Keskij
7 Sobrevivência
Notas iniciais
[ Em direção à mina. ]
– Nhaaaaaaaaw — Espreguiçava-se Clare calmamente. Já nem parecia que Frime havia sumido, ela tentava se convencer de que ela estava bem. Os professores disseram que as turmas foram divididas em duplas, e que cada dupla fora por um caminho diferente, para pontos diferentes da cidade. Ah, a cidade! Era estranhamente deserta. Clare já havia lido sobre ela em livros, mas não imaginava que seria tão deserta assim, uma aura marrom carregava o ar. Uma ou outra pessoa passava de vez em quando. As calçadas estreitas, e ela estava acompanhada pelo Vitor. Só sabia seu nome mesmo. "Quem é esse, 100or?", se perguntava quase rindo.
[ Ônibus ]
– FRIME! Ué! — Gritou Pedro, soltando a caderneta e o lápis no chão assim que viu Frime. Ele estava a procurando há um bom tempo. Ela continuava deitada debaixo do banco, então ele se aproximou devagar e a balançou. Puxou ela dali debaixo e a deitou sobre o banco, observando suas feições. "Awn, que fofa dormindo", pensou. Ela já estava abrindo os olhos quando...
– AAAAAAAAH! — Escutaram gritos atrás do ônibus. O barulho cessou tão rápido quanto começou. Pedro segurou a mão de Frime por um instante e soltou rapidamente.
– Fiquei aqui. — Disse enquanto descia do ônibus. Caminhou devagar até lá atrás quando vê um corpo ensanguentado, feminino e jovem. Ninguém que ele conhecesse. Tampou a boca com as mãos e engoliu em seco. Voltou ao ônibus.
– Me siga. — Ele disse para Frime. Ela se levantou vagarosamente e ele a puxou pelo pulso em direção à mata próxima ao lugar que o ônibus estacionou. Caminharam em silêncio e o ar carregava tensão. A noite caindo... e nada de achar a saída dali. Nem importava mais para Pedro — ele só queria sair vivo daquele inferno. Já imaginava que nada de bom sairia daquela excursão, sonhara com isso. Em algum momento sua mão tinha deslizado para a de Frime, e percebeu que ela carregava uma bolsa.
– Tem água aí? — Eles pararam em meio as árvores e Pedro perguntou.
– Sim. — Ofegante, Frime retirou uma garrafa cheia da bolsa. Era preta e mais parecia com uma mochila. Pedro a encarava enquanto bebia. — O quê?
– Nada. — Ele riu um pouco e depois voltou a ficar sério. Seu cabelo estava bagunçado.
– O que você viu atrás do ônibus, Pedro? — Ela escorou em um tronco e deslizou devagar até estar sentada e devidamente escorada.
– Um corpo. — Ele respondeu sem rodeios.
– Então... porque não fomos procurar alguém da escola? Motorista talvez? — Ela o observou sentar ao seu lado, a calça jeans dele estava um pouco suja e sua blusa também.
– Porque eu não confio na escola. No motorista um pouco, mas ainda sim preferi vir para cá porque estava em pânico, afinal, o assassino poderia estar lá perto.
– Cara, estamos fodidos. — Ela riu forçadamente, procurando com os olhos algo estranho naquele lugar. TUDO era estranho para ela ali. As árvores estavam vivas demais para simples árvores, ao passo que as sombras pareciam vagar espontaneamente ao redor dela e de Pedro. Ela chegou mais perto dele, que, por sua vez, parecia estar com medo também. Ele passou o braço direito em volta do ombro dela.
– Nem tanto, pelo menos conseguimos escapar daquele inferno, não é? — Ele sorriu. Como era mais alto, sua cabeça ficava acima da de Frime que parecia muito pequenina ali.
– Sim. — Ela também sorriu e fechou os olhos
Enquanto as sombras os engoliam.
Fale com o autor