Keep moving slow

31 Nunca houve uma maneira fácil de fazer isso


Notas iniciais
AEEEE! Demorei mais cheguei... ~grande novidade~ Eu espero que vocês estejam com saudade de mim, por que eu estava morrendo de saudades de vocês! Fiz um grande esforço para terminar esse capítulo essa semana; sabem por que... Sim, eu finalmente estou escrevendo o final!! ALELUIA! Enfim, vou deixar nossas conversa lá para o final. Aproveitem...

“Não choro, não corro, não espero mais nada. Se você vier, ótimo. Caso contrário eu sigo minha vida, como sempre segui.” — Caio Augusto Leite.

Ele estava estranho e isso já fazia dias. Marinette culpava a final do concurso, mas no fundo sabia que tinha algo a mais. Entretanto, por mais que perguntasse ao loiro, ele somente sorria, lhe beijava o dorso da mão, e lhe garantia que estava tudo bem. Mas se estava tudo “bem”, porque ela sentia seu coração inquieto?

A final seria dali a dois dias, no sábado. Por um milagre, ou bruxaria de alguém, Lila Rossi não a incomodou muito naquela semana, o que tornou os ensaios de certa forma, suportáveis. Porem não menos estressantes.

Assim que a final passasse, e eles ganhassem a competição, o Miraculous estaria salvo e sua única e principal preocupação seria com o espetáculo da academia, que aconteceria dali a duas semanas. Nossa, o tempo realmente passava voando. E isso a assustava, afinal o que iria depois?

Marinette sonhava desde pequena em entrar para o grande e respeitado ballet real de Paris; e agora sua grande oportunidade estava a poucos dias dela, com todas as chances apostadas em uma única noite. Seria tudo ou nada.

Estava a um salto da vida perfeita, não? A carreira de seus sonhos, na companhia de ballet que mais deseja e em um relacionamento com o garoto com doce e amável do mundo. Um sonho, certo?

— Preparada? – Alya perguntou enquanto estava esticada em sua casa no dormitório. Marinette a olhou e sorriu fraco.

— Se eu disser que “não”, vai adiantar de alguma coisa? – Ela riu fraco. A azulada arrumava a bolsa para o dia seguinte, quando no final da tarde partiria para a casa de Alya, como o combinado. Todos se encontrariam lá, só aguardando a final da competição.

— Acho que não. – Alya riu. – Sábado vai ser tudo ou nada... – Suspirou. – Se vocês perderem o clube já era. Isso é uma merda.

— Obrigada por me deixar mais calma, Alya. – Marinette respondeu ironicamente e sentou-se ao lado da amiga na cama.

— Sem pressão. – As duas amigas riram.

— Alya... – A mestiça mordeu o lábio em dúvida. – Eu estou sentindo o Adrien meio estranho nos últimos dias. Você sabe se aconteceu alguma coisa?

— Se eu sei? – Ela sentou na cama. – Você é a namorada dela. Já foi conversar com ele? – Marinette nada respondeu, somente arqueou a sobrancelha em uma resposta mental de “é claro que sim”. – Ok. Certo. Olha, acho que deve ser só a competição. – Alya ajeitou-se ao lado da amiga. – Nós duas sabemos como o clube é importante para ele... Aquela coisa loira deve estar nervosa, ou qualquer coisa parecida.

— É, deve ser isso. – Marinette sorriu para a amiga. Alya sempre acalmava suas dúvidas e receios. Ela era uma boa amiga, uma que levaria para a vida toda.

— Ok, mocinha, agora para cama. O dia de amanhã vai ser agitado!

— Está me expulsando da sua cama? – A azulada a olhou boquiaberta.

— Olha... Eu não ia dizer essas palavras, mas se a carapuça serviu...

— Ora... Sua... – Marinette pegou o travesseiro que estava na cama e bate em Alya com ele. – É assim então, Alya...

As duas riam, enquanto um breve “guerra” começava naquele quarto.

Sentados naquela sala, a tensão parecia maior a cada minuto em que esperavam. Por mais que a porta estivesse fechada, dava para escutar a animação do público do outro lado das paredes. Ela mantinha os dedos entrelaçados aos dele na esperança de dissipar o nervosismo que se apossava de seu corpo.

