Era manhã de terça, Tsuna seguia para o colégio olhando as ruas de Namimori com outros olhos. Talvez ele estivesse mesmo tentando bancar o Defensor da Justiça.

“Tsuna-kun”. Kyoko correu até Tsuna que não precisou nem se virar.

“Ah Kyoko-chan, Bom dia”. Diz contente ao vê-la bem, embora Ryohei tivesse mencionado qualquer coisa sobre compromisso na segunda.

“Tsuna-kun também está todo machucado”. Ela disse com os olhos tristes. “A Haru-chan me contou”.

“O-o que?” Tsuna engasgou. Então ela sabia sobre a luta com Mukuro? Gokudera teria contado? Ela estava mesmo namorando ele? “O-o que a Haru contou?” Perguntou vacilante.

“Que você estava machucado”. Ela parecia ainda mais chateada. “Onii-chan também chegou em casa machucado”.

“E-e-eu sinto muito”. Tsuna abaixou a cabeça.

“Não tem porque”. Kyoko diz tentando dar um sorriso encorajador. Ela tocou no ombro de Tsuna o fazendo erguer um pouco o rosto, a princípio olhando para a mão de Kyoko e em seguida para o rosto dela.

“Kyoko-chan...” Tsuna a olhou nos olhos, e tudo que ele conseguiu captar fora uma grande preocupação.

“Ne?” Ela insistiu ao ver a expressão do amigo.“Tsuna-kun está aqui e o Onii-chan disse que vocês venceram”.

“F-foi graças ao amuleto que você fez”. Diz de forma meio atrapalhada, enquanto colocava a mão sobre a dela que ainda estava parada sobre seu ombro. Kyoko pisca os olhos seguidamente e então abre seu típico sorriso.

“Fico feliz que tenha funcionado”.

O rosto de Tsuna toma um tom vermelho assim que ela sorri e só aumenta quando ele percebe que estava com a mão sobre a dela.

“M-me desculpe!” Ele grita erguendo a mão.

Kyoko apenas ri. “Tsuna-kun não mudou em nada”.

Mais tarde o quarteto principal da Vongola almoçava no telhado, como de costume. Lambo havia aparecido mais cedo para dar um oi e roubar algumas coisas antes de descer novamente. Aparentemente seu extenso circulo social o deixava com pouco tempo para ficar com a Vongola.

“De novo esse bento caseiro.” Comenta Yamamoto apontando para a caixa que Gokudera trouxe. “Vocês estão mesmo apaixonados.” Diz sorrindo.

“Então os boatos são verdadeiros?” Pergunta Ryohei.

“Gokudera-kun?” Tsuna também insiste.

“Na-não é nada disso! É apenas um mal entendido! Aliás quando que começou esse boato?”

“Seria... depois que ela foi te visitar todos os dias no hospital?” Ryohei tenta se lembrar.

“Sua namorada é bem fiel.” Diz Yamamoto.

“A Haru é uma ótima pessoa”. Tsuna apenas sorri. “Se eu tivesse a mesma sorte com a Kyoko-chan”. Pensa dando um longo suspiro.

“Eu já disse que não é nada disso! Nós não temos essa relação! Alias eu mal conheço aquela garota.” Gokudera se defende.

“Mas ela fez um bento para você por dois dias seguidos.” Começa Yamamoto.

“E você aceitou nas duas ocasiões.” Emenda Ryohei.

“Não tem nada a ver! Eu só pensei que seria um desperdício.”

“Você deveria pensar nos sentimentos dela Gokudera-kun”. Tsuna apenas faz uma careta. “Se a Kyoko-chan fizesse um lanche pra mim...”

Eis que um Tsuna com o braço engessado aparece.

“Tsuna-kun! Você não pode comer desse jeito...” Diz uma Kyoko extremamente preocupada.

“Eu dou um jeito”. Diz o Dame-Tsuna de sempre.

“Tsuna-kun, diga ‘aaah’” Uma Kyoko extremamente gentil segura a comida com os hashis.

“Aaah” Um Dame-Tsuna babão abre a boca.

Ou num dia normal no colégio...

“Tsuna-kun, eu assei esses biscoitos, eu espero que você goste”. Ela diz enquanto entregava um embrulho bonito com vários biscoitinhos em formas fofinhas.

“Muito obrigado Kyoko-chan”. Agradece um Tsuna com um sorriso brilhante.

Ou...

“Tsuna-kun, eu preparei um lanche especial para o nosso piquenique”. Ela diz timidamente. “Ah Haru-chan também preparou muitos doces”.

“A Haru?” Tsuna pergunta meio confuso.

“Sim, para o Gokudera-kun”.

“Encontro duplo!?” Tsuna grita já de volta a realidade porém ainda afetado pelos próprios devaneios.

