Depois de se despedir de seus amigos, Tsuna entra em casa cansado e arrastando a mochila de qualquer jeito.

“Tsu-kun, você chegou tarde”. Nana aparece acendendo a luz do cômodo.

“Me desculpe, eu perdi a hora dessa vez”. Tsuna da um sorriso torto. Ele não costumava mentir para a mãe, mas estava fora de cogitação dizer que havia entrado em uma gangue.

Ou pior, que era chefe de uma.

“Desde que você esteja se divertindo não tem problema”. Ela diz com um sorriso reconfortante.

Tsuna apenas concorda com um aceno de cabeça e começa a subir as escadas para o quarto.

“Tsu-kun, você não vai jantar?” Nana pergunta no pé da escada.

“N-não, eu comi na rua”. Ele grita antes de fechar a porta do quarto e se atirar na cama confortável. Ele só queria dormir.

Na escuridão do quarto, ele fica encarando o nada por algum tempo até que se vira, passando a olhar para a parede.

“Eu não entendo…” Ele murmura abraçando os joelhos, se fechando numa concha. Rapidamente a imagem de seus novos amigos lhe vem à mente. “Se eles souberem que eu não sou apto pra ser o chefe da Vongola, provavelmente o Gokudera iria me matar”. Diz rindo sem vontade. “O Yamamoto nunca mais falaria comigo e o Onii-san… acho melhor nem pensar nisso”.

Ele se vira novamente na cama, dessa vez passando a olhar para o teto. Ele se lembra do sorriso agradável de Kyoko.

“O que a Kyoko-chan deve pensar de mim?” Ele se pergunta fechando os olhos.

“Se você morre sem um arrependimento, a Shinu ki Dan não funciona e você simplesmente morre.”

As palavras de Reborn o fazem sentir um calafrio desagradável.

“Se eu realmente morresse os meus maiores arrependimentos provavelmente seriam… hm… Nunca ter me declarado pra Kyoko-chan seria o número um. Nunca ter contado a verdade para todo mundo talvez o número dois. Talvez não estudar para os testes… Eu ainda não experimentei todos os tipos de onigiris…” Ele pára a contagem e sorri para o nada. “Reborn, você disse coisas realmente assustadoras, agora eu não vou mais conseguir dormir”. Ele reclama antes de fechar os olhos e tentar pegar no sono.

Na manhã seguinte, Tsuna acorda com o barulho do despertador. Apos mais alguns minutos de enrolação, ele se levanta e desce as escadas sentindo um cheiro agradável vindo da cozinha.

“Ah Tsu-kun, você acordou cedo”. Nana estava sorridente como sempre.

“B-bom dia”. Tsuna a cumprimenta ainda sonolento.

“Bom dia”. Nana sorri e volta a mexer na panela.

“Não tem comida demais aí?” Pergunta finalmente reparando no excesso.

“Sim, você pode levar um pouco para os seus amigos”.

Tsuna recuou com a cadeira, quase caindo ao ficar apoiado nos dois pés.

“Será que ela viu? Bom, era só o Gokudera-kun e o Yamamoto, se bem que o Gokudera tem cara de delinqüente!”

“Você quer que eu coloque uns onigiris a mais?”

“Hai”. Tsuna responde sem nem ter ouvido direito a pergunta.

“Tsu-kun parece que está nas nuvens”. Nana comenta para ninguém, enquanto observava o filho voltar a se distrair com o que quer que estivesse ocupando sua mente.

No colégio, durante a hora do intervalo, os quatro membros principais da Vongola estavam reunidos em seu cantinho. Lambo não se juntou a eles.

“Sua mãe faz sabe fazer onigiris, hm.” Comenta Yamamoto com gosto.

“É de se esperar. Afinal é a mãe do 10º.” Diz Gokudera com uma lógica estranha.

“Você e seu pai são pessoas de sorte.” Diz Ryohei devorando dois onigiris ao mesmo tempo.

Tsuna escondia um sorriso por trás de um onigiri. Ao menos era algo que ele podia fazer por eles.

“Vocês podem comer o quanto quiserem”. Ele empurrou o restante dos onigiris para os três. “Meu pai com certeza deve ter casado com a minha mãe por causa da comida. Não sei o que a minha mãe viu de bom naquele homem folgado”.

“““Itadakimasu!”””

Os três comem sem cerimônia.

