Notas iniciais
Os navios dos Lordes Piratas estavam prontos para o ataque, até que perceberam que o número do inimigo era muito maior. Parolá?

Assim que mandei o meu querido Kraken embora e o navio de Chivalle foi "levemente" destruído e traumatizado, voltei para o Pérola e fui direto para a cabine do Capitão. Abri a porta, entrei e fechei.

– Cheguei meu Capit... — olhei para trás e estavam ali Barbosa e Jack.

– Nós temos um intruso — disse Jack olhando de cara feia para Barbosa.

– Belos Capitães vocês, estamos indo para uma guerra e só pensam em se pegar na cabine do Capitão. Tenho até nojo de tocar nas coisas na cabine do meu navio. Tenho que limpá-la por completo ainda — disse Barbosa olhando para as paredes, para o teto e então saindo. Para o teto? o que ele acha que podíamos fazer no teto?

De repente Jack me pegou pela cintura e nossos rostos ficaram bem próximos.

– Oi — ele disse de maneira sexy e eu respondi de maneira sexy também, mexi a mão para trancar a porta e começamos a nos beijar.

Jack me carregou com um braço só até a mesa e eu me sentei, ficando com ele entre as minhas pernas. Ele começou a tirar minha jaqueta.

– Nós podemos morrer amanhã de novo — ele disse olhando para os meus seios e passando a mão por baixo da minha camiseta.

– Nós não vamos morrer — eu tirei a camisa dele e passei a mão em seu peito.

– Você disse isso da última vez e eu morri — ele deu um risadinha tirando a minha calça.

– Eu não era uma semideusa como sou agora e também você aceitou o beijo da pessoa errada, a culpa não foi minha.

– Você não queria meus beijos — ele disse enquanto eu tirava a calça dele.

Eu sorri pra ele de maneira sexy e ele correspondeu.

– Eu não tinha certeza ainda.

Ele puxou o meu cabelo pra trás se aproximando de mim e me aproximando dele pegando meu bumbum. Sorrimos de prazer.

– Precisei morrer pra conseguir você, literalmente — ele dizia olhando o meu rosto e eu o senti dentro de mim. Meus olhos se fecharam.

– Não me arrependo em momento algum. Você?

– Nem um pouco. Foi a melhor recompensa que tive por ter morrido.

Ele lambeu meus lábios e então nos beijamos. Esses momentos que tínhamos entre as tensões que passávamos era tão gostoso, havia a tensão de poder morrer no dia seguinte, havia o fato de que aquele momento de paz passaria rápido, havia em nossas mentes que devíamos aproveitar cada segundo daquele momento com o máximo de prazer possível. Até que subimos na mesa e eu abafei o som da sala ara que pudéssemos gemer à vontade. Jack e eu ficamos deitados sobre a mesa, com nossas pernas enroscadas e eu deitada sobre o corpo dele. Ele mexia no meu cabelo.

– Senti saudades de você no Tártaro e também quando você foi para o Holandês com o Will — ele viajava nas mexas do meu cabelo. Levantei meu rosto para olhar para ele enquanto ele ainda mexia em meus cabelos. Nos olhamos nos olhos.

– Eu não sei exatamente porque eu eu gosto de você pra caramba, só sei que eu não sei não ter você ao meu lado nas aventuras e esse tempo que passei tentando te alcançar no Tártaro, eu só pensava em conseguir te trazer de volta, porque eu disse que não morreríamos — deu uma risada. — Caramba, é tão legal ter você de volta, é fácil, sabe? As aventuras fluem naturalmente, escapamos com facilidade, encontramos outros problemas...

– Concordo com você — ele sorriu colocando meu cabelo atrás da orelha. — Eu não quero perder você, desculpe, esse é meu lado romântico.

– Você não vai me perder — entrelacei minha mão na dele. — Desculpe pela Kaos melosa — eu me aproximei do rosto dele.

– Você não é melosa — ele riu. — Você é a mulher menos melosa que eu conheço.

Sorri e dei um beijo nele.

– Vamos que já amanheceu. Hora da guerra — eu disse me levantando em seguida.

– Ai, vamos lá — disse Jack se levantando da mesa.

Vestimos nossas roupas, demos mais um beijo longo.

– Não morra — ele disse.

– Não vou e também não vou deixar você morrer. Certifique-se de beijar só a mim, okay? — eu disse rindo.

– Pode deixar — ele riu comigo.

Então saí primeiro da cabine e ele logo em seguida. Todos olhavam para o horizonte, com medo do que viria em seguida. Olhei para os lados e vim muitos navios, os navios dos lordes piratas e só então percebi que Elizabeth estava no nosso navio também. De repente, um navio apareceu no meio do nevoeiro.

– O inimigo chegou! Acabem com ele! — gritou o anão apontando a arma para cima e todos começaram a gritar. Mas está parecendo fácil demais, isso é estranho, pensei.