Os outros três ficam encarando Tsuna tentando entender o que ele acabou de dizer.

“Ahahaha...” Tsuna da um sorriso completamente amarelo.

O sinal toca, indicando fim do intervalo, Tsuna já seguia para sua própria carteira quando repara em Chrome sentada no fundo da sala.

“Chrome!” Ele não podia esconder a surpresa ao vê-la, ele rapidamente corre até a menina que se levanta e sorri.

“Tsunayoshi”. Ela conseguia dizer o nome de alguém com tanta gentileza que seria capaz de desarmar até alguém como Hibari.

“Eu fiquei preocupado, por você ter faltado e também só apareceu depois do intervalo”.

Chrome sentiu o rosto corar e encolheu um pouco os ombros. “Estava fazendo companhia ao Mukuro-Sama, mas o médico disse para eu voltar para o colégio, parece que ele não vai acordar tão cedo”. Ela diz incrivelmente baixo.

“Você tem estado ao lado do Mukuro por todos esses dias?”

“Hai”. Ela respondeu com lágrimas nos olhos.

“E tem se alimentado direito?” Perguntou visivelmente preocupado.

“Eu...” O estômago de Chrome ronca alto e o rosto dela fica imediatamente vermelho.

“Você tem que se cuidar, sua saúde vem em primeiro lugar”. Diz como um bom irmão mais velho.

“H-hai”.

“Nee Chrome, você acha que eu poderia... visitar o Mukuro?” Tsuna perguntou olhando para os lados.

Chrome ergueu o rosto e ficou fitando Tsuna que estava com o rosto meio corado.

“O Mukuro-Sama?” Ela repetiu querendo ter certeza do que tinha ouvido.

“É... T-tudo bem se você achar que--”

“Muito obrigada”. Ela agradece timidamente e com o rosto vermelho, de vergonha e de felicidade. “Por se preocupar com o Mukuro-Sama”.

A vida seguiu de forma normal para a Vongola. Pelo menos o mais normal o possível para uma gangue. Tsuna avisa aos outros sobre a aliança com a Cavallone e questiona Gokudera sobre a situação dos territórios, o que lhe fez retornar para casa com a mochila carregada de mapas da cidade com rabiscos, planos e anotações com informações gerais das diversas gangues que compunham a cidade. Ou pelo menos com o Maximo de informação que Gokudera conseguiu reunir ao longo do tempo.

A noite, o grupo tratou de preencher parte dos territórios ainda não ocupados, embora seu avanço fosse lento. A baixa atividade serviu para os feridos terminarem de se recuperar.

A semana prossegue normal e logo chega o fim de semana. Tsuna da graças aos céus de não ter que ir para o colégio, como estava todo machucado acaba chegando em casa e dormindo, ficando assim cheio de matérias devendo uma revisão. E depois que conseguira as informações com Gokudera ele vinha estudando nos intervalos do colégio e antes de dormir.

Como ficar só socado em casa não era algo muito saudável e já se sentindo bem melhor do que nos outros dias ele segue para o centro comercial onde encontraria com Yamamoto.

No local combinado, além de Yamamoto estava Gokudera. Os dois pareciam estar discutindo, ou melhor, Gokudera berrava alguma coisa para Yamamoto que apenas sorria.

“Ah, Tsuna.” Cumprimenta Yamamoto ao vê-lo.

“10º!” Gokudera muda instantaneamente sua atitude ao se virar.

“Gokudera-kun”. Tsuna piscou seguidamente, surpreso por vê-lo ali.

“Vamos indo?” Chama Yamamoto tomando a dianteira.

“O que é que você está planejando?” Pergunta Gokudera.

“Nada demais. Eu quero comprar um bastão novo. Comentei isso com o Tsuna ontem e ele disse que precisava vir aqui também. Aí a gente combinou de ver umas coisas junto.”

“Ne-nesse caso eu também tenho que comprar algumas coisas.” Diz Gokudera cruzando os braços.

“Gokudera-kun é de algum clube?” Tsuna pergunta meio confuso.

“Ah, não... mas isso não quer dizer nada!”

Yamamoto da uma risada. Tsuna apenas concorda com um sorriso de lado. O trio começa a andar parando em algumas lojas. Yamamoto consegue segurar os dois por uma hora em uma loja de artigos esportivos. Por outro lado Gokudera pára por um tempo considerável em uma loja estilo metaleiro que assustou Tsuna.

Já próximo ao meio dia o trio se senta em um café para se refrescar.

“Ah eu estou cansado”. Tsuna murmura apoiando a cabeça no vidro da mesa.

“Finalmente eu consegui um bastão novo.” Diz Yamamoto tirando o bastão do saco.

