Katekyo Gangue Reborn
13 A Nova Batalha da Vongola
Notas iniciais
Tsuna ainda não podia acreditar no que estava acontecendo. Não podia acreditar na capacidade que tinha em ir de uma confusão para o caos.
Estava tudo tão bem em apenas ir para o colégio e lanchar com os amigos. Ele não era digno daquilo? Dos momentos de paz.
Toda a negatividade começava a rodar Tsuna e ele sabia que estava a beira de uma nova crise e desespero. Num daqueles momentos onde ele queria se esconder sob os lençóis e fugir da realidade.
De novo a Vongola estaria indo pro campo de batalha. Novamente um treinamento horrível com Reborn. Novamente Namimori seria palco de algo cruel, e enquanto isso pessoas inocentes poderiam acabar sendo feridas.
Por que ele como chefe só fazia todos se machucarem?
“Chefe?” Ele repetiu a palavra como se ela tivesse um gosto ruim. “Ah, por que eu estou pensando nisso agora?” Tsuna começou a bagunçar os próprios cabelos.
Ele fechou os olhos e tentou mover os pensamentos ruins. Vongola, Xanxus, Reborn, Treinamento, Máfia Italiana, Namimori, Hospital...
“Isso é impossível!” Gritou se levantando da cama e começando a andar em círculos pelo quarto.
Todos seriam treinados por Reborn, Dino tentaria segurar a tal Varia, o que significava que...
“Eu vou ter que faltar mais aulas?!” Tsuna olhou para os livros do colégio que estavam sobre a mesinha. Ali já tinha coisa o bastante pra ele se preocupar, bom... Se ele não tivesse trocado os estudos pra ficar aprendendo sobre gangues e Namimori...
“Será que o Hibari-san pode declarar feriado?” Se pergunta com um sorriso moribundo.
Enquanto parte da negatividade era deixada de lado graças aos bons pensamentos de Tsuna, ele é obrigado a acordar pra realidade quando o celular começa a vibrar sobre a cama.
O céu já estava escuro e ele já tinha se despedido de todos, não tinha porque receber uma ligação. A não ser que Reborn estivesse iniciando um treinamento noturno.
“O que!?” Tsuna sentiu o corpo todo gelar. Ele ouviu atentamente, tentando não começar a nublar a mente com preocupações desnecessárias.
Afinal, o que mais ele poderia esperar para aquele dia? De repente a idéia de um treinamento com Reborn começasse naquele mesmo instante não parecia ruim. Nem mesmo o fato de que ele ainda não tinha jantado.
“Eu estou saindo!” Tsuna gritou enquanto calçava os sapatos de um jeito mais atrapalhado do que o normal.
“Tsu-kun?” Nana saiu da cozinha. “A essa hora? Pra onde você vai?” Ela perguntou preocupada ao ver o filho todo afobado. “Aconteceu alguma coisa?”
“N-não”. Tsuna desviou os olhos. Ele era um péssimo mentiroso. “E-eu estou indo encontrar com uns amigos, s-só isso”. Ele abriu a porta com as mãos trêmulas. “Não precisa ficar me esperando. Itekimasu”. Ele murmurou antes de sair sem nem olhar pra trás.
“O seu pai dizia a mesma coisa”. Nana disse com um sorriso curto. “Tsu-kun, iterashai”. Ela disse embora o filho já tivesse partido, ela ainda ouvira o portão bater.
Havia uma movimentação fora do normal para aquela hora no Centro Comercial. Fora do normal graças ao toque de recolher auto imposto pelos lojistas graças as constantes brigas de gangues.
A agitação se dava pelos dois grupos opostos que se encontravam. Um deles, composto inteiramente de sujeitos engravatados, de ternos negros e usando óculos escuros apesar de já ser noite. Eles bloqueavam todos os acessos ao Centro Comercial. Ninguém era autorizado a entrar.
O outro era um grupo desigual, mas composto em sua maioria por estudantes, armados de forma improvisada, muito irritados com o primeiro grupo que bloqueou um de seus territórios. Esse grupo era a Vongola.
Pelo jeito o alerta foi dado em massa, pois virtualmente toda a Vongola estava presente. Incluindo os três capitães.
