Kaos - O Encontro Com Eris
15 O Meio do Redemoinho
Notas iniciais
Aqui estávamos nós no meio de uma batalha tensa com deuses envolvidos. Jack estava pendurado no mastil segurando o baú de Jones. Jones então fez força e jogou Jack para o outro lado e ele saiu gritando e girando no ar. Não caia na água, não caia na água, pensei me aproximando da borda do navio para onde ele estava sendo levado, até que de repente houve um encontro no ar com um marujo esquisito do Holandês que se pendurava em uma corda. Jack bateu na cabeça dele, ele caiu e ele continuou girando. Jack então atirou na mão de Jones e ele acabou soltando o baú. O baú caiu sobre a cabeça de um marujo que tinha cabeça de caramujo. Saí correndo para pegar o baú, mas parei no meio do caminho, porque eu estava fazendo isso? Porque estava pegando a chave e o baú? Porque eu quero me envolver nisso? A verdade é que eu não quero, nem um pouco estar envolvida nisso. Olhei para a chave em minhas mãos.
Will então tirou a minha atenção quando pegou o baú. Eu segurei a chave e a escondi. Will saiu correndo, eu ia atrás dele, mas mudei de ideia e fiquei ali parada no meio do caos segurando a chave. Alguns marujos nojentos tentaram me atacar, mas eu me isolei no meio do navio, com meus cabelos flutuando levemente e com ninguém podendo se aproximar de mim. De repente fiquei absorta de toda aquela confusão, eu não ouvia nada ao meu redor também, eu estava no momento em que Eris adorava, no meu caos interior. Pelos deuses, preciso fazer alguma coisa, ou não? Arg! De repente o grito de Jack me fez acordar, ele vinha correndo em minha direção e Jones estava dentro da alavanca de aceleração do navio.
– Kaos, me dê a chave — ele disse esticando a mão para mim.
Eu ia entregar a chave a ele, mas e Jones? É o coração dele, como vou deixar que perfurem o coração dele dessa forma?
– Kaos! — ele gritou chamando minha atenção.
Olhei para Jones, ia deixar ele morrer? Tudo bem que ele é considerado o demônio do mar mas para mim e comigo ele não foi um demônio, ele foi um cavalheiro.
Jack pegou na minha nuca e me beijou, interferindo na minha barreira de proteção, talvez porque ele não queria me atacar. Senti ele pegar a chave da minha mão e eu a segurei forte.
– Por que não quer me entregar? — ele perguntou gentilmente e confuso.
– Eu não sei — eu realmente não sabia, eu estava com muita dúvida e isso me deixava nervosa. — Eu não sei — eu disse de novo quebrando uma parte do navio.
– Solte-a.
Olhei para Jack e soltei a chave no meio do caos, com ela sendo levada para outro lado. Jack me abraçou e me tirou da direção da espada de Jones. Ele me jogou para o lado e continuou a batalhar com Jones. Agora eu estava livre daquele fardo, daquela decisão, quem conseguisse a chave era isso mesmo. E eu estava nessa batalha, que não fazia sentido algum pra mim então eu me aproximei da proa do Holandês, olhei para o fundo do redemoinho e me joguei nele.
– Kaos! — ouvi Jack gritar, mas era tarde, eu já estava chegando ao miolo do redemoinho.
Caí bem no centro dele e meu corpo foi girando violentamente, até que ele de repente parou de girar. Abri meus olhos e eu estava numa praia tranquila, com o barulho das gaivotas e as ondas batendo tranquilamente. Me sentei e olhei para o mar que estava tranquilo, aquilo não era comum.
– Simbad, eu já te disse que não adianta construir um barco de madeira.
Essa voz, meu coração disparou com tanta força que parecia que ele ia sair pelo meu peito.
– Claro que adianta, quer ficar presa aqui para sempre? Nossa filha está lá fora, pequena e indefesa, temos que buscá-la.