“Pra que você precisa de um bastão novo, huh?” Pergunta Gokudera com o rosto apoiado na mão.

“Para praticar.” Responde de forma simples. “Não posso usar um bastão velho o tempo todo.”

“Yamamoto é mesmo dedicado ao clube”. Tsuna diz já se recuperando e tirando o rosto da mesa.

“É claro.” Yamamoto sorri orgulhoso.

“Feh, com todo o trabalho na Vongola você ainda perde tempo com basebol. É uma piada mesmo.” Resmunga Gokudera.

“Senpai também tem atividades de clube e não tem problema nenhum.”

“Aquilo também é perda de tempo!” Gokudera bate com as mãos na mesa.

Tsuna até recua assustado.

“Go-gokudera-kun olha o barulho”. Diz olhando envergonhado para as pessoas que os observavam.

“M-me desculpe.” Gokudera se endireita, mais por Tsuna do que pelas pessoas ao redor.

“Mas Tsuna, você não comprou nada. Não achou o que queria?” Pergunta Yamamoto.

“Ainda não, apesar de que eu não sei se tenho fôle—ué”. Tsuna parou e ficou encarando o nada. “Eu tenho fôlego, se fosse a algum tempo atrás eu já estaria me arrastando para casa”.

“O que foi?” “Alguma coisa errada, 10º?” Os dois perguntam simultaneamente.

“A gente pode olhar mais algumas lojas depois”. Diz bem mais animado.

“É isso ai.” Yamamoto sorri. Gokudera assente.

De repente uma violenta explosão estremece o Centro Comercial. Fumaça pode ser vista não muito longe.Tsuna, esquecendo completamente a posição de líder e também da pessoa que lutara com Mukuro com todas as forças, é o primeiro a gritar e se encolher.

“Cinema? Estão filmando o Ultraman aqui?” Pergunta Yamamoto.

“Idiota, isso foi uma explosão de verdade.” Gokudera já se levanta da mesa.

De fato, muitas pessoas já estavam se levantando. Algumas já saiam do Centro Comercial, outros mais curiosos iam em direção da explosão misteriosa.

“O-o que está acontecendo?” Tsuna perguntou visivelmente abalado.

“Poderia ser um ataque?” Indaga Yamamoto, apertando o bastão nas mãos.

“Pode ser...” Gokudera já leva as mãos para dentro do casaco.

Tsuna se coloca de pé sem muita coragem. Era um pouco patético que ele estivesse tão assustado agora, mas não conseguiu evitar de fazer uma careta muito pior quando algo parecia estar caindo do céu.

E antes que ele pudesse gritar mais alto, é atingido por um garoto em um curto vôo. Tsuna cai com tudo no chão e o garoto chega a rolar pelo chão.

“Me desculpe...”. Pede o garoto enquanto se colocava de pé.

“O que diabos foi isso?” Tsuna resmunga massageando a cabeça.

“Quem diabos é você?” Pergunta Gokudera que teria avançado nele se não estivesse chocado com o vôo.

“Eu me chamo Basil e... não é hora pra isso, por favor, se afastem daqui”. Diz já recuando alguns passos e olhando preocupado para trás, na direção da fumaça.

“O que está acontecendo?” Pergunta Yamamoto.

“VOOOOOOOOI”. Squalo apareceu andando devagar.

“R-rapido, dêem o fora ou vocês serão envolvidos”. Basil resmungou enquanto se colocava na frente deles.

“Seu pedaço de lixo, achou que adiantaria alguma coisa correr para cá? Eu vou fazê-lo em pedaços”. Diz com um largo sorriso enquanto erguia o braço onde havia uma lâmina tão grande quanto a de uma espada.

“Quem é esse palhaço?” Esbraveja Gokudera.

“Mais uma pessoa perigosa apareceu”. Tsuna pensa sem sair do lugar.

“Vocês querem sair daqui!?” Grita se virando e olhando irritado para os três.

“Oe, oe, acha que com esse grupinhos de crianças vai fazer alguma diferença?” Squalo solta uma risada escandalosa. “Eu vou partir todos ao meio!”

Squalo arremete. Antes que Basil possa reagir, Yamamoto bloqueia a espada com seu bastão.

“Cuidado com isso. Alguém pode se machucar.” Diz Yamamoto, seriedade em seu olhar.

“A idéia é justamente essa!” Diz com puro divertimento.

A espada começa a entrar no bastão, o cortando. O rosto de Yamamoto mostra óbvia surpresa. Squalo da um chute alto, atingindo o rosto de Yamamoto.

Imediatamente Gokudera se atira contra Squalo, suas mãos agarrando o casaco do espadachim. Naquela distância seria impossível para Squalo usar sua espada fundida a mão esquerda.

