele tinha vivido a sua vida com remorso e mágoa do seu irmão mais velho, e ainda não era o suficiente?! Como Naruto tinha conseguido aquele poder todo?! Ele precisava mais disso que ninguém, ele precisava de poder pra matar seu irmão, ele que deveria ter esse poder, ele que precisava dele...
Kakashi, no entanto, ainda estava completamente pasmo. Naruto... com uma espada de madeira, derrotado um shinobi espadachim lendário?! Ele olhou durante um longo tempo para o velho Hokage, procurando qualquer traço de brincadeira em sua voz.
-Ho-Hokage-sama... isso é... sério mesmo?!
-Eu fiquei da mesma forma quando li o relatório, mas sim, sem dúvida nenhuma, é verdade – Sarutobi notou o olhar vidrado de Sasuke, mas decidiu deixar pra lá, o garoto saía dessa após alguns minutos – Depois disso, mandei o time da Kurenai atrás dele, a missão deles era ajudar a finalizar a missão e retornarem pra casa, mas... bem...
Sarutobi se recostou na sua poltrona, tragando longamente o cachimbo.
-De acordo com os relatórios de Kurenai e Yugao, Naruto fez um acordo com esse nukennin – Kakashi estreitou o único olho visível agora, que ainda estava incrédulo com a surpresa. Se alguém do futuro voltasse com todos os volumes ainda não lançados do Icha Icha e os deixasse na sua frente nesse momento, Kakashi poderia muito bem queima-los só por atrapalhar a visão do Hokage – Com o preço de Koori Haku, o ajudante de Zabuza e último membro do clã Koori voltar pra aldeia com ele, Naruto iria até a vila da névoa, e ajudaria Zabuza na sua tentativa de assassinar o Yondaime Mizukage, pondo fim a guerra civil e acabando com o extermínio de kekkei gekais.
Se Kakashi antes estava surpreso, agora ele estava surtando. Sasuke não deu tanta atenção a essa parte, ainda focado como ele estava no poder que Naruto tinha, e como ele deveria, obviamente, ser dele, por que era seu direito e ele precisava. Sakura pareceu escolher esse momento pra entrar, com um shinobi mascarado da ANBU junto com ela.
-O senhor me chamou, Hokage-sama? – Tenzou disse, notando Kakashi branco como um fantasma, ou branco como seus cabelos e suando em bica ao seu lado – Senpai, você esta bem?
Kakashi não respondeu, nem parecia ter ouvido.
-Ah, Tenzou – o Hokage sorriu – Eu agradesceria se fizesse uma mesa nova e cadeiras pra mim, por favor.
-Claro... – ele preparou os selos de mão, unindo as duas naturezas de chakra sem tirar os olhos das feições visíveis de Kakashi – O que será... bem, não importa, se for importante eu vou saber depois.
Sarutobi sorriu, ninguém tinha a noção do quanto ele estava certo. Poucas horas depois, a notícia de Naruto ser executado quando voltasse já estava de boca em boca na vila, e enquanto alguns pareciam preocupados e outros não davam muita bola, a grande maioria da população parecia extremamente contente com isso. Quem não sabia o por que disso estava realmente curioso...
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-Ne, Tio-Lolicon – os outros membros do grupo suprimiram uma risada ouvindo Naruto tratar o estranho arqueiro daquela forma – O que esta acontecendo agora, na guerra?
Ártemis apenas revirou os olhos, escondendo o rubor por trás dos cabelos castanhos e do capuz surrado da sua capa. Os dois jounnins com ele pareciam entre rir e ficar calados, enquanto escoltavam os prisioneiros para a base dos rebeldes, distante da capital de Kirigakure.
-Por que diabos você quer mesmo saber?
-Eu vou ajudar!
“O pior – ele pensou – É não ter como duvidar critica-lo por isso, tendo em vista a habilidade monstruosa que ele mostrou nas fronteiras contra os shinobis de Kiri...”
-Naruto-san, gomen, mas eu ainda não entendi o que esta acontecendo – Disse um dos jounnins, ajeitando os óculos abaixo da bandana, que ele usava como um lenço em torno dos cabelos – Quem são vocês?
-Você é lento, nós já explicamos isso – Anko disse com um bufo, soprando uma mecha dos cabelos que insistia em lhe cair sobre os olhos – Sobre ninjas de Konoha, e por alguma razão insondável pra mim, estamos seguindo esse garoto problemático – ela corou um pouco nessa hora, olhando pro outro lado pra não se derreter pelo sorriso dele... de novo – Numa missão-não-oficial pra matar o Yondaime Mizukage...
