Keep moving slow
8 Me mantenha em mente
Notas iniciais
"Modesty is a vastly overrated virtue." — John Kenneth Galbraith
Depois da tempestade vem a calmaria e assim a luz do sol invadia sem só o quarto da azulada naquela manhã. A garota se espreguiçava em sua cama e se preparava para mais um dia cheio. A mestiça olhou para o lado e viu a amiga completamente apagada. A noite deveria ter sido longa, a mestiça riu com esse pensamento e finalmente levantou-se.
— Alya, hora de levantar. – Cutucou a amiga que sequer se moveu. – Vamos logo, quis farrear agora aguenta...
— Humm. – Foi a única coisa que teve como resposta.
A mestiça não podia ficar esperando a boa vontade da amiga. Suas aulas começariam cedo e ainda tinha que descer para tomar café. Trocou-se rapidamente, colocando o típico uniforme de ballet, colocou uma sapatilha qualquer, enquanto carregava as de ballet nas mãos.
— Alya, estou descendo. – Anunciou já da porta. – Vê se não demora. Hoje é dia de treino com a Juleka e a Rose. – Fechou a porta e desceu.
Estava tudo tranquilo no refeitório, havia poucas pessoas ainda. Marinette deixou suas sapatilhas na mesa de costume e foi buscar sua refeição. Já era costume seu fazer isso, afinal ali, as pessoas em sua esmagadora maioria, eram ricos o suficiente para não precisarem roubar. Então não havia problema em deixar os pertences sozinhos.
Entretanto, isso não impedia brincadeirinhas de mau gosto, ou atos propositais para ferir alguém.
De não muito longe, uma loira e sua amiga observavam a azulada se afastar na mesa, deixando parte de seu uniforme para trás.
— É agora, Sabrina. – Chloè encarou a ruiva com olhos ferozes. – Faz logo o que eu te mandei antes que ela volte.
— Claro, claro, estou indo Chloè. – Sabrina saltou da cadeira e foi em silêncio até a mesa da azulada. A garota tinha duas pequenas tachinhas nas mãos. Sorrateiramente colocou uma em cada pé, bem no funda das sapatilhas, para que a mestiça não as enxergasse e voltou saltitante para a mesa da loira com um sorriso orgulhoso. – Tudo feito!
— Ótimo. – A loira tinha um sorriso no canto dos lábios, um daqueles que consegue causar arrepios em qualquer um. – Agora é só esperar para ver. Eu falei que as coisas não ficariam assim Marinette Dupan-Cheng.
A mestiça voltou para a mesa e começou a tomar seu café da manhã. Tudo parecia calmo naquela manhã, ela gostava daquela sensação. Tranquilamente levava o café quente até os lábios e deixava o aroma preencher seus pulmões.
Pelas portas do refeitório entrava Alya praticamente sem fôlego. Não muito depois que a azulada havia deixado o quarto, seu despertador tocou, mostrando que a avermelhada estava incrivelmente atrasada. Colocou a primeira roupa que viu pela frente desceu o mais rápido que suas pernas a possibilitavam.
— Caramba, garota. – Marinette encarou a amiga. – Não sabia que tinha maratona na cidade.
— Engraçadinha. – Alya a encarou brava. – Por que não me acordou?
— Eu bem que tentei. Mas seu sono estava mais pesado do que de uma pedra. – A garota continuou a comer e estendeu a porção de Salada de Frutas para a amiga. – Coma!
— Não estou com fome, Mari.
— Não perguntei... Agora coma. – nos últimos dias, os hábitos alimentares da avermelhada estavam assustando Marinette. Ela percebia que a garota não estava comendo direito e aquilo não era nada bom, ainda mais, se levar em consideração a quantidade de energia que gastam.
— Ui passiva-agressiva. – Alya brincou enquanto pegava a salada.
— Vai ser Agressiva-agressiva, se você não começar a se alimentar direito. – Marinette respondeu séria e a amiga bufou. As duas começaram a comer em silêncio.
A azulada queria muito perguntar a amiga como havia sido a noite no clube. Mas aí, a tentação bateria novamente a porta e ela não podia deixar isso acontecer.