O ataque faz Squalo recuar alguns passos. Ele recobra o equilíbrio, agarra a cabeça de Gokudera e o afasta.

“Vamos ver você sair inteiro depois dessa.” Diz Gokudera com um sorriso confiante.

Squalo olha para baixo e vê dinamites nos bolsos de seu casaco. Os explosivos detonam criando uma nuvem de fumaça.

“O que está acontecendo aqui? Primeiro Mukuro e agora isso?!” Tsuna continuava a ver toda a luta, incrédulo e completamente congelado no chão.

“Vooooooooooi, isso é tudo que você tem?”

Era a vez de Gokudera de ficar espantado. Squalo não tinha mais do que alguns ferimentos superficiais.

Que tipo de roupa é essa? Nesse caso...”

Gokudera atira todas suas bombas de uma única vez. Porém Squalo corta o pavio de todas com precisão absurda. Yamamoto aproveita a brecha e o ataca por trás. Squalo estala a língua e se rapidamente se vira.

“Oe pirralho, quando você vai parar de sacudir esse brinquedinho?”

Uma estocada com a espada e a arma termina de atravessar o bastão, atingindo o ombro esquerdo de Yamamoto.

“Ou você estava mesmo lutando a sério?”

Squalo arranca a espada fazendo sangue espirrar do ferimento. Yamamoto cai de joelhos no chão. Gokudera avança por trás, carregando um soco. Mesmo sem suas bombas ele não estava fora de combate. Squalo da meia volta novamente. Um movimento de sua espada e pequenas bombas são atiradas.

Uma nuvem de poeira se ergue e dela, Gokudera voa baixo, vindo de encontro ao chão.

“Gokudera-kun! Yamamoto!” Tsuna grita chamando atenção de Squalo para si.

“Ainda tem mais um?” Squalo pergunta enquanto se virava sem a menor pressa.

“Essas pessoas não tem nada a ver comigo!” Basil se coloca na frente de Tsuna. “Você está atrás de mim, pois bem, aqui estou”.

“É engraçado ouvir isso de um rato medroso!” Squalo se prepara para desferir um golpe no garoto.

“Mais um herbívoro causando confusão em Namimori”. Hibari diz com toda sua impaciência enquanto se aproximava.

“Mais uma criança segurando um brinquedo”. Squalo se diverte ao vê-lo já com as tonfas em mãos.

“Kamikorosu”.

Hibari ataca sem medo. Squalo defende o ataque frontal sem problemas, mas se surpreende com a força do seu adversário. O poder do ataque não lhe permitia reagir. Hibari desfere outro ataque com o braço livre. Squalo salta para trás para não ser atingido.

Sem dar trégua, Hibari ataca ferozmente. Squalo, sentindo o peso de cada golpe é lentamente forçado para trás. Percebendo que a sua frente não estava um oponente como os outros, o espadachim salta para trás e faz o mesmo movimento que usou contra Gokudera.

Pequenas bombas saltam de sua espada na direção de Hibari. Hibari se abaixa, deixando as bombas passarem sobre si e encerra a distância entre os dois desferindo um golpe contra a mandíbula de Squalo.

Squalo teria recebido o golpe em cheio se não tivesse saltado no momento do ataque. Um mortal e ele abre nova distância entre Hibari e si mesmo.

“Até que você não é um completo inútil, diferentes desses pirralhos”.

“Eu não quero ser comparado com um bando de herbívoros”. Hibari resmungou olhando de esguelha para Tsuna.

“Você”. Squalo encara Basil que engole em seco. “Pode ter certeza que nós vamos encontrá-lo”. E Squalo salta para o teto de uma loja e assim desaparece.

“Hibari-san”. Tsuna o chama, e Hibari demora alguns instantes para se virar e olhar para o garoto que estava ao lado de Yamamoto. “O-obrigado”.

“Essa área pertence à sua Vongola não é?” Hibari pergunta parecendo mais irritado do que o normal e Tsuna já podia imaginar que iria apanhar.

“S-sim”. Ele responde engasgando.

“Por favor”. Basil novamente se mete. “A culpa é toda minha”.

“Basil, né?” Pergunta Yamamoto, uma mão cobrindo o ferimento. “Quem era aquele cara?”

“Bom...” Basil olha apreensivo para o grupo.

“Fale o que você sabe”. Hibari encarou Basil que desviou os olhos.

“Talvez seja melhor irmos para outro lugar...” Basil pára ao lado de Gokudera. “E levarmos os feridos”.

“C-certo”. Tsuna fica olhando para trás o tempo todo, com medo de que Squalo reapareça ou na pior das hipóteses, reapareça com reforço.