Alguns ninjas de Kiri, capturados, gritaram em protesto a isso, mas a maioria permaneceu calada. Zanza, que não estava amarrado como os outros os seguia calmamente, os olhos curiosos quase sempre pregados em Naruto, e raramente em Zabuza, que parecia muito tranquilo pra ser chamado de demônio da névoa.
Os lobos pularam da camisa do ruivo quando chegaram no chão, e mesmo que Kiba tentasse tira-lo de dentro da sua, Akamaru não queria sair de jeito nenhum, se encolhendo e tremendo como vara verde contra o estomago do rapaz.
-Eu prometi a Zabuza que iria ajuda-lo a livrar o país da água da guerra civil, se Haku voltasse conosco pra Konoha após isso...
Ártemis desviou os olhos pra outra garota no grupo, uma de cabelos negros e feições tradicionais. Apesar de não ser tão bonita quanto a de olhos vermelhos ou a de cabelos roxos, ela ainda poderia ser descrita facilmente como linda.
-Eu entendo... você se apaixonou por ela – o arqueiro segurou a mão de Haku entre as dele – É facilmente compreensível, com uma donzela tão linda...
-Eu também sou um garoto...
O arqueiro congelou no lugar, sentindo um profundo arrepio de medo lhe correr pela espinha, ao pensar se todas aquelas garotas bonitas tinham pênis em suas cuecas também. Se voltando pra Anko, que o observou com uma sobrancelha arqueada, ele fez uma rápida checagem no corpo dela. Um manto longo que estava fechado até o pescoço (estava frio) e feições, apesar de bonitas, sem nenhuma pintura ou nada do tipo.
-Então... você é um garoto também não?! – ele riu de olhos fechados, ignorante a áurea de ameaça que gelou a espinha dos shinobis presentes – É claro que eu não confundiria você com...
Um chute, tão forte que o levantou do chão, naquele lugar calou efetivamente sua boca, e enquanto o arqueiro se ajoelhava no chão orando por seus possíveis descentes, agora mortos, Anko caminhou a passos rápidos pra frente. Zabuza engoliu em seco enquanto ela passava por ele, inconscientemente cobrindo seus bagos com a mão.
-Você é bem engraçado, Tio-loli – Kyuubi riu, mas por dentro estava engolindo em seco, prestando bem atenção a qualquer movimento repentino das pernas da kunoiche – Como você pode confundir uma garota tão linda quanto Anko-nee com um homem...
-Aahhh, Naru-kun, Kawaii! – Anko o abraçou e esfregou sua bochecha na sua, com um sorriso bobo e alegre, esquecendo completamente a raiva de antes – É verdade que você me acha linda mesmo?!
Ele não teve tempo nem de acenar com a cabeça, antes de ser apertado contra os seios dela, a ponto de seu rosto ficar comicamente azul e os olhos arregalados. Yugao e Kurenai se entreolharam e pularam encima do garoto, cada uma brigando pra puxa-lo e aperta-lo e abraça-lo mais apertado que a outra. No fim, Naruto estava com as faces entre roxo e vermelho, a respiração acelerada e uma gota de sangue querendo lhe escapar pelo nariz. Ele segurou bravamente.
Haku apenas riu com isso, acariciando a loba que lhe acompanhava tranquilamente, alheia as palhaçadas dos humanos ao seu redor. Os três filhotes estavam correndo e pulando por aí, brincando, enquanto o enorme grupo seguia adiante na estrada, à frente deles, a fortaleza improvisada dos rebeldes de Kirigakure. Zabuza a olhou longamente, apertando o cabe da Zambatou nas suas costas como se fosse saca-la por um momento, mas o largando logo depois.
Pouco mais de dois quilômetros a frente, dentro de um escritório improvisado, Terumi Mei sentiu um arrepio lhe percorrer a espinha. Sua mãos tremeram e a caligrafia se bagunçou toda, manchando o mapa do país da água e do oceano ainda mais, se é que isso era possível. Alguma coisa lhe dizia que ela ia ter problemas... muitos problemas e muita dor de cabeça, estava praticamente vindo pra cima dela como uma maré imparável, e quando chegasse...
A sensação continuou ali, mas ela acabou atribuindo a culpa à sua secretária, que entrou com uma pilha gigantesca de documentos pra ela assinar. Como era possível que ela, a líder de uma resistência de poucas centenas de shinobis tivesse tanto trabalho de escritório pra fazer?! Era ilógico. Resmungando consigo mesma, enquanto recarregava a caneta tinteiro com mais nanquim, e considerava se aquela papelada toda não era um plano maligno de Yagura pra lhe exaurir mentalmente, e se a secretária – apavorada por ouvir suas divagações em voz alta – não era uma agente dupla contratada pra criar mais e mais trabalho pra ela, Mei continuou trabalhando, ignorando a sensação que, de certo ia passar.
