Kenyard Street
1 Capítulo 1 - Casa nova, vida nova.
Notas iniciais
Sabe, algumas pessoas quando se mudam esperam que a sua vida mude completamente, sabe, que talvez elas consigam novos amigos, uma nova aparência, um novo amor, ou apenas resumindo. Uma esperança de vida nova. Mas, eu não sei sobre mim, eu não tenho essa vontade, pra falar a verdade a minha vida estava sendo mais do que perfeita na minha cidade antiga, mas, minha mãe acabou passando em um concurso para um novo emprego e precisamos mudar, claro a minha vida e de minha família vai melhorar, mas eu não sei se é porque eu tenho alguns traços egoístas, mas eu não queria mudar de cidade, poxa! Minha vida estava tão boa, estava com notas altas, tinha –quase- conseguido um namorado e tinha as minhas amigas. Sinceramente eu não queria que minha mãe tivesse passado, isso é egoísta, agora eu admito, mas se você estivesse no meu lugar acho –apenas acho mesmo- que iria concordar comigo.
Cheguei à minha nova casa, numa nova rua, numa nova cidade, do outro lado do país. Kenyard Street, sim um nome novo, provavelmente o sobrenome de alguém importante para a cidade, ou algo assim. Era uma casa grande e velha, e um pouco assustadora, acho que era pelo seu estilo dos anos de 1800 por aí. Eu, meu padrasto e meu irmão ficamos vegetando na frente da casa por uns 3 minutos, como cachorros bocós, boquiabertos –ou quase- apenas observando o lugar onde começaria o breve futuro da continuação de nossas vidas, enquanto olhava a entrada da casa eu senti um nó na garganta, eu acho que tive um pouco de como era o sentimento de saudade, e um aviso, ele não é bom.
O silêncio foi quebrado quando minha mãe bateu palmas para nos fazer sair do mundo da lua. Bem, acho que eu consegui ter provas concretas de que a casa era velha quando eu entrei e vi dezenas de teias de aranhas, só estou com medo de alguma delas aparecerem no chuveiro no meio do meu banho, sabe, naquele momento filha da puta que você tá lavando o cabelo. Enquanto eu subia as minhas caixas para o meu quarto, meu irmão –por algum motivo- começou a puxar conversa comigo, o que foi estranho, porque dessa vez ele não decidiu falar sobre como nós meninas somos nojentas, ou sobre futebol, caminhões de brinquedo, bonecos de ação, me encher o saco, etc. Ele estava preocupado, um pouco triste e nervoso, assim como eu, bem confesso que achei legal a gente ter compartilhado os mesmos sentimentos por 1 minuto, mesmo que não tenham sido os melhores sentimentos do mundo. Mas quando eu vi ele começou com as bobagens de criança de 8 anos
-Você acha que tem alguma lenda sobre essa casa?- Me perguntou com os olhos arregalados. No inicio eu franzi a testa, mas depois vi a oportunidade perfeita pra botar um pouco de medo no meu querido irmão que eu amo muito. Enquanto me agachava fazia sinal para que ele viesse mais perto e sussurrei pra ele:
-Claro que sim! Mas, é muito pesada pra uma criança como você. — falei segurando o riso. Os olhos dele arregalaram mais ainda, ele se atirou em mim e começou a me balançar.
-CONTA! VAI CONTA LUANA! EU NÃO TENHO MEDO- nesse momento eu fiquei nervosa, se a minha mãe descobrir que eu estava tentando assustar ele, ela ia me deixar de castigo.
-Fica quieto Nicolas! Se você ficar gritando desse jeito eu não vou contar!- assim que eu terminei ele me soltou.
-Então tá, conta!- bem, agora é só inventar uma história macabra, o que não vai ser difícil com essa casa.
-Bem, tudo começou a... 30 anos atrás, uma menina estava no quarto dela, sabe, fazendo coisas de menina-
-Tipo?