— Vamos começar em cinco minutos. – A assistente de Francis, Senhorita Haydée anunciou calmamente. – Depois disso a primeira dupla, por favor, já fique posicionada ao lado da porta.

Todos concordaram com a cabeça. As gargantas estavam secas, tamanha era a tensão.

Não demorou muito para escutarem Francis dar inicio a grande final. A joaninha aumentou o apeto contra a mão do gatuno, chamando a atenção do loiro para si, que até aquele momento estava com os pensamentos distantes.

— Está tudo bem? – Ele sussurrou para ela. Que o encarou surpresa. Aqueles olhos azuis brilhando em contraste a máscara vermelha.

— Está sim. – Ela tentou sorrir. – Nervosa só, eu acho.

Um breve sorriso se formou nos lábios finos dele, enquanto lhe acariciava o dorso da mão com o dedão, para logo em seguida leva-la aos lábios, depositando um beijo na superfície gelada.

— Eu estarei aqui para te pegar. – Lhe garantiu, conseguindo arrancar um sorriso sincero dela.

Eles mal haviam se visto naquela semana, com exceção dos ensaios. Sem tempo para conversa, ou para um simples momento de carinho e companheirismos entre os dois. Isso machucava o coração da joaninha. Mas não do que o dele.

— Primeira dupla, por favor. — Senhorita Haydée chamou encostada a porta. Volpina e CopyCat levantaram do sofá aonde estavam se seguiram em direção a porta com calma. Eles sequer pareciam afetados por aquele dia. – Podem entrar...

Ela anunciou e os dois se encaminharam salão adentro, mas não sem antes ouvir a raposa soltar uma pequena provocação.

— Boa sorte para vocês, crianças. Espero que tenham feitos boa escolhas. – Ela saiu da sala sorrindo.

Do lado de fora o público aplaudia a entrada dos dois e o show que estava presentes a começar. A vontade do loiro foi manda-la a merda naquela hora, mas se conteve. Maldita mulher.

— Chat? Gatinho? Está tudo bem, mesmo? – A mestiça o observava atentamente. O que tanto passava pela cabeça dele, ela se perguntava.

— O que? – Ela virou o rosto novamente para ela. – Está sim, não se preocupe...

— Sabe... Você vem falando muito isso para mim essa semana. – Ela suspirou. – “Não se preocupe”...

— Bom, deve ser porque você está muito nervosa nesses últimos dias, Bugaboo. – Ele aproximou o rosto do dela, colando suas testas, para logo em seguida depositar um beijo rápido em seus lábios e se afastar sorrindo.

A joaninha lhe retribuiu o sorriso, apoiando a cabeça em seu ombro, enquanto aguardava a vez deles de se apresentar.

Já posicionados ao lado da porta, só estavam aguardando serem chamados ao palco. As mãos deles mantinham-se unidas, enquanto os corações batiam em ritmo acelerado. Estava na hora.

— Podem entrar. – A assistente abriu a porta para eles, que por um momento foram ensurdecidos pelos gritos e aplausos da plateia. Parecia haver mais pessoas naquele dia.

Mal pisaram salão e as luzes do lugar já os cegavam. No centro de tudo, era possível observar Frances em um terno elegante, portanto um microfone em mãos. Parando ao lado dele, o homem sorriu e perguntou com a voz baixa.

— Preparados? – Os dois assentiram em concordância. – Então boa sorte para os dois. – Ele sorriu e se afastou, deixando os dois sozinhos no centro daquele grande lugar.

As luzes se apagaram por um instante, dando tempo para que o casal se posicionasse. Era chegado o momento. Um grande holofote se acendeu sobre eles, o salão fez silêncio e a música começou.

Não era lenta, muito menos melosa; mas isso não a tornava menos romântica para os dois. A música e a coreografia deles, brincava com suas próprias histórias, o modo como escolheram ser a companhia um do outro sem nem mesmo saber seus nomes.

