Notas iniciais
Olá pessoinhas linda desse planeta chamado Terra. Tudo bem com você? Para compensar o capitulo anterior, que eu achei mais paradinho (hehe) eu lhes trago esse... e só digo uma coisa. Segurem seus forninhos. ~Ressuscitando meme~ Mais uma coisinha: chegamos as mil visualização. UHUL. E a fic está ganhando quase que 10 acompanhamentos a mais por dia... Gente muito obrigada. MESMO! Mas enfim, não vou ficar enrolando depois de fazer terrorismo com vocês, hehe. Aproveitem...

"The only way to enjoy anything in this life is to earn it first." — Ginger Rogers

Marinette estava se sentindo extremamente ansiosa, quando acordou naquela manhã. Hoje era o dia se sua apresentação com o Adrien. Seu coração dava um pulo toda vez que lembrava-se disso.

Seu pé machucado já estava muito bem. O que deixou a mestiça extremamente aliviada. Não suportava a ideia de decepcionar o seu parceiro. Os dois haviam ensaio tanto, não podia colocar tudo a perder por um simples corte no pé.

As aulas da manhã seguiriam normalmente e no período da tarde, os alunos da turma de ballet da Sra. Bustier deveriam se encaminhar para o teatro, onde cada dupla iria se apresentar na frente de todos. Aquele fato era a segunda coisa que estava causando tremores na mestiça naquele dia.

— Vamos logo, Mari. Se nos atrasarmos de novo a professora vai ficar uma fera.

— Claro, claro. Vamos logo. – Marinette e Alya saíram correndo do refeitório em direção ao estúdio em que aconteceriam as primeiras daquele dia.

Novamente iriam ensaiar o Pas de quatre. A professora queria supervisionar mais uma vez devido a notícia que receberiam convidados especiais para a apresentação semestral. Ninguém sabia quem eram, somente o diretor e talvez alguns professores.

A sala já estava lotada quando as duas amigas chegaram. Todas se aquecendo e alongando.

Em um dos lados do grande estúdio, encontrava-se uma loira com uma expressão nada contente.

— Você deve ter feito algo errado, Sabrina. Não era para ela estar aqui. – Os olhos azuis claros dela faiscavam de raiva enquanto encarava a mestiça.

— Me desculpe, Chloè. – A ruiva baixava a cabeça. – Prometo que vou fazer certo da próxima vez.

— Não vai ter próxima vez para você, Sabrina. – Encarou a garota amedrontada. – Como meu pai diz: Se quer algo bem feito, faça você mesmo.

— O que você vai fazer?

— Você vai ver Sabrina. – Voltou a encarar a mestiça. — E dessa vez, Marinette Dupan-Cheng, você não vai sair tão ilesa, isso eu garanto.

A professora entra na sala e todas se preparam para o início das atividades.

As aulas da Sra. Burtier conseguiam deixar qualquer pessoa derrotada pelo cansaço. E era exatamente assim que Marinette se sentia. Todos os músculos do seu corpo pariam gritar ao mesmo tempo. Ela passou a conhecer partes do seu corpo que sequer sabia que existiam. Mas estas já doíam.

— Preciso muito de um banho. – Resmungou a azulada.

— To com você amiga. Meu reino por um chuveiro e uma cama.

— Isso porque ainda é somente de manhã. – Suspirou derrotada. – Não sei se sobrevivo a esse dia. E ainda tem as apresentações à tarde. Alguém me ajude!

— Calma, Mari. Se sobrevivermos a hoje, sobrevivemos a tudo.

— Eu espero que sim. – Sorriu um pouco.

As duas amigas seguiram para o quarto em busca de seus pertences para poderem ir tomar um longo e relaxante banho.

Por sorte, ou não, a área dos chuveiros estava vazia. Aparentemente, muitos haviam decidido almoçar primeiro. As duas se puseram cada uma em um box e ligaram a água corrente, deixando o vapor se espalhar pelo banheiro.

Marinette nunca ficou tão agradecida por um banho quanto naquele momento. Seu corpo agradecia imensamente.

— Mari...

— O que foi, Alya? – Respondeu do box ao lado.

— Estava lembrando de algo. – A avermelhada começou. – Eu cumpri a minha parte do acordo. Agora é a sua vez.

— Acordo? Do que você está falando?

— Não se faça de idiota. Você sabe muito bem. – A garota colocou a cabeça em baixo da água por um instante. – Eu falei para o Nino sobre eu gostar dele. Agora é sua vez de falar para o Adrien.