“Eu estava pensando...” Diz Gokudera entre uma mordida e outra. “Nós deveríamos fazer algum tipo de pacto.”

“Pacto? O que é isso?” Pergunta Ryohei.

“Você sabe, algo que nós todos fazemos de acordo.” Responde com uma veia saltando. Sua paciência estava sendo testada.

“Tipo um circulo de confiança ou coisa do gênero?” Pergunta Yamamoto.

“Não era bem o que eu tinha em mente.”

“Então o que?”

“Que tal uma tatuagem do brasão da Vongola?”

“T-tatuagem?” Tsuna de repente se lembra da tatuagem no braço de Dino. “Gokudera-kun, eu não sou um delinqüente”.

“Oh, parece interessante.” Diz Yamamoto empolgado com a idéia.

Ryohei faz uma pose de pensamento profundo. Ele não parecia tão empolgado quanto os outros dois. E isso fez Tsuna ter alguma esperança.

“Isso não...er...dói?” Tsuna pergunta já encolhendo os ombros ao imaginar o tamanho da agulha.

“Aquilo não é nada. Nem pode ser chamado de dor.” Diz Gokudera dando um tapa no braço esquerdo.

“Parece que você já tem experiência.” Comenta Yamamoto.

“É claro! Um verdadeiro membro de gangue precisa de uma tatuagem.”

“Nós não somos a Yakuza!” Tsuna tentava não se desesperar. “Gokudera-kun, onde você tem uma tatuagem?” Ele tentava a todo custo tirar a idéia de um dragão nas costas.

“Bem aqui.” Diz batendo no mesmo lugar. Ele tira o casaco e enrola a manga da camisa. Havia três delas, uma de aspecto tribal, uma que lembrava o símbolo pirata da caveira e ossos, mas estilizada e com uma rosa entre os dentes. A terceira era um jaguar com chamas nas patas. “Legal, né?”

“Uau”. Tsuna basicamente estava debruçado, quase com a cara em cima do braço de Gokudera. “Sugoi”.

“Muito. Eu até faria, mas meu pai não iria deixar.” Comenta Yamamoto.

“Seu pai, quantos anos você tem?” Gokudera estava nervoso.

“Hahaha, se você conhecesse meu pai.”

“Não iria pegar bem se eu aparecesse com uma tatuagem.” Comenta Ryohei depois de ter pensado muito.

“Verdade, na hora você fica só com o calção. Ficaria visível para todos.” Diz Yamamoto.

“Qual o sentido de uma tatuagem se não for para mostrar? Alem disso existem boxeadores famosos que tem tatuagens.” Argumenta Gokudera.

“Nenhum deles é membro de gangue.” Responde Ryohei.

“Bom... faz sentido.” Gokudera cruza os braços contrariado. Não esperava que sua idéia fosse ser vetada. “Então 10º e eu. Vamos fazer uma tatuagem!” Diz pegando as mãos de Tsuna com os olhos brilhando enquanto via a si mesmo e Tsuna com o emblema da Vongola gigante em suas costas.

“Hehehe... Acho que eu não agüentaria a dor”. Tsuna da um sorriso amarelo. “E também se a minha mãe descobrisse eu não teria como explicar que faço parte de uma gangue”. Diz meio envergonhado por sua resposta parecer tão infantil.

Gokudera se apoiava com ambas as mãos no chão. De repente parecia-lhe que todo o mundo se apagou e havia somente uma luz sobre sua cabeça.

“Rejeitado... rejeitado... rejeitado...”

“Vamos Gokudera-kun anime-se”. Tsuna tenta reconfortá-lo. “Eu fico feliz que você possa fazer essas tatuagens legais”. “Ainda que assim você fique parecendo ainda mais um delinqüente”.

Gokudera continuava a murmurar sem se mover.

“Deixa, Tsuna. Daqui a pouco ele melhora.” Diz Yamamoto apanhando o onigiri meio comido de Gokudera.

Era uma noite tranqüila em Namimori. A maior parte das gangues parece ter decidido ficar em casa. Graças a isso, havia uma maior circulação de pessoas normais.

O quartel da Família Castor ficava em um prédio de três andares abandonado. A tempos ninguém mais morava ali, e quando a Família se formou, eles passaram a usar o lugar como sua base.

A Família Castor era considerada uma das maiores e mais fortes de Namimori. Sua área de influencia se dava principalmente na região sul da cidade. Naquela noite, eles estavam em grande maioria na base, pois era o aniversario de seu chefe, Dentinho, listado como um dos cinco mais fortes de Namimori.