Das cadeiras, o público era animado pela batida de fundo eletrônica e bela voz masculina que saia pelos auto falantes; enquanto no centro do salão era possível ver o casal unido por uma paixão em comum. Eles mantinham se perto, sorrindo um para o outro. Ela o empurrava para longe, mas ele retornava, sempre segurando a sua mão, que lhe guiava o caminho de volta para o corpo esquiço da mestiça.

Por mais clichê que fosse, eles tentavam fazer daquele momento algo só deles. Não era a primeira vez que dançavam em frente a tanta gente, e também não seria a última. Mas assim como cada vez que se tocavam, aquele momento se tornaria especial.

Ele a amparava por trás, guiando suas mãos, por cima das delas, envolvendo o corpo da menor, a abraçando. Como gostava de tê-la em seus braços, ela se fazia tão pequena junto a si, o loiro pensava. Em seus braços poderia protegê-la, cuidar dela. Isso era o que mais queria.

Os passos ágeis os levaram ao chão, aonde ela se afastava a cada passo que ele dava em sua direção. Adrien não a queria longe, nunca, jamais. Era tortura. A azulada colocou-se de pé novamente e ela a puxou para seus braços. Os braços dela ao redor de seu pescoço ao mesmo tempo em que os dele a enlaçava pela cintura.

E assim finalizaram a música, com ela junto a si, as respirações aceleradas e a boca tão próxima a dele.

A joaninha sorriu para ele, e tomou-lhe os lábios rapidamente, recebendo uma chuva de palmas e assobios do público. Separaram-se, mas as mãos continuaram unidas, com os dedos entrelaçados.

— Mais uma salva de palmas para essa dupla maravilhosa. – Francis voltou ao centro do salão sorrindo e colocando-se ao lado do casal. – Que apresentação maravilhosa a de vocês. Realmente os nossos jurados terão uma grande dor de cabeça hoje. – Ele brincou e o público riu. – Enquanto todos nós aguardamos a decisão dos nossos jurados, eu convido a todos a virem conhecer e cumprimentar nossos participantes. Logo mais eu volto com o resultado, até lá quero que todos se sintam à vontade.

Foi só Francis se retirar para que uma onda de pessoas os cercarem. Eram apertos de mão, parabenizações, desejos de boa sorte e muitos sorrisos. Enquanto todos aguardavam os resultados, a música voltou a soar pelo salão e garçons passavam entre os convidados, carregando bandejas repletas de comidas e bebidas.

Mas quem é conseguia sentir fome naquele momento? Marinette com toda certeza que não. Ela sequer conseguia dizer se tinha um estômago naquela hora.

Passando apertada pela multidão, Alya logo conseguiu chegar até os amigos, pulando no pescoço da mestiça com um imenso sorriso nos lábios.

— Foi lindo. Não, maravilhoso. Melhor que isso. – A avermelhada se mantinha agarrada a amiga, a abraçando alegre e cheia de orgulho. Nino, que estava logo atrás dela, logo tratou de ir parabenizar o amigo pela apresentação.

— Obrigada, Alya. – A joaninha sorriu para a amiga. – Agora só resta esperar o resultado.

— Não tem que esperar nada! – Alya continuava a tagarelar animada. – Vocês vão ganhar, eu tenho certeza disso! Vocês foram espetaculares. — A mestiça ria da animação da amiga. Ela estava feliz, havia dado tudo de si naquela apresentação.

Aos poucos, a multidão de pessoas começou a se afastar, dando espaço para que os competidores pudessem finalmente respirar um pouco. Acomodaram-se em um canto do grande salão, aonde pudessem conversar com calma e aguardar o resultado.

— Achei que Plagg estaria com vocês. – O loiro falou, enquanto olhava em volta em busca do padrinho.

— Ele até que estava. – Nino respondeu. – Mas dei ele disse que encontrou um velho amigo e ia dizer um “oi”.

— Velho amigo? – Chat estava confuso. Quem esse homem tanto conhecia? Nino somente deu de ombros.

O tempo parecia rastejar enquanto todos aguardavam o resultado da competição daquela noite.

Mas a hora havia finalmente chegado.

— Estão todos me ouvindo? – Francis voltou ao centro do salão, levando em suas mãos um pequeno envelope branco. – Primeiramente, eu quero agradecer a presença de todos que estão presente aqui essa noite. Foi uma longa jornada, sim eu sei.