Nossa filha? Pai? Mãe? Minha emoção era tão grande que eu não consegui me levantar da areia. Fiz um esforço para caminhar até as vozes e meu coração explodiu com o que vi. Meu pai estava com um monte de troncos de madeira e tentava bater neles para construir uma jangada. Minha mãe, com seus cabelos curtos e lindos se aproximou dele, pegando em seu ombro.
– Simbad querido. Nós não podemos voltar, você não acha que eu já tentei? O máximo que consegui foi vê-la uma vez porque ela apareceu pra mim na praia — disse minha mãe.
– Droga — meu pai jogou as ferramentas sobre a madeira e sentou na areia. — Não devia ter soltado a mão dela, mas se não soltasse ela ia se machucar...
– Tudo bem querido, está tudo bem, ela sabe que você não fez por mal — minha mãe passou a mão nos cabelos dele.
– Eu sei que não fez por mal — eu disse olhando para eles e eles olharam imediatamente pra mim.
Nós três ficamos nos olhando assustados e então nossos olhos começaram a brilhar e a lacrimejar.
– Kaos? — minha mãe perguntou e eu balancei a cabeça positivamente porque não conseguia falar. Ela levou a mão à boca e veio correndo em minha direção. Ela me abraçou forte, muito forte e eu senti todas as minhas forças indo embora. Eu a abracei de volta e coloquei minha cabeça em seu ombro. Comecei a chorar como uma garotinha e ela fazia carinho em meus cabelos. — Minha filha, minha filha linda, que saudade de você.
Senti então uma outra mão sobre a minha cabeça, era a mão do meu pai e ele então abraçou nós duas.
– Ainda bem que conseguiu sobreviver, me desculpe — ele disse.
Ainda abraçando a minha mãe, estiquei meu outro braço para abraçar os dois ao mesmo tempo e eu fiquei no meio deles. Ficamos desse jeito por um longo tempo, como era bom ver os dois.
– Oh, que bela família, cheguei até a sentir saudade de vocês — era a voz de Eris que veio seguida de uma risada.
– Saia daqui — disse minha mãe segurando minha cabeça me protegendo.
– Você não vai tocar na nossa filha, ouviu bem? — disse meu pai me protegendo também mas ameaçando Eris.
– Você não contou a eles, não é mesmo Kaos? — disse Eris tranquilamente. — Aliás, lindo nome que escolheu para sua filha.
– Contou o quê? O que ele ate disse Kay? — perguntou meu pai e eu me afastei um pouco deles.
– Kay? — minha mãe me olhou preocupada.
Eris gargalhou.
– Adoro esse caos interno que ela tem — ela disse feliz.
– Bom... eu nasci conectada à Eris por causa da razão do meu nome — eu disse.
Minha mãe bateu no meu pai. Ele disse "ai" e concertou o maxilar.
– Eu te disse Simbad! Eu te disse para não fazer isso com a nossa filha. Que coisa, querer parecer que é o pai do caos — minha mãe ficou muito nervosa e ela ficava bonita quando ficava nervosa, será que eu ficava bonita como ela?
– Eu achei que não ia conectar, afinal, por que uma deusa ia se importar com um pequeno bebê mortal? — disse meu pai.
– Bom, até pouco tempo eu não sabia que era sua filha Simbad — disse Eris olhando para mim com divertimento e meus pais me olharam em seguida. — Alguém foi me fazer uma visitinha...
– Ai não. Não filha, não me diga que morreu tentando chegar ao Tártaro — disse minha mãe preocupada pegando em meus ombros.
– Não, eu não morri. Ou morri? — fiquei pensativa. — Eu morri Eris?
– Ainda não — ela disse.
– Como assim ainda não? — perguntou meu pai nervoso.
– Eu fui ao Tártaro, cheguei lá com vida e... Eris me explicou o que aconteceu e nós descobrimos a outra e então...
– Ela foi até lá para salvar um homem — não, não fale isso Eris, pensei. — O homem que ela ama, que fora devorado pelo Kraken.