Eles comemoravam, até uma neblina rapidamente subir por todo o prédio.

“O que é isso? Vocês trouxeram uma maquina de gelo seco?”

“Eu não me lembro disso.”

“Não pisa no meu pé.”

A neblina ficava mais e mais espessa e chegou ao ponto que eles mal conseguiam ver as próprias mãos. Do primeiro andar, sons abafados de gritos chegam aos seus ouvidos.

“É um ataque, rápido, mexam-se!”

Apesar do comando, por causa da neblina espessa eles não achavam o caminho correto e acabavam trombando uns com os outros ou dando de cara nas paredes. Os gritos foram subindo para o segundo andar e logo já estavam na escada que dava ao terceiro andar.

“Mas que diabos..?”

Ao ver um de seus subordinados sendo arremessado sobre sua cabeça, Dentinho corre para a porta que dava para o telhado. De lá era possível ver a noite na cidade. A neblina não subiu até lá, mas ele podia ver. Ela estava toda concentrada no prédio e saia pelas janelas.

“Então é mesmo um ataque...”

Kufufu... então é assim que o chefe age? Corre ao primeiro sinal de perigo?

Uma voz misteriosa ecoa.

“O que...? Quem?”

Você não precisa saber... afinal não vai passar dessa noite.

A noite continua.

Na manhã seguinte no colégio Namimori, o motivo de tanto barulho do lado de fora era simples. Aula de educação física. E o tempo estava colaborando para o azar de Tsuna que rezara por uma manhã fria e chuvosa.

Não havia explicação nenhuma, mas Tsuna parecia ainda querer esconder todas suas habilidades e ficava agindo como o Dame-Tsuna mesmo que todos soubessem de seus feitos. Ao menos era assim que as pessoas que observavam o desastre e a descoordenação do chefe da Vongola.

“Eu gostaria que eles entendessem que eu realmente não tenho talento pra essas coisas”. Tsuna faz uma careta e vai para o banco de reserva, onde sua colega de classe estava encolhida.

Chrome Dokuro era uma menina silenciosa que sentava nos fundos e estava sempre agarrada à mochila como se fosse um item precioso. E da ultima vez que alguma garota tentou mexer com ela por causa disso, simplesmente parara de freqüentar o colégio.

“Ela seria mais popular se sorrisse às vezes”. Tsuna se senta ao lado de Chrome que nem se resigna a levantar o rosto. Ela continuava com o queixo apoiado no joelho e as mãos abraçando a perna que estava dobrada, ela mexia o pé da perna que estava esticada.

“O que foi?” Ela pergunta com a voz baixa, fazendo com que Tsuna se aproximasse mais um pouco para ouvi-la.

“O que?” Tsuna pergunta, embora não tivesse certeza se ela realmente falara com ele.

“Você está me olhando”. Ela diz deitando a cabeça no joelho e passando a olhar para Tsuna que da um sorriso sem graça e fica com bochechas coradas.

“Você não vai fazer aula de novo”. Ele disse olhando para ela que apesar disso usava o uniforme de ginástica.

“Não”. Essa era a reposta que ela sempre dava. “Eu não posso”. Ela continuou pela primeira vez.

“P-por quê?” Tsuna não queria ser nenhum enxerido e não sabia se ela iria responder ou virar o rosto para o lado e assim ficar em silêncio pelo restante do tempo.

“Eu não posso me esforçar demais”. Ela diz com simplicidade.

“E você não se incomoda de ver todos fazendo aula?” Ele diz se sentindo magoado.

“Não”.

“Mas... Você está usando o uniforme não está?” Tsuna insistiu ainda infeliz com as palavras dela.

Chrome fica o encarando com os olhos arregalados. E Tsuna percebeu que talvez tivesse falado demais. Mas ao menos ele entendia os sentimentos dela.

“Espere um pouco”. Tsuna se afasta e Chrome abaixa a cabeça, encostando a testa no joelho e passa a mover o pé da perna que estava livre para frente e para trás num ritmo mais rápido do que normalmente fazia.

Não demora muito para que Tsuna apareça. Ele pára na frente de Chrome e ela ergue o rosto devagar.

“Vamos jogar”. Ele diz com um sorriso estendendo uma bola de vôlei.