- Bem, ela tava lendo ou algo desse tipo...
-Quantos anos ela tinha?!
-Para de me interromper Nicolas! Credo. Hmmmm, a minha idade por aí, uns 14 ou 15 anos. Mas... Onde eu parei mesmo? Ah é. Ela estava lendo no quarto dela, que por ventura é o SEU quarto. -disse apontando para ele com uma cara meio bizarra.
-HÃ?! O meu?! Por que o meu?- disse ele começando a tremer – O que aconteceu lá?- Haha, funcionou, ele já estava cagado de medo.
-Pela décima quinta vez, não me interrompe! Continuando... Quando ela notou, um homem entrou no quarto dela, era um assaltante! Ele pensava que todo mundo estava dormindo porque já era de madrugada, mas ela não. E então...
-E então o quê?!
-Ele teve que matar ela e...
-E?!!
-Ela levou 12 facadas! Em todo o corpo!
Ele ficou pasmado, pálido. A única coisa que ele conseguiu dizer foi
-Sério?- Bem, eu senti pena do pobre menino, me senti uma monstra naquele momento então era melhor desmentir antes que o dedo-duro contasse tudo pra mãe, porque bem ia ser mais 1 semana de castigo.
-Obvio que não! Não faz nem 3 horas que nós moramos aqui e você acha mesmo que eu sei a lenda do lugar? Mas só vou dizer uma coisa, não me surpreende que esse lugar tenha um mito ou lenda. – disse frustrada, mesmo com minha explicação ele ainda me perguntou:
-Por que você acha isso?
- Não é meio obvio? Esse lugar é velho, deve ter alguma lenda. Sempre tem.
-Nunca vi um lugar com lenda. – assim que ele disse isso eu bati a palma da minha mão no rosto, respirei fundo e comecei:
-Se lembra da Maria Sangrenta?
-Sim, uma vez eu e o Marcos e o Junior tentamos fazer, a gente saiu correndo depois.
-Exatamente, é uma lenda do colégio. Se lembra daquela lenda do túnel da igreja? Tudo isso são lendas que as pessoas inventam, sabe lendas urbanas.
-Ahhh ta bem, então é desse jeito que se começa uma lenda urbana? Contando mentiras pro seu irmão?- engoli o seco depois que ele disse isso, ele ia me dedurar?
-Sim!- respondi sem pensar duas vezes.
Ele me olhou torto e disse – Então tá bem! – e saiu. Só to dizendo, esse menino é muito estranho, além de ser um pirralho mimado, ele deixa as pessoas confusas, tem coisa mais filha da puta que isso?
Varias horas se passaram tudo à mesma coisa, descer e subir caixas cheias de roupas, tralha, lixo e mais lixo. Isso basicamente se resume uma mudança de casa, e consegue ser algo não tão simples, mas surpreendentemente entediante, não sei como meu padrasto e a minha mãe conseguem se divertir tanto com tudo isso, acho que eles consistem na esperança de uma vida nova. As risadas e amassos deles foram interrompidos pelo som do ponteiro do relógio batendo às 23h. Assim que minha mãe olhou atentamente o relógio disse pra mim:
-Vamos dormir né Luana?- franzi as sobrancelhas e me indignei
-Mãe, amanhã é sábado, eu posso ficar até o horário que eu quiser!
-Ok, só vou te dar esse ossinho porque é casa nova, mas essa vai ser a primeira e ultima vez, ok? Mas use fone!- assenti, confesso que eu maliciei essa parte, sabe, use fones pra não escutar nada. Eu tenho muita merda na cabeça só pode.