— Humm. Tenho u-uma coisa para vo-você. – Alya falava com a boca cheia. Pegou um pedaço de papel dobrado e entregou para a garota.
— O que é isso?
— Não sei. – A garota deu de ombros. – Eu não abri.
A azulada encarou o pedaço de papel por um momento e o abriu.
“Fugindo de mim, Bugaboo?”.
— Alya, o que significa isso? – A garota apontou para o papel e o entregou para a amiga, que leu rapidamente.
— Bugaboo? – Alya não conseguiu conter a gargalhada. – Aquele gato não tem noção mesmo.
— O que? – A mestiça arrancou o papel da mão da amiga e encarou novamente aquelas palavras. – Foi Chat que mandou. – Falou baixo.
— Foi. Aliás, ele pareceu bem chateado em não te ver lá e pediu que eu te entregasse isso, ou melhor que Lady Wi-Fi desse para LB. – Alya mexia a colher enquanto falava.
— Gato idiota... – Suspirou.
— O que foi? Não gostou do beijo do seu gatinho? – Marinette encarou a amiga surpresa. – Que? Todo mundo viu o showzinho de vocês dois, nem me venha com essa cara de surpresa.
— Para com isso Alya. Foi só um beijo...
— Não pra ele ao que parece.
— E está ai mais um motivo para eu não voltar lá e continuar a me concentrar nas minhas atividades aqui. – A azulada olhava para a bandeja. É claro que o beijo havia mexido com ela mais do que gostaria de admitir. Sem falar nas provocações, aquilo era divertido e emocionante. Mas ela não poderia simplesmente jogar tudo para o alto e se jogar nos braços de Chat Noir.
Não, ela não podia.
Aquele Gato despertava algo nela, mas existia outra pessoa que fazia isso tão forte quanto. Adrien. E nele ela enxergava algo palpável, real. Algo além de uma fantasia e uma noite.
— Bom amiga. Se você diz... – As duas levantaram da mesa, saindo do refeitório. – Mas o que eu digo para ele?
— Não diga nada. – Marinette amaçou o papel e jogou na lixeira próxima. – Ele logo esquece a Ladybug.
“Assim como eu”.
No outro lado da instituição, mais especificamente na academia, encontrava-se um loiro realizando os exercícios passados pelo professor. Adrien passava por lá todos os dias, não podia amolecer, suas pernas e braços deveriam estar sempre fortes, tanto para realizar saltos quanto para ser o apoio das bailarinas.
Os exercícios de levantamento de peso eram cansativos, já sentia sua respiração falha e os pulmões ardendo. Estava colocando a barra novamente no suporte e uma mão o ajuda.
— E aí, Cara. – Nino olhava o loiro de cima. Adrien senta-se e cumprimenta o amigo.
— Hey Nino, o que faz por aqui? Resolver malhar?
— Eu? – Apontou pra si mesmo. – Não, você sabe que tenho que ter cuidado com mãos. Coisa do meu pai. – Mexeu os dedos. – Pianistas devem ter cuidado.
— É claro, dedos mágicos. – Os dois riram. – Mas me conta, o que faz aqui? Veio admirar a minha beleza? – Adrien colocou a mão no queixo e sorriu.
— Chat, você por aqui? – Respondeu com um riso sarcástico.
— Cala a boca, idiota. – Repreendeu. – Não dá para ficar falando essas coisas aqui, você sabe...
— Tá, tá... Como se tivesse muita gente aqui para escutar. – Adrien revirou os olhos com o comentário do amigo. – Enfim, vim para saber se conseguiu resolver o problema do aluguel do galpão.
— Por enquanto, cara. – Suspirou. – Está complicado. O dono está querendo vender e já até apareceu compradores. Ele deu até o fim do ano para sairmos de lá, ou apresentarmos uma proposta melhor.
— E como é que ele acha que vamos conseguir o dinheiro? Não temos muitos meses, estamos quase no meio do ano. – Nino sentou-se ao lado do loiro.
