Kakatte Koi
21 Reflexão (Revisado)
Notas iniciais
POV Daigo
Me senti mais aliviado e contente com a visita dos pais, eles ficaram muito preocupados para voarem até Tóquio, agora querem que eu me recupere em casa com eles.
Quando vi Yutaka na porta indo embora, por um instante acreditei que ele não queria mais falar comigo por ter mandado ele embora na hora que acordei. Surtei quando o vi ao lado da cama, acabei o assustando, ele por instinto assumiu sua forma vampira, minha última lembrança não foi agradável e vendo ele tentar me tocar me deixou em pânico achando que ele ainda estava fora de si.
Meu coração partiu depois lembrando que ele chorava e suas lágrimas eram gotas de sangue Yuta-chan ficou muito traumatizado com o que fez e não ajudei ficando apavorado daquele jeito me agarrando a enfermeira Aline, que ajudou me acalmando depois que o mandei embora.
Minha felicidade foi ver que Yuta-chan voltou e entrou no quarto para conversar, acredito que Aline conversou com ele no corredor, preciso agradecê-la.
Meus pais gostaram de conhecer o Chef com quem trabalho, mas eu não esperava que ele fosse apoiá-los na ideia que Tóquio é perigoso, eu devia me recuperar junto com eles no hotel e não no meu apartamento.
O jeito é tentar dormi e amanhã resolver isso, o problema é que esse soro pendurado no meu braço não tem posição para descansar. Quando acabar vou pedir para enfermeira tirar, assim poderei tentar cochilar, é muito difícil conseguir dormir aqui no hospital com esse barulho todo.
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Era de madrugada ainda quando a enfermeira entrou no quarto para olhar o soro e medir a temperatura, eu estava meio sonolento percebi que ela fechou o soro tirando do meu braço deixando só o acesso na pele.
— Gomen, Daigo-san em lhe acordar precisava ver se não tinha mais febre.
— Tudo bem, Aline-san estava esperando você aparecer, para pedir para tirar o soro.
— Então agora você pode tentar dormir sem se preocupar com isso no braço.
— Arigatou, eu estava cochilando, mas tinha medo de mexer e sair do lugar.
— Esse foi o último que Daigo-san recebeu, o médico passou e assinou sua alta para as 10 da manhã.
— Que ótimo! Eu cansei mesmo de ficar no hospital, não vejo a hora de voltar para casa, apesar que meus pais querem que eu me recupere junto com eles.
— Daigo-san, eles tem razão sobre isso, aqui você ficaria sozinho melhor onde tem alguém para cuidar de você.
— Aline-san, queria lhe agradecer por conversar com Yutaka-san, achei que ele não queria mais me ver depois que o mandei embora.
— Engraçado que Yutaka-san, tinha medo que Daigo-san não fosse mais falar com ele, por que ele não conseguiu defendê-lo do assaltante e estava se culpando por isso.
— Yuta-chan ficou bem assustado e acabei deixando ele mais triste quando o mandei embora quando acordei. Tanto que ele me deu férias do restaurante para ir com meus pais. Não sei se preciso de todo esse tempo longe.
— Daigo-san, acredito que ele está preocupado com seu bem estar e seus pais são as pessoas certas para lhe ajudar a recuperar logo. O restaurante vai ficar fechado alguns dias, você devia aproveitar as férias.
— Nossa! Por que só eu que não tô achando que é uma boa idéia. Não estou acostumado a ficar parado e nem ter toda essa atenção.
— Quem queria ter férias era eu, as minhas estão bem longe ainda. Daigo-san você devia aceitar vai ser bom.
— Pedi para Yuta-chan ir no meu apartamento para conversar melhor sobre isso. Aline-san vai estar aqui no hospital quando eu for embora?
— Assim é melhor em casa, dá para conversar tranquilamente. Não Daigo-san meu turno termina às 6 da manhã, vim também para me despedir.
— Queria muito agradecer por todos esses dias que você ficou cuidando de mim, também por ajudar Yuta-chan ele deve ter ficado apavorado, enquanto eu dormia.