Passou-se 1 hora e eu estava no meu quarto, no escuro, mexendo no meu celular com o 3G, porque quando se muda de cidade demora mais ou menos 1 semana até ter internet e tv, então nesse momento é tudo que eu tenho agora. Tudo estava calmo, silencioso, muito tranquilo, tirei os meus fones por um minuto para disfrutar desse maravilhoso estado que o ambiente estava, mas quando eu olhei a porta ela estava com uma fresta aberta, o Nicolas tinha acordado e decidiu ficar me olhando pra me assustar depois? Não tinha certeza, fiquei procurando o interruptor do lado da cama até me tocar que não estava na minha casa antiga, essa é a pior coisa de uma casa nova, tu não tem o conhecimento de seus interruptores. Saí da cama e calmamente fui até a porta, assim que fui olhar no canto não tinha ninguém e a porta do nada fechou, senti um arrepio na espinha, corri pra cama e fui pra baixo das cobertas e comecei a pensar:
-Foi o vento, foi o vento, não importa se não tinha vento, FOI O VENTO!
Fiquei uns 10 minutos embaixo da coberta rezando umas 14 Ave Marias quando escuto a porta abrindo de novo, me encolhi e tirei um pouco da coberta do meu rosto, o suficiente para o canto do olho ver a porta. A porta abria devagar, como se minha mãe quisesse entrar no quarto sem me acordar, mas não tinha ninguém abrindo a porta e muito menos atrás dela. Saí lentamente da coberta com passos leves para tentar fazer o mínimo de barulho possível fui em direção à porta, respirando fundo, acumulando coragem. Desbloqueei meu celular para fazer luz e olhei para todas as direções. Estava com um pressentimento, não era um bom pressentimento, mas também não era um pressentimento ruim, era uma sensação que me dizia para seguir em frente, desbloqueei o celular de novo e comecei a dar passos leves em linha reta em direção à escada. Quando cheguei à escada fui desbloquear o celular de novo, mas a bateria acabou, estranho, eu tava carregando ele enquanto eu o usava. Desci as escadas mesmo assim, mas não estava tão escuro, a lua estava brilhante, iluminava toda a sala como se estivesse em plena luz do dia. O vento que vinha das janelas mudava constantemente de posição, era como se me mandasse para um lugar e eu o segui, o vento seguia atrás de mim era porque era para eu ir reto, se ele ia para a direita era para eu ir para a esquerda, pela a minha interpretação foi assim, até que eu cheguei à porta do porão. Eu estava um pouco antes da porta que dava uma escada até a porta do porão, eu não gosto desse tipo de lugar, mas mesmo assim desci, degrau por degrau, com muita calma. Estava a um degrau de distancia da porta, torci a maçaneta, mas estava trancada. Senti uma mão no meu ombro, acabei soltando um grito baixo sem querer, quem poderia ser? Naquela hora, quem estaria acordado –além de mim- na minha família quase todo mundo –menos eu- dorme cedo. Era Rodolfo, meu padrasto, foi muito assustador ver ele mesmo ele sendo normal, sabe, Alto, cabelo preto, barba, olhos castanhos e todo peludo.
-Luana, sabe que horas são? Por que você tá aqui guria?!- repreendeu-me, indignado com a testa franzida. Eu não sabia o que responder o que eu estava fazendo lá? Tinha algum motivo além de curiosidade?
-Hã... Eu escutei um barulho e fui ver o que era- isso não era verdade e nem mentira, digamos que eu escutei um som, mas foi da minha porta.
-Tá, vai dormir logo- disse ele me dando um leve empurrão enquanto eu subia as escadas do porão. Dei uma olhada pra ele e o vi tentando girar a maçaneta e escutei ele indagando baixinho.
-Como tá trancada?- assim que ele virou o rosto pra mim, subi as escadas, rápido em direção ao meu quarto.
Assim que cheguei no meu quarto, botei o celular para carregar e fui em direção a minha cama e lá deitei calmamente, me agarrei no travesseiro e joguei as cobertas por cima, fechei os olhos e suspirei aliviada e dormi.
Notas finais
Por favor comentem se possível, isso me dá mais moral para seguir escrevendo!
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