Keep moving slow

7 Movimentos que afetam


Notas iniciais
Olá pessoinhas, tudo bem com vocês? Aqui na minha em CWB está caindo o mundo, hehe. Mas enfim não vou ficar me enrolando... aproveitem

"Words are but pictures of our thoughts." — John Dryden

A segunda-feira amanhecia chuvosa e a vontade de Marinette de sair da cama era zero. O final de semana havia de outro mundo, a mestiça descobrira um novo lado seu; uma versão mais corajosa, aventureira e inconsequente de si. Se jogou em um lado sensual da dança que nunca havia provado.

O ballet era uma dança linda, que fazia seus pulmões se encherem de euforia, mas o que experimentou no clube era diferente, sue coração queria sair de seu corpo, de tão forte que batia.

Entretanto Marinette tinha consciência de que aquilo fora algo passageiro. Ela tinha objetivos a seguir, esses quais exigiam toda a sua atenção e dedicação exclusiva. Não podia ficar se dando ao luxo de curtir a noite em busca de aventuras.

Aventuras essas que certo Gato teria o maior prazer em apresentar.

“Chat”. Ele havia a beijado e depois corrido atrás si, quando Alya e ela tiveram que voltar às presas para a casa da amiga.

Lembrar do breve beijo que deram, fazia seu coração palpitar. A azulada assimilava a sensação ao fato de ter dançado na frente de todo clube em uma espécie de duelo com o loiro. Nem em mil anos admitiria que a culpa era daquele gato.

“Convencido”. Pensou ela. Ele queria dar o troco pelo que aconteceu na primeira noite. Ela o deixara sem reação e ele deu o troco. Para a mestiça os fatos eram simplesmente esses.

Mas como já havia repetido diversas vezes para sim mesma naquela manhã. A realidade chamava.

No final dessa semana aconteceria a apresentação final de sua dança com Adrien. Se saísse bem, teria uma boa nota e alguns pontos a mais com os professores para participar do espetáculo de final de ano. Aquilo a deixava tensa. A apresentação final era a chance que todos os alunos esperavam, muitos olheiros de diversas companhias estariam presentes e quem se destacasse poderia ser chamado até mesmo para a Paris Royal Company.

Tinha ainda a apresentação em quarteto, que aconteceria em menos de três meses. Aquele sim seria a palavra final dos professores. Toda essa tensão estava deixando a mestiça à beira de um colapso.

Precisava se preparar mais do que nunca. Seu sonho dependia disso.

— Mari. – Dedos eram estralados em sua frente. – Marinette, está me ouvindo?

— Desculpa Alya. Eu estava um pouco longe. – Olhou para a amiga com um sorriso envergonhado nos lábios. As duas estavam no refeitório almoçando. As aulas da manhã haviam acabado tarde naquele dia e elas foram uma das últimas a sair da sala. Sendo também as últimas a almoçarem.

— Um pouco? – A avermelhada levantou uma sobrancelha. – Parecia mais que estava a quilômetros. – Suspirou e depois falou baixo. – Enfim, estou pensando em sair hoje, vem comigo?

— Alya, não dá. – A garota olhou para as mão com os dedos entrelaçados. – Foi um final de semana legal. Mas agora eu tenho que me concentrar nos ensaios. Você sabe que se minhas notas caírem eu perco essa bolsa.

— Eu sei... – Soltou um suspiro pesado. – Se mudar de ideia me avise, está bem?

— Pode deixar. – A mestiça confirmou com um sorriso fraco. – Bem, vou indo Alya, tenho que ensaiar mais um pouco. Minha apresentação com Adrien é essa semana, não posso relaxar.

— Claro vai lá... E aproveita para ficar bem agarradinha a ele. – Brincou.

— Engraçadinha... – Mostrou a língua para a amiga e a deixou terminar o almoço sozinha.

A mestiça se encaminhou até o mesmo estúdio de sempre e como esperado encontrou seu parceiro já realizando os alongamentos sentado no chão. Adrien era extremamente dedicado às coisas, sempre chegando na hora, ensaiando mais que todos, um exemplo perfeito de como deveriam ser os estudantes da Françoise-Dupont.

— Boa tarde, Adrien. – Cumprimentou enquanto entrava no estúdio e fechava a porta.

— Oi Mari. – Ele olhou para ela e sorriu.

“Mari”. Ela a chamara assim de novo. Se coração de um salto no peito.