A azulada empalideceu e ficou um silêncio.

— Sei que está me ouvindo, Marinette. – Alya queria que a amiga tomasse coragem. – A ideia foi sua, não adianta fugir.

— Eu sei que a ideia foi minha... Eu só.

“Droga”. Seu coração estava disparado, parecia querer sair pela sua garganta, junto com as borboletas que pareciam eclodir de lá.

— Só que está com medo. – Alya suspirou. – Mari, pensa assim... O que pior pode acontecer?

— Ele nunca mais vai olhar na minha cara. – falou apavorada.

— Tá, só isso. E se ele fizer isso quer dizer que ele não é o cara certo para você. – Como na maioria das vezes a avermelhada tentava ser mais lógica. – Mas eu não acho que ele vá fazer isso. Não é a cara do Adrien, simplesmente virar a cara. – tentou confortar.

— Isso não ajudou muito. – Resmungou fazendo bico.

— Mari...

— Está bem, eu sei que o mundo não vai acabar por causa disso... – Suspirou vencida. – Talvez eu fale com ele depois da nossa apresentação. Antes disso jamais. Não consigo imaginar dançar com ele, se a resposta for negativa. Na verdade não saberia nem como olhar na cara dele.

— Vai dar tudo certo. Não fique pensando no pior. Aliás... Não pense em nada. Deixe sua cabeça em branco.

As duas terminaram o banho e foram para o quarto.

Alya tinha razão, a mestiça sabia disso. O mundo não acabaria se ele lhe dissesse não e sua cabeça apoiava a versão das coisas, mas o seu coração parecia sofrer com antecedência.

O que ele iria ver nela? Os dois eram uma dupla, dançavam junto. Mas só isso. E depois de hoje, depois da apresentação, seriam o que? Não existia garantia nenhuma que continuaria dançar junto com o loiro.

E esse fato, fazia seu coração pesar ainda mais.

Cabelos arrumados, roupas devidamente passadas e vestidas. Estavam prontas. Chegara a hora da apresentação. Marinette sentia suas mãos tremerem de nervosismo e ansiedade. Seu coração batia tão rápido que parecia conseguir escutá-lo em seus ouvidos.

Tum tum, tum...

Aquele barulho só a deixava mais nervosa.

— Vamos então? – Alya estava parada na porta.

— É agora ou nunca...

As duas desceram as escadas e seguiram caminho ao auditório com as sapatilhas nas mãos.

O lugar era enorme. Parecia que todos os alunos da academia caberiam naquele lugar sem o menor problema. Algumas cadeiras já estavam ocupadas por professores e alguns alunos.

A azulada mexia as pernas impaciente e esfregava as mãos uma na outra. Sentia que podia vomitar a qualquer minuto. E aquilo, com toda certeza era a última coisa que gostaria que acontecesse.

Passou a mão no pulso e sentiu falta de algo. Sua pulseira da sorte. Naquele momento ela precisava daquilo mais do que nunca. Olhou para o lado e viu Alya acenando para sua dubla.

— Alya, eu vou buscar uma coisa e já volta está bem. Se vir o Adrien avisa que eu já volto, por favor. – A azulada pediu já se distanciando.

— Tudo bem, pode deixar. – A avermelhada gritou em resposta.

A mestiça voltou às presas para o seu quarto a procura da tal pulseira. O objeto fora presenta do seu avô Fu, um senhor muito simpático, pai de sua mãe. O homem veio da China para Paris, quando sua mãe, Sabine, ainda era uma criança.

A pulseira era praticamente uma herança de família, que segundo seu querido avô, trazia muita sorte.

Naquela hora, tudo o que ela mais queria era sorte. Tudo tinha que dar certo.

Escondido no fundo de uma gaveta ela encontrou o que estava buscando. Era uma pulseira simples, mas que continha muito significado. Amarrou-a ao pulso e saiu do quarto, o trancando em seguida.

Estava descendo os primeiros degraus da escada, quando sentiu uma grande pressão ser exercida sobre suas costas e se viu cada vez mais próxima do chão. Tentou buscar apoio em algo, mas não havia nada. Ela estava caindo e não havia nada que pudesse fazer. Colocou os braços próximos ao rosto o mais rápido que pode para se proteger e depois tudo o que sentiu foi o impacto dos degraus em ser corpo. Duro e frio.