— Por nada Daigo-san faz parte do meu trabalho. Yutaka-san não saiu do seu lado, ele chorou muito e não queria ir embora Hizaki-san o levou à força para descansar um pouco.
— Arigatou Aline-san por ser tão boa comigo e ajudar Yuta-chan.
— Fico contente que Daigo-san está recuperado, quando deu entrada no hospital não sabíamos se você ia acordar. Tente dormir um pouco. Vou atender outro quarto, se precisar é só chamar.
Aline apaga as luzes deixando só a de emergência, saindo do quarto encostando a porta, então me ajeito na cama para tentar descansar e dormir um pouco amanhã já estarei indo para casa.
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Pov Kai
Por ficar muito tempo dormindo, tive um sono leve apenas fiquei deitado deixando Yutaka descansar ele estava exausto, sentia o corpo cansado, uma angústia que apertava o peito e uma sensação de medo. Ainda não acredito que minha rejeição provocaria tanto estrago e quase a morte do único melhor amigo humano que conseguiu se aproximar de nós e aceitou nossa condição vampira acabou sendo ferido por apenas querer ajudar.
Minhas pálpebras vão se abrindo lentamente e ainda com a visão embaçada observo o local que estou novamente, meu quarto antigo.
Lembro do Yutaka me contar quando assunto surgiu depois da inauguração do restaurante e tivemos aquela conversa com a banda na mesa. O quanto ele ficou feliz quando chegou na mansão com Kamijo no dia que o mesmo o resgatou daquele bar imundo que viva na base de escravidão. Hizaki veio ao encontro assim que Yuta entrou maravilhado com toda aquela luxuosa casa, falando que já tinha arrumado um quarto somente para ele.
Pensando agora sobre essas memórias de Yutaka: Que hora Kamijo o avisou sobre a sua chegada? Como ele já tinha tudo pronto? Às vezes penso que talvez eles estivessem o procurando, mas por que? Yutaka era apenas um órfão? Ainda acho que eles escondem um segredo de nós.
Por mais de 5 anos, eles cuidaram de Yutaka, pagaram seus estudos em gastronomia e aulas de bateria, ainda compravam comida de todos tipos somente para o filho caçula como Hizaki dizia, mesmo que aquilo tudo fosse estragar por eles sendo vampiros não consumiam.
Analisando agora vejo como fui ingrato com eles, tá que Kamijo errou e quebrou o voto de confiança com Yutaka em transformá-lo sem permissão, ainda não sei se um dia vou perdoá-lo por isso, mas foi nesse momento que Yutaka rejeitou ser um vampiro, ele desenvolveu um outro “eu”, então eu surgi como seu alter ego humano. Kai é apelido que ele usa quando toca sua bateria.
Não lembro direito o que aconteceu, só que Hizaki estava tentando me convencer das vantagens de ser um deles, por dias eu quis morrer e nisso arrastei Yutaka junto fazendo greve de fome só quando apaguei e a fome era demais para suportar ele se alimentou para continuar vivendo.
Então me afastei deles, indo morar sozinho no restaurante sendo egoísta com Yutaka privando ele do convívio dos irmãos, ficando cada vez mais deprimido que quase sumiu, apenas falava comigo em momentos de solidão. Só voltou a se animar quando o The Gazette veio ao restaurante, então encontrou um motivo para me ajudar na conquista do guitarrista e a conseguir a vaga de baterista na banda, um dos seus sonhos também.
Mesmo longe, Hizaki nunca deixou de cuidar de nós, mandando sempre garrafas de sangue, pois sabia que eu era incapaz de me alimentar sozinho. Por achar que ainda eu poderia fingir ser um humano, impedi Yutaka de aprender a morder e saber sobre outros da nossa espécie, eu somente pedia ajuda para o Kamijo quando realmente não tinha outra opção.
Resultado foi que quase acabei com a vida do Daigo. Yutaka agora está traumatizado e com medo, criei uma situação que o levou ao descontrole e se não fosse a família que afastei tudo estaria perdido. Preciso me desculpar com eles já deve ser de tarde, vou levantar ainda tenho que ir ver o Daigo e conversar com ele.
