Keep moving slow
3 Onde se escondem os corajosos
Notas iniciais
"It's better to be a lion for a day than a sheep all your life." — Elizabeth Kenny
Estava sentada na cama com os pés dentro da água quente. Seus dedos ardiam e suas panturrilhas latejavam, quando achava que não podia terminar o dia com os pés mais doloridos, vinha a ironia do universo e provava que ela poderia estar sempre errada. Alya entrou no quarto e também se jogou em sua cama. Ambas estavam acabadas.
— Sabe... – Começou a amiga. – Você deveria experimentar outras aulas além do ballet.
— Tipo o que... desenho? – Marinette comentou sarcástica. A dor já estava afetando seu humor também.
— Não idiota. – Alya a olhou séria. – Venha comido para a aula de dança moderna. Sabe, pra relaxar, dar descanso aos seus pés...
— Você esta me falando para dar folga aos meus pés da aula de dança, fazendo mais aula de dança? – A azulada levantou as sobrancelhas em descrença. – Acho que não entendo a sua lógica...
— Estou dizendo para você tirar um descanso daquelas sapatilhas. – Alya já estava ficando brava com a garota.
— Tá bom, tá bom, entendi... – Marinette tirou os pés do da água e passou a secá-los. – por que não... – Deu de ombros.
— Ótimo. – Alya sorriu. – Então vá dormir já, por que amanhã cedo você é mim.
— Mas já? Cadê a parte do descanso?
— É pra não te dar tempo de desistir. – Alya já estava pronta para dormir se colocando embaixo das cobertas. – Agora já pra cama!
— Está bem, mãe. – Marinette respondeu e as duas riram. A azulada jogou a água fora pela janela e foi se deitar. Não demorou muito para adormecer.
A manhã seguinte surgiu nublada, mas não fria. Marinette ainda dormia tranquila, enquanto a amiga e companheira de quarto, já se preparava para levantar. Alya acordou mais cedo do que o habitual naquele dia. Motivo: uma mensagem no seu celular, que se dizia urgente. A garota de colocou um moletom por cima da blusa do pijama e saiu do quarto em silêncio, encontrando no corredor o remetente da mensagem que recebeu cedo.
— O que aconteceu de tão urgente para precisar falar comigo a essa hora da manhã, Nino? – Sim, ela estava um tanto quanto brava por ter sido acordada antes do seu horário habitual.
— Tenho ótimas notícias. – O garoto exclamou animado. – Vou trabalhar como DJ.
— Eu não acredito. – Alya falou séria. – Você me acorda a essa hora para me falar isso? Eu juro, que se não fosse todo mundo ainda estar dormindo, eu gritaria com você. – Frisou rispidamente.
— Alya, por favor. – Nino se aproximou dela. – Vou trabalhar como DJ na Miraculous.
— Pera, o que?
— Bom, mas vejo que isso não é importante, então vou te deixar voltar a dormir. – O garoto ia se afastando, quando Alya o segurou pelo braço, impedindo de ir.
— Ei, como assim você me joga essa bomba e acha que pode simplesmente ir embora? – Se antes a avermelhada se encontrava sonolenta, agora já estava mais do que desperta. Nino sorriu divertido com a situação da garota.
— Então, pelo que me contaram, a equipe da Miraculous conseguiu um lugar novo depois que tiveram que sair do galpão. Não é muito longe daqui. Um amigo meu, que trabalha lá, falou que estavam precisando de um DJ novo e esse meu amigo me indicou e os caras curtiram o meu som.
Miraculous era o clube mais famoso entre os jovens artistas de Paris. O lugar está sempre mudando e são poucos os que sabem como encontra-lo. O clube ficou famoso no último ano quando iniciaram as batalhas de dança. Os dançarinos, corajosos o suficiente, se enfrentavam no palco do clube, o público era o juiz e o ganhador, recebia o titulo de rei ou a rainha do lugar.
