Notas iniciais
Calipso é liberada e com ela o caos surge no mar.

– Vão embora — disse Jack com calma para suas duas consciências.

– Pra onde? De volta pro baú? — perguntou o que estava sentado.

– E você, Jack? — perguntou o que estava apoiado numa viga.

– Fure o coração — dizia algum outro Jack que eu ainda não conseguia ver e os três Jacks se viraram para a parede que tentei ver a todo o custo mas estava difícil. — Viva para sempre — vi um corpo para frente, ou não seria um corpo, parecia um corpo feito de mariscos, era nojento e o cérebro estava solto no que deveria ser a cabeça. — Como Capitão do Holandês Voador — disse ele coçando o cérebro molenga e depois tirando-o da cabeça e olhando-o. — No entanto, se você está na cela, quem vai furar o coração? — ele então lambeu o cérebro, ai que nojo, que nojo, que nojo.

– Parece colocar a imortalidade fora de alcance — disse o Jack que estava apoiado na viga enquanto o Jack que estava sentado começa a cheirar o Jack original.

– Amendoim! — disse o Jack que estava sentado ao encontrar um amendoim no meio dos cabelos de Jack, aquele amendoim era real? não era possível, não tinha amendoim ali na noite anterior.

– Jack? — eu chamei o original e todos eles olharam pra mim. O Jack original se aproximou. — Você vai mesmo ser o Capitão do Holandês?

– Assim eu viverei opara sempre, como você.

– Não, eu não vou viver para sempre, Eris não me disse isso.

– Então eu vivo aqui para sempre e faço você ficar para sempre comigo aqui e com os poderes de Eris, o que você acha?

Ai que proposta tentadora, mas tenho pena de Jones, ai que confusão.

– Okay, nos vemos mais tarde — dei um beijo na boca dele por entre a grade.

– Não vai me fazer companhia?

Olhei em volta, me lembrava a primeira vez que conversei com Jack.

– O que foi? — ele perguntou. — Não é digna de ficar aqui embaixo comigo?

– Não é isso, é que... me lembrei quando conversamos pela primeira vez — dei uma risadinha. — Eu só queria sair de Port Royal e ter meu próprio navio, só isso. Agora tenho um quinto dos poderes de Eris, fiquei amiga do demônio do mar, fui ao Tártaro, coloquei minha amizade de anos em jogo, estou cobiçando cada vez mais coisas e ainda... me apaixonei pelo Capitão enrolado da cela — olhei para ele e ri. — Como isso foi acontecer?

– É... eu gostei de você quando quis me libertar. Te achei interessante, uma rebelde, uma garota de atitude, mas quando você colocou uma roupa de pirata, aí eu te achei sexy demais. No início eu ia te dar qualquer navio mesmo assim que conseguisse o Pérola porque eu não queria uma garotinha me enchendo o saco, mas você é divertida e sexy e esperta e ótima peça em meus planos. A Kaos que vejo agora dessa cela, é uma Kaos completamente diferente da franguinha de Port Royal — ele disse com um sorriso charmoso.

– Franguinha? Que absurdo — eu ri.

– Vai dizer que você se achava o máximo naquele vestido tosco?

– Não mesmo — nós rimos.

– Queria te beijar de jeito agora — ele disse.

– Você é um prisioneiro, eu sinto muito, quando voc~e subir em sua carreira no Holandês, quem sabe?

– Ridícula — ele disse e nós rimos muito.

Então de repente eu parei de rir e coloquei a mão no peito.

– Kaos? — Jack me chamou. — Tudo bem?

– Não — respondi. Me senti muito, muito estranha. Senti o medo, senti espíritos indo em direção a um local. Eu precisava ver Jones e então eu saí correndo da cela.

– Kaos! — Jack gritou mas eu não olhei para trás.

Corri até a cabine do Capitão.

– Jones — eu olhei para ele e ele estava tocando piano.

– Então você também sentiu, não foi? — ele perguntou sem olhar pra mim.

– Calipso...

– Sim... ela... Calipso... Está ouvindo?

– Sim, o vento forte — eu e Jones parecíamos hipnotizados.

– Tome cuidado, minha jovem Kaos — disse Jones colocando a mão em meu rosto e sim, seu casco havia se tornado mãos entes de me tocar.