“O Centro foi evacuado, ninguém entra, ninguém sai”. Hibari olha para alguns prédios próximos. “Nós estamos indo para lá”. E começa a andar.

“Hi-hibari-san, o Gokudera-kun e o Yamamoto...” Tsuna olha apreensivo para os dois.

“Eles não vão morrer por causa disso”. Hibari diz sem realmente se importar.

Tsuna e Basil seguem devagar por estarem ajudando Yamamoto e Gokudera. No caminho o celular de Tsuna toca. Ele tenta não derrubar Gokudera enquanto movia a mão para o bolso da calça.

“Ande logo com isso”. Hibari resmungou enquanto segurava Gokudera deixando Tsuna com as mãos livre para atender a ligação.

“O-obrigado”. Tsuna nem olha quem estava fazendo a ligação, tamanho era o nervosismo.“Alô?”

Tsuna, consegue ver um prédio alto de janelas negras com duas antenas no topo?” Pergunta Reborn do outro lado da linha.

“R-reborn!?” Tsuna quase derruba o aparelho. “P-por que você tem o meu número?”

Isso não é hora para se preocupar com detalhes. Consegue ver o prédio?”

Tsuna, apesar de toda a preocupação com o fato de alguém como Reborn ter seu número celular, quando ele tinha certeza que não havia sido perguntado sobre isso, faz o que lhe fora mandado e começa a procurar pelo tal edifício.

“Janelas pretas... janelas pretas... achei!” Tsuna grita apontando para o prédio, fazendo com que todos olhassem na direção onde ele havia apontado, embora não estivessem entendendo coisa alguma.

Siga para esse prédio e procure pela sala 703. Leve todos que estão com você. Chame Ryohei e Lambo também.” A ligação é interrompida bruscamente.

“Reborn? Oe Reborn!” Tsuna fica encarando o aparelho. “Nós precisamos ir para aquele prédio, na sala 703”. Ele repete as informações enquanto mexia no celular.

Hibari e Basil trocam um olhar rápido e acabam dando de ombros enquanto seguiam para o novo local. Tsuna seguiu uns passos atrás enquanto falava com Ryohei e Lambo.

O tal prédio indicado por Reborn era um edifício comercial composto por pequenas empresas e salas de escritório. Para algo construído naquela parte da cidade tinha a segurança rígida. Vigias e câmeras estavam visíveis e ninguém entrava sem identificação.

Curiosamente ninguém impede a entrada de Tsuna e seu grupo. Os seis sobem até o sétimo andar e encontram a porta da terceira sala destrancada.

A tal “sala” na verdade era a base de uma dessas pequenas empresas. Alem da pequena e apertada recepção havia um espaço amplo que ocupava varias outras salas no andar, ocupado por mesas, computadores e todo tipo de coisas que se encontra nesse tipo de lugar. O lugar estava completamente vazio.

No fundo uma bela porta de madeira com um aviso de “Não entre sem ser solicitado” podia ser vista. A tal porta estava apenas encostada. Do lado de dentro uma típica sala de reuniões. Uma longa mesa e uma larga janela dando vista para a rua. Havia um kit de primeiros socorros suspeitamente sobre a mesa.

“Reborn você estava vendo tudo?” Tsuna perguntou num misto de raiva e desespero.

Basil ajudava Yamamoto e Hibari simplesmente largou Gokudera assim que eles colocaram os pés na sala, ele estava muito mais interessado na figura do homem de terno e gravata.

“Quem é você?” Hibari perguntou já com sua pouca paciência.

“Apenas um hitman.” Responde Reborn se virando. Apesar daquela resposta normalmente ser dita em tom de piada, ele estava sério. Ele presta atenção em Hibari e Basil.

“Reborn!” Tsuna insiste, seus próprios medos às vezes superavam a linha racional onde ele deveria ficar com medo de toda a situação e de Reborn.

Basil cuidava dos ferimentos dos dois, Hibari estava encostado na parede e prestava toda e total atenção em Reborn.

“Claro que estava. Com quem você acha que está falando?” Havia rispidez evidente na voz de Reborn.

“Reborn-san! Mesmo sendo o senhor não vou permitir que fale assim do 10º!” Gokudera leva uma mão inconscientemente ao casaco, mesmo que não tivesse nenhuma dinamite consigo. E mesmo que tivesse não faria muita diferença.

“Gokudera-donno, por favor, não fique se mexendo”. Basil pede tentando fazê-lo se acalmar.

“Gokudera-kun, está tudo bem...” Tsuna diz somente na esperança de acalmá-lo.

Gokudera se senta novamente.

“Continuamos a conversa quando todos chegarem.” Reborn da as costas para o grupo novamente.

