Kako no Iro - A Cor do Passado
9 "Como se fosse ontem"
Notas iniciais
Hikari fixava os olhos negros nas crianças brincado despreocupadamente no parque ao lado. Sentiu vontade de saber como era o sentimento de viver levemente; sem um peso desproporcional na consciência, pois já não se recordava como que era.
— Ei! — Koshigaya a desperta de seu transe, questionando-a se não terminaria de comer o lanche que compraram. — Você adorava comer quando era pequena — continuou com um pequeno sorriso. Hikari apenas deu-lhe um olhar concordando.
— Você pensa em como as coisas eram antes de tudo acontecer, Koshi? — Perguntou a menor um pouco abalada
— Eu penso sim — Respondeu Koshigaya, percebendo o que Hikari tanto olhava.
Gritos agudos provindos das brincadeiras, uma briguinha aleatória, sorrisos por coisas simples... tudo isso eram coisas que as duas já tinham dificuldade em compreender.
Hikari fita a amiga, notando a sua concentração melancólica naquelas cenas ao lado. Focou sobretudo nos seus olhos, embora tivesse dificuldade de fazer isso frente-a-frente. Notou que apesar de também serem um pouco escuros, eram um tanto mais claros que os da menor. Sua atenção logo se voltou para a boca... isso porque Koshigaya vivia mordendo-a; um claro sinal de ansiedade.
— Eu vou conseguir o dinheiro pra gente ir pra Akita. — Afirmou Koshigaya, novamente tirando Hikari de um transe.
— A-ah! S-sim! Digo... sua família tem bastante dinheiro, né?
Koshigaya demora um pouco a responder, causando um pequeno desconforto em Hikari:
— Desculpa, eu não-
— Tá tudo bem! — Koshigaya responde se recompondo rapidamente — Eu tenho uns problemas com minha família, mas isso pouco me importa agora, estou cem por cento focada na Miyuki! — E olhando mais uma vez para as crianças brincalhonas, reafirmou: — Eu vou conseguir o dinheiro...
***
Caminharam novamente em direção as suas casas. Embora o contato verbal ainda fosse difícil, o clima estava mais leve do que da última vez. Koshigaya comentou que poderia demorar um pouco para conseguir o dinheiro e ambas concordaram em continuar investigando enquanto isso.
Mirai chegara em casa antes de Hikari. Chegar tarde assim era incomum da irmã mais nova.
— Entrou na fase da rebeldia, foi? — Disse a mais velha em tom de brincadeira. Buscando puxar assunto.
— E-eu estava com a Koshigaya — Respondeu a jovem, meio surpreendida.
Os olhos de Mirai dilataram ligeiramente ao ouvir a resposta da irmã — Sério!? Que bom saber! Eu gosto dela — Mirai deu um largo sorriso para Hikari, deixando claro sua alegria. A verdade é que ela sempre sorri assim para a irmã, tentando alcançá-la de alguma forma. — Você parece bem hoje.
Hikari mais uma vez se surpreendeu, de toda forma, decidiu dar seu característico sorriso sutil sem mostrar os dentes, acompanhado de um aceno com a cabeça. Notou que a Mirai parecia cansada:
— Trabalhou bastante hoje, né?
— S-sim, e-eu atendi bastante gente...hoje — Respondeu Mirai um pouco afobadamente.
— Bom, eu vou tomar um banho agora então
— Ah! C-certo! Não demora muito, tá? A comida já tá pronta...
Nessa noite, tanto Koshigaya como Hikari deram suspiros antes de dormir, pois sabiam que já estavam no meio do que tinham de fazer, contudo, havia a esperança de que o resultado disso tudo fosse positivo.
No dia seguinte, Koshigaya insistiu para a mãe por telefone que precisava de dinheiro, mas como esperado, não teve sucesso. Pensou em pedir ajuda à avo, porém diferentemente da mãe, ela poderia se preocupar e tentar descobrir para que Koshigaya precisa tanto assim de dinheiro, por isso decidiu não fazer isso por agora. Ficando sem ideias, Koshigaya começou a se preocupar em como poderiam continuar sua busca. Quando se reuniram novamente, Hikari deu a ideia de procurarem por notícias regionais da época.
— Nos noticiários eles costumam falar de pessoas desaparecidas e que morreram, não é? Se realmente aconteceu algo com a Miyuki, pode ser que tenha virado notícia, e a família dela parecia ser um pouco influente...
Koshigaya se surpreendeu um pouco com a Hikari mais empolgada com a ideia de investigarem o passado. Depois da conversa de mais cedo com a mãe, Koshigaya se sentiu sem saídas.
— É, tem razão, Hikari..., mas onde vamos encontrar notícias de 2005? — Indagou a maior.
— Por enquanto eu só consigo pensar na internet, mas já é alguma coisa.
Pelo menos agora, as duas tinham um norte que podiam seguir...
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