A dor não veio de imediato, quando já estava próxima ao chão liso, suas costelas, braços e pernas começaram a dar sinal de vida, mas antes que a dor se alastrasse pelo corpo, um pancada forte e final atingiu sua cabeça.

Depois tudo ficou escuro.

O teatro já estava com os alunos presentes e dispostos nas cadeiras. Alya estava começando a ficar preocupada com a demora da azulada. A amiga já deveria ter voltado.

— Alya, você viu a Marinette por ai? – Adrien se aproximava da garota que permaneceu próxima a porta.

— Ela foi buscar uma coisa no quarto.

— Mas agora? – O loiro não estava entendendo.

— Eu sei. Meio em cima da hora. Mas ela já deveria ter voltados... Eu vou atrás dela. – A avermelhada já estava saindo do teatro. Pela hora faltava menos de cinco minutos para as apresentações começarem. Marinette tinha que voltar rápido.

“Não estou com um bom pressentimento”. A cabeça de Alya tinia.

— Eu vou com você. – Adrien colocou-se a caminhar ao lado da garota.

Os dois partiram em direção a ala dos dormitórios a passos rápidos. Alya tinha a esperança de encontrar a amiga correndo apresada, pelo caminho. Mas nada dela.

“Cadê você, garota?”.

Finalmente encontrara a azulada. Mas do modo que nunca esperou.

Ao final da escadaria, Marinette estava esticada no chão. O tronco virado para baixo, as pernas levemente dobradas de modo estranho, um dos braços estava sobre o rosto, em quanto o outro estava estendido acima da cabeça.

— MARI. – Alya gritou e correu até a garota desacordada. Simplesmente se jogou ao lado da amiga, não importava roupa, apresentação, nada. Sua melhor amiga encontrava-se desmaiada no chão.

Adrien veio correndo logo atrás, se colocando ao lado da avermelhada. Sua respiração estava descompassada e seu coração disparado. Tirou delicadamente o braço de cima do rosto da garota e encontrou uma mancha de sangue sobre parte do rosto e cabelos.

Seus olhos arregalaram e suas pernas tremeram.

As mãos de Alya tremiam, não sabia se podia toca na amiga, movê-la. Estava apavorada.

— E-e-eu vou bus-buscar ajuda. – A voz do rapaz falhava. Por mais que suas pernas tremessem, se forçou a levantar e correr em busca de ajuda. Sua cabeça estava a mil, mas de uma coisa tinha certeza.

Aquele sangue não era coisa boa.

Aquele barulho irritante não parava e sua cabeça latejava horrores. Marinette tentava abrir os olhos, mas a luz era muito incomoda. Sentia sua garganta árida e seu corpo mole. Não estava conseguindo se mexer, o que a estava agoniada.

Manteve os olhos serrados e se forçou a enxergar algo contra a luz forte e clara.

— Ai, minha cabeça. – Sua voz saiu baixa e rouca. Sua garganta estava tão seca que chegava a doer.

— Mari, você acordou, graças.

— Alya? – A garota procurava pela amiga mesmo com a visão embasada.

— Não se mexa. Eu vou chamar a enfermeira. – Alya saiu com pressa atrás da mulher. Seu coração batia mais aliviado em saber que a azulada finalmente acordara.

Ver todo aquele sangue no chão tinha deixado a avermelhada em prantos. Ela sozinha com a amiga desacordada, enquanto Adrien buscava ajuda. Só de lembrar um arrepio lhe corria a espinha.

Marinette tentava levantas, mas seu corpo não cooperava. Sentia-se sonolenta e sem forças. E o pior de tudo, parecia haver uma britadeira dentro de sua cabeça.

— Eu falei que ela acordou. – Alya apontou para a cama onde se encontrava a amiga.

Marinette estava em um quarto desconhecido, deitada em uma cama macia. Tinha diversos tubos presos a seu braço e algo enrolado em sua cabeça.

A enfermeira se aproximou da garota a ajeitando melhor no travesseiro.

— Como está se sentindo senhorita, Cheng?

— Minha cabeça... Parece que vai explodir. – Começou a falar com a voz fraca e falha. – Minha garganta, dói.

— Vou pegar um pouco de água para a senhorita. – A mulher ajudou a azulada a levar um pouco a cabeça e encostou um copo de água em seus lábios, ajudando a garota. – O médico já está vindo para examiná-la melhor.

A enfermeira volta a deitar a mestiça delicadamente sob o travesseiro e se afasta para verificar o soro que estava ligado às veias da garota.