“Gokudera-kun, Yamamoto, Oniisan, o que está acontecendo?!” Tsuna pergunta enquanto parava pra tomar ar.
O trio se vira para seu chefe.
“Como pode ver, aqueles sujeitos tomaram o Centro Comercial.” Diz Gokudera com uma expressão nada amigável, apontando com o polegar para trás de si.
“Primeiro aquele Squalo, e agora esses seguranças...” Comenta Yamamoto.
“Varia? Isso é coisa da Varia?” Tsuna pergunta já com todos os sinais de alerta piscando.
“Provavelmente.” Diz Yamamoto com uma expressão dura.
O som de uma moto parando ao lado dos quatro chama atenção do grupo.
“Os caras que estavam na patrulha já estão no hospital.” Diz Lambo, tirando o capacete. “Não se preocupe, eles estão bem.” Diz para Tsuna, já prevendo a pergunta do líder.
Tsuna respira aliviado e então volta a olhar para os caras que bloqueavam a passagem.
“O que nós devemos fazer? Esse é o centro comercial... Já foi um erro ter deixado que ele fosse atacado daquela forma”. Tsuna começa a falar com ninguém enquanto repassava os acontecimentos.
“Vamos fazer mingau com esses caras!” Grita Ryohei, já envolvido em suas chamas.
“O Centro Comercial é nosso. Foi a primeira conquista do 10º. Vamos retomá-lo nem que seja a ultima coisa que façamos!” Berra Gokudera.
“Isso, continuem a gritar que vão atacar na cara dos guardas, talvez eles não escutem...” Resmunga Lambo.
“Não, eles tem razão, o centro comercial é nosso.”. Tsuna engole em seco. “E nós vamos recuperá-lo”.
“Eu tenho um plano, 10º.”
Poucos minutos depois a Vongola se retira dos arredores do Centro Comercial. Os guardas, apesar de estranharem o movimento não saem de suas posições.
Não demora muito para uma bombinha voar nos pés de um dos grupos. A bombinha rapidamente ergue uma nuvem de fumaça, cegando os guardas. A cúpula da Vongola ataca e os guardas são postos a nocaute sem oferecerem muita resistência. Ataques similares acontecem ao redor de todo o Centro Comercial.
O primeiro grupo avança para dentro. O Centro Comercial estava silencioso. Apenas as luzes dos postes iluminavam suas ruas. Nesse ambiente não demorou muito para que percebessem uma anomalia.
Um único estabelecimento estava aberto, forçadamente. Um homem estava sentado sob uma mesa, uma garrafa de conteúdo caro repousava sobre ela. Ao redor do homem, estavam mais seis figuras chamativas, todos vestidos de forma semelhante.
“Alguém está se aproximando, chefe.” Diz um sujeito usando uma roupa negra e um capuz cobrindo seu rosto.
O homem sentado resmunga alguma coisa e olha na direção em que o grupo de Tsuna acabava de chegar.
“Crianças? O que vocês querem?”
Tsuna pára e olha assustado para o grupo, tinha alguma coisa de sinistro neles, uma áurea negra e pesada parecia vir os acompanhando e além do mais...
“VOOOOI”. Squalo da um passo a frente. “Não pensei que fossem mostrar a cara tão cedo”.
“Como eles passaram aqui?” Pergunta um sujeito com vários objetos estranhos nas costas. “O que a guarda está fazendo, dormindo em serviço?”
“Não é um grupo adorável?” Comenta um outro, de óculos escuros e um penteado bizarro.
“Ushishi, Squalo, por um acaso são esses aí que te fizeram voltar correndo com as mãos abanando?” Um outro pergunta com uma faca nas mãos.
“Oe Bel, cale essa boca!” Squalo aponta a espada para o garoto que continua com a risada estranha.
“Chefe, nós podemos acabar com eles?” Belphegor pergunta puxando mais facas.
“Isso é verdade, Squalo?” Pergunta Xanxus, ignorando completamente os outros comentários.
