Kenyard Street

2 Capitulo 2 - Situação Estranha


Assim que acordei tive um pouco de tontura, não sei qual o motivo, mas não me interessa também. Fui até a cozinha e vi o meu irmão com a minha mãe, minha mãe virou pra mim e saiu de perto dele.

–O que foi?- disse, sentando ao lado dele.

Ele deu uma olhada rápida na minha mãe, enquanto eu me virava percebi que minha mãe estava me olhando também. Não entendi no momento o que tinha acontecido, fiquei bem confusa.

–Bem meus amados, eu vou sair agora – disse minha mãe, indo rapidamente em direção à garagem.

Antes que eu falasse algo minha mãe me interrompeu.

–Vêm logo Nicolas!- disse minha mãe fazendo sinal para que meu irmão fosse mais rápido — Mas que guri, vou te contar!- disse ela andando em círculos

– To indo mãe. — Nicolas disse enquanto levava o prato e a caneca dele para a pia.

Assim que colocou tudo para lavar ele foi correndo em direção a Mãe. Antes de conseguir perguntar minha mãe me interrompeu, de novo.

–Olha, eu não sei que horas que o Rodolfo volta, mas até lá tu consegue se virar né? — disse ela apressada vestindo Nicolas com o casaco que o mesmo estava rejeitando.

Continuei confusa, tentei novamente pedir uma explicação.

–Mãe, o que tá acontecendo? Pode me explicar? – olhei para ela com um olhar tipo cachorro sem dono.

–Não é nada de tão grave, seu irmão passou mal essa noite, quero leva-lo ao médico. Então, você fica no comando, certo?.

Assenti.

–Ok, maravilha. Nós vamos indo!

Já se passaram 2 horas desde que a minha mãe e o Nicolas saíram, a casa ficou num silêncio absoluto. Assustador, mas mesmo assim eu gosto do silêncio. Consigo pensar melhor com ele.

Levantei-me do sofá e fui para o meu quarto, peguei uma roupa e fui tomar banho. Ontem eu não tive a mínima oportunidade de tomar um banho, foi horrível dormir noite passada toda suja. E noite passada, aquilo foi bizarro.

Não consigo parar de pensar sobre o que aconteceu ontem. Esses 20 minutos que estou no chuveiro não paro de refletir sobre ontem à noite, foi muito assustador, bizarro e inexplicável. Não sou especialista em meteorologia mas acho que é impossível o vento mudar tantas e tantas vezes, eu não consigo explicar com palavras o que aconteceu lá. Era como se eu fosse levada pelo vento, aquilo foi uma sensação tão única. E quando cheguei ao porão e percebi que estava trancado eu fiquei. Frustrada, decepcionada e principalmente curiosa.

E o porão? Ele estava trancado?

Não sei, mas não quero saber isso. Eu tenho mais coisas para me preocupar, mudanças são tão complicadas. Eu tenho que organizar o meu quarto ainda, ontem só conseguimos montar a minha cama e meu armário mas ele continuava vazio. Quando meu padrasto chegar ele vai colocar algumas prateleiras e vou poder arrumar isso com mais calma.

Terminei de desempilhar as caixas que estavam com as minhas coisas. Eu nunca percebi que tinha tantas coisas assim para dar tanto trabalho. Francamente se eu soubesse que isso seria tão trabalhoso eu não teria comprado tanta porcaria. Mas agora eu comecei a pensar que naquela época, toda essa tralha não era porcaria nenhuma e bem, estou com muita pena de jogar os meus ursinhos de pelúcia fora.

Enquanto observava por motivo nenhum as minhas barbies escutei o som do portão da garagem abrindo. Era Rodolfo, ele estava andando com uma caixa. Quando me movi para ver o que era ele me notou.

–Adivinha, finalmente consegui uma furadeira nova!- disse ele sorrindo e tirando a furadeira vermelha da caixa.

Não entendi o motivo pelo qual ele ficou tão feliz, tipo ''Oh nossa! Uma furadeira! Meu sonho de consumo!''

–Legal. — respondi sem jeito.

–Agora eu finalmente vou poder botar as prateleiras no teu quarto, quer ajudar?

Dei os ombros.

Peguei um tipo de plástico, sabe daqueles de lixo. Estava manchado de tinta. Eu e o Rodolfo empurramos minha cama para –quase- fora do quarto.

Ele pegou a furadeira e a ligou, começando com aquele som insuportável e eu apenas fiquei observando imaginando coisas bizarras como ele acabar furando o dedo ou algo desse tipo.

Ele demorou mais ou menos 1h e meia para terminar de colocar as quatro prateleiras nas paredes, foi mais rápido que o esperado, mas mesmo assim foi tedioso só o ver furando a parede. Parecia que toda a diversão tinha ficado para ele –isso se havia diversão em fazer aquilo-.

–Bem, missão comprida!-disse ele sorridente, batendo as mãos na roupa pra tirar o pó.

–Hã Luana, o que tu acha que vai colocar aí?- continuou o mesmo apontando para as quatro prateleiras brancas.

–Não sei, meus livros, meus jogos, alguns bichos de pelúcia.- disse olhando para cada uma daquelas prateleiras. Ele tinha feito uma boa pergunta, podia estar com bastante coisas nas caixas mas mesmo assim eu tinha de decidir quais que iriam ficar empilhadas no armário e quais iriam para as ''prestigiadas'' prateleiras.

–Você não acha que você ta meio grandinha pra ficar com esses ursos de pelúcia?- disse olhando para mim colocando as mãos na cintura.

–É que eu não consigo me livrar deles.- fiquei um pouco corada. Sim, eu estava apegada a bichos de pelúcia. Sim, isso é muito estranho.