Tsuna torce os lábios numa expressão de poucos amigos. Queria gritar e bater em Reborn. Ele que havia começado a acreditar no Hitman, não podia crer que ele deixara Gokudera e Yamamoto lutarem e também um garoto indefeso correr riscos.

Se Hibari não tivesse aparecido, o que teria acontecido com todos?

Não demora muito para o tratamento de Gokudera e Yamamoto estar encerrado. Aparentemente a espada de Squalo que barrada pelo bastão perdeu força e o ferimento não era tão ruim quanto parecia.

São mais alguns minutos de silêncio desconfortável até que Ryohei e Lambo, trazendo um capacete debaixo do braço, aparecerem.

“Vocês são loucos me acordando a essa hora no sábado.” Resmunga Lambo.

“O que está acontecendo aqui?” Pergunta Ryohei ao notar a presença de Yamamoto e Gokudera, ambos feridos, o presidente do Conselho de Disciplina Hibari e um garoto desconhecido.

“Acho que eu devo algumas explicações...” Basil diz chamando atenção dos demais, ele olha para o homem de terno como se esperasse uma resposta positiva.

Reborn, que havia se virado novamente quando os dois últimos convocados apareceram, assente.

“Eu me chamo Basil e a pessoa que começou a destruição do centro comercial é...” Após receber um olhar torto de Hibari, ele continua. “Superbi Squalo, vocês não o conhecem mais ele--”

“Squalo está no Japão!?” Uma voz desconhecida é ouvida.

Hibari gira os olhos e tira o celular de dentro do bolso. “Venha logo pra cá”. E desliga o celular sem esperar por uma resposta.

“A-aquele era o Dino-san?” Tsuna pergunta ainda olhando para o celular.

“Dino?” Basil repete meio chocado. “Da Cavallone?”

“Por que esse garoto conhece o Dino-san?” Tsuna pergunta já se vendo numa nova situação bizarra.

“Prossiga.” Diz Reborn.

“D-de qualquer forma... vocês provavelmente não conhecem a força dessas famiglias”. Basil continua, embora o olhar de Reborn o deixasse meio nervoso.

“Famiglia?” Tsuna repete não muito certo se havia ouvido direito.

“Superbi Squalo pertence a Varia, vejam bem, eu não estou falando de gangues de rua”. Diz olhando para o grupo reunido da Vongola. “Estou falando de Máfia. Máfia Italiana”.

“Máfia?!” Tsuna quase cai duro.

“Por isso...” Basil olha com repreensão para Gokudera e Yamamoto. “Por isso eu disse pra vocês não se envolverem”.

“Máfia, quer dizer, tipo nos filmes?” Pergunta Ryohei, o primeiro a conseguir expressar os pensamentos.

Começam uma enxurrada de perguntas, vindo de Yamamoto, Gokudera e Lambo.

“E, o que alguém da Máfia queria com você, Basil?” Pergunta Reborn, interrompendo o frenesi de dúvidas. “Você estava sob ordens de Lal?”

“Lal-san... O Senhor conhece a Lal-san?” Basil encara Reborn com os olhos extremamente arregalados. Só então ele pára e olha para Reborn da cabeça aos pés. “Terno, chapéu, costeletas... Reborn-san!” Basil quase pulou de alegria.

“Essa pessoa suspeita conhece o Reborn e o Dino-san, eu tenho um mau pressentimento”. Pensa Tsuna em choque.

“Sim, somos velhos amigos de bebida, embora isso não venha ao caso.” Diz Reborn sorrindo.

“Não... eu tenho a impressão que você queria dizer isso.” Pensam os cinco Vongola.

“Se é o Reborn-san então não tem problema se eu falar...”. Basil diz meio receoso.

“E ele confia no Reborn”. Tsuna pensa quase se petrificando.

“Eu vim diretamente da Itália, por ordens da CEDEF. Assim que nós descobrimos que Xanxus estava vindo para o Japão, me foi dada a missão de seguir os passos da Varia”.

“Você não falou de Mafia Italiana?” Tsuna perguntou ainda horrorizado com as informações.

“Sim, a Varia é comandada por Xanxus, o herdeiro de uma das famiglias mafiosas mais poderosas da Itália”. Explica com uma simplicidade absurda.

“Nós estamos em Namimori! Por que ele viria pra cá?” Tsuna recebe um olhar ameaçador de Hibari e se encolhe todo. “Se bem que aqui deve ser a maior concentração de pessoas perigosas”. Pensa fazendo um carão.

“Espera, espera um pouco.” Diz Gokudera. “Então esse tal de Xanxus veio da Itália, mas... o que é essa Varia?”

“A Varia é... o grupo de Xanxus... com os piores tipos reunidos, Squalo, vocês viram como ele era forte”. Diz olhando para os três que lutaram com ele. “Xanxus reuniu outros e eles estão agora no Japão para testar suas habilidades”.