– Como...?

– Você é uma semideusa, não posso lhe tocar com mãos amaldiçoadas.

– Jones! — ouvimos um homem gritar e então eu ele saímos da cabine, o tempo havia se fechado e provavelmente viria uma tempestade, uma tempestade feita pela deusa Calipso. — Apontar as armas! Não poupar ninguém! — ele gritou.

Jones olhou para o centro da tempestade e pude sentir a emoção em seus olhos, ele realmente amava muito Calipso. Então veio um trovão e começou a chover. Jones fechou os olhos e sentiu cada pingo da chuva como se fosse o carinho das mãos da deusa e depois gritou com raiva. Os raios aumentaram e o Holandês seguiu em frente. Desci correndo para o calabouço.

– Jack! Jack! — me aproximei da cela. — Eles libertaram Calipso e estamos indo para a batalha.

– Pelos deuses, estamos no meio desse fogo cruzado — disse Jack.

– Exato.

– Você não pode nos tirar do navio?

– Não, não com Calipso controlando tudo lá fora. Eu não sou uma deusa, sou apenas um quinto de deusa Jack — um raio caiu mais forte. — Ai não...

– O quê? Não saia correndo dessa vez, me diga! — disse Jack meio desesperado.

– Ela... ela fez... — comecei a rir.

– Kaos?

– Ela fez um redemoinho, isso vai ser muito divertido — meus olhos brilharam e eu saí correndo.

– Kaos! — Jack gritou impaciente.

– Vamos desviar! — disse o cara de Port Royal que comandava Jones.

– Não! Ela não vai nos ferir — ele gargalhava.

– Ficou maluco? — o almofadinha gritou.

– O que foi? Está com medo de se molhar? — ironizou Jones. — Está se divertindo Kaos?

Olhei para ele e dei uma risada. Subi até o lado dele e me apoiei na madeira.

– Isso é demais! — eu gargalhei.

– Qual o problema de vocês? — perguntou o almofadinha.

– Vocês se acham demais, não é mesmo? Na hora de uma aventura realmente boa encolhem os rabinhos entre as pernas como se fossem cachorros amedrontados pelo trovão — eu disse e Jones gargalhou.

Então o Holandês entrou no redemoinho gigante e profundo. Há, cara, que maneiro isso!

– Canhões à proa! — disse Jones tão animado quanto eu.

E então ele começou a atirar no Pérola com seu canhão triplo. O Pérola então entrou no redemoinho no sentido contrário, seria ma luta muito interessante e eu não queria perder nenhum momento. Ah! Pelos deuses, Jack! Esse é o momento ideal para libertá-lo. desci correndo para o calabouço e quando cheguei lá embaixo me assustei ao vê-lo, escorreguei e caí nos braços dele.

– Você voltou — ele disse.

– Você saiu — eu disse.

– Sim, pode ficar tranquila que não quebrou sua promessa com Jones, eu simplesmente sou sensacional.

– E humilde — eu disse rindo.

– Já disse o quanto fica sexy quando está toda molhada desse jeito? — ele se referia aos meus cabelos ensopados e bagunçados pela chuva.

– Vocês são encantadores — disse um Jack de consciência ainda dentro da cela.

– Já estou com saudade — disse o outro.

– Ninguém se mexe! Meu cérebro caiu — disse o lambedor de cérebro.

– Vamos? — disse Jack dando uma risadinha.

Joguei ele na parede e lhe dei um beijo bem gostoso.

– Agora vamos — eu disse rindo e ele riu comigo.

Jack e eu corremos no meio da confusão, com canhões sendo disparados e balas de canhão perfurando o navio, além disso ele tentava não ser visto por nenhum tripulante do Holandês. Até que chegamos em uma sala com dois soldados que vigiavam o baú de Davy Jones.

– Parados! Senão atiramos! — eles apontaram os mini canhões em nossa direção.

Então uma bala de canhão atravessou a sala nojenta do navio, uma sala que eu não tinha ido da última vez que estive aqui. Era uma sala pequena e apertada com poucas janelas.