— Eu sei. Estou pensando em todas as possibilidades possíveis. Já falei com os donos do Miraculous, mas eles também não sabem o que fazer. – O garoto olhava para o chão com o olhar entristecido. – Se o clube precisar mudar de novo, eles já avisaram que irão fechar definitivamente.
Desde que o conhecera, o Miraculous se tornou uma das coisas mais importantes para ele. Lá ele poderia ser e fazer o que quisesse, ser quem Adrien Agreste realmente era. E foi ali que Chat Noir surgiu, um gato de rua com o espírito livre, que agia de acordo com o coração.
O Gato era o completo oposto de Adrien. Ele era divertido, intenso, galanteador com as garotas e selvagem na medida certa. Tudo o que Adrien não poderia ser, pelo bem da imagem de seu pai. O grande Gabriel Agreste.
Realmente, naquele momento não havia muito que um adolescente pudesse fazer.
No maior estúdio de ballet da academia, se encontrava uma sala cheia de garotas, todas devidamente uniformizadas com seus collants, meias calças e saias. A apresentação semestral aconteceria em menos de dois meses, e os grupos deveriam estar com as coreografias perfeitas.
A pressão que pairava sobre a cabeça de todas ali era enlouquecedora. A chance de estar na apresentação mais importante do ano estava ali, batendo a porta. Nada poderia dar errado.
Marinette entrava junto com Alya, indo de encontro com suas outras duas companheiras. As quatro garotas vinham ensaiando bastante, os passos estavam mais do que decorados. Só precisavam continuar praticando até o dia da apresentação.
— Bom dia, meninas. – Falou a Sra. Bustier, recebendo um cumprimento coletivo. – Bom, como todas sabem as apresentações de vocês estão se aproximando e eu não espero nada menos do que o exímio esforço de cada uma vocês.
— Algumas de nós não precisam de esforço. Temos talento. – A voz de Choè surgiu entre as alunas.
— Mas só o talento não te leva muito longe, senhorita Bourgeois. – A professora parou em frente da mesma. – Sem dedicação não há talento que te ajude.
A loira fechou a expressão diante do comentário da professora. Marinette e suas amigas seguram o riso. Aquela garota não tinha limites mesmo.
— Todas coloquem as sapatilhas e vão para as barras, por favor. – Sra. Bustier deu a ordem a todas as garotas começaram a calçar e amarras as sapatilhas nos pés.
Marinette sentou-se no chão e começou a enrolar as faixas em um dos pés. As sapatilhas machucavam bastante, por isso as bailarinas protegiam os pés o máximo possível, sem que seus movimentos fossem prejudicados. Terminados os dois pés, a garota calçou um dos pares e sentiu algo pinicar. Inicialmente achou que não fosse nada de mais, somente o desconforto inicial do calçado em seu pé.
Entretanto, assim que se colocou de pé, com a ponta do calçado mirada e pressionada no chão, uma dor aguda lhe atingiu todo o nervo da perna. Parecia que havia agulhas por toda sua perna.
— Ai. – A azulada voltou-se a sentar mais do que de pressa e a desatar as fitas da sapatilha de seu pé.
— Por que ainda não está nas barras, senhorita Cheng? – Se aproximou a professora.
— Desculpa, Sra. Bustier, mas é que algo me machucou. – A garota tirou o pé da sapatilha e viu as faixas sendo tingidas de vermelho.
— Mas o que aconteceu aqui? – A professora se abaixou e segurou o pé da garota, vendo um pequeno objeto metálico preso a sola do pé da garota. – Não encoste o pé no chão, Marinette. – A mulher ficou de pé e ajudou a ajulada a fazer o mesmo, mas deixando o pé machucado suspenso. – Alguém, por favor, me ajude a levar a senhorita Cheng até a enfermaria.
— Eu ajudo. – Ofereceu Juleka.
As três saíram do estúdio e seguram a caminho da enfermaria, com a azulada apoiando um braço no ombro de cada uma.
No estúdio, Alya continuava preocupada. Sabia que a amiga era desastrada, mas não a ponto de esquecer algo do tipo dentro da sapatilha. A avermelhada abaixou e juntou as sapatilhas da amiga. Um dos pés já se encontrava com um leve tingir de vermelho, enquanto no outro, a garota encontrou um pequeno alfinete escondido no fundo.