— Pre-p-parado para a apresentação? – Ela se aproximava das barras, juntando-se a ele.

— Com certeza. Nós vamos nos sair muito bem, tenho certeza. – O loiro a respondeu com um sorriso confiante. – Aproveitou bem o final de semana?

Naquela hora ele lembrou-se das noites no clube e do gato de olhos verdes.

E obviamente, o beijo roubado.

— A-ah sim. – Ele sorriu com as bochechas coradas. – Foi divertido, gostei muito do passei. – Falou referindo-se ao tour que os quatro amigos haviam feito pela cidade.

— Realmente foi bem divertido. Às vezes é bom ficar longe daqui, se divertir um pouco. – Ele mirava os olhos azuis dela, que se sentia hipnotizada pelos olhos verdes dele.

“Verdes”. E brilhantes.

— R-realmente... As ve-vezes eu esqueço que tem u-uma cidade fora daqui. – Ela olhava para o chão. Tinha que se concentrar nos aquecimentos. Mas ele fazia sua concentração se perder.

— Você e Alya pareciam bem cansadas naquele dia... Andaram aprontando alguma coisa? – Ele virou um pouco e olhou para cima, buscando os olhos da garota, que acabou por fazer o mesmo ao se assustar com a pergunta do loiro.

— N-nós? Na-nada de mais... Só coisas de garota. – Respondeu com a voz baixa. Ela não podia contar sobre o Miraculous. Alya a mataria se soubesse que contou para alguém.

— Claro. – Ele riu. Marinette ficava encantada com os risos dele. Suas bochechas enchiam, fechava os olhos e depois soltava o ar pela boca junto ao riso. Ela achava aquilo uma graça, suas bochechas coravam e ela acabava por rir com ele.

O garoto se levantou, aproximou-se da mestiça e estendeu a mão.

— Vamos... – Ela segurou a mão dele, que a puxou a seu encontro. – Pensei que a gente podia tentar algo diferente hoje, só para relaxar sabe... – Ele colocou uma das mãos atrás da cabeça, envergonhado.

Ela nunca tinha visto ele sem jeito. Sem jeito, com o rosto levemente corado. Ficou surpresa com aquela atitude do loiro.

— Di-diferente?

— Tudo bem se não estiver afim... Fo-foi só uma ideia, para melhor o sincronismo, s-sabe. – Ele gaguejou. Ela não estava crendo naquilo. Adrien nervoso e gaguejando.

— Tudo bem, s-sem problemas... – Ela sentia um pouco aérea.

— Sério? – Ele tinha um brilho de alegria no olhar e isso fez com que seu coração falhasse uma batida. Adorava vê-lo assim.

— Cla-ro.

Adrien foi até o aparelho de som e conectou o celular, logo selecionando a música. Não era música clássica, mas o ritmo era calmo e a letra suave. Ele se aproximou dela e estendeu a mão.

— O que eu devo fazer? – Ela perguntou enquanto colocava a mão sobre a dele.

— Só me acompanhe. – Sorriu para ela e colocou a outra mão em sua cintura. Ele movimentou os dois de inicio como em uma valsa. Ela sabia que a música não combinava com aquilo e queria muito saber para onde ele os levaria.

Adrien tirou a mão da cintura da mestiça e a girou uma vez, segurando a outra mão da garota em seguida e erguendo os braços para cima, enquanto se balançavam de leve para os lados.

Ela riu. Era engraçado dançar daquele jeito estando com as sapatilhas de ballet.

Ele continuou a guiar os movimentos, escorregando uma das mãos dos braços até a cintura dela, enquanto a outra entrelaçou os dedos aos dela e foi descendo levemente. As bochechas da azulada estavam coradas. Ele não parava de surpreendê-la naquele dia. O que estava acontecendo com ele?

Aquelas atitudes dele a estavam deixando confusa. Eram uma dupla e as coisas sempre fluíram bem nos ensaios de ballet, mas aquele lado dele era diferente. Não parecia o mesmo Adrien de sempre. Ela olhou nos olhos dele e encontro um verde intenso. Suas pernas bambearam e o ar parecia querer se esvair de seus pulmões.

A música já estava chegando ao fim, mas os dois continuavam ali, movendo de um lado para o outro lentamente, os dedos ainda entrelaçados, a mão dele na cintura dela sobre o collant e a outra mão dela já estava no ombro dele sem que se desse conta.