“VOOOOOOI, viu o que você fez?!” Squalo cuspiu em cima de Belphegor que passou a olhar para outro lado como se não fosse com ele. “Claro que não, eu não perderia pra um bando de crianças”. Diz cruzando os braços.
O olhar de Xanxus se volta para o grupo a sua frente e rapidamente retorna a bebida a sua frente.
“Eles estão nos fazendo de idiotas.” Resmunga Gokudera, já com uma mão dentro do casaco.
“E-ele é o chefe não é?” Tsuna pergunta sem tirar os olhos do homem sentado. “Xanxus?”
“Hmm? Falou alguma coisa, lixo?” Xanxus encara Tsuna ao ouvir seu nome. Ele o encarava de forma direta, como se o estivesse analisando.
“Iiih!” Tsuna da um salto para trás e chega a recuar mais alguns. Não era só o susto, era também a áurea assassina que acompanhava o olhar de Xanxus.
Como se aquilo fosse mortal ou coisa parecida. Mas com certeza tinha efeito, Tsuna estava tremendo dos pés à cabeça.
“Xanxus, ele é o Xanxus”. Murmurou para si mesmo enquanto apertava as luvas de lã dentro do bolso.
“O chefão já está aqui? Ainda não é cedo pra batalha final?” Pergunta Lambo. “Quem escreveu esse jogo de quinta?” Ele sentia o suor escorrer por suas costas. Mesmo com o olhar de Xanxus em Tsuna e o resto do grupo sem prestar muita atenção neles, ele podia sentir o perigo no ar.
Os outros chegaram a mesma conclusão. Se Xanxus estava ali eles poderiam derrotá-lo e evitar toda a confusão que certamente se seguiria. Mas nenhum deles tinha a menor ilusão de que isso seria possível. Basil estava certo, eles certamente estavam em outro nível.
“Aqui não é lugar para crianças... Dêem logo o fora daqui.” A intensidade no olhar de Xanxus fez toda a Vongola recuar um passo.
“Reborn....” Tsuna sente o desespero crescer.
Não havia nada que eles pudessem fazer ali, agora e nem depois. Pensando bem, Tsuna nem fora capaz de derrotar Mukuro, se Chrome não tivesse intervindo ele provavelmente teria sido fatiado.
Tsuna olhou em volta, todos estavam igual ou num desespero tão grande quanto ele. Não era a hora de se retirar? Se todos viam a diferença entre uma gangue e a máfia talvez esse fosse o momento.
“Maa maa, são vocês que estão invadindo o território”. Dino disse num tom sério enquanto se aproximava. Ele pousa a mão no ombro de Tsuna que pára de tremer. “Xanxus, Squalo, há quanto tempo”. Ele da um sorriso duro para os dois.
Hibari e Basil se aproximam entre os subordinados de Dino.
“Eis que chega mais lixo.” Resmunga Xanxus fazendo uma careta de desagrado. “Não devia estar preocupado com sua própria área?”
“Sim, mas um bom chefe deve se preocupar com seus aliados”. Dino passa a mão na cabeça de Tsuna e se coloca na frente do grupo da Vongola. “Não concorda?”
“Dino-san...”. Tsuna respira aliviado.
“ ‘Aliados’? Essas crianças?”
“Sim, a Vongola”. Dino da um leve sorriso para o grupo.
Hibari se coloca ao lado de Dino.
“Ei você, nós não terminamos a nossa luta”. Diz olhando para Squalo.
“Ushishi, acho que achamos quem espantou o Squalo da missão de captura”. Diz olhando para Basil que também se colocava na linha da frente.
“Que vergonha, Squalo. Vencido por um menininho.”
“Você perdeu toda e qualquer moral.” Comenta o encapuzado.
“Oe Bel seu maldito, não fale como se você tivesse lutado. E você Lussuria não deveria julgar pelo tamanho!” Grita apontando o dedo na direção de Hibari que só sentia a irritação aumentar. “Há, como se você pudesse falar alguma coisa Mammon, só se mexe quando tem dinheiro envolvido”.
Xanxus começa a gargalhar de forma alta, chamando atenção de todos presentes. Uma mão cobre seus olhos.