“Você... quer jogar comigo?” Ela pergunta com os olhos tão arregalados quanto antes.

“Sim, se isso não for te fazer se esforçar demais”. Ele diz descrente das próprias palavras, pois ela parecia muito animada.

“Obrigada”. Ela diz com a voz novamente baixa enquanto se levantava. “Tsunayoshi”. Ela o chama pela primeira vez, fazendo com que Tsuna a olhasse com surpresa e com o rosto mais corado do que o normal. “O que nós vamos jogar?”

“Q-qualquer coisa”. Ele diz ainda meio abobalhado. “Kawaii, ela é tão bonita”.

Chrome apenas se afasta, os deixando com alguns metros de distância, enquanto eles começam um jogo simples de arremessos. Tsuna se esforçava para mandar as bolas bem na altura de Chrome sem que ela precisasse correr para os lados para pegar ou pular.

“M-me desculpe”. Ela murmura com o rosto vermelho quando manda uma bola muito alta.

“Sem problemas”. Tsuna apenas corre para pegar a bola.

Eles continuam naquele jogo até que Tsuna percebe que ela estava sorrindo enquanto mandava as bolas. Era a primeira vez que ele a via sorrindo.

Apesar de serem da mesma sala, Tsuna não costumava reparar nas pessoas, mas depois de algumas aulas de educação física onde eles dividiam o banco. Ele passara a sentir que eles eram iguais. Pois pareciam completamente perdidos naquele ambiente.

O sinal bate encerrando a aula. Chrome e Tsuna estavam sentados no chão, tão cansados quanto os demais alunos.

“Eu vou me trocar agora”. Ela disse se levantando.

“Hai”. Tsuna também decide se levantar e segue para o vestiário.

“Você parece contente.” Diz Mukuro se aproximando.

Mukuro não era da mesma classe que eles dois, então sua presença ali indicava que ele estava, de novo, matando aula. De repente Tsuna não estava nem um pouco contente.

“Hai...” Mukuro o assustava, havia alguma coisa nele que o fazia se sentir mal.

“Quebrar a rotina é sempre uma experiência agradável, não concorda?” Ele pergunta com um sorriso enigmático.

“Eu acho que sim...”. Ele murmurou não gostando nem um pouco do sorriso que ele exibia.

“Mas, você devia tomar cuidado. Algumas decisões podem não ter volta.” E com isso ele volta por onde veio, mas antes de se afastar, ele pára e diz por cima do ombro. “Pense bem sobre nisso, Sawada Tsunayoshi.” E ele se afasta de vez com sua risadinha kufufu.

“Ah esse cara de me da arrepios”. Tsuna murmura bagunçando os próprios cabelos.

Algum tempo depois o sinal toca novamente indicando que o intervalo havia começado. A maioria dos alunos segue para o refeitório, outros aproveitam para tomar conta da quadra antes de outros aparecessem.

Mas Tsuna ainda estava afetado pela presença de Mukuro, na verdade, ele estava tentando entender do que ele estava falando. Quer dizer, era muito suspeito que ele aparecesse bem quando Tsuna havia finalmente conseguido se aproximar um pouco mais de Chrome.

“Eu não entendo!” Tsuna decide apenas seguir para a cobertura do prédio onde poderia lanchar com Yamamoto e Gokudera, mas ao ver Chrome saindo do vestiário ele acaba se aproximando mesmo sem ter nada para dizer.

“Tsunayoshi”.

“C-chrome, você está indo comer agora?”

“Não, estou indo me encontrar com o Mukuro-Sama”. Ela diz como se aquilo fosse uma resposta definitiva para ir embora sem precisar responder mais nada.

“Ah... Você tomou café da manhã?” Ele insiste apesar de se sentir desconfortável por ouvir o nome de Mukuro.

“Eu...” O estômago de Chrome acaba roncando. Ela abaixa o rosto completamente envergonhada.

“Aqui”. Tsuna estende um pacote para ela.

“O que é isso?” Ela pergunta ainda com o rosto vermelho, aceitando a entrega.

“Onigiris, eu não sou muito bom nisso, por isso talvez eles não estejam muito bons”. Diz coçando o rosto meio sem graça. “Essa não. Por que eu acabei contando que fui eu quem fiz? Vai parecer que eu estou dando em cima dela. Aaaah Kyoko-chan me desculpe!”

“Você fez isso pra mim?” Ela pergunta o olhando receosa.