— Às vezes é bom mudar um pouco não é? – Ele aproximou o corpo do dela e os embalou em uma espécie de valsa simplificada. – Deixar a rigidez do ballet de lado...

A garota estava atordoada, seu rosto queimava. A canção da apresentação deles já estava tocando no aparelho de som, mas os dois continuavam ali, de um lado para o outro, lentamente.

— Pensei que gostasse do ballet... – Ela falou baixo e sem pensar, mas ele escutou.

— E eu gosto... – Falou tão baixo quanto ela. Sua boca estava próximo ao ouvido dela. – Mas sempre sinto que falta algo... Você não?

Ela sentia falta de algo?

Se perguntasse há dois meses atrás a resposta seria fácil. Mas agora ela não sabia dizer. Ela havia experimentado tantas coisas diferentes em tão pouco tempo e se encantara com cada uma delas.

— Eu não sei...Talvez. – Respondeu com um suspiro leve.

— Se não tem certeza é porque sabe que falta algo. – Ele afastou um pouco os dois e olhou pra ela. – Quando nos sentimos completos, não temos dúvidas.

“Touche”. Lá estava ele, certo outra vez. Ela sabia disso.

O celular do loiro começou a tocar, tirando os dois da bolha que criaram. Adrien afastou-se e desatou seus dedos, indo atender a ligação. Marinette olhou para a mão que estava atada a dela, ainda conseguia sentir o calor.

— Alô. – O garoto estava com o aparelho no ouvido. – Está bem, eu chego logo aí. – O loiro desligou o aparelho e virou-se para a azulada. – Desculpa Mari, mas teve um imprevisto e eu tenho que sair. Prometo que a gente ensaia amanhã, está bem?

— Sem pro-problemas...

Ele sorriu para ela, juntou suas coisas e saiu com pressa pela porta do estúdio, deixando para trás uma Marinette extremamente confusa com a situação. A garota realmente não entendia o que se passava na cabeça do loiro naquele dia. Ele estava tão diferente. Ela tentava lembrar se foi algo que aconteceu no passeio de sábado, mas nada de importante ou significativo lhe veio à cabeça.

Sua cabeça estava tão cheia, que a garota resolveu que não ensaiaria mais naquela tarde. Por sorte suas aulas só haviam sido de manhã naquele dia. Resolveu que tomaria um longo banho, ligaria para os pais e descansaria um pouco.

Alya estava terminando de se arrumar para sair, tentara convencer Marinette a ir junto, mas a garota estava irredutível. Eram quase onze da noite e as luzes apagariam logo, dando a oportunidade para a garota escapar para a noite.

— Tem certeza que não quer ir mesmo, Mari?

— Tenho sim, estou cansada e essa semana tem a apresentação com o Adrien. – A garota estava esticada na cama.

— Em falar em Adrien, você está muda desde que voltou do ensaio com ele. – Alya sentou na beira da cama da mestiça. – O que aconteceu?

— Não aconteceu nada... – A voz era baixa.

— Sei... Não minta. Você não estaria com essa cara por nada.

— Você não tem que ir? – Alya continuou a encarar a azulada. – Está bem, depois eu te conto...

— Depois nada, vai contar é agora. Sei muito bem que depois a senhorita vai é ficar me enrolando.

— OK. Você ganhou. – A mestiça suspirou vencida. – O Adrien estava um pouco estranho hoje. Não sei explicar...

— Estranho como? – A avermelhada estava curiosa. – Ele te tratou mal ou algo do tipo?

— Não, pelo contrário. Ele estava mais gentil do que o normal. Não que ele não seja educado. – Justificou. – Mas hoje ele pediu para dançar algo diferente antes do ensaio. – Ela lembrava dos momentos daquela tarde. Da mão dele escorregando pelos seus braços, a lateral do seu corpo, até chegar à cintura. Recordava também do entrelaçar de dedos entre os dois, e aquela lembrança fazia suas bochechas corarem.

— E isso é estranho... Por que?

— Não sei explicar Alya, só que ele nunca fez isso antes. – Encarou a amiga. – E eu cheguei a cogitar que... – Ela baixou a cabeça, era loucura sua. Ele gostar dela. Não.

— Que ele goste de você.

— É... Eu sei que é loucura, deve ser coisa da minha cabeça. – Sorriu levemente, tentando dissipar aquele clima.