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Nada mudou na mansão como se eu nem tivesse saído, caminho até a cozinha os meninos sempre ficam por lá conversando, com celular no bolso olho as horas já passou da uma da tarde. Paro na porta vendo Hizaki sentado na mesa com Teru e Yuki conversando descontraidamente. É tão diferente ver eles vestidos com roupas normais de novo, só os via quando iam ao restaurante ou em vídeos sempre com toda a produção e figurinos da banda.
Teru me vê parado na porta e abre um sorriso feliz me chamando para juntar a eles à mesa.
— Yukkun, que bom você acordou. Dormiu bem? — Teru sempre usa esse apelido, sempre nos tratou como irmão mais novo.
— Teru-kun, acho que dormi sim. Apesar que fiquei tanto tempo apagado que estou tentando me ajustar ainda. — Teru me olha pensativo, eu me sento na cadeira vazia na frente da mesa.
— Quer dizer que Yutaka conseguiu conversar com Kai-san? — Hizaki fala já sabendo quem sou.
— Sim, Yuta me contou tudo o aconteceu, Hizaki-kun. Gomenasai…- Tento pedir desculpas para ele, abaixando a cabeça.
— Tá tudo bem Kai, entendo que você nunca aceitou, mas agora vai dar tudo certo. — Hizaki sempre sendo otimista.
— Não sei se vai, Yuta está com medo e bem assustado com o que fez, e tudo é minha culpa. Me afastei de vocês que sempre cuidaram de nós e me isolei deixando Yuta passar fome. — Levo as mãos ao rosto envergonhado.
— Não se culpe tanto assim, você queira tentar seguir uma vida normal como humano. Sei que ser vampiro não fazia parte dos seus planos, mas uma hora o instinto ia aparecer sendo difícil controlar a fome. — Hizaki tenta me acalmar.
— Kai-san, o importante é que chegamos a tempo de salvar Daigo-san. — Yuki fala numa boa sobre o que houve.
— Ah…! Yuki-san agradeço muito a vocês por isso. Nunca desistiram de mim mesmo me mantendo afastado de vocês. — Suspiro forte levantando a cabeça olhando para os irmãos incríveis que ganhei e não tinha dado muito valor.
— Kai, você e Yutaka precisavam de um tempo para compreender e lidar com a nova condição, só que demorou tempo demais para você aceitar e acabou acontecendo o acidente com Daigo-san. — Hizaki ressalta que minha rejeição foi o levou ao descontrole de Yutaka.
— Não sei, se mereço uma família tão boa como vocês. Gomen, será que pode me perdoar por ser tão egoísta? Se não fosse por vocês, talvez meu amigo Daigo estaria morto. — Eles olham para mim com ternura.
Então eles se levantam vindo na direção onde estava sentado, me dando um abraço coletivo dos três juntos, me deixando mais envergonhado.
— Estamos muito felizes em ter você de volta Kai-san. — Yuki comenta.
— Kai, sabemos tudo o que você passou, nunca que o deixaríamos sozinho de novo, Yukkun sempre será meu irmão. — Teru fala que de sua consideração como sendo seu irmão.
— Só de saber que você e Yuta chegaram a um acordo e agora Kai-san aceita, não tem que pedir perdão. — Hizaki como sempre muito compreensivo.
— Yutaka está dormindo agora, acredito que vai se sentir melhor morando aqui de novo com os irmãos. — Falo da decisão de Yuta ficar aqui na mansão.
— Que ótima notícia, muito bom ter vocês de volta. — Teru comenta.
— A casa sempre esteve aberta para Yuta e você, Kai. — Hizaki comenta sobre o fato de eu ter ido embora.
— Vai ser legal ter outro baterista para treinar comigo, esses dois só entendem de guitarras e fazer solo. — Yuki se sente só sendo o único baterista da casa.
— Com certeza, preciso mais que nunca treinar para não fazer feio com o Gazette, tem uma nova música e álbum saindo com a volta da banda. — Falar sobre música sempre me anima.