“Planejar e desenvolver todo esse concurso foi algo bastante arriscado. Não sabíamos o que iríamos encontrar e muito menos se tudo isso iria dar certo. Mas cá estamos não é mesmo? – Ele riu e o público acompanhou. – Eu falo em nome da Nike, quando digo que estamos orgulhosos em estar apoiando mais esse esporte, essa arte... Assim como já apoiamos muitos antes, como o atletismo, basquete, vôlei e tantos outros esportes.”

“É com imenso prazer que anuncio que os grandes ganhadores desta noite, estarão, não somente recebendo um grande prêmio em dinheiro; mas também se tornando os novos rostos da linha Nike Dance. – Todos aplaudiram. – Antes de anunciar nossa dupla vencedora, eu quero apresentar a vocês o nosso grupo de jurados desta noite. – Um holofote acendeu em direção a porta de uma sala, localizada no canto do salão. — Alec Cataldi, apresentador do programa “O desafio”. Nadja Chamack, repórter do jornal de Paris. O astro do rock, Jaggad Stone e sua assistente, Penny Rolling.”

Uma salva de palmas se fazia com a entrada de cada um dos jurados no salão.

— E por fim, nosso jurado e convidado especial desta noite, o famoso bailarino, Gabriel Agreste. – Os aplausos soaram ainda mais alto, enquanto o Sr. Agreste juntava-se ao demais convidados, próximos a Francis.

Neste momento os quatro amigos se olharam surpresos. O que Gabriel Agreste fazia ali? Aquela sensação de frio na espinha pareceu multiplicar. A última coisa que o gatuno precisava naquele momento, era que seu pai soubesse que ele estava ali.

— Neste envelope, estão os nomes da nossa dupla vencedora. – Francis levantou o objeto para que todos pudessem ver. Abrindo-o em seguida e retirando de dentro um papel branco contendo o resultado. – Meus parabéns aos grandes vencedores... Ladybug e Chat Noir!

O choque foi tanto, que a mestiça só se deu conta do resultado quando sentiu Alya se jogar sobre ela, gritando de alegria que eles haviam ganhado. Ela abraçou a amiga, mas buscava ao seu lado o par de olhos verdes que tanto amava.

“Conseguimos”. Ela movimentou os lábios, em uma comemoração muda.

Ele sorriu para ela; e assim que Alya a soltou, o loiro lhe tomou o rosto entre as mãos, beijando os lábios cheios de alegria. A azulada ria entre os vários beijos, contente não só pela vitória, mas pelo seu amor. Agora o clube estaria salvo.

— Venham até aqui casal, prometo que depois vocês podem comemorar. – Francis chamou a atenção deles, que logo se separaram envergonhados, com as bochechas coradas, como se já não bastasse a máscara cobrindo o rosto da azulada.

De mãos dadas, os dois seguiram em direção ao apresentador.

— Parabéns aos dois, foi uma bela apresentação. – Francis apertou a mão de cada um em cumprimento. – O nosso prêmio e o contrato é de vocês!

Uma salva de palmas foi dada pelo público. Todos estavam muito felizes com a vitória do casal.

Ao menos quase todos.

A maioria os convidados já haviam deixado o salão, restaram somente algumas pessoas; amigos, jurados e alguns antigos competidores que vieram prestigiar o evento e estavam parabenizando os ganhadores.

— Bem, nós já vamos indo. – Uma das garotas falou sorrindo, enquanto se afastava da joaninha e seus amigos. – Parabéns de novo. Foi uma linda coreografia.

— Obrigada. – A mestiça sorriu em agradecimento.

Nossa. Seu coração ainda batia forte no peito. Depois de toda essa emoção, suas pernas já estavam começando a fraquejar.

— Eu vou buscar o Chat e acho que já podemos ir embora. – A joaninha avisou aos amigos. – Encontramos vocês lá fora, ok?

— Está certo. – Concordou a avermelhada. – E depois nós vamos comemorar! – Anunciou animada.

— Alya... – Nino e Marinette falaram em união. Uma advertência.

— O que foi? – Olhou chocada para os dois. – Precisamos sim. Não é todo dia que se ganham um grande concurso e de bônus um contrato com um multinacional.