“São eles a tal gangue que está se expandindo rapidamente no leste da cidade?” Pergunta Lambo, lembrando a informação que receberam ainda no inicio da semana.

“Eu estou dizendo, eles não são uma gangue”. Basil se pergunta se eles conseguiam entender a diferença.

“Não fique tão irritado”. Dino diz se pendurando na porta, parecia que havia corrido todo o caminho até lá. “Eu quase não acreditei quando ouvi, até ver o que aconteceu com aquele prédio, sem dúvida, a Varia são os responsáveis pela nova confusão na cidade. E são eles que em pouco mais de uma semana já comandam todo o leste”.

“Cavallone”. Basil o olha como se visse um fantasma. “Eu fiquei sabendo que estavam em Namimori, mas não achei que fosse tão irresponsável em usar o nome da sua famiglia em uma gangue”.

“Nunca pensei que alguém como Xanxus fosse chegar na cidade”. Diz meio despreocupado. “Agora isso é mesmo um problema”. Diz mudando o tom.

“Dino-san também é um mafioso?!” Tsuna grita chamando atenção.

“Bom...”. Dino apenas ri enquanto coloca as mãos atrás da cabeça.

“A Cavallone é uma famiglia importante. Dino-san é conhecido como o Cavalo Selvagem”. Basil se vê quase ofendido pelos comentários daquelas crianças.

“Embora o líder deles prefira brincar de gangue”. Hibari diz com os olhos semicerrados.

“Kyoya, eu sempre disse que tinha que ir pra Itália cuidar de algumas coisas”. Dino tenta se defender.

“Isso não muda o fato de você ter escondido informações, o Comitê de Disciplina não tolera esse tipo de coisa”. Diz puxando uma das tonfas.

“Mas isso não é algo que eu possa sair dizendo”. Dino balança as mãos defensivamente.

“Então a gente se meteu no meio de uma guerra da Máfia?” Pergunta Gokudera, tentando abrir um rombo no crânio de Dino com os olhos.

“É o que parece.” Comenta Yamamoto.

“Isso é perigoso, isso é mais perigoso do que o Mukuro!” Tsuna ignorava a todos enquanto entrava no modo “crise-nervosa”.

“Ótimo”. Hibari abre um sorriso demoníaco.

“Kyoya, não é assim tão simples”. Dino recua um passo pra não ser acertado bem no rosto. “Eu sei que você está com raiva, mas quer me ouvir pelo menos?”

“Isso não é nada com que vocês possam enfrentar, Reborn-san, diga isso a eles, por favor”. Basil pede se virando para o Hitman.

“Basil tem razão. Esse é um assunto que não diz respeito a nenhum de vocês.” Diz Reborn, seu olhar se estendendo por toda a sala.

“Então nós vamos apenas ficar parados e não fazer nada?” Pergunta Gokudera se levantando. “Nós não já nos envolvemos?”

“Ainda que isso possa ser verdade, a Varia não está atrás de vocês”. Basil cruza os braços. “Até que ela realmente expanda o território até aqui, vocês não tem porque se envolver, oumelhor, deveriam pensar em desistir e se entregar”.

“Como é que é?!” Gokudera se levanta pronto pra surrar Basil. Lambo o segura a tempo.

“Pode ser que a gente não seja páreo para esses caras. Mas nós da Vongola não desistimos assim tão facilmente.” Diz Yamamoto. “Se esses caras vierem pra cima de gente, eu prefiro cair lutando do que dar as costas e fugir.”

“É isso ai! Falou extremamente bem!” Grita Ryohei se levantando também.

“Gokudera-kun, Yamamoto, Oniisan... mesmo que vocês digam isso, mesmo que vocês...”.

Ele olha apreensivo para Reborn.

Era tão estranho, Reborn tão sério e não se metendo. Tsuna sentiu as mãos tremerem. Já fazia tanto tempo que ele não ficava paralisado de medo, e fora só Squalo aparecer para ele se sentir como nos velhos tempos. Completamente impotente.

E se Reborn não se envolvesse? Ele não poderia lutar, sem a Shinu Ki Dan ele não podia fazer nada. E ele não ficaria sentado vendo os amigos caírem. Porque ele sabia que seria isso que iria acontecer, os amigos iriam lutar, mas eles não tinham condições... eles não eram fortes o bastante.

E Basil dissera que havia mais pessoas com o tal Xanxus, se fossem iguais ou melhores que Squalo? Xanxus provavelmente seria o pior de todos. Fora que era um mafioso. Isso era aterrorizante.

“Você acha que eu vou deixar Namimori fazer parte da coleção de algum mafioso entediado?” Hibari estreitou os olhos.