“Chloè”. O nome veio a cabeça. Ninguém ali seria tão baixo a esse ponto. Tinha que ficar de olhos bem atentos aquela garota. Infelizmente, ela não tinha provas para acusar a garota.
Marinette encontrava-se sentada na maca da enfermaria, a Sra. Bustier e Juleka já haviam voltado para a aula, a deixando sob os cuidados da enfermeira.
— Isso pode doer um pouco. – A mulher avisou antes de pressionar um algodão com a solução esterilizante no lugar que antes havia um alfinete fincado.
E de fato, como o aviso, aquilo doeu. O algodão pressionado sobre o corte o fazia arder. Nada que não aguentasse, mas era uma sensação realmente desconfortável.
— Sorte que não foi um corte fundo. As bandagens ajudaram a evitar isso. – A enfermeira analisava o ferimento. – Vou limpar e cobrir isso aqui e quero que a senhorita evite fazer força com esse pé até amanhã.
— Claro, obrigada. – A azulada sorriu agradecida. Mas algo a preocupava. – Eu tenho uma apresentação na sexta-feira, meu pé vai estar melhor até lá?
— É claro, querida. – A mulher colocava o as ataduras no pé da mestiça. – Se seguir minhas orientações, amanhã já estará bem melhor. Só queremos evitar que isso inflame. E se sentir algo estranho, como uma ardência ou até mesmo febre que seja, quero que volte a me procurar.
— Voltarei sim. Muito Obrigada.
Marinette saiu da enfermaria colocando somente os dedos do pé machucado no chão e jogando todo o peso para o outro pé. Ela deveria voltar para o quarto agora e descansar, quando Alya voltasse para o quarto, antes das aulas da tarde, desceria com ela para almoçar.
Eram poucos os que não tinham aulas durante a amanhã, então os corredores da academia se tornavam praticamente desertos, com exceção de uma ou outra alma viva. A garota apoiava-se na parede algumas vezes, sua perna já estava ficando cansada por ter que suportar todo o peso.
Quando dançava, o tempo que ficava sobre uma das pernas era curto, se comparado ao que estava fazendo agora. Marinette chegou ao pátio central e sentou-se em um dos bancos. Descansaria ali por um instante.
O local era um jardim de inverno que ficava exatamente no meio da instituição, criando uma área verde, com algumas flores e pequenas árvores. No teto, havia uma grande cúpula de vidro, impedindo que o tempo externo prejudicasse a movimentação lá dentro.
— Hey Marinette, o que está fazendo aqui? – A garota se assustou com a voz que vinha de trás dela.
— Nino. Mas que susto. – Colocava a mão no peito.
— Foi mal. – Riu baixo. – Mas voltando. Não tinha que estar em aula?
— Eu estava, mas sofri um acidente no caminho. – Apontou para seu pé com ataduras.
— O que aconteceu?
— Acho que devo ter deixado algumas coisas meio bagunçadas no meu quarto. Tinha uma tachinha dentro da minha sapatilha e eu acabei pisando. – Riu um pouco sem graça.
— Entendi. – O garoto estava sério. – Mas como fica a apresentação de vocês? Alya me falou que vocês têm ensaiando bastante.
— Bem, por hoje a enfermeira pediu para que eu não fizesse muito esforço, mas amanhã já deve voltar ao normal. Ainda bem. – A azulada estava realmente aliviada com aquilo. Ficaria arrasada se deixasse suas companheiras na mão.
— Bom, ainda bem.
Os dois continuaram a conversas mais um pouco, aos poucos a movimentação nos corredores voltou a ganhar vida e os dois notaram que já chegara a hora do almoço.
— Vem, eu te ajudo a chegar ao refeitório. – Nino ofereceu a mão, ajudando a azulada a levantar-se do banco. Nino ofereceu o braço, o que foi muito bem vindo, na opinião da garota e os dois seguiram.
No caminho para seu destino, os dois amigos encontram uma avermelhada pulando de tanta preocupação.