Entretanto, havia uma coisa que tornava aquele lugar diferente de todos os outros clubes e pubs de Paris. O mistério. As pessoas iam mascaradas e utilizavam de nomes falsos ou apelidos para se identificarem; o que, quando chegou aos ouvidos da polícia, não soou nada bem.
— Caramba Nino, isso é incrível. – Alya estava realmente animada com aquela notícia. Isso sim valia a sua manhã.
— Sabia que ia gostar. – O sorriso de Nino era largo agora. — Sabe, eu estava pensando que Lady Wi-fi podia dar uma passadinha por lá sabe, para agitar um pouco mais as coisas.
— Ela ia adorar Nino... – Respondeu a garota, mas seu tom de voz não estava tão feliz quanto ele esperava ouvir.
— Mas...
— Mas é que as coisas estão complicadas. Tem os ensaios, a seleção de bailarinos para o espetáculo e você sabe que eu tenho que passar. – Alya olhava para baixo. Dançar era sua paixão, era quando ela podia se expressar, mostrar seus sentimentos. Mas quando se tornava Lady Wi-fi, ela se tornava livre, selvagem, não havia limitações para o que ela podia fazer e a dança, a música, o movimentar do corpo, se tornavam o seu escape.
— Alya, você é uma bailarina maravilhosa. Eu sei disso, você sabe e seus pais também. Mas eu também sei que a Lady Wi-fi te conecta com quem você realmente é.
— Péssimo trocadilho, Nino. – Ela deu um sorriso triste.
— É, eu sei. Mas você sabe que eu estou falando sério. – Agora ele a olhava sério.
— Mas as coisas não são tão simples. Você sabe que eu preciso entrar para o espetáculo final, é importante, é o sonho dos meus pais, eles querem uma grande bailarina.
— Mas e os seus sonhos Alya? Não importam? – Nino falou ainda mais sério. Alya simplesmente abaixou a cabeça e não respondeu. – Olha, vem comigo hoje à noite. Relaxa um pouco, se divertir, se solta. Toda essa preocupação esta te deixando doente e eu estou preocupado com você.
— Não é uma boa ideia...
— Só hoje Alya, se quiser depois disso não precisa mais aparecer. Mas hoje você vai! – Nino com seriedade.
— Está bem, mas só hoje.
— Ótimo. Me encontra nas escadas do porão, depois do toque de recolher. Tem uma janela lá em que a grade está solta, é grande o suficiente, até o Ivan passaria por ela se quisesse.
Estava tudo acertado, agora só precisavam esperar a noite chegar.
Marinette se sentia um peixe fora d`água, ter aceitado fazer a aula com a Alya naquele dia começava a parecer uma péssima ideia. Até o momento em que estavam se aquecendo estava tudo bem, mas quando iniciou a aula em si, a azulada nunca se sentiu tão perdida.
— Vamos Mari, é só deixar seu corpo se soltar. – Alya se aproximou dela, vendo o desconforto da amiga. – Sinta a música e deixe seu corpo se soltar, nada de postura rígida, de passos certos ou errados, feche os olhos e se deixe levar.
— Pra você é fácil falar. – Marinette murmurou e a amiga a olhou feio. Bom, agora ela não poderia voltar atrás. Fechou os olhos e seguiu as instruções da avermelhada, deixaria seu corpo se mover. No inicio eram só as suas mãos, seus dedos, que se guiavam a seus cabelos, os toques eram lento e delicados, assim como a música que acariciava seus ouvidos.
Suas pernas também seguiram o exemplo, os joelhos dobravam para depois voltarem a ficar eretos. Os braços se alongavam e as pernas subiam para acompanha-los. Seu corpo já estava se movendo por conta própria, como nunca havia feito antes.