Isso se mostraria errado em aproximadamente cinco minutos e meio.
Mais ao longe, numa outra ilha e numa vila grande e devidamente protegida, um garoto com cabelos cor de palha também sentiu o mesmo arrepio, mas logo a sensação passou, substituída pela dormência que sempre acompanhava seus sentidos. Ele se perguntou por um segundo onde estava e o que estava fazendo, mas o genjutsu logo livrou esses pensamentos da sua cabeça, os ocupando com o firme propósito que ele tinha que fazer um trabalho importante para as pessoas da sua vila, e que devia ser feito o mais eficientemente possível. Dentro dele, adormecida dentro de seu corpo, um youkai de três caudas se contraiu, sentindo aquele ar, aquele “cheiro” que não sentia a tanto tempo... Cheiro de frésias e rosas, de frutas frescas e sangue, de ferro e livro velho. Todos os centenas de aromas difusos que, juntos, formavam o maravilhoso odor que caracterizava a raposa de nove caudas. Estava fraco e misturado com cheiro de humano, de cabelos ruivos e uma espada avessa, mas era ela com certeza. O que ela estaria fazendo ali?!
Recostando sua cabeça, sanbi se deixou adormecer, pensando se veria Nanami novamente em breve...
Mei franziu os olhos, observando com total incompreensão a cena a sua frente. Tudo era tão inconcebível que sua mente só conseguia aceitar a hipótese da secretária do mal e do trabalho de escritório demoníaco, então ela decidiu observar tudo por partes, pra talvez, receber alguma luz que fizesse tudo ter sentido. Era isso ou mandar executar a secretária (apavorada novamente, Mei tinha a mania de divagar em voz alta).
Primeiro. Ártemis e os dois jounnins tinham voltado, com eles, uma porção de pessoas curiosas, além de vários ninjas de Kirigakure que foram feitos prisioneiros, pelo menos dez, ela julgou com uma passada rápida de olhares.
Segundo, as pessoas misteriosas. Havia uma garotinha ruiva tão lindinha que Mei só queria agarra-la e abraça-la pela eternidade, usando um rabo de cavalo e quimono azul escuro, com um lenço longo azul claro lhe escondendo o queixo, o que só a deixava ainda mais adorável. Além dela, havia também uma outra garota morena não tão kawaii quanto a primeira, apesar de aparentarem a mesma idade, mas ainda sim, era bastante bonita. Como ela, a morena usava roupas tradicionais, um quimono com uma faixa na cintura e um haori curto.
Até aí tudo bem, Mei poderia compreender. Haviam mais outras garotas bonitas, como uma Hyuuga – ela sabia pelos olhos – com feições tímidas e três mulheres adultas que juntas, provavelmente fariam um estrago em qualquer cara na cama. Isso também era simples de entender pra qualquer um com uma mente levemente mais pervertida que o normal. O ponto onde a cabeça da líder rebelde – também levemente mais pervertida que o normal – dava um nós era ao notar que, atrás de todos eles, estava um dos nukennins mais caçados do país da água, Momochi Zabuza, e um antigo colega seu, e que, segundo ele, aquelas pessoas estavam lá, sob o comando da ruiva bonitinha, contra as ordens do seu kage, pra oferecer um acordo em nome da vila da folha e da Névoa. Tal acordo que poderia significar uma futura aliança entre as vilas, tratados de paz e cooperação mútua e ajuda pra matar o atual Mizukage e terminar de uma vez por todas com a guerra civil.
Levou um bom tempo pra entender isso, mas a gota d’água mesmo foi saber que aquela ruiva lindinha era um garoto.
-Mei-sama... a senhora – Um dos jounnins disse, preocupado pelo silêncio da sua líder, quando ela se levantou bruscamente.
-Zabuza, você esta dizendo... que essa criança derrotou você... com uma katana de madeira?!
O ninja da névoa corou, coçando o rosto e sentindo estranho não ter bandagens ali mais.
-Hai... de fato, eu não consegui acerta-lo em nenhum momento...
-Você espera mesmo que eu acredite nisso?!
-Claro...
-Ta bom! – Mei respondeu alegremente, se levantando e se apoiando na cadeira – Eu vou acreditar... O CARALHO!
Segurando a cadeira, ela a mandou pra frente com força, passando rente a cabeça de Zabuza que se abaixou com suor escorrendo pela testa, vendo como a madeira estalou e se pariu em centenas de pedaços ao bater na parede, a trincando em várias partes.