– Você foi no fim do mundo trazer um homem de volta à vida? — minha mãe perguntou.
– Sim, mas não foi só isso. Eu queria saber sobre essa marca que eu tinha, essa marca dos deuses e sim, ele é meu amigo e... ele foi como um familiar pra mim, ele me ajudou a voltar ao mar, nós enfrentamos muitas coisas juntos e ele morreu de forma injusta e eu já tinha perdido vocês, perdido o mar, eu não podia perdê-lo também.
Minha mãe deu um sorriso estranho e eu olhei para ela de maneira estranha. Ela foi até meu pai e sorriu.
– Simbad? — meu pai se aproximou. — Acho que nossa filha está apaixonada.
– Pelos deuses, mãe — eu disse revirando os olhos e ela riu.
– Qual o nome dele? — meu pai perguntou desconfiado.
– Jack Sparrow — respondi revirando os olhos.
– Sparrow? Não me é estranho — meu pai ficou pensativo.
– Você conhecia o pai dele da Corte da Irmandade — eu disse.
– A Corte? Você conhece? — ele ficou surpreso.
– Sou uma Lorde Pirata — eu disse convencida.
– Incrível como ela fica idêntica a você quando está se achando o tal — disse minha mãe rindo e fingindo ser a tal como meu pai e eu comecei a rir.
– Então, resumindo: eu ganhei um quinto dos poderes de Eris porque ela me ama — eu disse olhando para Eris e sorrindo.
– Nunca disse que te amava, apenas gosto da facilidade com que trás o caos para a sua vida — disse eris achando nossa felicidade patética.
Eu ri e meus pais me acompanharam, eles pareciam encantados comigo.
– Você ficou tão linda Kay — disse minha mãe pegando em meus longos cabelos.
– Obrigada mãe — eu disse com os olhos brilhando.
– Tá, chega desse mimimi — disse Eris por fim. — É o seguinte, você pulou no meio daquele redemoinho e eu não sei porque diabos você fez isso, mas como você tem um quinto dos meus poderes, um pouco da imortalidade acaba indo junto, sendo assim, você tem que sair daqui e voltar a tempo antes que fique presa aqui com seus pais para sempre.
Nós três nos olhamos assustados.
– Agora a parte que eu mais gosto — disse eris sorrindo.
– Você tem que voltar — disse minha mãe se aproximando de mim e me abraçando.
– Sim, volte, estaremos sempre aqui esperando por você, mas volte, viva sua vida pirata — disse meu pai sorrindo e me abraçando.
– Vocês estão chorando — eu disse começando a chorar também.
– Sabe querida, é muito bom ter você em meus braços de novo, mas eu quero que você viva, viva muitas aventuras, viva com o seu pirata, tenha toda uma vida para só então vir pra cá — disse minha mãe sorrindo e chorando. Ela não aguentou e me deu um beijo na bochecha.
– Sua mãe tem razão, eu fiz de tudo para que você vivesse então, vá lá e viva. Fico feliz de ver a mulher incrível que você se tornou. Tenho orgulho de você e que bom que está com um Sparrow, eles são... interessantes, é, acho que essa palavra pode defini-los bem — eu ri e comecei a chorar.
Abracei os dois de novo e eles me envolveram com muito carinho e amor e meu coração saltitou alegre. Ah que saudade que eu estava deles. Será que foi por isso que pulei? Será que foi porque eles me chamavam? Será porque meu coração chamava por eles e o deles pelo meu? Comecei a ouvir batidas de coração e todos nós olhamos em volta.
– O tempo está acabando — disse Eris sumindo.
Nós três nos olhamos assustados.
– Mas, para onde devo ir? — eu perguntei.
Eles também não sabiam e o coração batia forte e eles ouviam. Então eu ouvi vozes:
– Você é um homem cruel, Jack Sparrow — parecia a voz de Jones e eu comecei a segui-la para o mar.