— Não sei a resposta para isso, Mari. – Alya levantou da cama. – Mas se está com duvida em relação a isso, deveria falar para ele o que você sente e ver a resposta dele.

— O que? – A azulada arregalou os olhos. – Não posso fazer isso. Pior, não sei nem se conseguiria...

— Por que não? Vocês passam a tarde juntos quase todos os dias.

— É diferente, são ensaios e a professora está junto em alguns. Situação totalmente diferente.

— Pare de arrumar desculpas, Marinette. – A avermelhada a encarou. – A situação não é nada de mais, você só não quer falar, tem medo da resposta dele.

— E se eu tiver... E dai?

— E dai? – Alya elevou a voz. – Vai perder a oportunidade de ter algo com ele por medo?

— Quer saber. – Marinette levantou da cama em um pulo e parou na frente da amiga. – Vamos fazer assim então. Quando você falar com o Nino sobre os seus sentimentos eu falo para o Adrien os meus!

— Pera... O que?

— Isso mesmo... Não falou até hoje com medo da resposta. – Alya foi atingida pelas próprias palavras.

— Se é assim então, está bem.

— Ótimo. – Marinette tinha um sorriso presunçoso no canto dos lábios. – Agora vai que já esta na sua hora. – A garota apontou para a porta.

Alya balançou a cabeça e foi até a porta e a abril silenciosamente. Os corredores já estavam escuros. A garota saiu e foi a passos leves e rápidos até o ponto de encontro habitual. A escada do porão.

A academia estava silenciosa, uma alma sequer rondava aquele lugar. A garota desceu as escadas do dormitório e atravessou o pátio no maior silêncio possível. O ponto de encontro não estava longe, virando mais um corredor chegaria a lateral da academia e a seu objetivo.

Um garoto de boné e fones já estava abaixado próximo à escada, esperando sua companheira de fuga. Ela estava um pouco atrasada e aquilo o estava deixando preocupado, mas logo ele viu a garota virando o corredor e vindo em sua direção.

— Estava achando que não vinha mais. – Sussurrou assim que a garota se aproximou.

— Desculpa, tive um contratempo...

Os dois se apressaram e passaram pela porta do porão. O lugar vivia trancado, mas Nino tinha uma cópia da chave. Como ele conseguira? Alya preferia nem perguntar.

Assim que entraram, Alya ligou a lanterna do celular e Nino trancou a porta novamente, os dois se olharam e seguiram para a janela que os levaria para fora. Aquela era a única janela direta com saída para a rua. Era um pouco alta de fato, mas a cadeira já estrategicamente posicionada dava conta do recado.

Nino passou primeiro e depois de verificar que estava tudo certo chamou a garota. Os dois já na rua caminharam apressados até o galpão do clube, que ficava a poucos minutos da academia.

— Vai me dizer qual foi o contratempo? – Nino perguntou enquanto os dois caminhavam.

— Marinette. – A garota respondeu simplesmente e lembrou do acordo que fez com a amiga. Deveria estar louca mesmo. Respondeu aquilo no calor do momento, afinal queria que a azulada tomasse coragem. Mas bom, quem era ela para falar sobre coragem não é mesmo?

— Ela não quis vir? – Nino estava confuso. – Achei que ela tivesse gostado. Quando eu te dei a ideia de levar ela até o Miraculous, achei que o problema de vocês tivesse se resolvido.

— E ela gostou, sério. – Alya suspirou. – Mas segundo ela, essa semana ela se apresenta e quer estar concentrada. Parece que para ela foi algo passageiro.

— É uma pena. – O garoto também suspirou. Ele achava que a mestiça iria se juntar a ele na madrugada. – Chat gostou dela...

— Acho que isso o clube todo percebeu. – A garota riu. – O fato de ele ter praticamente agarrado ela não foi nada discreto.

— Realmente não foi. – Riu junto. Os dois estavam bem próximos do seu destino já. O lugar já deveria estar começando a encher, mesmo sendo inicio da semana. Aquele lugar nunca fica vazio.

Os dois amigos passaram pela porta, desceram as escadas e foram afogados pelo mar de luzes coloridas que banhava aquele lugar. A música tocava a já havia várias pessoas dançando na pista. Aquela noite seria especial, noite de duelo.

Durante algumas noites, o Miraculous organizava duelos, nada muito sério, era somente para levantar os ânimos do lugar. Até mesmo o rei poderia ser desafiado por algum corajoso. Foi assim que Chat Noir conseguiu a majestade.