– Muito boa — disse Jack se aproximando de uma mesa e os mini canhões o acompanhavam. — Eu só vim pegar os meus pertences — disse Jack colocando sua espada e suas outras coisas. — Por mais admirável que seja, porque ficar aqui e não em outro lugar? — disse ele colocando seu chapéu de Capitão e eu tive saudades do meu que perdi no Tártaro.

– Ficamos para vigiar o baú — disse o mais magrinho dos dois.

– Sem dúvida têm havido um declínio de respeito à bordo desse navio — disse o mais gordinho e então apontaram o canhão para o baú novamente e Jack se aproximou do baú.

– Eu culpo o povo peixe — disse o magrinho.

– Oh, o povo peixe. Só por ser povo peixe então quer dizer que eles não são tão disciplinados quanto o povo não peixe? — disse o gordinho e eu estava gostando daquela discussão, era um mini caos dentro do caos. Jack então pegou o baú sem eles notarem.

– Eu não sei... acho que devia ensinar... — disse o magrinho.

– É verdade, se não fosse o povo peixe, não precisaria vigiar o baú — disse o gordinho.

Jack veio em minha direção carregando o baú e me chamou para ir embora, estava tão interessante aquilo ali, mas então eu abri a porta sem que eles ouvissem, pois acabei isolando o som, ou seja, eles não ouviam nada do que acontecia do lado de fora que era onde eu, Jack e o baú estávamos agora.

– E se não houvesse baú, não precisaria vigiar — conclui o magrinho.

Nós então saímos por uma porta, Jack olhou para um lado e eu para o outro. Vi Jones descendo as escadas e saí correndo de perto de Jack pela outra escada e os dois se encontraram cara a cara e eu fiquei assistindo de camarote.

– Kaos, achei que tivesse pedido apenas uma coisa — disse Jones.

– Não fui eu que o libertei — eu disse e não era mentira.

– Não culpe a garota pelas grades da sua cela estarem um pouco... podres — disse Jack dando um sorrisinho.

– Mas vejam só meninos — disse Jones e os marujos se aproximaram. Olhei para o chão na popa e vi todos os almofadinhas mortos. Sorri, cara, Jones é incrível. — Como um passarinho, um passarinho perdido que nunca aprendeu a voar — disse Jones enquanto os outros marujos iam cercando Jack. Jones puxou a espada.

– Que coisa lamentável — disse Jack sorrindo sem soltar o baú. — Mas... — ele correu para a beirada do navio e pegou uma corda — nunca é tarde ara aprender, não é? — Ele então bateu o baú no que prendia a corda e saiu voando para cima do mastil do navio e então os dois começaram a lutar lá em cima. Voltei os olhos para baixo e os marujos me olhavam. Dei um sorriso para eles, gora eu estava sozinha ali.

Os marujos vieram me ameaçar. Tirei a minha espada e usei meus poderes de deusa, com meus cabelos ficando de pé. Não os impedi de lutar comigo, eu queria lutar, fazia muito tempo que eu não lutava com espadas. Peguei então outra e a coloquei virada ao contrário. Eles não tinham medo do meu cabelo de pé porque, afinal, eles já estavam mortos e eu não era imortal, eu tinha uma leve desvantagem, mas não estavam nem aí, eu queria me divertir.

– O Pérola está se aproximando! — gritou um dos marujos e então eles me esqueceram rapidamente.

– Pôxa — confesso que fiquei mesmo chateada, estava interessante me defender deles tão rapidamente.

Então, lá de cima, escutei o grito de Jones e vi algo cair em meio à confusão. Já que nenhum marujo estava prestando atenção em mim, fui correndo até a coisa que caiu e percebi que era a chave do baú de Jones. Meu cabelo abaixou, será mesmo que eu devia deixar a chave com as pessoas ou deveria jogá-la no mar? Então de repente as velas dos navios bateram uma na outra e vi Jack caindo lá de cima, ele foi salvo por Jones, que se agarrou ao baú, debaixo dele havia o fundo do redemoinho. Nós estávamos no final do redemoinho finalmente, era como um funil e eu estava com a chave do baú nas mãos, o que eu faria com essa chave? Se entregasse ela à Jack, Jones me detestaria e o tempo que passei com ele me fez surgir um carinho por ele, mas se entregasse a chave à Jones eu trairia Jack, o que fazer?