— Alya?

— Aqui. – A avermelhada se aproxima se coloca ao lado da cama da amiga e segura sua mão livre com delicadeza.

— O que aconteceu? – Suas lembranças estavam embaçadas. Recordava da apresentação que teria, de ter ido ao seu quarto na academia e de pegar sua pulseira. Depois disso as lembranças estavam embaçadas.

Com a consciência ganhando forma, Marinette começava a sentir novamente as partes do seu corpo, e junto com ela um dor incômoda em suas costelas, braços e pernas. Tentava mover os membros, mas o ato era doloroso.

— Não se mexa, Mari. — Alya apertou um pouco a perto sobre a mão que segurava. – Você caiu da escada e bateu a cabeça. Não pode se esforçar. – A voz da avermelhada saiu engasgada, a vontade de chorar era grande e o alívio em seu coração era maior ainda. Estava morrendo de medo de sua amiga não acordar.

— Caí... Da escada?

— Não se lembra do que aconteceu?

— Eu lembro de ter ido ao quarto buscar minha... pulseira e depois... Ai minha cabeça. – Marinette fechou os olhos com força.

— Bateu sua cabeça com força, senhorita. É normal que esteja doendo. – Interrompeu a enfermeira. – Vou pedir para o doutor para administrarmos mais uma dose de analgésicos. – Terminou e se retirou da sala.

Alya continuou no quarto, segurando a mão da amiga.

— A academia ligou para os seus pais. Eles estão vindo para cá. Devem chegar à noite.

— Foi tão sério assim? – Virou a cabeça em direção da voz da amiga, enxergando levemente seu contorno. Forçou-se um pouco mais e consegui ver a cara de choro da garota.

— Eu e o Adrien fomos te procurar... E quando te encontramos você estava no chão com uma mancha de sangue na cabeça.

— Entendo...

Alya se manteve presente durante todo o tempo, até que foi obrigada a voltar para a academia no final da tarde, mas prometeu que voltaria no dia seguinte.

Os pais da mestiça chegaram no cair da noite, ambos extremamente preocupados com a única filha. A academia havia ligado para ele, avisando sobre o estado da filha, fazendo-os pegar o primeiro voo direto para a capital.

O diagnóstico?

Nada muito sério do ponto de vista clínico. A garota tivera muita sorte segundo o médico.

A batida na cabeça não fora nada sério, os riscos de convulsão haviam diminuído após as primeiras 24h de observação. Por conta da queda, a garota chegara a deslocar um dos ombros, mas nenhum osso havia sido quebrado.

Novamente, muita sorte.

Entretendo, a azulada havia torcido o tornozelo e estirando os músculos e nervos que iam do pé a perna da sua perna direita. O que iria render a imobilização do pé e sessões de fisioterapia para recuperar a mobilidade do membro. O médico informou todos os procedimentos feitos e o que deveria ser cumprido para a melhora da garota. Coisa que os pais da garota concordaram mais do que prontamente.

Entretanto, Marinette enxergou o que estava nas entrelinhas. Dependeria do tratamento saber se ela poderia voltar a dançar.

Ela sentia seu sonho escapando pelos seus dedos como areia.

E as lágrimas silenciosas lavando o rosto.

Marinette havia deixa o hospital há cerca de três semanas. Ficara internada durante quatro dias e nos outros, a pedido dos pais, ficara em um hotel com eles, enquanto a garota começava as sessões de fisioterapia.

Por mais que não quisesse admitir, fazer força com o pé machucado lhe causava muita dor. A médica responsável pela sua recuperação ia com calma, não forçava além do limite da garota. Dizia que aos pouco seu corpo ia fazendo o trabalho e que logo poderia voltar às atividades normais. Era tudo uma questão de recuperação.

Após uma semana e meia, a azulada já conseguia caminhar normalmente. Porém, nada de esforço. Não poderia correr ou pular. Mas já não precisava das muletas para andar. O que no ponto de vista da amiga, Alya, já era uma coisa ótima.

Após a terceira semana, foi liberada pelos médico para voltar para a academia, com a promessa de manter a rotina de exercícios passados pela fisioterapeuta.

Os pais da garota voltaram para casa por força maior, a padaria não poderia ficar fechada por tanto tempo. Mas por ele a garota teria voltado junto. Entretanto ela se negava a isso, afirmando que ficaria bem.