Marinette dançava desde pequena e o ballet sempre lhe trouxe uma sensação ótima. Mas aquilo era totalmente novo, ela sentia que não tinha limites, coisa que existia no ballet, onde existia o certo e o errado, e errar poderia ser extremamente doloroso.
Ela sentia algo totalmente estranho se apoderar dela, algo bom, que ela permitia seu corpo transmitir para fora. Ela se sentia livre.
Mais tarde naquele mesmo dia.
As meninas se encontravam no refeitório, já era hora do almoço. Tudo o que era servido na Françoise-Dupont era vistoriado de perto por uma equipe de nutricionistas, o que infelizmente, não permitia os alunos extravasarem de vez em quando. Marinette e Alya já se encontravam na mesa de sempre. A azulada estava começando a se preocupar com os hábitos alimentares da amiga, que tinha no prato somente algumas folhas e um pouco de arroz.
— Alya, tem certeza que não está com fome? Você gastou muita energia de manhã.
— Eu estou bem Mari, sério, não estou com muita fome... – Alya respondeu um pouco secamente; não queria se grossa com a amiga, mas não gostava de tocar naquele assunto. Comida e em como ela estava se alimentando.
— Ok... – Pronto. O silêncio se instaurou. Mas não por muito tempo.
Vindo na direção da mesa onde se encontravam as meninas, vinham dois amigos conversando e rindo. Adrein e Nino se conheciam desde pequenos. O pai de Nino era um grande compositor de música clássica e que criou várias peças para a companhia em que o Agreste pai trabalhava. Então, desde crianças os dois estão acostumados a se encontrarem em eventos e afins. E assim foi surgindo à amizade.
— Olá meninas. – Cumprimentou Adrien enquanto sentava-se a mesa com Nino ao seu lado e os dois de frente para as meninas.
— E ai, Agreste... – Alya permanecia com o humor seco.
— O-oi Adrien. – Marinette se sentia estranha perto dele ultimamente. Sentia seu estômago formigar e seu coração pesar; e quando ele lhe tocava durante as aulas, as sensações pareciam multiplicar. Ela dizia para si mesma que era ansiedade por estar trabalhando com alguém tão talentoso quanto ele, tentando negar a qualquer custo aquilo que já estava começando a se alojar em seu coração.
— Achei que te encontraria no estúdio mais cedo, ensaiando sabe... – Adrien olhava diretamente para a azulada, que sentia seu estômago borbulhar e suas bochechar avermelharem. Ele estava a procurando.
— Eu e-estava em uma aula com a Alya. – Respondeu ela enquanto mantinha os olhos baixos. Se olhasse para aqueles olhos verdes tinha certeza que todo o sangue de seu corpo faria questão de se alojar nas suas bochechas.
— Ah entendi. – Ele sorriu de canto e olhou para Alya, que estava conversando com Nino. – Eu pensei que poderíamos ensaiar um pouco sabe? Melhorar aqueles giros. – Ele sorriu e o rosto de Marinette se tingiu de vermelho. Ele estava se referindo ao dia em que encontrou ela ensaiando durante a noite; percebendo que a garota estava corando, ele riu. – Estou brincando Marinette. Mas acho que seria bom se conseguíssemos ensaiar mais um pouco.
— É c-claro, eu n-não estava pensando, sabe, v-você, quer dizer... – E lá estava ela, se perdendo nas palavras. Marinette respirou fundo e tentou organizar seus pensamentos. – Vai ser b-bom ensaiar.
— Ótimo, nos encontramos de tarde no estúdio então. Umas 15h está bom para você?– Ele sorriu para ela. Ela não sabia como lidar com aquilo, com o sorriso dele, o jeito com que as covinhas queriam se mostrar. Ela tinha um sorriso tímido nos lábios como retribuição.
— Está s-sim...
Ao lado dos bailarinos, o músico e a avermelhada conversavam sobre as novas criações do garoto. Ele estava animado para poder toca-las naquela noite, afinal sua Lady estaria lá e aquilo o deixava animado.