A mestiça suspirou derrotada.

— Algo leve, por favor. – Sorriu cansada. – Não sei se aguento mais emoções hoje.

— Claro, claro. Deixa comigo. – A amiga riu. Segurando a mão do namorado, eles partiram para fora do prédio.

Ainda com o sorriso grudado no rosto, a garota passou a caminhar em direção a sala de reuniões. Essa ficava no andar superior do prédio, aonde o loiro a esperava para assinarem o contrato e receberem o prêmio.

Após subir as escadas, passou a caminhar pelo longo corredor a caminho da sala no final do mesmo. Sentia-se feliz.

— Meus parabéns, vermelhinha. – A voz veio acompanhada por um salvar de palmas espaçado. – Sei que está cansada de ouvir isso, mas foi uma bela apresentação.

A joaninha olhou para trás assustada. Entrando encostado na parede, seu rival daquela noite.

— O-obrigada. – Sua voz saiu engasgada. Aquele homem deveria ter saído do inferno, pelo modo silencioso como se pronunciou. – Eu não te vi subir...

— Sabe como gatos são silenciosos... – Ele sorriu e desencostando da parede, passou a andar em direção a ela. – Eles são excelentes predadores. De insetos principalmente.

Ela passou a dar um passo para trás a cada movimento em frente que ele fazia. Esse homem lhe causava arrepios. E não era no bom sentido.

— Sabe vermelhinha... Eu estava ansioso para te encontrar novamente. – Ele sorriu. – Assim nós poderíamos brincar melhor.

— Não acho que isso seja uma boa ideia... – Ela riu nervosamente. – Sua parceira deve estar te procurando...

— Ela não é ciumenta. – Ele sorriu mais abertamente. – E nem eu...

Com passos ágeis, ele chegou perto dela e a segurou pelo braço, enquanto a mesma buscava se soltar de seu aperto.

— Me solte. – Ela o olhou com fúria. – O que pensa que está fazendo, idiota?

— Selvagem. – O moreno concluiu sorrindo. – Do jeito que eu gosto.

Com a mão livre, ela o empurrava com força. Mas esta logo foi capturada pelo mesmo. Segurando ambas as mãos da joaninha, ele a empurrou até a parede, prensando seu corpo contra o dela.

— Me largue! – Ela gritou, mas sua boca foi tapada por uma das mãos do moreno.

— Gritar não é nada legal... – O rosto dele estava a centímetros do dela. A mestiça se debatia, tentando se soltar de qualquer forma. – Como é que vamos brincar se você não sabe se comportar?

Os grandes olhos azuis da mestiça, já se encontravam marejados.

— Que tal brincar comigo então, babaca. – Uma voz grave surgiu do lado deles e o moreno foi arrancado de perto da garota, levando um grande e forte soco na lateral do rosto, que acabou o levando ao chão.

A mestiça levou as mãos a boca. Sentia-se surpresa, assustada e aliviada ao mesmo tempo.

— Vejam só quem chegou... – O moreno levantava do chão enquanto massageava a própria bochecha dolorida. – Para um moleque, até que você bate forte. – Ele sorriu sarcástico. – Mas ainda assim, é só um moleque.

Assustando aos dois, o homem acertou um forte soco contra o rosto do loiro, que foi jogado ao chão. A mestiça tinha o ar preso aos pulmões, suas mãos cobriam a boca em choque.

O loiro levou o dorso da mão até o nariz, onde limpou o filete de sangue que escorria. Observando a mancha vermelha escorrer pelos dedos, o gatuno sorriu irônico e em um movimento rápido já estava em cima do moreno, o enchendo de socos.

— CHAT! – A joaninha gritou assustada.

Os dois rolavam pelo corredor, desferindo socos, cotoveladas e chutes um no outro. A mestiça estava acuada no canto de uma parede. Ela não sabia o que fazer para tirar o loiro dali.

— Mas o que diabos está acontecendo?

Marinette olhou para trás, encontrando Francis a poucos passos dela, olhando para a briga surpreso.