— Assim que se fala vamos pensar só nas coisas boas. Kai, você deve tá com fome, certo? — Hizaki me pergunta.
— Um pouco sim, mais Yuta falou que agora só alimenta de uma moça da comunidade que serve os vampiros. Nunca perguntei como Hizaki-san conseguia o sangue que me mandava. — Hizaki me olha pensativo.
— Exato, com a exposição do que aconteceu no restaurante. O conselho vampiro exigiu que Kamijo-san como mestre lhe ensinasse a controlar a fome para não acontecer outra confusão dessa. — Hizaki reforça o que Yuta havia conversado ontem.
— Hizaki-kun e o restaurante está fechado? Yuta só falou que vocês simularam um assalto, ele não me deixou ver a memória de que como ficou disse ter pesadelo com a cena. — Penso como ele ficou assustado com o sangue.
— Não se preocupe, o restaurante está fechado para reforma. Masashi teve que derrubar a porta para nós entrarmos e tivemos que fingir um assalto para chamar a ambulância e a polícia também apareceu para fazer perícia. Dei 15 dias de folga para os seus funcionários até o restaurante ficar pronto para abrir novamente. — Hizaki já cuidou de tudo.
— Mais uma vez, Arigatou Hizaki-san. Nem sei que faria sem você me ajudando sempre. — Hizaki é muito bom para nós.
— Deixa disso! Agora você precisa se alimentar antes de visitar Daigo-san. Teru-kun fica de olho na porta, se Kamijo aparecer vai brigar comigo. — Kamijo deve ter proibido Hizaki de usar o copo com sangue para me alimentar.
— Pode deixar Hizaki-kun, eu fico de olho. Kai, vou contigo visitar Daigo-san, Yutaka pediu para não deixar você ir sozinho. — Teru sendo o melhor irmão do mundo.
— Aqui meu querido beba logo. Nunca que vou deixar meu menino com fome. Mesmo que eu leve bronca do seu mestre Kamijo. — Hizaki sempre preocupado comigo, como uma mãe.
— Arigatou por vocês existirem e serem tão bons para nós.– Sorrio mostrando minhas covinhas e bebo minha refeição para não ficar com fome perto do Daigo.
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Algum tempo depois…
O tempo estava nublado com umas nuvens mais escuras anunciando possibilidade de chuva para essa tarde. Dias de chuva me entristecem. Yutaka sempre ficava triste nesses dias, então uma vez contou olhando a chuva cair na janela do nosso quarto no restaurante, que o faziam lembrar do hospital ligando para sua mãe avisando que sua avó havia falecido por conta da pneumonia, então toda vez que chove sinto este aperto no peito e a sensação que vou perder alguém importante para nós.
Teru está comigo no carro, estamos a caminho do apartamento de Daigo conforme pedido dele para Yutaka que até agora não apareceu, espero que ele não entre em sono profundo, preciso dele para não fazer mais coisas erradas do que já fiz.
Daigo havia salvo seu numero no meu celular o que facilitou pois enviei uma mensagem para pedir seu endereço, lembro ter seu endereço anotado no restaurante, mas Hizaki disse estar em reforma apesar de ter a chave sentia no peito que ainda não hora de ir lá, esse sentimento era Yutaka com medo do que aconteceu lá.
Essa seria a primeira vez que conheceria onde ele morava aqui em Tóquio, não queria que fosse a última vez. Depois de quase uma hora que saímos da mansão, o motorista chegou ao prédio indicado no endereço. Na mensagem Daigo disse ter avisado o porteiro sobre minha chegada era para entrar com o veículo e estacionar na vaga do seu apartamento no subsolo, sempre pensando em me proteger do sol da tarde.
Depois que descemos do carro, seguimos para o elevador Teru segurava minha mão que estava mais fria que o normal. Tentando me acalmar dizendo que tudo ficaria bem agora que Daigo estava em casa, ele estaria por perto, para certificar que eu não perdesse o controle outra vez. Me senti mais seguro com Teru sendo vampiro a mais tempo que eu e por Hizaki me alimentar para manter a fome sob controle.