“N-não”. Ele balança a mão negativamente. “E-eu apenas fiz um pouco demais e depois da aula e-eu imaginei que você estivesse com fome”. “Ah o que eu estou fazendo?”

“Oh”. Ela diz simplesmente. “Você não vai ficar com fome se me der esses?” Ela pergunta abraçando o embrulho.

“N-não se preocupe, eu ainda tenho alguns”.

Eles ficam em silêncio por algum tempo, apenas ouvindo meias frases de pessoas que passavam por eles.

“Eu vou indo agora”. Ela diz encolhendo os ombros e começando a se afastar, mas então ela se vira e se aproxima novamente. “Obrigada, Tsunayoshi”. Ela diz antes de dar um beijo na bochecha dele e se afastar de vez.

Tsuna fica parado com cara de idiota, tocando no lugar que fora beijado. Quando Chrome desaparece no meio das pessoas, ele volta a si.

“E-eu acho que o Mukuro vai me matar...ha haha ha...”

O grupo de Mukuro usava uma das salas para almoçar. A sala que eles escolhiam era uma que quase sempre estava vazia. Por coincidência as pessoas dessa classe pareciam gostar de almoçar em outros lugares, e os quatro aproveitavam para invadir o local que não era de nenhum deles.

Os quatro almoçavam em silêncio, exceto por alguma estupidez ocasional dita por Ken.

“Hoje à noite nós seguimos com o plano.”

“Entendido.” Responde Chikusa ajeitando os óculos.

“Haaai”. MM concorda batendo continência.

A porta da sala se abre e Chrome entra segurando o pacote que Tsuna entregara.

“Acho que estou atrasada”. Ela murmura baixo enquanto fechava a porta.

“Hmm, o que é isso?” Pergunta Mukuro ao bater os olhos no bento. “Por acaso foi alguma admiradora secreta?” Mukuro se divertia com a idéia de alguma garota corada entregando um almoço a Chrome.

Chrome apenas encolhe os ombros e abraça o embrulho protetoramente.

“Eu acho que foi um belo rapaz que entregou isso”. MM provoca.

Chrome ergue o rosto na direção de MM que faz uma careta.

“O que? Eu acertei?” Ela pergunta rindo ao ver a expressão surpresa da garota. “Você sabe que se estiver num relacionamento desse tipo, eu e o Mukuro-chan podemos--”

“Não é nada disso!” Ela grita ainda abraçando o lanche.

MM mostra a língua e desiste de implicar com ela.

“Ninguém vai te forçar a falar se você não quiser, Chrome.” Mukuro decide por um fim ao assunto. Chrome aparecendo com um bento que não era dela era uma coisa muito estranha, mas não era nada para se preocupar.

“Mukuro-Sama...” Chrome faz aquela cara de quem estava prestes a chorar.

“Você vai realmente comer isso?” Ken pergunta de boca cheia enquanto apontava para o bento que ela segurava como se fosse uma boneca.

“Aquilo não é seu.” Diz Chikusa que já estava cansado de ouvir sobre o almoço misterioso de Chrome.

“Mas é irritante vê-la segurando algo que está cheirando tão bem e nem vai tocar”. Diz terminando de engolir a comida.

“Você deveria comer só pra ver se está envenenado”. MM disse com um sorriso.

“Cale essa boca”. Ken resmunga e MM faz uma cara de que não é com ela.

Mukuro tinha um sorriso divertido no rosto. Esse pessoal tornava seus almoços tão interessantes.

“Sente-se Chrome. Ou seu almoço vai esfriar.” Pede Mukuro indicando a única cadeira vaga próxima a eles.

“Hai...” Ela ocupa o lugar e coloca o bento no colo e desfaz o laço. Ken estava basicamente de quatro, tentar ficar o mais próximo possível da comida. Ela tira a tampa e olha admirada para os onigiris bem feitos, gordinhos e de diferentes tipos.

“Itadakimasu!” Ken voa da cadeira e rouba um onigiri.

“Ken!” Chrome tenta se levantar, mas rapidamente percebe que se o fizesse derrubaria tudo no chão.

Chikusa acerta um ioiô na testa de Ken

“Não faça bagunça.”

“Eu não tô fazendo, Kaki-pii idiota”. Ken resmunga massageando a testa que estava vermelha. “Toma”. Ele estica a mão com o onigiri na direção de Chrome.