— Ei, vocês dois! – Ele gritou. Mas foi ignorado. – Cadê a segurança? – Ele olhava para os lados, mas o corredor está vazio, com exceção deles.

Marinette estava aflita com tudo aquilo. Seu coração batia tão rápido, que sentia que a qualquer momento sairia de seu corpo.

— ADRIEN! – Uma voz firme e alta soou atrás deles.

Aquela voz.

Isso deixou o loiro distraído. O que possibilitou que o moreno invertesse as posições e passasse a distribuir socos no rapaz.

Com a segurança acionada, não demoraram muito a chegar ao local da briga.

— Alguém tire esse homem de cima do meu filho.

As ordens foram dadas e os seguranças separam os dois homens que a pouco, rolava no chão do corredor.

— Papai veio salvar o principezinho, foi? – O moreno ria enquanto limpava o sangue da boca.

— Tirem esse homem daqui. – Sr. Agreste estava parado no centro do corredor, olhando friamente o moreno a sua frente.

— Vocês ouviram. – Francis falou. – Levem o senhor Barbot para longe daqui.

Seguindo as ordens dadas, os seguranças escoltaram o homem para fora do prédio.

A respiração de todos estava alterada. Adrien tinha o nariz sangrando e um pequeno corte na testa e no queixo, além de alguns pontos roxos começando a se formar em algumas partes de seu rosto, braços e tórax.

Marinette tinha os olhos cheios de lágrimas e a voz entalada na garganta.

— Adri- Ela foi interrompida por uma voz mais alta e grave.

—Adrien Agreste. – Gabriel mantinha a postura reta e a voz clara.

— Oi, pai. – O loiro o encarou finalmente.

— Acho que nós dois temos muito o que discutir, não estou certo? – O homem parecia não se alterar com o que acabou de acontecer.

— Sim, senhor. Nós temos. – Adrien abaixou a cabeça e soltou o ar pesadamente pelo nariz.

O Sr. Agreste virou de costas para ele e seguiu em direção sala onde estava acontecendo a reunião, antes de toda a confusão se iniciar.

Adrien suspirou e levantou a cabeça, encontrando o olhar azul da mestiça sobre si. Ela queria ir até ele, mas seu corpo estava em choque. Ela abriu a boca para dizer algo, mas ele negou com a cabeça antes que algum ruído deixasse sua boca. Em um mover mudo de lábios, ele sorriu e lhe disse:

“Desculpa.”

Três dias. Ela não o via a três dias. Sem mensagens, ou telefonemas, um e-mail se quer. Aonde diabos ele foi parar?

Desde a competição, e vulgo briga, de sábado, Marinette não conseguia falar com o loiro. Ele não havia voltado para a academia, de acordo com Nino e ela estava mais do que preocupada.

Sentada no refeitório, ela mal tocava na comida.

— Calma, amiga. – Alya a abraçava. – Não deve ser nada sério. Talvez o Sr. Agreste só não queira que ele volte para cá todo roxo.

— Mas isso não explica o fato dele não atender ao telefone... – Ela suspirou.

Mas que droga, Adrien.

— Marinette Dupain? – A voz veio de trás dela. Marinette olhou para trás surpresa. Era a secretaria da academia.

— Sim, sou eu.

— O Mr. Democles deseja a sua presença na diretoria. – A mulher explicou calmamente.

Marinette assentiu e já se preparava para levantar, quando Alya pegou sua mão.

— Está tudo bem, amiga?

— Acho que sim. – Sorriu levemente. – Espero que seja alguma notícia do Adrien.

Marinette afastou-se, seguindo a secretária pelos corredores da academia até a sala do diretor. Com duas batidas na porta, uma voz grave pode ser ouvida a mandando entrar.

— Com licença, Mr. Democles. Está é Marinette Dupain, como o senhor pediu. – A mulher anunciou.

— É claro, obrigado. – Ela assentiu. – Por favor, sente-se senhorita Dupain-Cheng.

Marinette sentia-se ansiosa com tudo aquilo. O que ela fazia ali?

— A senhorita sempre se mostrou uma boa aluna. Então como pode notar, estou realmente surpreso por saber que é assim que está aproveitando de seu tempo na instituição.