Nino tinha uma paixão pela avermelhada desde que a conhecera no clube. E quando Alya na academia começou a juntar as peças e passou a provocá-la durante as noites no Miraculous. Hoje os dois são amigos, mas pela parte dele, poderiam ser mais do que isso. Porém ela nunca mostrou o mesmo.
— Mas então, você vai ver hoje, a seleção para esta noite está explosiva. – Nino falava baixo.
— Assim espero. Pelo menos a música tem que valer a minha saída. – Alya adorava provocá-lo. Isso o fazia querer se superar, e ela sabia disso.
— Vai fazer você querer estar lá todas as noites.
— É o que veremos Bulleur... – Ela respondeu tentando esconde o sorriso. Bulleur, fazia tempo que ela não o chamada daquela maneira. Apesar de saber que ela estava tirando com a cara dele, sentia falta daquilo. Alya estava muito triste nos últimos meses, ele sentia falta daquele lado brincalhão e provocador dela.
— Então cara, é melhor a gente ir... – Adrien colocou a mão no ombro do amigo o fazendo lembrar que havia outras pessoas na mesa com ele.
— É mesmo, não posso me atrasar de novo. – Nino ia se levantando da mesa.
— Foi ótimo almoçar com vocês meninas, até a próxima. – Adrien já acenava. – E até depois Marinette...
— A-até... – A azulada respondeu com a voz baixa e as bochechas coradas. Alya olhou para a amiga e rápida como era, notou o que estava acontecendo e não perderia a oportunidade.
— “E até depois Marinette” – Alya tentava imitar a voz de Adrien. – Quer dizer que as coisas estão assim agora? – Ela sorriu maliciosa.
— Que coisas? Não t-tem nada acontecendo Alya. – A azulava tentava se defender, mas a gagueira e o tom rosado em seu rosto a denunciavam.
— Tá bom, me engana. – Alya se aproximou mais da amiga e falou baixo. – Você está caidinha por ele não está?
— O QUE? C-CLARO QUE N-NÃO. – Marinette não conteve o grito de surpresa.
— Isso mesmo, grita, daí você aproveita e se declara de uma vez. – Alya realmente adorava provocar. Ela tentava não rir da situação da amiga, sem muito sucesso.
— Não é nada disso Alya. Ele é um ótimo bailarino, só isso... – A voz de Marinette era baixa.
— Sim, um ótimo bailarino; e um maravilhoso par; e você adora ter as mãos dele no seu corpo durante os ensaios. – Alya falava e a cada palavra Marinette ficava cada vez mais vermelha.
— Pare com isso, você está errada...
— Estou mesmo? – Alya levantou uma sobrancelha e encarava a amiga com seriedade. – Marinette Dupan-Cheng não minta para mim e principalmente para você!
— Não estou mentindo, ele é somente um bom dançarino e parceiro...
— Um parceiro que faz seu coração disparar, suas pernas tremerem e enche seu estômago com borboletas. Estou errada? – Alya a olhava séria. Marinette ficou em silêncio e com a cabeça baixa. – Estou, Mari?
— Não... – Respondeu a azulada em um fio de voz. Alya sorriu. Adrien era uma boa pessoa, que infelizmente vivia cercado responsabilidades. A avermelhada sabia também da concorrência acirrada que Marinette iria enfrentar. Quase toda aluna, e alguns alunos, daquela academia e de outras, a fora de Paris, eram apaixonadas pelo garoto. Porém nunca mostrou interesse em nenhuma.
— Viu, não foi mais admitir de uma vez que está afim dele?
— Eu não estou admitindo que gosto dele, só aceitei que ele me causa essas reações. – Marinette falava mais seriamente agora.
— Nossa, não sabia que agora paixão mudou de nome... – Alya a provocou de novo.
— Chega disso, Alya. É só atração e fim! – Marinette falou firme agora.