Barbosa, Jack, eu e Elizabeth não comemoramos, aposto que pensávamos o mesmo. Então de repente foram surgindo mais velas do nevoeiro e agora sim as coisas estavam chegando ao normal e todos pararam de comemorar. Jack ficou mais assustado que o normal pela quantidade, Elizabeth ficou boquiaberta, eu e Barbosa éramos os únicos não surpresos com aquilo tudo.

– Abandonar navio, abandonar navio, abandonar navio! — gritou a arara do mudo e ela saiu voando de volta para a Ilha Naufrágio.

Os marujos olharam para Jack e Jack deu um sorriso amarelo, acho que ele não esperava aquela quantidade gigantesca de navios.

– Parola? — disse Jack com um sorriso.

Então fomos nos encontrar num mísero pedaço de terra. Eu, Jack, Barbosa, com seu macaquinho Jack e Elizabeth andando lado a lado indo ao encontro de Will, Becket e Jones, que estava com os pés dentro de um balde d'água devido à maldição de não poder pisar em terra.

– Você é o sujo que trouxe esses lobos à nossa porta — disse Barbosa para Will e eu concordava sem dúvida.

– Não culpe o Turner, ele foi o mero peão da sua traição — disse Becket. — Agora, se quiser ver o arquiteto de tudo, olhem para a esquerda.

Todos olharam para a esquerda, o que deu em mim.

– Eu? Eu nem conversei com você, você me mandou para ser torturada pelo Capitão Bench que aliás eu tive o prazer de matar, muito obrigada por esse momento de vingança delicioso, aliás. E não venha me dizer que...

– Não, não foi você ratinha do Bench — ele então olhou diretamente para Jack.

– O quê? Minhas mãos estão limpas — disse ele. — Figuradamente — e ele mordeu a unha do mindinho.

– Jack não teve nada a ver com isso — disse Will se achando o dono do pedaço, o Senhor das Barganhas.

– Falou bonito! — disse Jack animado. — Ouçam com atenção.

– Will, eu estive à bordo do Holandês. Eu entendo o seu fardo mas acho que é uma causa perdida — causa perdida? Como fala assim do pai da pessoa, ainda mais o pai de Will que é muito gentil, pensei.

– Não há causa perdida se restar um único tolo que lute por ela — disse Will e eu concordo.

– Se o Turner não agiu em seu nome, então porque ele me deu isto? — Becket mostrou a bússola que outrora já fora muito útil pra mim. — Você fez um trato comigo Jack, para pegar os piratas e aqui estão eles — Becket jogou a bússola de volta para Jack e ele a entregou para mim. — Não seja tímido, venha, pegue sua recompensa.

– Seu débito comigo ainda deve ser pago também — disse Jones.

– Mas ele ter ido para o Tártaro já significa que foi pago, não? — eu me intrometi, não vou perdê-lo de novo.

– Não! Cem anos de servidão à bordo do Holandês, para começar — disse Jones.

– Kaos tem razão, meu débito já foi pago e com ajuda — ele apontou para Elizabeth com nojo.

– Você escapou! — disse Jones.

– Tecnicamente... — Jack começou a dizer.

– Proponho uma troca — disse Elizabeth interrompendo a conversa. — Will fica com a gente e você leva o Jack — ela disse com cara de Senhora da Barganha, pelos deuses vocês se merecem mesmo!

– O quê? — eu perguntei alto e indignada.

– Feito! — disse Will.

– Desfeito! — disse Jack rapidamente.

– Feito! — disse Becket.

– Jack é um dos lordes piratas, você não tem o direito! — disse Barbosa.

– Sou Rei... — disse Elizabeth com um sorriso de convencimento e olhando para Jack.

– Como ordenar, Dona Moça — disse Jack tirando o chapéu e fazendo uma reverência com um sorriso falso.

– Seu salafrário! — disse Barbosa passando a espada na testa de Jack, fazendo com que seu badulaque caísse na areia. O macaco Jack correu e pegou o badulaque. Barbosa chegou bem perto de Jack. — Se contar meu segredo, eu posso contar o seu também.

– Quer apostar comigo?

Jack então foi andando até o outro lado, enquanto Will vinha andando para o lado de cá.

– Não! Não! Eu não suporto mais vocês — eu disse apontando para Barbosa, Elizabeth e Will. — Nem sei mais dizer qual lado é o pior! Não, me engano, eu sei sim. É o de vocês suas víboras. Desde o início vocês vem tramando planos pelas minhas costas e não vou aguentar ir com vocês de novo! Nem com esses almofadinhas de Port Royal que tentaram me entregar para a morte — eu olhei para Becket com insignificância. Jack pigarreou e eu percebi que meu cabelo estava levantando e que o mar havia se agitado um pouco. Respirei fundo e ficou parecendo obra do vento. — Sendo assim, eu vou com quem teve a decência de me hospedar com dignidade — fui andando até o lado de Jones.

– Você vai para o Holandês Voador? — Jack perguntou sem entender.

– Está sendo o melhor lugar pra ficar recentemente — eu respondi e eu encarei Will e Elizabeth.