— Mari, aonde você se meteu? – Alya segurava a mestiça pelo braço e dava pequenas sacudidas. – Eu estava morrendo de preocupação. Passei na enfermaria, no quarto e nada de achar você.
— Alya, calma. – A garota tentava escapar do aperto da amiga. – Eu acabei ficando no pátio e encontrei o Nino lá. – Apontou para o rapaz ao seu lado. Nessa hora as bochechas de Alya começam a tingir-se de vermelho.
— Oi Nino. – Falou baixo.
— Oi. – O garoto sorriu e colocou a mão livre atrás da cabeça. Os dois estavam constrangidos e aquilo não passou despercebido pela mestiça. Alya teria que dar explicações mais tarde.
— Então... – Marinette tentou dissipar um pouco aquele clima. – Vamos almoçar? Eu estou faminta.
— Ah, claro. Vamos logo. – Alya respondeu e os três seguiram em direção à mesa de costume.
Grande parte dos amigos dos três já estavam apostos a mesa. Inclusive o objeto de atenção diária da azulada Adrien Agreste. Os três juntaram-se aos amigos na mesa, Marinette sendo ajuda por Alya a se sentar.
— Vou buscar o nosso almoço Mari, já volto. – Ela deixou a amiga sentada. – Vem Nino.
— Estou logo atrás de você.
A mestiça permaneceu quieta a mesa, vendo os dois amigos se distanciarem. Mas quando voltou a olhar para frente, percebeu um par de olhos verdes e brilhantes a encarando com preocupação.
— O que foi que aconteceu, Mari? – Adrien tinha uma expressão séria.
— Ah isso. – Apontou para o próprio pé. – Não vi que tinha uma tachinha na minha sapatilha e acabei me machucando. – A garota olhava para baixo enquanto falava. E colocou um pequeno sorriso no rosto antes de voltar a encarar o loiro. – Mas n-não foi nada muito gr-grave. Amanhã já vai estar melhor.
— Fico mais tranquilo sabendo que não foi nada grave. – O loiro sorriu levemente. – Mas como foi que uma tachinha foi parar dentro da sua sapatilha?
— Foi a Chloè, com toda certeza. – Alya interrompeu ao voltar para a mesa com a refeição delas.
— Alya, você não pode ficar acusando a Chloè só por que não gosta dela. – Nino interviu.
— Vai defender ela? – Alya olhou para ele com fúria.
— Não estou defendendo ninguém, só estou dizendo que não dá para ficar acusando sem provas... – Levantou as mãos para cima se defendendo.
— Eu sei que não tenho provas. Mas é bem a cara dela fazer esse tipo de coisa. – Concluiu sentando-se ao lado da amiga.
— Está bem, mas por que ela faria isso? – Marinette tinha uma sobrancelha arqueada. Sabia que a loira não ia com a cara dela, mas não achava que ela faria algo assim.
— Por causa do Adrien... – Alya respondeu irônica, como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
— De mim? Mas o que é que eu tenho haver com essa história?
— Senhor... – A avermelhada olhou para o céu. – Perdoa porque é loiro!
— Hey, eu estou aqui sabia? – O loiro respondeu indignado.
— Adrien, não é de hoje que todo mundo sabe, que a Chloè tem uma queda por você.
— Acho que está mais para desfiladeiro. – Nino completou.
— Que seja. – Alya encarou o garoto e depois voltar a falar diretamente com o loiro. – O fato é: Ela morre de ciúmes de você e a Mari é seu par... Agora, junte as peças.
O silêncio se instaurou por um momento. Adrien sabia que o que Alya falara fazia sentido, mas não achava que a garota fosse fazer algo contra uma de suas colegas.
— Alya. – Marinette começa. – Pode até ter sentido tudo isso. Mas não acho que ela chegaria a tanto.
— Ai amiga. O problema é: agora foi só uma tachinha, mas e depois o que ela vai aprontar? – A garota estava realmente preocupada. – Só acho bom ficar de olho. Não dá para relaxar perto daquela lá...