“Seus aliados são essas crianças?” Ele diz quando para de rir, embora ainda tivesse a expressão afetada de antes. “São piores do que lixo, você é digno de pena, Cavallone.” Diz encarando Dino por entre os dedos.
Xanxus se levanta, encarando diretamente o grupo a sua frente. Os outros seis que o acompanhavam e estavam relaxados até então, se endireitam.
“Eu queria ver o sujeito que derrotou esse lixo aqui.” Diz apontando para Squalo com o polegar. “Mas joguei meu tempo fora. Vocês são tão insignificantes que não valem a pena. Me fizeram até perder a vontade de matar esse moleque.” Agora seu olhar caia sobre Basil.
Basil até entra em pose de defesa, mas Dino parecia despreocupado.
“Nós veremos isso ainda, Xanxus”. Dino passa a olhar para Squalo que parecia desconfortavelmente irritado depois do comentário do chefe.
“Continue brincando com os moleques, Cavallone. Eu vim aqui a negócios.” Diz se virando e se afastando. “Tire os rapazes daqui, Levi.” Diz balançando a mão.
Os outros vão seguindo, cada um conforme o próprio ritmo. Mammon se vira para um dos prédios que se erguiam sobre todos ali presentes e vê uma figura observando tudo.
Do topo do edifício, Reborn acompanhava todo o desenrolar dos fatos. Quando os membros da Varia se retiram, um deles volta a atenção para si.
Os olhares dos dois se cruzam.
“Esse não é... entendo. Então você ainda estava vivo.” Pensa Reborn.
“Uma pessoa problemática acaba de aparecer.” Resmunga Mammon, se juntando ao resto da Varia.
“Disse alguma coisa?” Bel pergunta assim que o outro se junta.
“As coisas por aqui vão ficar interessantes.” Comenta Mammon de forma enigmática.
“É?” Bel volta a olhar para a Vongola. “Não vejo como Shishishi”.
No começo de mais uma semana de aula, os ânimos da Vongola não eram os melhores. Embora o incidente com a Varia tenha terminado sem maiores confusões, e eles tivessem mais uma vez o controle do Centro Comercial, havia deixado um gosto ruim.
A cúpula da Vongola estava se reunindo em seu canto costumeiro, quando os passos apressados de uma outra pessoa os alcança.
“Gokudera-san!” Grita Haru correndo para alcançar o trio, a caixa do bento negra debaixo do braço. Ao alcançar o grupo, ela se apóia nos joelhos, arfando.
Gokudera se vira para a garota. Yamamoto sorri e decide seguir para o telhado com Tsuna mais cedo.
“Sabe, eu não preciso disso.” Diz Gokudera, que já estava incomodado com o que a garota estava transformando em um habito.
Desde que ele retornara do hospital, Haru preparava um bento para ele. Todos os dias ela o entregava na hora do intervalo. Pelo menos ela nunca bateu em sua porta e os entregou em sua casa, isso seria perturbador.
Mas o raciocínio que ela havia utilizado, de que ele estava se recuperando já havia perdido a validade. Ele já estava bem. E ao contrário do que ela parecia insinuar, ele não estava traumatizado ou coisa parecida.
“Como assim? Todos precisam almoçar. Não me diga que pretende pular refeições, isso não é saudável.” Diz Haru com naturalidade.
“Eu estou dizendo que não preciso que você me faça um bento todo dia.” Gokudera já começava a perder a paciência.
“Mas você nunca traz o seu. Também não te vejo comprando nada.” Diz Haru com o indicador no queixo.
“Claro, você sempre me faz uma porção gigantesca!” Explode Gokudera.
“Ah! Gokudera-san come tudo então?” Pergunta Haru sorrindo.
Gokudera trava com a reação da garota. Ele da um tapa na própria testa. Como a mente dessa garota trabalhava era algo que estava alem de sua compreensão.
“De qualquer forma eu não preciso disso. É um incomodo.” Gokudera cruza os braços.
“Não seja grosso.” Haru empurra o bento nos braços de Gokudera.
“Eu disse que não quero!”
“Faz bem para você!”
“Não seja teimosa, mulher estúpida!”
“Não me insulte!”
“Não insista, idiota!”