Quando as portas do elevador abriram, travei na saída em frente à sua porta, um frio na espinha me ocorreu, sinceramente eu não estava preparado para ver Daigo e o que fiz deixando Yutaka faminto. Vendo meu estado Teru tentou contornar a situação.
— Kai-san, quer que eu aperte a campainha?
— Teru-kun, não sei se foi uma boa idéia, não estou seguro disso.
— Kai-san, não fica nervoso, estou aqui por você.
— Teru-kun, estou com medo. Ele é o melhor único amigo que já tive.
— Seu amigo está a salvo. Nada mais grave vai acontecer, você está alimentado, então Daigo não corre perigo.
— Teru-kun promete ficar por perto, tenho medo de machucá-lo.
— Kai-san, não se preocupe, foi por isso que Yutaka mandou eu vim junto para lhe dar força. Agora respira fundo, vai dar tudo certo.
Teru segura minha mão fria e com a outra aperta a campainha do apartamento à nossa frente. Senti falta dessa proteção e segurança de Teru-kun, acredito que ele devia ser super protetor com seu irmão. Yutaka me contou sobre o acidente com sua família, desde que Yuta chegou na mansão ele o adotou como seu irmão mais novo, mais eu o afastei indo morar sozinho, ele deve ter ficado bem ressentido achando que tinha perdido o irmão novamente.
Daigo abre a porta olhando para nós com um lindo sorriso no seu rosto, que me deixa envergonhado, pedindo para entrarmos fechando a porta logo em seguida. Nós levando até a sala onde havia um conjunto de sofá com dois e três lugares, uma mesa no centro com umas revistas em cima e uns envelopes abertos espalhados. Teru sentou-se no sofá com dois lugares e Daigo ao meu lado no sofá maior.
Daigo está com uma faixa no pescoço e também tem seu pulso enfaixado, ele está com uma camiseta com a gola bem aberta dando para ver mais atadura no ombro e curativos na parte de baixo do pescoço. Me parece um pouco pálido e com um ar cansado, mesmo assim está sorrindo para disfarçar.
— Daigo-kun, você está melhor? Onde estão seus pais?
— Estou sim, agora em casa vou me recuperar melhor. Eles foram conhecer a cidade, é a primeira vez que eles vêm a Tóquio.
— Ah…que legal! Isso me deixa mais tranquilo. Teru-kun veio junto para lhe conhecer.
— Muito prazer em lhe conhecer pessoalmente, Teru-san. Arigatou por atender meu chamado e chegar a tempo.
— O prazer é todo meu, Daigo-san. Acompanhei Yutaka todos os dias que ele foi ao hospital esperando você acordar. Que bom que você está bem agora.
— Teru-san, queria muito lhe agradecer por não deixar Yutaka sozinho, e lhe dar apoio. Acredito que ele ficou muito assustado.
— Yutaka ficou em choque, mas estava mais com muito medo de contar para Kai que machucou o amigo. — Yutaka ficou com muito medo, só me acordou depois que Daigo estava fora de perigo, ainda estou um pouco sonolento por conta dos dias que fiquei em sono profundo.
— Kai-san, que bom que você acordou. Yutaka conseguiu conversar com você, certo?
— Sim, ele me contou tudo o aconteceu, agora sei que parte da culpa foi minha. Gomenasai Daigo-kun…
— Kai-san, foi idéia minha fazer o jantar então tenho parte da culpa, fiquei com ciúmes de Yutaka e discuti com ele sabendo que vocês estavam com fome.
— Yutaka ficou com fome, por egoísmo da minha parte, minha rejeição em aceitar ser um vampiro, impedia Yuta de aprender a se alimentar.
Me encolho envergonhado, ele que sofreu todo dano tá todo machucado quase morreu ainda vem falar que foi sua culpa. Uruha queria de todo jeito me ver aquele dia, pois avisei que estava passando mal, se eu fosse um pouco mais firme e falado NÃO para ele nada disso havia acontecido, seria apenas uma entrega de sangue.