“...Pode comer”. Ela diz baixo.

“Arg, então porque fez tanta confusão quando eu peguei?!” Ele enfia todo o onigiri na boca. “Garota tonta”. Ele diz de boca cheia, cuspindo arroz.

“Seu porco”. MM tenta se proteger da chuva de comida.

“Que é!?” Ele grita mastigando de boca aberta.

“Mukuro-chan!” MM faz uma representação porca de Chrome quando está prestes a chorar e se pendura em Mukuro que estava sentado ao lado.

“Kufufu.” Mukuro ri, se divertindo com aquela bagunça.

Naquela noite o quarteto liderado por Mukuro avança para o norte de Namimori. A Família Irarref era a maior da região. Embora eles tivessem menos membros comparado com as outras grandes gangues, o fato de todos seus membros terem motos os tornava uma ameaça diferente.

Mas isso não fez muita diferença quando Mukuro lançou seu ataque.

“Peguem a cabeça desse cara!” Grita o líder da Família, brandindo uma espada de madeira.

“É inútil.” Mukuro estava de pé, no meio da rua, com seu tridente a mão.

Alem do chefe, mais duas motos vinham na direção de Mukuro. De repente as motos perdem o controle. Eles tentam se manter de pé, mas é inútil. As motos passam a pouca distância de Mukuro e seguem até derraparem, fazendo seus ocupantes rolarem no chão.

“Como ele fez isso...” Resmunga o líder arrancando o capacete rachado.

Pilares de fogo se erguem próximo dele, o cercando.

“Que porra é essa? Parece mais o inferno!”

“Inferno? Ainda é cedo demais para você fazer essa comparação.” Mukuro atravessa as chamas como se elas não estivessem lá.

O líder se arrasta para trás tentando manter distancia entre eles.

“Quem... quem diabos é você?!”

“Eu sou Rokudo Mukuro. O verdadeiro ilusionista.”

A noite continua.

No dia seguinte, as aulas prosseguem de forma normal. Porém os dois capitães da Vongola estavam estranhamente quietos. Havia nuvens pesadas sobre suas cabeças. O trio segue para seu canto costumeiro.

“Yamamoto, Gokudera-kun, vocês estão bem?” Tsuna pergunta quando finalmente teve a oportunidade.

Gokudera emite um resmungo que não dizia nada.

“É... as coisas vão mal, Tsuna...” Diz Yamamoto com uma expressão estranha. Ele parecia tentar dar seu sorriso despreocupado de sempre e estava falhando epicamente.

“O que está acontecendo?” Tsuna pergunta tentando entender o que poderia os incomodar, mas sua mente só trabalhava com conceitos simples, como trabalhos e notas. Coisas que ele mesmo estava preocupado.

“Ossu.” Cumprimenta Ryohei, o ultimo a chegar. Ele assume uma posição junto aos demais. Sua expressão também não era animadora. “Já ficou sabendo, Sawada?”

“Eu ia contar para ele agora.” Diz Yamamoto. Ryohei assente. “Você se lembra, Tsuna, do cara que você derrotou no inicio da semana passada?”

“H-hai”. Ele murmura com um sorriso torto ao se lembrar de que somente havia tropeçado numa latinha e depois num alface. “Não me diga que ele voltou!?” “Não tem chance de eu conseguir derrotar aquele cara e se o Reborn não aparecer na hora certa eu vou morrer!”

“Não, não. Nada disso.” Diz Ryohei balançando a mão. “Sawada, aquele cara era um dos cinco mais fortes de Namimori. Você já sabe disso.” Ele diz em um tom serio.

“Não, eu não acredito nisso.” Pensa com uma careta interior. “Então, q-qual o problema?”

“Alguém começou a perseguir os outros da lista. Dois já caíram essa semana.”

“Se for uma coisa entre gangues, é provável que deixem o Hibari de fora.” Acrescenta Yamamoto. “Mas, de qualquer forma, uma hora quem quer que esteja fazendo isso vai chegar até você.”

“EH!?” Os olhos de Tsuna basicamente saltam. “P-por que? Se estão derrotando os outros... Por que viriam atrás de mim?”

“Você venceu um dos cinco, você virou um dos cinco.” Diz Ryohei com simplicidade.

“O QUE!? Eu virei um dos cinco!?”

“É a lei.” Diz Ryohei. Yamamoto assente.