— Tudo bem. Prometo que vou ficar atenta está bem. – Marinette sorriu querendo tranquilizar a amiga.
Alya decidiu que faria companhia a Marinette naquela noite. Não deixaria a amiga sozinha, se sentira culpada se a azulada precisasse de ajuda e ela não estivesse lá. A avermelhada pegou o celular e mandou uma mensagem para Nino avisando que ficaria. O mesmo ficou um pouco triste, mas entendeu.
— Noite das meninas. – Anunciou Alya se jogando na cama da avermelhada.
— Alya, você saber que não precisa ficar não é? Eu estou bem, pode ir.
— Eu sei. Mas eu não vou te deixar sozinha hoje não, por mais que você pareça estar querendo se livrar de mim.
— Sabe que não é verdade. – Marinette sentou-se na cama também, encostando as costas na parede. – Mas enfim... – A garota suspirou.
O celular de Alya tocou, indicando a chegada de uma mensagem. A garota olhou mas não respondeu.
— Não vai ver o que é? – Marinette perguntou.
— Não, é só o Nino...
— Falando em Nino... – Veio a mente da azulada a cena que aconteceu na hora do almoço. Os dois amigos constrangidos um com o outro. Sabia que tinha acontecido algo, aquilo não era normal, não para aqueles dois. E agora era hora de descobrir o que era. – O que foi aquele clima de vocês dois hoje no refeitório?
— O qu-que? Cli-Clima?
— Rá! Você gaguejou. Pronto! Aconteceu alguma coisa. Fale agora. – Marinette praticamente pulou em cima da amiga.
— Sai de cima, Marinette! – Empurrava a garota para tirá-la de cima de si.
— Pode começar a falar. – A mestiça parecia uma criança de tão ansiosa.
— Está bem. – Suspirou vencida. – Eu falei para ele o que eu sentia e ele... Me beijou.
Marinette ficou em silêncio por um instante, enquanto a Alya tinha suas bochechas sendo tingidas de vermelho.
— Mas isso é ótimo. – Voltou a se jogar sobre a amiga. – Mas quando isso aconteceu?
— Ontem à noit- Alya interrompeu a si mesma. Mas já era tarde de mais. Nunca havia contado para Marinette sobre Nino ser Bulleur e muito menos sobre ele saber sobre ela.
— Pera, mas ontem à noite você estava no clube...
— É... – A avermelhada estava sem jeito.
— O Nino sabe do ligar? Calma...
— Mari. – Encarou a azulada. – Ele é o Bulleur.
E nessa hora a garota ficou branca.
— O QUE?
— Eu ia te contar... Mentira, não ia. Desculpa. – Baixou a cabeça. – Sabia que você não ia querer ir se tivesse algum conhecido lá. Mas foi o ele mesmo que me deu a ideia de te levar lá e-
— PERA! – A mestiça interrompe. – Ele que deu a ideia? Então ele sabe que eu era...
— A LadyBug... Sim, sabe.
“Meu Deus, e agora?”. Foi tudo o que veio a cabeça da mestiça.
— Ele me viu dançando daquela maneira com o Chat. – Pronto. O ar do local se esvaiu. — Chat... Ele sabe também? – Perguntou com os olhos arregalados de pavor.
— Eu acho que não. – Alya suspirou. Sabia que a amiga reagiria daquela maneira. Agora sim que ela nunca mais voltaria lá. — Não sei dizer nem se ele sabe quem é o Chat.
E lá estava ela, mentido novamente.
Alya sabia que o Nino conhecia o garoto. E embora tivesse suas suspeitas, o moreno nunca as confirmara.
— Bom. Ao menos isso. Tudo o que eu menos preciso agora é daquele Gato sabendo sobre mim.
— Por que diz isso? – Alya endireitou-se na cama. – Vai que por trás da máscara ele não é um gatinho? – A garota riu.
— Alya não faz isso. Esse tipo de piada não faz seu tipo...
— Por que não? Eu sou super engraçada.
— Claro, hilária. – A mestiça falou irônica.
— É assim, é? – Alya partiu para cima da amiga e começou a atacá-la com cócegas.
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