“Hibari-san...?” Tsuna olhou surpreso para Hibari.

É claro que ele não deixaria que nada ruim acontecesse com Namimori, mas ele não era nenhum exército. Ainda que fosse, aparentemente, o único entre aquelas pessoas normais a ter força o bastante para encarar mafiosos italianos.

“Vocês não estão entendendo”. Basil respira fundo. “Talvez seja sorte que vocês não sejam fortes o bastante para encará-los, assim vai poupá-los de serem torturados. Ainda que talvez eu deva me preocupar com você”. Diz olhando para Hibari. “Squalo não costuma deixar lutas pela metade”.

“Se ele aparecer novamente eu vou mordê-lo até a morte”.

“Desista.” Diz Reborn para Basil. “Você não vai conseguir convencê-los. No final são uns teimosos que não ouvem a razão.” Diz com um sorriso no canto dos lábios.

“Reborn-san!” Basil não podia acreditar que o Hitman ia deixar aquelas crianças se envolverem.

“A verdade é que nem mesmo a gente tem força pra derrotá-los”. Dino diz sorrindo para Basil.

“Mas a Cavallone--”

“Eu tenho algumas pessoas aqui comigo é verdade, mas mesmo que eu peça reforços agora, eles não vão chegar a tempo se estivemos sem apoio. Nós precisamos deles”.

“Você está sendo irresponsável!” Basil estava ficando vermelho.

“O que me diz, Tsuna?” Dino ignora Basil.

“E-eu...” Tsuna recua um passo, ele olha por cima do ombro de Dino para os membros da Vongola.

Ele conseguia ver a convicção no olhar de todos. E sabia que estavam esperando por uma resposta positiva. Ele também não queria deixar Dino na mão. Será que ele era o único com medo?

Tsuna desviou os olhos e viu que tinha algo ameaçando cair do bolso do casaco, ele puxa uma das luvas de lã. Reborn tinha dito que elas não estavam quebradas, Tsuna tinha alguma esperança de que elas pudessem se transformar quando ele precisasse, assim ele dependeria bem menos do Hitman.

Ele ergue o rosto e olha para Reborn. Ainda estava com raiva por saber que ele não havia ajudado quando todos mais precisavam, mas... mesmo que ele tivesse que se submeter a algum treinamento exaustivo ele faria.

Afinal, era Namimori. Se com Mukuro tinha sido ruim o bastante, não conseguia imaginar o que a tal da Varia seria capaz.

“Se nós conseguirmos segurá-los você conseguirá trazer reforços?” Tsuna passa a olhar para Dino.

“Acho que você me entendeu mal”. Dino diz após se recuperar do choque de ver Tsuna agir com seriedade. “Eu pretendo segurá-los”.

“Dino-san?” Tsuna fica realmente sem entender.

“Ha quanto tempo, Reborn-san”. Dino diz se virando para o Hitman.

“Eu deveria atirar em você por me ignorar por tanto tempo.” Diz com um som nasal.

“Na verdade eu demorei pra reparar que você estava aqui”. Diz colocando a mão atrás da cabeça e dando um sorriso sem graça. “Como sempre, você é ótimo em se esconder”.

“Melhor você não achar que vai se safar com essa desculpa.” Responde com um tom difícil de decifrar.

“Acho que não vai funcionar, ne?” Dino desfaz a pose despreocupada. “Você tem treinado o Tsuna”. Não era uma pergunta.

“Ele parece com você na época. Desajeitado e inútil.”

“Reborn treinou o Dino-san!?” Tsuna quase despencou no chão.

“Foi uma época difícil”. Comentou com um sorriso. “Então... Reborn-san, eu preciso da sua ajuda, por favor, ajude a Vongola”. Pede fazendo uma profunda reverência.

“R-reborn-san, treinar essas crianças...?” Basil olha para todos.

“Por favor!” Dino insiste ainda de cabeça abaixada.

O hitman se vira para a Vongola a sua frente.

“Vamos acabar com eles extremamente!” Grita Ryohei erguendo os braços.

“Máfia ou o que, esses caras vão voltar correndo pra casa com o rabo entre as pernas.” Diz Lambo assentindo.

“Vamos dar o nosso melhor.” Diz Yamamoto com as mãos atrás da cabeça.

“Ninguém subestima a Vongola e sai impune. Eles vão provar nossa força.” Diz Gokudera batendo o punho na mão.

Tsuna apenas assente e aperta a luva que tinha em mãos. Reborn estala a língua.

“Vocês moleques só me dão trabalho.” Diz sorrindo, apesar das palavras.

Os quatro da Vongola comemoram. Basil se encolhe num canto sem acreditar no que estava acontecendo.

Continua...