Kako no Iro - A Cor do Passado
8 "O que fazemos agora?"
As árvores ainda adormecidas olhavam para as duas garotas, que nesse momento se sentiam ainda menores do que 11 anos atrás. A adrenalina de invadir o território da escola nem se comparava com a tensão que sentiam agora. Ao darem os primeiros passos no ambiente, a primeira coisa que notam é que, muita embora seja o lugar que mais fez parte de suas memórias, ele estava diferente de como imaginavam.
Penetrando mais a fundo o local, o clima fica mais denso. Boa parte da luz intensa do Sol era interceptada pelas folhas que projetavam sombras que pareciam emitir sons. O barulho típico de crianças em sala de aula já não era mais audível naquela distância. Koshigaya sente um arrepio ao perceber uma presença atrás de si. Vira-se imediatamente em um reflexo e se depara com um guaxinim procurando passagem entre alguns arbustos. O pequeno animal a fez relembrar o motivo de estarem ali, mas antes de fazer qualquer coisa, Hikari exclama:
“É ALI!”
A morena apontava para um enorme declive que havia um tanto a frente. Ambas correram afobadas para o lugar. As águas se movimentando de maneira quase imperceptível vão ficando cada vez mais visíveis. Já extremamente cansadas na beirada do provável rio, seus olhos procuraram por qualquer tipo de evidência de restos humanos. Tinham a noção de que, mesmo se Miyuki realmente tiver morrido ali, seria improvável encontrar qualquer vestígio de seu corpo. Elas não contaram para ninguém do incidente, por isso só elas sabiam que Miyuki esteve na floresta; qualquer pessoa procurando por ela não saberia desse fato, por isso acreditavam que se estivesse morta, ainda não foi encontrada.
Koshigaya e Hikari passaram a manhã inteira procurando Miyuki pelas águas e ao redor delas. Estavam famintas, porem decidiram usar a tarde para procurar em outros lugares da floresta. Era cerca de 17:30 quando desistiram, pelo menos naquele dia. Passaram para o que fariam nesse caso: procurar por informações de Miyuki na escola.
Perguntaram por seu nome na secretaria, mas ficaram surpresas quando disseram que não havia nenhum registro de Takahashi Miyuki no sistema. Perguntaram pelos seus próprios nomes para saberem se era algo particular à ela, e aparentemente era o caso; suas situações escolares com a escola estavam devidamente registradas. Pediram para falar com o diretor, mas como esperado, não era o mesmo de 2005. Entretanto, esse contou que o sucedeu em 2011.
— E o senhor sabe como podemos encontrá-lo? — Questionou Koshigaya com um pouco de desespero
— Olha, ele está um tanto velho hoje, e a profissão o cansou bastante, então se quiserem contactá-lo terão de ir até sua casa em Akita.
— Akita!!? — Reagiram as duas adolescentes em uníssono. Akita ficava no norte do Japão, consideravelmente longe de a onde estavam. Elas se olharam buscando a resposta que a outra não tinha, porém decidiram pegar o endereço do senhor.
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Voltaram da escola um tanto cabisbaixas; acreditavam que teriam uma resposta ao sair de lá, mas só surgiram mais dúvidas. Por que não havia informações sobre a Miyuki na escola? E como fariam para conseguir mais informações? Como chegar em Akita?
Finalmente sentiram a fome de várias horas sem comer, e Koshigaya sugeriu irem comprar algo.
— Eu não tenho dinheiro agora, Koshigaya. Minha família nunca foi de ter muito dinheiro. — Isso era verdade. Quando eram crianças, Miyuki sempre levavam mais comida para dividir com Hikari, pois não levava nada.
— Tudo bem, eu pago. — Respondeu Koshigaya calmamente.
— Humm, riquinha. — Retrucou Hikari de maneira espontânea, e as duas deram pequenas risadas antes de se dirigirem para a área de comércio, a onde decidiriam o que fazer dali para a frente em relação a sua busca.
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