“Seu nome está se espalhando rapidamente, Tsuna. Em menos de duas semanas, assumiu o controle de uma gangue que estava perdendo feio, derrotou vários chefes pessoalmente inclusive um dos cinco. Se continuar desse jeito você pode se tornar rei de Namimori.” Diz Yamomoto agora com um sorriso legitimo.

“Não, não mesmo”. Tsuna murmura mais para si mesmo do que para os outros presentes. “Isso é impossível, totalmente impossível”.

“Mas o problema atual é esse. Algum grupo desconhecido esta mirando os chefões e os derrotando.” Explica Ryohei, ignorando Tsuna. “As gangues que eles comandavam estão em frangalhos, os caras não sabem o que fazer. Se bobear Namimori pode virar um caos completo.”

“O Hibari-san não deixaria isso acontecer, não, espere, Namimori já estava um caos. Não pode ficar pior, pode? Eu tive tanta tranqüilidade em ir pra casa esses dias”. Tsuna ficou mais algum tempo em silêncio, preso com seus próprios pensamentos. “E o que nós devemos fazer?” Ele perguntou olhando de forma suplicante para os três.

“Temos que encontrar o responsável por isso e acabar com o maldito!” Berra Gokudera se pronunciando pela primeira vez naquele almoço.

“Nós já estamos procurando informações, mas até agora nada. Não sabemos quem está comandando essa operação, nem quantas pessoas estão envolvidas.” Diz Yamamoto cruzando os braços.

“Não podemos perguntar para as pessoas de outras gangues? Ou até mesmo daquelas que foram atacadas?” Perguntou com receio de estar dizendo algo estúpido.

“Já tentamos isso...” Diz Ryohei com uma expressão sombria. “Mas nenhum deles dizia coisa com coisa. Era como se eles nem tivessem visto o que os atacou.”

“Então nós vamos... ficar esperando?” “Se o Reborn estiver por perto... Espera, essas coisas não deveriam ser grandes o bastante para interessá-lo? É isso, ele vai aparecer!” Tsuna começa a sorrir enquanto imaginava Reborn tomando conta da situação.

“10º...?” Gokudera fora o primeiro a perceber a expressão de Tsuna. Em uma situação como essa era natural estarem todos preocupados. Ele mesmo estava rachando os miolos em busca de uma solução tanto que só ouviu metade da conversa anterior, mas seu líder estava ali, sorrindo tranquilamente como se aquilo fosse uma historia antiga e engraçada.

“Vai ficar tudo bem”. Tsuna diz para si mesmo, ainda com um sorriso no rosto.

“Bom, se o Tsuna diz isso.” Diz Yamamoto com uma expressão de alivio.

“É isso ai Sawada! Não importa quem seja o adversário, um homem nunca foge de uma luta! Vamos acabar com eles ao extremo!”

Sasuga 10º! Não vamos nos deixar nos abater por tão pouco. A força da Vongola não é algo que pode ser subestimado.”

Naquela noite, Lambo passeava sem rumo pela cidade com uma garrafa de refrigerante na mão. Ele pensava em dar uma passada em sua sede. Agora território da Vongola. Embora ele não fosse mais o chefe, seus companheiros da Família Bovino ainda o respeitavam.

“Eu mantive o respeito e me livrei da responsabilidade de chefe... esse negócio foi mais lucrativo do que eu imaginava...”

Não demora muito para ele ouvir os sons de uma briga. Não, não era uma briga, e sim os gritos de uma multidão desesperada. Antes que seus sentidos de auto sobrevivência funcionasse, seus pés o arrastam até a fonte.

Escondido em uma esquina, ele vê a cena. Um pequeno grupo estava surrando o que era evidentemente uma gangue. Com seu conhecimento de gangues, Lambo descobre rapidamente a que Família eles pertenciam.

“Esses não são a Família Tifo, uma das cinco mais fortes?”

Então os boatos eram reais mesmo. Alguém estava caçando os mais fortes de Namimori. Mas o mais surpreendente era que era um grupo muito pequeno. Lambo conta quatro pessoas, todas usando o mesmo uniforme de seu colégio.

Ele queria se aproximar para distinguir melhor quem eram, mas se o fizesse seria visto. Por sorte pilares de chamas brotam do chão e ele consegue distinguir o rosto da pessoa que parecia ser o líder.

“Mukuro... Rokudo Mukuro é o caçador?”

Continua...