– É tudo uma questão de perspectiva — pude ouvir a voz de Jack e o coração continuava a bater.
Continuei andando em direção ao mar. Olhei para trás quando a água estava em minha cintura. Meu pai abraçava minha mãe pela cintura e eles esticaram a mão para mim, se despedindo. Eu sorri e estiquei a mão para eles. Minha mãe levou a mão para o coração e apoiou a cabeça no ombro do meu pai, que abraçou ela mais forte. Respirei fundo e continuei a caminhar, eu sei que os veria depois, quando chegasse a minha hora de ficar com eles.
– Será mesmo, Jack? — disse Jones e então ouvi um grito de dor. Era de Will e então o mar começou a se agitar quanto mais eu entrava. Jones começou a rir e o mar se agitou a ponto de começar a abrir um pequeno redemoinho, como se fosse um portal e então eu entrei nele e dessa vez meu corpo não foi jogado, era como se eu viajasse pela água e o barulho do coração cessou e então eu vi Jones passando por mim, com os olhos abertos e um pequeno sorriso no rosto, enquanto ele passava, ele se transformava em humano e seus olhos transmitiam paz.
– Adeus Jones — eu disse enquanto ele passava, mas não sei se ele pôde me ouvir.
Então de repente eu estava à deriva no fundo do mar, parecia que a tempestade havia passado e então eu vi o fundo do Pérola. Gibbs falava dos outros inimigos que ainda tínhamos.
– Onde está a Kaos? — Jack perguntou.
– Kaos? Pensamos que estivesse com você.
– Capitana? O que aconteceu com ela? — ouvi Rato ficar preocupado.
– Ela...
Eu subi no navio, numa parte onde nenhum deles podia me ver. Kyle me viu e sorriu. Rato ia vir até mim, mas Kyle o segurou.
– Ela... — Jack tentou dizer mais uma vez, mas todos que estavam virados pra mim estavam sorrindo e olhando para Jack. — Por que estão com essas caras? — ele perguntou triste e sem entender. Ele olhou para trás e me viu. Ficamos parados por alguns segundos até que ele ficou com raiva. — Como ousa fazer algo assim Kaos? Sua energúmena, sua egoísta! — ele veio andando em minha direção enquanto me xingava. — Como assim você pula de um navio para o centro de um redemoinho? Você disse que não íamos morrer! Você disse! E aí você vai e pula daquela porcaria de navio, já estava aqui pensando que teria que voltar ao baú pra te buscar, que você não teve a decência de pensar que eu disse que te carregaria comigo do mesmo jeito que meu pai carrega a minha mãe. A senhorita foi muito, muito, muito egoísta!
– Acabou? — perguntei depois de um tempo.
– Não! Estou com muita raiva — ele levantava as mãos para me pegar e abaixava. — Eu quero te bater, mas estou com uma vontade muito maior de beijar você, mas não quero beijar você porque você foi egoísta e agora eu quero beijar você porque você está viva e estou feliz com isso, mas ainda estou com raiva porque você não me faz calar a boca e eu tenho que ficar aqui indeciso com o que quero fazer, você podia deixar de ser egoísta pelo menos uma...
O puxei pela camisa e o beijei, fazendo ele parar de falar. Ele pegou em minha nuca e na minha cintura.
– Eu gosto de você pra caramba, Jack Sparrow — eu disse sem me afastar do corpo dele.
– Idiota — ele disse sorrindo e me beijando de novo.
– É gente... desculpe interromper o momento bonito de reencontro de vocês, mas... acho que, devido aos problemas que enfrentamos, devemos seguir a velha e nobre tradição pirata — disse Gibbs nos interrompendo. Olhamos para ele ainda com os corpos próximos e ele apontou para fora.
– Nunca segui tradições — disse Jack determinado se aproximando da borda do navio, olhando os inimigos. — Puxar a bolina! — ele gritou animado. — Aproveitem o vento e travem o curso!
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