A garota foi junto a Nino, agora Bulleur, para próximo da cabine do DJ.

— Vou pegar algo para beber, vai querer? – Ela perguntou.

— Uma água ia ser bom. – Sorriu em agradecimento e a garota foi em direção ao bar.

O morenos estava ajustando o equipamento quando alguém se aproximou.

— E aí, cara. – Chat Noir estendeu o punho em cumprimento.

— Hey majestade. – O garoto riu e devolveu o cumprimento. – Tudo resolvido lá em cima? Fiquei preocupado quando você avisou que vinha pra cá mais cedo.

— Por enquanto deu para dar uma segurada nas coisas. – O gato se escorou na parede. – Mas não sei até quando...

— Isso me deixa preocupado.

— Não só você, cara. – O loiro suspirou. Os dois amigos continuaram a conversas, até que Lady Wi-fi voltou com duas garrafas de água.

— Está aqui. – A garota entregou a garrafa pra o moreno que agradeceu.

— Hey Wi-Fi, como vai? – O gato perguntou enquanto olhava em volta dela.

— Sem piadinhas hoje?

— Minha criatividade está um pouco lenta hoje... Entendeu? – O garoto fez o sinal com a mão. – Internet... Lenta.

— Não sei nem por que te pergunto.- A garota suspirou e notou que o loiro procurava algo. Ou melhor, alguém. – Vamos me pergunte logo.

— Perguntar o que?

— Não se faça de idiota, já basta a cara. – Provocou a avermelhada. Chat suspirou.

— Ela não vem, não é?

— Não. Sinto muito gatinho.

— Está tudo bem. – Suspirou frustrado e depois ficou em silêncio por um instante. – Espera aqui um pouco que eu já volto. – O garoto saiu correndo para o piso superior. Para voltar pouco depois praticamente sem folego. – Entrega isso para ela. – estendeu um papel dobrado.

— Chat, você sabe que nã-.

— Só entrega, por favor. – Interrompeu o garoto.

— Ok, considere entregue. – Wi-Fi guardou o pedaço de papel junto ao celular.

— Obrigado. – Ele sorriu. – Pronto para começar? – Encarou Bulleur.

— Claro... É só falar.

Chat Noir pegou o microfone e foi a frente do palco, o volume da música foi diminuído um pouco para que todos pudessem escutá-lo.

— E aí, pessoal. – O loiro falou com animação, que foi retribuído com gritos. – Sejam todos mundo bem vindos ao Miraculous. Como vocês sabem, hoje é dia de duelo, e o esquema vai sei o mesmo de sempre. – O gato pulou do palco indo em direção ao centro da pista, que foi iluminada. As pessoas já estavam formando uma roda ao redor da luz. – A música é escolhida pelo no DJ Bulleur e quem tiver coragem de um passo a frente.

— Ele parece bem animado. – Wi-fi se mantinha na cabine junto ao garoto, que concordou.

— As regras são simples: Saiu do ritmo. Perdeu. Parou de dançar. Perdeu. Demorou de mais para responder...

— PERDEU. – O publico gritou ao redor.

— É isso aí, galera. – O loiro subiu novamente no palco. – Bulleur, solta a primeira. – Apontou para o garoto que só estava esperando a ordem.

A música alta e de batida rápida começou a tocar. De um dos lados saiu uma alta e esquiça, de cabelos escuros com algumas mechas roxas. Seu cabelo estava preso em dois coques altos, com exceção de duas mechas que contornavam seu rosto. Uma mascara rosa lhe escondia o rosto e destacava os olhos amarelados. Reflekta.

Do lado oposto outra garota se colocou na pista. Ela tinha cabelos claros, praticamente brancos, a não ser por uma mecha preta. Suas roupas eram totalmente pretas, assim como a marca em forma de raio que lhe contornava os olhos. Stormy Weatheer.

As luzes coloridas param, deixando somente o centro do palco iluminado em um grande circulo. O primeiro duelo da noite começou.

Lady Wi-Fi ficou assistindo o espetáculo da cabine do DJ. A visão lá de cima era privilegiada de fato. O rei se encontrava sentado na beira do palco, também assistindo a tudo de cima.

— Não vai pra pista hoje? – Bulleur virou a cabeça para o lado a procura da avermelhada.