– Kay, você está falando bobagens... — disse Will.

– Bobagem? Sério? Tem certeza? Estou cansada de vocês Will. Nossa amizade acabou faz muito tempo — eu disse aquilo com um pesar enorme.

– Kay, não diga isso, você sabe os motivos do que eu estou fazendo e sabe que faria o mesmo se soubesse que seu pai estava vivo — ele disse também com pesar no coração e nós dois começamos a chorar. Eu chorava de raiva porque ele tinha razão. Que ódio do Will, que ódio!

De repente os braços de Jack me envolveram e eu senti meus cabelos caírem, novamente ficou parecendo o vento.

– Vamos evitar a raiva nesse momento não é? Já estamos falando bobagens, olha só — disse Jack dando uma risadinha e eu olhei para o chão para acalmar e depois olhei para Will, ainda nos braços de Jack.

– Então, Jack Sparrow, você teme a morte? — Jones perguntou agora que ele estava perto de mim e consequentemente dele também.

– Nem faz ideia — disse Jack sem olhar para o rosto de Jones.

– Avisem à Irmandade: vocês podem fugir e assim todos morrem ou vocês podem não fugir e nesse caso só a maioria morre — disse Becket.

– Você matou o meu pai — disse Elizabeth com raiva.

– Ele escolheu o próprio destino — disse Becket, esse pessoal de Port Royal é uma porcaria mesmo.

– E você escolheu o seu — disse Elizabeth. — Vamos lutar e você morre.

Elizabeth saiu andando e Barbosa e Will foram atrás dela.

– Que seja então — respondeu Becket sem um pingo de medo.

Fomos então para o Holandês, Jack e eu. Jack foi mandado para o calabouço e eu fiquei na cabine com Jones, como da última vez.

– Que prazer tê-la à bordo novamente semideusa — ele disse se sentando em uma cadeira de respeito.

– Sabe que estou mais forte, não é mesmo? — eu disse com uma risadinha.

– Sim, eu sei. Você está com uma aura muito forte de poder — sorrimos para o outro. — E também sei que veio para ficar perto de Jack e protegê-lo.

– Não posso perdê-lo de novo Jones, ele é a minha família agora.

– Como consegue se conter tanto para usar seus poderes?

– Eu tento o máximo que posso.

– E por que?

– Porque não quero que me usem, que me aprisionem, que façam chantagem para que eu proteja alguém. Eu sou livre Jones, quero proteger quem eu quiser, da forma que eu quiser.

– Está certa. Bom, você sabe que você é livre e bem-vinda no meu navio. Gosto de você Kaos, não sei o que vê nesse Jack Sparrow mas eu gosto de você, temos muitas coisas em comum. E que bom que sua marca acabou sendo uma benção e não uma maldição.

– Na verdade eu quase morri — eu ri. — Eris que gostou de mim por ter qualidades egoístas.

Eu e Jones rimos.

– Só lhe peço uma coisa em troca da minha hospitalidade.

– O que é? — perguntei.

– Não liberte Jack Sparrow, ou darei a ele um destino bem pior do que ficar preso no calabouço — ele me disse sério.

– Enquanto ele estiver aqui ele está a salvo, não vou tirá-lo de lá. Com licença — me curvei e ele curvou a cabeça em resposta.

Saí da cabine e fui andando até o calabouço. Alguns marujos se lembravam de mim. Então era isso, eu me dava bem com as aberrações agora, porque até Jack se tornou uma, ele voltou dos mortos, onde eu fui buscá-lo, eu sou uma semideusa e estamos no Holandês Voador, o navio do demônio do mar, onde eu me sinto mais a vontade, que vida.

Cheguei no calabouço e vi Jack pendurado na grade. Me aproximei.

– Oi — sorri pra ele.

– Oi Kaos — ele disse realmente feliz em me ver. — Achei que Jones estivesse... você sabe...

– Não — eu ri. — Eu e Jones somos amigos.

– Se são amigos você podia conversar com ele para me soltar — ele disse animado.

– Essa é a única coisa que ele me pediu para não fazer para que eu continuasse podendo andar livremente pelo navio.

– Ora Kaos, você é mais forte que ele...

– Mas não mais forte que a deusa que está a favor dele.

– Calipso? — eu assenti.

– Parabéns! Você conseguiu chegar à bordo do Holandês Voador de acordo com o plano inicial! — disse uma voz que parecia do Jack, mas não era o Jack.

Olhamos para o lado e vimos um outro Jack sentado a um canto.

– Você está vendo isso também? — o Jack original me perguntou.

– Sim, assim como vi suas consciências em miniatura — eu não entendia porque eu conseguia ver também a loucura do Jack.

– Olha... — Jack apontou para o Jack sentado para xingá-lo.

– Pois é campeão, fora essa estadia na cela, deu tudo certo — disse outro Jack apoiado no poste e eu e o Jack original nos olhamos para certificar dessa tamanha loucura.