-Eu vou dar cinco segundos pra você me explicar o que esta acontecendo aqui. Caso eu me de por satisfeita, você vai viver pra ver o mundo amanhã – Mei sorriu docemente pra Zabuza, se aproximando dele, que não ousou se mover um centímetro do lugar, e afagando sua perna, perigosamente perto do seu little friend pra ele ter paz com isso – Senão... você vai ver o amanhã também, mas esses pobres garotos aqui não... Um...
Zabuza engasgou e tentou reunir a voz.
-Dois... – a mão dela subiu um pouco.
Zabuza engasgou, esquecendo completamente o que diabos ele deveria dizer.
-Três... – a mão dela roçou nele, tão suave quanto um afago.
O toque enviou um arrepio de prazer no corpo de Zabuza (e uma carranca a Ártemis que observava tudo), e ele esqueceu completamente qualquer coisa que tinha conseguido reunir na guela pra falar.
-Quatro... – as unhas dela cravaram em torno das bolas de Zabuza, o fazendo quase piar enquanto rezava pra todos os Deuses que conhecia que o livrassem daquela situação.
-Cinco...
-Espere... – Naruto disse, e Zabuza poderia tê-lo beijado de tão aliviado que ficou quando Mei retirou a mão dali.
Nem Naruto ou Zabuza souberam da ironia da situação, já que Zabuza orou aos Deuses conhecidos, e acabou sendo ajudado por um que ele não conhecia, e Naruto não sabia que Zabuza estava prometendo todo tipo de coisas absurdas como passar a vida louvando os Deuses ou ir de até o outro lado do continente numa peregrinação de joelhos. Se soubesse, teria com certeza tirado proveito da situação.
-O que foi...?
-É tudo verdade, posso provar isso.
-Como?
-Fazendo o que disse que vou fazer.
Mei ficou em silêncio por um instante, com a boca aberta digerindo o que ele tinha dito. Realmente, tinha lógica, mas era uma lógica tão cara de pau que ela franziu a testa pra ele.
-Mesmo que isso seja verdade, e vocês todos estejam aqui pelo que dizem estar, que serventia um garotinho como você teria?! – Mei sorriu, apontando pra cintura dele – Você ao menos sabe segurar isso direito?
Zabuza revirou os olhos pro outro lado, passando a observar como todos os shinobis capturados foram levados pra interrogatório. Curiosamente, Zanza foi deixado pra trás, já que não estava amarrado, e as pessoas devem ter pensado que fazia parte do grupo deles.
-Eu posso... – Naruto respondeu lentamente, com a voz respeitosa e gentil como sempre, ainda que seus olhos tivessem ficados frios por um segundo.
-Então não se incomodaria de nos dar uma demonstração...
-De modo algum...
-Maravilhoso! – Mei bateu palmas cinicamente, ao que um shinobi surgiu da parede, aguardando ordens – Traga Chojuro-kun aqui.
O ninja assentiu com uma mesura e sumiu, deixando Mei com um sorriso insolente e Naruto com uma feição completamente neutra. Yugao, Anko e Kurenai estavam tensas, enquanto os outros pareciam divididos entre a vontade de ficar invisível, a de voar encima da líder dos rebeldes, e a de agarrar Naruto e fugirem rápido dali. De todos, Haku era o único que estava completamente tranquilo. Não tinha como Chihiro perder pra ninguém, por mais habilidoso que essa pessoa fosse com Kenjutsu, era simplesmente o terreno dele, e nele, ele tinha toda a vantagem do mundo.
Minutos depois, um garoto de óculos e dentes afiados entrou na sala. Nas costas, ele levava uma espada enorme toda envolta em bandagens. Ao notar Zabuza na sala, ele se encolheu visivelmente.
-Me... Mei-sama, a senhora...
-Chooooojuro! – Mei pulou encima dela, o apertando nos seus peitos – Você veio tão rápido! Eu estou contente!
O garoto estava a ponto de desmaiar quando ela o soltou, o deixando zonzo e com os olhos girando no lugar.
-Ne, Chojuro-kun, te chamei aqui pra pedir uma coisa...
-H-Hai, Mei-sama...?
Apontando pra Naruto com um sorriso doce e perverso, ela disse:
-Você poderia mata-lo pra mim?!
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Após receber pouquissímas propostas de texto para o capítulo especial entre Naruto e a dama de cristal, eu decidi pegar as duas ideias que me enviaram, misturar com uma minha, e fazer eu mesmo a história. É meio chato vocês não cooperarem, mas foda-se, comentem aí e deixem suas indicações, se um vídeo idiota na net pode ter milhares de visualizações, minha fic também pode.
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