— Hoje não. Só vim pela música. – Respondeu a garota colocando-se ao lado dele.

— Está triste por que ela não veio? – O moreno olhou de relance para ela.

— Um pouco, era divertido ter LB aqui. – Sorriu. – Mas é outra coisa. – Seu coração estava na garganta. Maldita promessa que ela tinha feito.

Ela poderia dizer que gosta dele, mas e depois? Como o encararia?

Os dois eram amigos desde sempre e as chances de ele enxerga-la com uma irmã eram imensas. Aquilo fazia suas mãos suarem e suas pernas tremerem.

— E o que é? – Dessa vez ele virou-se para encara-la. Era a hora.

“Droga, anda logo com isso. Você não é uma covarde”. Brigava consigo mesma.

— É que eu... Eu. – A palavras engasgavam em sua garganta – Nada.

O garoto a olhou confuso, a conhecia bem o suficiente para saber que tinha coisa ali.

— Chat, toma conta das coisas aqui um pouco, por favor. – Chamou o amigo que se pôs em pé em um pulo, indo até a cabine. – Segura as pontas aqui um pouco, eu já volto.

O gato acenou a cabeça em afirmativa. Bulleur segurou a mão da garota e a arrastou para o andar superior, atravessando o oceano de pessoas. Lá fora as coisas estariam mais tranquilas.

Do lado de fora do galpão, ele a encostou na parede e se colocou de braços cruzados um sua frente.

— Pronto, agora fale. – Ele tinha um olhar sério.

— Eu falei pra esquecer... Vamos descer. – A garota se desencostou da parede e pretendia voltar para o clube, mas um braço se pois em seu caminho a impedindo.

— Alya. – Ele se aproximou dela. – Eu te conheço muito bem. Você está estranha desde que saímos da academia. Não foi pra pista. Isso faz seu tipo.

Ela estava sem reação naquele momento. Normalmente, ela quem era a mandona e decidida. Mas agora estava ali, acuada. Seus corpos estavam próximos e uma bolha ia se formando ao redor deles. A avermelhada sentia suas bochechas ganharem cor e seu coração querer abandonar seu corpo.

Seus rostos estavam próximos e a distância se encurtava cada vez mais, sem que nenhum deles desse conta disso. Era magnético. A distância estava mínima, podiam sentir as pontas de seus narizes resvalarem um no outro.

A respiração de ambos estava descompassada e seus olhos, fechando aos poucos. Já sabiam onde aquilo acabaria. Os lábios de ambos entreabertos e o pulmão segurou o ar. A garota terminou de fechar os olhos e soltou um suspiro.

— Eu gosto de você. – Ela não conseguiu encher o sorriso que se formou no rosto do garoto. Assim como também não obteve resposta. Tudo o que ela sentiu o foi pressionar dos lábios dele sob os dela e mão sendo colocadas uma em cada lado do seu rosto.

Sentia que seu coração explodiria naquele momento. Entreabriu os lábios levemente e ela o acompanhou, passando ainda os braços pelo pescoço do mesmo. Só podia estar sonhando, era o que ele pensava, com certeza não queria acordar. O movimento dos lábios eram calmos, delicados e o gosto que vinha a boca era doce.

— Bulleur, é para você descer. — O casal se separou rapidamente ao escutar uma voz grave vinda da porta.

— Obrigado StoneHeart. – O garoto respondeu sarcástico enquanto mantinha a cabeça encostada no ombro da avermelhada. A respiração dos dois estava um pouco descompassada e os lábios com um leve inchaço.

Esperou o mensageiro sair dali para voltar a olhar para cima. A avermelhada estava com os olhos um pouco arregalados, não somente pelo susto, mas por tudo o que aconteceu nos últimos minutos. Sentia seu rosto pegar fogo.

O moreno olhou para baixo, segurando um das mãos garota, entrelaçando seus dedos.

— Vamos. – Ele sorriu para ela e os dois retornaram para o andar inferior.

Notas finais
Nino knows... Nino knows all. E ai o que acharam desse capitulo? Um pouco esclarecedor talvez, quem sabe? Esqueci de colocar a música no último capitulo, então vai duas de uma vez, hehe. Billie Eilish - Ocean Eyes (Blackbear Remix) - https://www.youtube.com/watch?v=UQeQepATL_c CHINAH - We Go Back - https://www.youtube.com/watch?v=dHeTAwSsOTA XO