Por outro lado, esse desastre todo me fez perceber que eu estava afastando as pessoas que me amavam e me enganando que era um humano normal fazendo Yutaka e Daigo sofrer no processo.
Daigo segura minhas mãos e me olha com ternura com sorriso leve nos lábios. Não mereço toda essa consideração dele, prometi que não o machucaria, além de proteger o meu segredo, quer ser parte da culpa do ataque que ele sofreu.
Abaixo meus olhos desviando do contato com ele, tentando esconder minha vergonha. Daigo leva sua mão ao meu rosto para fazer um carinho seu contato com minha pele é gostoso, sua mão macia acariciando minha face devia me acalmar. Ao contrário sinto seu perfume natural, causando um arrepio fazendo meu corpo se lembrar do seu sabor, meus instintos querem sentir essa sensação novamente.
Envolto no cheiro do seu sangue que emana do curativo do seu pulso, minhas presas se sobressaem me assustando ao senti-lás com a ponta da língua levantando meu olhar para Daigo, mesmo não querendo ele arregala os olhos e se afasta um pouco puxando as mãos de volta para seu corpo, com certeza meus olhos também ficaram vermelhos, Daigo ainda tem receio do que ele sofreu nas mãos do vampiro.
— Gomen Daigo-kun! Não tenho controle sobre isso. — Levo minhas mãos ao rosto tentando esconder esse lado vampiro que aflorou.
— Não precisa se desculpar, Kai-san. Estou aqui para lhe ajudar. — Daigo aproxima suas mãos, abaixando as minhas para olhar para ele.
— Daigo-kun, que mania essa sua de ajudar. Olha só o que lhe aconteceu! — Seguro suas mãos que estão quentes em contraste as minhas que estão frias e estou tremendo com medo.
— Kai-san eu sabia do risco que é namorar um vampiro. Aconteceu um imprevisto e não esperava que a sua fome e sede fossem tão grandes. Só questão de controle agora. — Daigo tentando acalmar assumindo o risco do namoro com vampiro.
— Daigo-kun, é um risco que não quero que aconteça de novo. Quase você morreu, somente graças ao Teru e minha família que você tá vivo. A influência deles que lhe salvou e enganaram a imprensa com a história do assalto. — Daigo continua me olhando, estou ficando cada vez mais nervoso, não conseguindo voltar ao normal.
— Kai-san não precisa ficar nervoso assim. Já passou você só ficou impressionado com as faixas, mas veja logo vai estar cicatrizado e voltarei para trabalhar no restaurante. — Daigo continua tentando me convencer que tudo vai ficar bem.
— Não vai voltar. Yutaka está certo, melhor você tirar férias. Precisamos aprender a controlar a fome, com você por perto não vai dar certo. Só de sentir seu cheiro estou me segurando para não lhe atacar. — Não queria que fosse assim.
Daigo me olha com uma expressão triste, não acreditando que pedi para ele aceitar as férias para ficar longe, meu instinto vampiro quer sentir seu sangue novamente. Ainda bem que Teru veio junto, pois não sei se consigo me controlar por mais tempo.
— Tem certeza que vocês querem mesmo que eu fique longe? Será apenas uma férias, certo? Depois posso voltar para trabalhar no restaurante?
— Daigo-kun, quer me ajudar? Por favor, você pode ficar esse tempo com sua família. Lógico que sim, preciso de tempo para aprender autocontrole para ficar perto de ti. Você é meu melhor chefe, quem vai experimentar a comida para mim e tomar conta da cozinha.
— Então tá, meio a contragosto vou aceitar as férias. Meus pais que vão gostar que irei passar uns dias com eles. Teru-san promete cuidar do Kai e Yutaka para que eles se divirtam um pouco enquanto eu estiver fora.
— Daigo-san, não se preocupe, vou ficar colado no meu irmão do coração. Vou ajudar ele a ensaiar também, o Gazette precisa do seu novo baterista pronto para o próximo lançamento do álbum.
— Não podemos esquecer desse detalhe, Kai-san você vai estar bem ocupado com os ensaios que nem vai ver o tempo passar. Aproveite para passar um tempo com Uruha-san. O guitarrista lhe gosta muito, mesmo sem saber desse seu lado vampiro.
