Keskij
6 Entre chuva e celulares
Notas iniciais
[Dormitório de Dake e Pedro — 04:27A.M. — Dia da excursão.]
– Pega meu celular ali em cima, por favor? — disse Dake enquanto arrumava os cadarços do allstar preto. Trajava a blusa de uniforme do colégio, uma calça jeans escura e os cabelos estavam desgrenhados e incrivelmente arrumados. Impossível? Nem tanto, qualquer coisa naquele lugar era inimaginável. Pedro obedeceu e, enquanto o transportava, ele vibrou com o recebimento de uma mensagem.
– Vamos descer já, já. Arrume tudo. — Indicou Pedro. Suas roupas estavam semelhantes às de Dake; a diferença é que o allstar dele era branco.
[Interior do ônibus — 6:00A.M.]
Carina não tirava os olhos da tela do celular, a espera de uma mensagem qualquer. Ah, lógico! NÃO TINHA SINAL! "Há, droga de viagem", pensou.
– Brunooooo, acorda... — Ela o sacudia. Estava sentado ao lado dela, nos bancos da frente.
– An... — Ele murmurou enquanto abria os olhos. — Me deixe dormir mais um pouco... — Então, ela desistiu e olhou a janela: esteve tão preocupada com o celular e a roleta que não percebera que o céu ficou cinza, e a chuva molhava a janela ao seu lado.
Frime estava sentada atrás de Dake e Pedro — só não sabia desse fato, e surtaria se descobrisse. Clare, ao seu lado, sabia. Frime estava com uma calça jeans surrada e rasgada (propositalmente); a blusa e unifome e um allstar azul. Elas conversavam desde que embarcaram sobre o sentido da vida e tudo mais... mas não chegavam a uma conclusão — pedro ouvia tudo atentamente. A conversa foi interrompida quando três garotas intimidadoras e extremamente bonitas se aproximaram do banco delas.
– Ralem daí. Nosso lugar é perto do Dake. — Uma delas sorriu.
– Chegamos primeiro. — Clare disse sem medo, enquanto Frime tentava inutilmente se esconder atrás de sua própria franja.
– Por que ela está com esse tanto de cabelo na cara? Não vejo seu rosto.- A mesma garota levantou um pouco a voz por cima do barulho da chuva.
– Você não me vê, mas eu vejo você. — Frime disse rindo e, para sua surpresa, Pedro levantou e Dake também.
– Deixe-as em paz, Lawr. — Dake disse — Nunca gostei de vocês. Sabem o que sinto pela Natalia. — E se sentou de novo. Elas saíram, mas Lawr deixou pesar seu olhar de repulsa por Frime.
Na parte traseira do ônibus, se encontrava Vitor. Antissocial, Vitor tinha poucos amigos e poucas pessoas da sala mal sabiam seu nome. Cabelos cachedos, loiros e os olhos mergulhados em escuridão.
[Interior do ônibus — 8:00A.M.]
– Estamos quase chegando. — disse Frime enquanto fingia que ia enfiar o dedo na garganta. Nada de produtivo sairia daquela excursão. Clare só assentia enquanto jogava no celular.
– Quer jogar? — Ela perguntou depois que Frime puxou o celular da mão dela e ele caiu debaixo do banco. Já tinham chegado ao destino e todos estavam desembarcando.
– Rápido, estamos atrasados! Juntem-se a seus grupos, aqui as listas. — Lá na frente, o professor berrava. Incrível poder escutar isso dentro do ônibus, debaixo dos bancos.
– Vá, Clare! Te encontro lá. — Gritou Frime.
– Okay! — Clare se levantou e desceu do ônibus. Passou muito tempo e Frime ainda não tinha descido, e o bendito começou a sair da rodoviária. — PAREM! FRIME AINDA NÃO DESCEU! — berrou nos ouvidos do professor.
– Desceu sim! Ela deve estar lá na frente, eu marquei o nome dela. — Disse, calmamente. Antes de terminar a frase Clare já estava correndo para o extremo sul do "comboio". Os alunos estavam espalhados pela calçada, andando em direção à mina.
Frime se arrastou pelos bancos — precisava achar o celular caríssimo da Clare! Já tinha virado questão de honra. Percebeu que estava toda suja quando o encontrou. Foi se levantar e bateu a cabeça sem querer, e a última imagem que viu foi a de um garoto parecido com Pedro na sua frente.
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