— Como? – Ela o encarava confusa. – Não estou entendendo, Mr. Democles.

O homem suspirou pesadamente.

— Tinha esperanças para a senhorita. Você é talentosa. – Ele sentou-se em sua grande cadeira. – A senhorita Rossi, em cumprimento ao seu dever de professora, infelizmente teve que vir a mim, para intervir nas suas atitudes senhoritas.

Então o homem lhe entregou uma pasta, aonde continham algumas fotos dela. Não eram bem fotos, eram imagens das câmeras de segurança. Nelas, apareciam imagens de Marinette andando pela academia durante a noite, assim como imagens da mesma pulando os muros e caminhando pelas ruas próximas a instituição durante a noite.

As mãos da mestiça estavam tremulas enquanto segurava as imagens. Como isso era possível? Sempre tomou o maior cuidado.

Seus amigos também estavam nas fotos, mas estes, estavam de costas ou borrados nas imagens.

— Como sabe, senhorita. — Mr. Democles falava calmamente. – Isso é uma das violações do código da academia, o que já é uma coisa grave. Mas pelo fato da senhorita ser uma bolsista, o caso é ainda pior.

Ela o encarou espantada. Os olhos já enchiam-se de lágrimas.

— Você tem consciência que a punição para isso é a sua expulsão, certo? – Ele falava devagar, deixando-a absorver cada palavra.

— S-sim... Eu, s-sei...

E voz estava entalada na garganta. Mr. Democles suspirou pesadamente.

— Entretanto, a senhorita Rossi interveio a mim. E como falta apenas duas semanas para o fim do ano letivo, pediu para que você não fosse expulsa. – Ele explicou.

“O que, Lila?”. Ela sentia-se confusa.

— Entretanto... – Mas um suspiro partiu dele. – A senhorita está fora do espetáculo de final de ano.

As lágrimas lhe escorriam o rosto. Aquilo era pior do que a expulsão em si.

Retirando-se da sala do diretor, Marinette buscava conter as lágrimas a todo custo. Havia acabado. Tudo havia acabado. Todo seu esforço, as noites mal dormidas, as dores, machucados, bolhas nos pés, o dinheiro investido por seus pais. Tudo escorreu pelos seus dedos.

Todos os seus sonhos. Acabou.

— Pobrezinha... A pequena bailarina finalmente notou como é o mundo de verdade. Onde está seu príncipe encantado agora?

Marinette olhou para cima e encontrou Lila no corredor com um sorriso nos lábios.

— Por quê? O que foi que eu te fiz, Lila? – A voz mal saia de sua garganta.

— Você? Não me entenda mal, criança... – Ela caminhou em direção a mestiça. – São apenas negócios. É assim que o mundo dos adultos é...

— Negócios? Mas que negócios? – A azulada sentia-se perdida. Cega até.

— Ele não te contou meu bem? – Lila aproximou-se ainda mais. – Seu amado “gatinho” e eu tínhamos um acordo... Ou vocês perdiam a competição, ou a sua carreira como bailarina profissional, iria pelos ares...

— Competição...

— Ai, minha querida... O que posso dizer... Sou uma raposa esperta. – Sorriu.

— Como... – Marinette abriu a boca em espanto. – Volpina...

— Sabe minha pequena joaninha... – Sorriu de canto. – É isso que acontece quando os insetos querem brincar com animais maiores... Eles são pisoteados. A única diferença, é que seu próprio gatinho, foi quem esmagou você.

Marinette saiu correndo dali. Não queria ficar na frente daquela mulher mais um segundo sequer.

Pouco ligava se alguém a visse chorando. Ela só queria ficar longe de todos e tudo. Ainda correndo, chegou em seu quarto e fechou a porta. As lágrimas vinham em cachoeiras por seus olhos e saiam em soluços.

— Mari...

A voz baixa e conhecida chamou sua atenção.

— Mari, eu-

— Como pode? – Ela mal conseguia o olhar, a visão embaçava cada vez mais a cada tentativa. – Você manteve segredo de toda história. Me usando como garantia. Por quê? Me responda, Adrien. Por quê?

— E-eu não sabia direito... O clube- Ele foi interrompido novamente.