“Espero que você não beije sua mãe com essa boca.”
Os dois continuam a berrar no meio do corredor, empurrando o bento um para o outro.
“Eles se dão bem mesmo.” Conclui Yamamoto, ouvindo os gritos do telhado.
Tsuna deu apenas um sorriso sem graça, ele não estava muito a fim de dizer que aquilo não era se dar bem.
Alguns minutos depois Gokudera se junta ao grupo e é recebido com assovios de Lambo.
“Nem comece.” Grunhe Gokudera se sentando, visivelmente mal humorado.
Tsuna estava inquieto, ele olhava para os lados o tempo todo como se esperasse Reborn aparecer magicamente e resolver os problemas. Na verdade, ele bem esperava que isso fosse acontecer, mas o próprio Reborn havia dito pra eles não se meterem.
Os cinco comiam em silêncio, suas mentes voltadas para os acontecimentos daquela noite. Apesar do que haviam dito a Dino, nenhum deles se sentia capaz de manter a promessa. O ar pesava e o céu ensolarado parecia cinzento.
“Nós... precisamos fazer algo a respeito, não?” Pergunta Lambo, quebrando o silêncio. Não era realmente uma pergunta, apenas uma tentativa de quebrar o gelo.
“Aqueles caras eram realmente fortes.” Diz Yamamoto de forma semelhante a Lambo.
“Nós estamos tremendo feito gatinhos debaixo da chuva, e eles nem fizeram nada. Isso é ridículo.” Argumenta Gokudera, sem a sua vivacidade de sempre.
“Eu já estive em muitas lutas, tanto nas ruas quanto nos ringues.” Diz Ryohei. “Mas nunca senti nada como o que senti perto daqueles caras. O nível deles era muito diferente do nosso.” Ele se vira para Gokudera. “Você também sentiu isso. Não foi nem preciso trocar golpes.”
Gokudera desvia o olhar, estalando a língua. Ele não queria admitir, mas Ryohei estava certo. Xanxus não fez nada. Nenhum deles fez absolutamente nada, e haviam prendido a todos em um feitiço de terror profundo.
“M-mas o Reborn concordou em nos treinar, certo?” Tsuna diz mais para si mesmo do que para os demais. “S-se o Dino-san conseguir segurar a Varia, o-o próprio comitê de disciplina vai ajudar, não é? Nós poderemos treinar com o Reborn, se nós conseguirmos completar o treinamento... A gente vence?”
“Falando nisso Tsuna, você treinou com ele não foi?” Pergunta Yamamoto cruzando os braços.
“Ah”. Ele se lembra do perrengue que passou tentando escalar o paredão e das vezes em que quase perdera a vida ao despencar de lá. “Sim”. Diz com uma careta.
“Como foi? Deve ter sido incrível.” Ryohei estava se animando.
“O 10º conseguiu derrotar aquele Mukuro que nenhum de nós havia vencido.” Gokudera assente, relembrando os fatos.
“Não foi nada incrível”. Resmunga de boca cheia. “Mas eu...” Ele rapidamente se lembra de Mukuro e Chrome. “Não fui eu quem derrotou o Mukuro”. Pensa com um sorriso. “Mas como será que o Reborn vai nos treinar? Quer dizer, nós estamos em 5, é impossível, não?”
“Não seria impossível, mas levaria tempo demais.” A voz grave de Reborn chega aos ouvidos dos cinco Vongola vinda da caixa d’agua.
“Reborn!” Tsuna grita dando um salto. “E o que nós vamos fazer?” Pergunta bagunçando os próprios cabelos.
“Ao ver pelo jeito como estão, posso dizer que a Varia deixou uma impressão bem forte em vocês.” Os rapazes desviam os olhos. Todos estavam dolorosamente cientes disso. “Bem, não podemos deixar isso assim.” Um sorriso enigmático surge no rosto do hitman.
“Tenho um mau pressentimento”. Tsuna murmura pra si mesmo.
“Reborn-san irá nos treinar também?” Pergunta Gokudera empolgado.
“Não. Como já comecei o treinamento com Tsuna, é melhor que continue assim.”