— Olha só quem mostrou as garras. – Alya riu divertida. – Não conhecia esse teu lado, amiga. – Ela continuou a rir da amiga, que sempre tão calma, perdera a cabeça. Marinette não aguentou e acabou por rir também.
As duas terminaram de almoçar e seguiram para as suas aulas. Elas ainda tinham muito que ensaiar com Rose e Juleka antes da apresentação do semestre. A professora estava exigindo bastante delas. Ballet era algo lindo, mas podia ser tão doloroso quanto e Marinette tinha plena consciência disso. Por isso buscava fazer os passos o mais correto possível, pois um erro poderia lhe causar uma dor terrível, se não, algo pior.
A aula encerrou perto das 14h, Marinette ainda teria um tempo antes de ter que ensaiar com Adrien. Os alunos já estavam se retirando da sala, a azulada iria para o estúdio menor, ensaiar um pouco sozinha antes. Ela foi até sua bolsa e viu que seu celular estava sem bateria e infelizmente as músicas que precisavam estavam lá. Por sorte, lembrou que Alya também tinha as músicas, afinal fora a mesma que a tinha disponibilizado antes de tudo.
— Alya, você pode me emprestar seu Ipod? Meu celular está sem bateria e as músicas que eu preciso estão nele. – Já se explicou.
— Sem problemas. – A avermelhada foi até sua bolsa, pegou o objeto e entregou a ela. – Achei que seu ensaio fosse mais tarde...
— E é. Mas eu queria praticar um pouco sozinha. – Marinette juntou suas coisas e se despediu enquanto saída da sala, indo em direção ao estúdio menor.
Sorte. O lugar estava vazio quando ela chegou. Marinette acendeu as luzes e fechou a porta atrás de si. Deixou suas coisas em um canto da sala e pegou seus fones de ouvido junto com o Ipod de Alya. Colocou os fones e deu play na música. A primeira, era a que estavam ensaiando em quatro bailarinas, Marinette se posicionou e começou a realizar os passos, mesmo que sozinha.
Quando a música seguinte começou, Marinette se assustou um pouco. Não era ballet; e muito menos algumas das músicas das aulas de dança moderna. Aquilo tinha uma batida forte, o ritmo acelerado e fazia o coração da azulada querer bater em conjunto com a música.
A música tinha uma batida que mexia com ela; e assim como na aula que fez mais cedo com Alya, ela fechou os olhos e deixou as batidas da música guiarem o seu corpo. As músicas iam passando e a azulada continuava a se mover, não percebendo que alguém a observava da porta do estúdio, com um sorriso maroto no rosto.
Uma mão tocou o ombro da azulada, que pulou com o susto e colocou a mão no peito que estava acelerado.
— A-andrien? – Ela tinha os olhos arregalados com a surpresa. – E-eu não s-sabia que v-você estava a-ai...
— Desculpa te assustar.
— T-tudo b-bem, eu é q-que estava d-d-distraída. – Ela estava com o rosto baixo e extremamente vermelho, como um morango. Era a segunda vez que ele a pegava dançando tão livremente; e isso era constrangedor. – Você c-chegou agora?
— Cheguei sim, vi a luz acesa e imaginei que você já poderia estar aqui.
— Entendi...
— Aliás, belos passos. Não sabia que dançava outras coisas além do ballet. – Ele tinha um sorriso no canto dos lábios.
— Eu n-não danço... Só estava na música errada. – Marinette estava ainda mais envergonhada. Ele a tinha elogiado. Seu coração batia tão forte que chegava a doer.
— Bom, deveria. Você é boa nisso.
— O-obrigada. – Ela não sabia mais o que falar ou como agir. Adrien se afastou e foi vestir suas sapatilhas. Quando terminou, encarou a garota ainda estática a sua frente.
— Vamos começar? – Ela somente concordou com a cabeça. A música foi colocada e eles começaram a ensaiar.
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