O ajudei para tirar o plástico do chão e para botar a cama de volta ao seu devido lugar

Já tinham se passado varias horas depois que minha mãe e meu irmão saíram. Tá eu sei que o atendimento é demorado mas mesmo assim ela poderia dar noticias, eu e o Rodolfo ficamos um pouco preocupados por causa da demora deles.

Meu padrasto tentou varias vezes ligar para ela mas sempre dava no mesmo, caixa postal.

Ele não parava de tentar ligar, eu aposto que minha mãe quando visse a caixa de chamadas perdidas delas quase teria um ataque do coração. Ele deve ter ligado –no mínimo- umas 15 vezes para ela, assim que ela ligasse o celular ela iria provavelmente pensar que alguém morreu.

–Ôh Dona Joice onde você tá?- indagava e indagava o meu pobre padrasto.

Me levantei do sofá e subi em direção ao meu quarto. Hoje estava mais quente do que os outros dias, mesmo nós estando no verão não é normal um calor de 40 graus! Pelo menos não onde nós moramos.

Estava tão suada que a minha roupa estava grudada em mim, eu detesto essa sensação principalmente pelo fato que eu suo muito comparado com as outras pessoas, isso é nojento, realmente muito nojento!

Eu precisava urgentemente de outro banho. Peguei minha toalha e minhas roupas e fui em direção ao banheiro.

Depois que tirei a roupa me dei uma olhada no espelho. Bem o que eu via? Eu, nada de especial, apenas o fato de ter a impressão de estar engordando, mas também, 3 meses sem fazer nenhum tipo de exercício físico era isso que iria acontecer mesmo.

Entrei no boxe e coloquei a agua no máximo do quente e depois no máximo do gelado, sim eu adoro o choque térmico ele me ajuda para desestressar. Depois que terminei o banho, me sequei dentro do boxe e sai me enrolando com a toalha. Dei uma olhada no espelho, não tinha acontecido nenhum milagre, continuava sendo a menina de cabelos castanhos normais com olhos castanhos normais. Uma sem graça.

Tinham se passado varias horas depois que minha mãe saiu com meu irmão. Agora eu estou mais preocupada do que antes e bem Rodolfo, meu padrasto. Está surtando. Confesso, é engraçado o ver perdendo a razão, mas mesmo assim, era uma situação preocupante.

–Quer saber? Eu to indo pra droga daquele hospital- disse ele pegando as chaves do carro em cima da mesa.

Engoli o seco

–Mas e eu?- perguntei um tanto confusa.

–Você? Você fica aqui! Eu te mando mensagem e... ela te falou pra onde ela ia levar ele?

–Não, mas pelo que eu saiba só tem uns dois ou três hospitais aqui, acho que não vai ser difícil.

–Tá bem, to indo!-disse ele correndo escada a baixo, como se fosse um guri.

Novamente, fiquei sozinha nesta casa maravilhosa. Andei um pouco pela casa até que acidentalmente –não tão acidentalmente assim- parei na frente da escada do porão. Fiquei olhando aquela porta e de novo aquele vento veio de trás. De novo aquela sensação estranha eu desci as escadas e dessa vez a porta não estava trancada, apenas emperrada.

Usei um pouco de força na hora de empurrar a porta e acabei deixando algumas caixas vazias caírem.

Quando adentrei naquela sala não tinha muita coisa de especial, além de teias de aranha e o som das gotas por causa da infiltração que estava com problema. Antes de entrar mais na sala peguei algo considerável pesado e botei na frente da porta. Quê? Achou mesmo que eu iria dar uma de menina inocente burrinha de filme de terror? Ah vai se foder se tu acha que eu iria deixar a porta livre sem ao menos botar algo pra evitar que ela não fechasse e me deixasse trancada.

Não sou tão burra assim jovem, eu pelo menos tentei.

Olhei para uma parede que tinha um quadro de uma moça, uma menina de mais ou menos 14 ou 15 anos, sério, ela era bem parecida com a que eu tinha imaginado para contar a história pro Nicolas. Dei os ombros, bem era mera coincidência, mas eu percebi que tinha um jornal se destacando dos outros.

Peguei aquele jornal, no titulo na primeira pagina dizia ‘’Menina é esfaqueada 12 vezes em sua própria casa’’. Tive a impressão de ter engasgado com o seco da minha garganta. Aquilo não era possível, não tinha explicação. Foi exatamente o que eu disse pro Nicolas.

Sai do porão e fui correndo pro meu quarto, sentei na minha cama e comecei a ler apenas um trecho que era auto-explicativo.

‘’A família Santos esta em um momento muito difícil para a família. Tudo começou neste sábado (08/02) a casa foi invadida por um assaltante, que ao se deparar com a menina Julieta de Santos deu 12 facadas por todo corpo da vitima. Esta noite ele foi encontrado e preso, sua pena está sendo ainda confirmada por enquanto ele já foi punido por 20 anos por homicídio e ainda mais 3 anos por assaltos relâmpagos e 5 por formação de quadrilha.’’

Coloquei minha mão na minha testa. Eu estava pasmada, não consegui entender, o meu cérebro tinha dado um tipo de ‘’tela azul do Windows’’. Isso foi o que eu disse para o Nicolas ontem, mas claro não tinha tantos detalhes, mas mesmo assim. O ‘’enredo’’ foi esse, um assaltante entra na casa de noite, é descoberto pela menina e mata ela com 12 facadas e uma observação a tal tinha cara de 14 ou 15 anos, mesma coisa que eu disse ontem.

Notas finais
Obrigado por ler! Por favor, se quiserem comentem sobre o que acharam :3