Tsuna parecia sofrer sozinho enquanto se via escalando e despencando de paredões.
“Mas vou arranjar alguns conhecidos para dar um jeito em vocês.”
“Conhecidos de Reborn-san?” Indaga Lambo.
Yamamoto da uma risada ao imaginar uma série de caras usando ternos e chapéus negros.
“É isso aí! Dessa vez eles irão sentir a nossa força! Máfia italiana ou o que seja, preparem-se!” Grita Ryohei em chamas.
“Não diga isso em voz alta, por favor!” Tsuna pede sacudindo desesperadamente os braços.
“Sinto que estamos para fazer algo interessante outra vez.” Comenta Yamamoto.
“Isso requer algo especial.” Sugere Gokudera. “Vamos mostrar que a Vongola está unida em todos os sentidos.”
“Tatuagens de gangues!” Lambo levanta a mão como um aluno ansioso por responder a pergunta que seu professor ainda não terminou de fazer.
“Exatamente o que eu tinha em mente!” Gokudera tinha um sorriso brilhante.
“Só porque vocês são meio delinqüentes não tentem vender essa idéia pra pessoas normais”. Tsuna faz uma careta enquanto dispensava com a mão. “Além do mais, eu já disse que isso deve doer muito sem falar na Kyoko-chan... O que ela iria pensar se me visse com uma tatuagem tão chamativa como a do Dino-san?”
Na educação física...
“Tsu-kun, i-isso é...” Uma Kyoko chocada e com as mãos sobre a boca aponta para a gigante tatuagem de um dragão que envolvia todo o braço de Tsuna.
“E-eu posso explicar!”
Ele tenta se aproximar, mas ela evita o contato encolhendo os ombros.
“Não! Por favor, fique longe de mim!” E sai correndo.
No primeiro encontro...
Era um dia de sol e Tsuna não pôde evitar de sair com camisas sem mangas que mostravam a tatuagem.
“Tsuna-kun... você... você está envolvido com gangues?” A doce Kyoko pergunta assustada.
“Eu...” Ele olha dentro dos olhos de sua querida Kyoko. Não. Ele não conseguiria mentir, mas também não tinha coragem de dizer a verdade.
“Tsuna-kun se envolvendo em coisas tão perigosas, eu sinto muito... Por favor, não fale mais comigo”.
Numa situação heróica.
“Eu vou protegê-la, não importa o que aconteça”. Tsuna diz em meio à dor e a agonia enquanto se colocava na frente de Kyoko.
“Tsuna-kun!”
“I-isso não é nada” Ele diz fazendo uma careta de quem está bem quando na verdade não estava.
“S-seu braço”. Ela aponta para a visível tatuagem agora que o tecido da manga havia sido cortado.
“Eu queria ter dito isso antes, eu sinto muito Kyoko-chan, na verdade eu sou--!”
“Por favor, esqueçam essa idéia”. Tsuna pede basicamente implorando.
“Pois é... já tivemos essa discussão antes...” Relembra Yamamoto.
Gokudera faz uma pose pensativa tentando achar alguma coisa que não seria rejeitada.
“Então o que eu posso sugerir que não será rejeitado? Pensa Hayato, pense! Algo que não seja permanente para não incomodar ninguém... Brincos? Hmm... por mais que seja uma boa idéia, ainda parece algo que o 10º vetaria... algo mais fácil... jaquetas? O que nós somos, um clube de motoqueiros? Vamos, pense... pense...”
“Que tal anéis? Ninguém teria problemas com anéis, certo?” Sugere Lambo.
“Isso! É perfeito!” Grita Gokudera. “Anéis personalizados, feitos unicamente para os mais graduados da Vongola.”
“Anéis, huh? Discreto e chamativo ao mesmo tempo.” Yamamoto pensava em voz alta. “Eu gostei.” Diz sorrindo.
“Um monte dos rapazes já usa vários mesmo. Até você.” Ryohei aponta para as mãos de Gokudera.
Tsuna olha para os anéis de caveira e tenta não fazer uma careta. Reborn, que apenas acompanhava a cena sem prestar muita atenção, não consegue deixar se sorrir ao ouvir a proposta enquanto se lembrava de quando tinha a idade deles.