— É claro... O clube... – Ela respirou o mais forte que pode. Tentando trazer para dentro de si, não só o ar, mas qualquer tipo de força. – O clube era importante... E a minha carreira não? Todo o meu futuro? Meus anos e mais anos de ensaio? Isso não era importante.

— Mari e-

— NÃO, ADRIEN! – Ela gritou. – O quão egoísta você é? Porque não me contar? Eu achava que confiava em mim... Eu confiava tanto em você!

Marinette desistiu de tentar controlar as lágrimas.

— Eu perdi tudo, Adrien. Minha carreira acabou. Tudo... E como contar para os meus pais? Ah, os meus pais. – Os soluços voltaram com força.

— Por f-favor... – Ele tentou se aproximar dela, mas ela se afastava mais e mais dele.

— Eu não sei se posso olhar para você agora. – Com as mãos ela tentava limpar as lágrimas. – Não sei se consigo confiar mais em você, afinal foi sempre assim não é mesmo? Você me usando como bem entende... A garota idiota do interior, que se deixou encantar pelas emoções da cidade grande.

— Eu queria t-te contar, eu juro... – O loiro também tinha lágrimas lhe marcando as bochechas e os olhos vermelhos.

— Saia daqui, Adrien... – Ela falou baixo. Cansada demais já.

— Mari, por favor. Me deixa explic-

— SAIA! – Gritou e as lágrimas voltaram. – Por favor, Adrien. Eu não quero te ver mais... Então só, saia...

Ele mordia o lábio com força. Queria abraça-la, se jogar de joelhos e pedir perdão. Sentia seu coração remoer.

Que belo canalha ele era no fim das contas.

Não era melhor que Lila afinal.

Aliás, sentia-se um monstro pior do que ela.

Obedecendo ao último pedido dela, Adrien saiu do quarto da garota. Deixando para trás seu coração em pedaços.

— Me desculpe.

Notas finais
Que comece o "Blá, blá, blá" Só posso agradecer a todos vocês. De verdade, muito obrigada. Mesmo com os meus sumiços e compromissos, vocês não me abandonaram! Isso me deixa imensamente feliz! Então, obrigada... Mesmo, de coração. Aconteceu uma coisa essa semana também, que foi outro motivador para eu terminar esse capítulo o quanto antes. Alguns de você podem seguir (ou não) uma página no Facebook chamada "The Universe of fics"; e nessa semana, saiu um trecho da fic lá na página, e nos comentários encontrei pessoas que falaram o quanto gostavam da fic e estavam tristes por eu estar demorando a postar! Foi como uma facada no coração. Quase respondi por lá mesmo, mas me segurei! Então, a vocês que curtiram e comentaram... O capítulo saiu por causa de vocês também, hahaha. Um grande agradecimento a ~BlackSmurf~ (do SS) que a muito tempo atrás (bota tempo nisso) me enviou um vídeo com um coreografia maravilhosa, que eu estava guardando para esse momento! Então, novamente, muito obrigada pela luz de inspiração. Para quem estiver curioso, ta ai o link - https://www.youtube.com/watch?v=coD1V5oWtiM Música do capítulo: Lauv - The Other - https://www.youtube.com/watch?v=HNjX6o7t6NU Eu sempre esqueço de falar metade das coisas que eu quero, mas acho que vocês já estão acostumados com isso não é mesmo? Hahaha Com esse capítulo portado, o final já está batendo na porta... Batendo não! Já arrombou a porta mesmo. É bem provável que tenhamos só mais dois capítulos. Então para não ficarmos com saudades uns dos outros, estava pensando em trazer um presentinho para vocês! Um deles será a Playlist de KMS, trazendo não só músicas que estão nos capítulos, mas outras que também ajudaram na produção dessa fic. A outra é... Eu não sei se vocês tem algum tipo de dúvidas/perguntas sobre a história e/ou sobre mim. Então estava pensando em uma rodada de perguntas. Mas dai é escolha de vocês. Se gostarem me mandem as perguntinhas por aqui, que no próximo capítulo postarei a todas nas notas final... (Que coisinha meio YouTuber, hahahahahhah) Enfim... Eu estava com saudades! XO PS: Capítulo não revisado!