A academia deu a Marinette o tempo necessário de recuperação. Poderia voltar às aulas, mas de forma moderada. Além de ter que visitar a enfermaria semanalmente.

Estava de volta à rotina há apenas três dias. Sentia seus movimentos mais lentos e fracos do que das outras colegas bailarinas. Aquilo despedaçava seu coração, apesar de continuar a sorrir e dizer que estava tudo bem na frente dos amigos.

Outra coisa que pesava em seu coração era a culpa. Não conseguia olhar direito para Adrien desde que voltara. Sentia que havia prejudicado o garoto. Ambos não haviam se apresentado e tudo por culpa dela.

Depois que Alya saiu para o clube, por insistência de Marinette, que dizia que se sentiria culpada se a amiga não fosse por culpa dela, a mestiça foi em silêncio para um dos estúdios menores, decidida a ensaiar. Não queria ficar atrás de ninguém.

Toda a academia estava em silêncio, os corredores escuros, sequer os grilos faziam barulho. O silêncio era tanto que até mesmo os fantasmas se assustariam com a presença da garota zanzando pelos corredores.

Chegando no lugar, a azulada encostou a porta e acendeu as luzes. Com as sapatilhas nas mãos ela se sentou no chão e amarrou-as nos pé, começando a se alongar. Segurava a ponta dos pés enquanto a barriga encostava-se às pernas. Ela tinha que puxar ambos os pé para trás e depois para frente, o movimento era doloroso.

Colocou-se de pé e se apoiou nas barras. Os pés deveriam ficar alinhados aos joelhos enquanto ela realizava movimentos de descida e subida. Respirava fundo pelo nariz e soltava o ar pela boca, deveria se manter calma e controlar a dor. Não se daria por vencida. Não prejudicaria mais ninguém.

Em menos de três semanas seria a apresentação em quarteto e apresar da Sra. Bustier dizer que ela não precisava se apresentar caso não se sentisse apta, ela não queria desapontar as amigas.

Pegou o celular e os fones de ouvido. Por mais que doesse, forçou os pés a fazê-la ficar nas pontas da sapatilha. A cada impacto era como se um fio de eletricidade passasse pelo seu pé até o final de sua perna, fazendo com que ela perdesse um pouco o equilíbrio.

Quase foi ao chão por duas vezes, mas recuperava o equilíbrio colocando o outro pé como apoio o mais rápido que podia. Seu corpo suava e a careta de dor já se fazia mais do que presente. Mas ela continuava. Ela se entenderia com as consequências daquilo depois.

E mais uma vez ia ela. Forçou ficar na ponta da sapatilha do pé direito e novamente perdeu o equilibro. Só que dessa vez não houve tempo de criar um apoio e a garota foi de encontro ao chão.

Sua respiração era pesada e ela queria chorar de frustração.

— Deveria tomar mais cuidado, Princesa.

Aquela voz. Não.

Com os olhos arregalados, Marinette vira a cabeça em direção a porta, encontrando encostado na mesma a última pessoa que espera ver na face da terra. Os olhos verdes brilhantes, a roupa preta, a mascara espalhada sobre os olhos, as orelhas na toca sobre os cabelos loiros.

“Chat Noir”.

O gato se aproximava dela com passos largos. Ela continuava a encará-lo assustada. O que diabos ela fazia lá?

— Venha, deixe eu te ajudar. – Ele estendeu uma mão para ajuda-la a se levantar. Marinette ficou somente encarando o loiro com a mão estendida sem falar uma palavra. – Não vou te machucar, não se preocupe. – Ele sorriu. – Sou Chat Noir, a seu dispor.

Era verdade, ele não conhecia Marinette, pensou ela.

Com a mão um pouco trêmula ela aceitou a ajuda.

— Obrigada. – Respondeu com a voz baixa enquanto ela a ajudava a ficar de pé. Para depois encará-lo. – Como e por que entrou aqui?

— Eu? –Sorriu apontando um dedo para si. – Tenho meus truques. E bom... Tinha um pouco de curiosidade sobre esse lugar. Dizem que tem fantasmas aqui durante a noite. – Riu baixo. – Mas eu não pensei que fossem palpáveis. – Ele levantou a mão que ainda segurava a dela e depositou um beijo casto na superfície.

A garota puxou a mão e se afastou do loiro.

— Não deveria estar na cama, princesa? Já esta tarde.

— E não está na hora do gatinho estar em casa? – Retrucou. Marinette estava nervosa, não espera encontrar aquele gato novamente, principalmente ali na academia. Suas mãos tremiam e seu coração estava na garganta.