“Eu conheço alguém que pode fazer um trabalho impecável.”
“Faria isso pela gente, Reborn-san?” Gokudera tinha os olhos brilhando.
Reborn dirige seu olhar para Tsuna. Os demais acompanham o movimento.
“Será que ele está falando da mesma pessoa que fez as luvas? Desse jeito os anéis vão se tornar algo perigoso...” Ele repara desconfortavelmente nos olhares sobre si. “Ahahaha, c-claro”. E internamente faz uma careta. “Será que ele lê pensamentos?”
“Isso! Eu vou preparar os designs, deixe comigo 10º, será algo digno da Vongola!” Gokudera deixa o telhado correndo. Lambo se levanta e segue atrás, igualmente empolgado.
“Não sei porque me sinto bem mais tranqüilo agora.” Comenta Yamamoto dando uma espreguiçada.
“De alguma forma eu acho que algo perigoso vai acontecer...” Tsuna pena suspirando. “O Dino-san está ausente, ne?”
“Ele quase nunca vem. Como ele consegue acompanhar as aulas?” Se pergunta Ryohei.
Muitas horas depois, na distante Itália, em um belo e caro restaurante um sujeito de cabelos loiros e roupas que menos que apropriadas para o local brincava com o guarda-chuva de sua bebida.
Sentado no bar, ele ignorava os olhares reprovadores de alguns dos clientes. Entretanto, nenhum dos empregados o olhava do mesmo jeito. Eles sabiam quem era o sujeito e não queriam encrenca.
A porta da frente se abre e o maitre atende o recém chegado. O sujeito o reconhece, o vendo pelo reflexo na taça de cristal.
“Yo Reborn, já faz muito tempo. Kora.” Diz acenando sem se virar.
Reborn saca sua pistola e atira na taça. Todos no local ficam encarando o hitman na entrada sem saber como reagir. O sujeito no bar cai pra frente empurrando o banco elevado e o usando como escudo contra o segundo disparo.
Ele chuta o banco contra Reborn que se move apenas o suficiente para evitar ser atingido. O sujeito aproveita a curta distração para sacar sua própria arma e abrir fogo. Reborn corre para a esquerda e sobre na mesa mais próxima, atirando contra o sujeito.
O outro levanta outro banco com um pé, servindo de escudo contra mais alguns disparos, e se esconde atrás do bar. Reborn corre de uma mesa para outra, de alguma forma evitando sujar os pés nas refeições alheias.
As pessoas decidem que agora que a entrada estava livre era seguro para saírem e fogem com rapidez que provavelmente nunca tiveram em suas vidas.
De trás do bar, o outro continua a atirar contra Reborn. Com apenas a arma para fora, sem se expor, ele consegue dizer com precisão o caminho que o hitman seguia. Reborn escapa os tiros por pouco, antes de disparar contra as garrafas exibidas no bar, espalhando vidro e álcool por todo o lugar.
Reborn se aproxima do bar e aponta a arma na cabeça do sujeito, que tinha o mesmo gesto.
“Não pode atirar sem balas.” Reborn tinha seu usual sorriso lateral.
“Nem você. Kora.” O sujeito tinha um sorriso confiante.
“Não importa como veja, você perdeu.” Reborn mostra um isqueiro acesso em sua mão esquerda.
“Você está se esquecendo que aqui é a minha casa. Kora.” O sujeito traz uma mão que estava enfiada dentro de um gabinete com uma granada.
Os dois ficam se encarando por algum tempo antes de abafarem as risadas.
“Bom ver você também, Colonello.”
Os dois guardam as armas. Reborn se senta em um dos bancos ainda em pé.
“O que vai ser?” Pergunta Colonello apanhando um pano, um copo e brincando de barmen.
“O de sempre.”
Colonello se vira e percebe que algumas garrafas específicas não foram destruídas.
“Você ainda teve tempo de se preocupar com isso? Kora.”
“Eu sou o melhor hitman do mundo.” Responde com simplicidade. “A Lal não deveria estar com você?”
“Ela deve aparecer cedo ou tarde. Kora.”
Continua...
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