— Gatos costumam ser mais ativos à noite. – Ele se aproximou da garota que estava de costas. – Além do mais, eu sou um gato livre... Prefiro explorar durante a noite.

Ela se manteve em silêncio ainda de costas para o loiro.

— Mas você não respondeu a minha pergunta... O que faz acordada a essa hora?

— E isso é da sua conta? Por que? – O timbre da voz era bravo.

— Hey, sem violência. Só estou curioso...

Ela suspirou. Por mais que fosse um intrometido, ele não tinha culpa da frustração dela.

— Estava ensaiando um pouco... Ou ao menos tentando. – Olhou para baixo.

— Seu pé está machucado. – Ele falou baixo e ela virou para encará-lo com o olhar surpreso. Como ele sabia? – Desculpe, é que eu vi você dançando. Sua perna treme. Não tem força o suficiente, o que significa que está machucada.

Ela suspirou derrotada.

— Eu me torci a perna não faz muito tempo. Estava fazendo fisioterapia até pouco tempo. – Por que mesmo estava contando aquilo para o Gato?

— Sinto muito.

— Tudo bem. Não acho que tenha muito que fazer. – Suspirou triste. – Acho que só não aceitei ainda que acabou para mim. – Ela tentava conter as lágrimas que começavam a se formar em seus olhos.

Ela estava de cabeça baixa, mas o Gato conseguia escutar o tom de choro em sua voz. Aproximou-se mais dela colocando uma mão sobre o ombro da garota.

— Não desista tão fácil... – Com a outra mão, pegou a dela. – Venha cá, princesa. – Ele a puxou para o meio da sala. Ela o encarava com confusão. – Talvez você só precise de uma mãozinha... Ou de uma pata. – Ele riu baixo e ela chacoalhou a cabeça.

— O que você está faz-

— Não se preocupe. – Interrompeu sorrindo e colocou uma mão sob a cintura da garota. Com a outra, pegou a mão dela e a colocou sobre seu ombro e por fim, segurando a que restou. – Com toda certeza você já deve ter dançado uma valsa na vida. – Olhou fundo nos olhos dela. – É isso que vamos fazer.

O Gato tinha um sorriso travesso nos lábios e olhava fundo para os olhos azuis da garota. Ele movimentou um pé para frente, fazendo a azulada mover-se para trás, depois fez o movimento para o lado e novamente ela o acompanhou.

— Viu, não é tão difícil. – Piscou um dos olhos e começou a cantarolar uma valsa enquanto guiava a mestiça pela sala.

Ela acompanhava os movimentos dele com facilidade, aquilo não a manchava e agradeceu por isso.

— Agora um giro... – Ele levantou a mão que segurava a dela, fazendo os dois braços ficarem esticados. O outro ele manteve firme a cintura dela. A fez rodar uma, duas vezes. É claro que o pé doeu um pouco, mas com certeza menos do que antes. – Viu... Você ainda consegue. – Ele sorriu para ela, aquele sorriso que ela sabia, que só ela tinha. Um sorriso de gato malandro. Fazendo uma covinha se formar em uma das bochechas.

Ele continuou atado a ela por mais uns instantes, até que um barulho veio da calça larga que ele usava. O garoto parou os movimentos e soltou a mão da dela, levando-a até o bolso, tirando de lá um celular.

— Infelizmente eu tenho que ir. – Ele retirou a outra mão da cintura da garota, levantou novamente a cabeça a encarando e deu um sorriso aberto. O loiro virou-se e foi até a porta abrindo-a, depois virou a cabeça em direção a garota. – Não desista tão fácil, My Lady. – Fechou a porta atrás de si.

“My Lady”. Ela estava em choque, ainda parada no meio da sala. Seu coração perdeu uma batida e assim que retornou acelerado e se dispôs a correr até a porta, a abrindo com força e olhando as pressas pelo corredor escuro e vazio.

“Ele sabe”. Foi tudo o que veio a cabeça.

Notas finais
Pois é... me bateu um feeling meio Nazaré Tedesco. O que dizer? HAHAHA. Música da vez: Undone - Haley Reinhart - https://www.youtube.com/watch?v=fQ8buEvoQO0 Eu escultei ela no filme Step up 4. Um dos meus favoritos alias, hehe. Enfim, me contem o que acharam... Só não me matem por gentileza. HAHAHA. XO