— Vocês dois já estão planejando o que devo fazer nesse tempo. Só pode ser brincadeira! Arigatou Daigo-kun por ainda ser meu amigo depois de tudo que lhe fiz passar. Melhor irmos embora Teru-kun, enquanto ainda tenho um certo controle.
— Kai-san, posso fazer um pedido antes de você ir embora?
— Tudo o que você quiser Daigo-kun. Pode falar, apesar que acho que já sei o que é…
— Queria me despedir de Yutaka, vai demorar para nos ver por causa das férias.
— Vou tentar chamá-lo, ele sempre aparece quando assumo a forma vampira. Será que entrou em sono profundo? Daigo-kun ele foi dormir ontem até agora não acordou, nem quando Hizaki me deu um copo de sangue.
Espero que ele atenda meu chamado, é muito estranho ele não surgir, Yuta devia estar exausto. Fecho meus olhos e me concentro em encontrá-lo dentro da minha mente. Yutaka tem facilidade para entrar em depressão e sumir por dias, ainda mais agora depois de tudo que aconteceu. Chamo por ele em voz alta mesmo, Teru e Daigo já viram como isso funciona.
— Yutaka, cadê você? — Ainda está dormindo?
“uhmm…”
— Acorde, Daigo-kun quer lhe falar.
“Neko-chan…”
— Sim, estou aqui com ele.
“Machuquei meu Neko-chan…”
— Daigo-kun está bem agora.
“Neko-chan tem medo de Yutaka…”
— Ele quer se despedir.
“Kai, meu Neko-chan tá muito ferido?”
— Não, muito ele já está em casa.
“Sério!? Que Daigo neko-chan quer falar com o vampiro que o mordeu?”
— Sim. Só abre os olhos para conversar com ele.
“Kai, mandei meu neko embora e ele ainda gosta de mim.”
— Yuta-chan estou bem, meu querido, foi só um acidente. Não tenho mais medo de ti, isso aconteceu só na hora que acordei, fiquei assustado acordando no hospital.
Consegui chamá-lo, isso é bom. Vou deixar eles conversarem um pouco, então abro os olhos para Yutaka ver Daigo a nossa frente.
POV Yutaka
— Seu apartamento é bem melhor que aquele quarto no hospital. Kai não sabe se controlar mesmo sinto minhas presas. Gomen! Neko-chan, ele te assustou?
— Nada melhor do que estar em casa. Kai ficou nervoso com os machucados e elas apareceram. Fiquei com receio dele surtar por causa disso. Teru-san acalmou ele.
— Teru-kun, não tinha lhe visto que bom que veio junto, Kai surta mesmo se ficar sozinho. Ele falou sobre as férias com Daigo neko-chan?
— Yukkun, você falou que ia me apresentar seu amigo. Acompanhei Kai como você pediu, ele estava mesmo muito nervoso quase voltou com medo de encontrar com Daigo-san.
— Kai ainda está processando tudo que aconteceu por causa da nossa fome. Agora assumiu que também foi culpado por ter machucado você, meu neko-chan. Melhor amigo que já tivemos. Teru-kun já estou mais controlado pode me dar um momento a sós, depois vamos embora.
— Yukkun, sem problemas tem uma sacada aqui na sala, vou ver a lua e as estrelas, enquanto espero vocês conversar. Daigo-san é só chamar se algo fugir do controle.
Teru se levanta indo até a porta da sacada do apartamento para me dar um pouco de privacidade com meu neko-chan que está cheio de curativos e faixas.
— Yuta-chan, sobre as férias Kai também quer quer fique esse tempo longe por que ainda precisa aprender a se controlar.
— Ainda é tudo novo, só de sentir seu cheiro minha forma vampira fica ativa. Gomen! Neko-chan não quero lhe ferir, é melhor ficar esse tempo com seus pais no hotel.
— Eu entendo agora, vou aproveitar as férias para me curar e estudar mais sobre os vampiros como forma de lhe ajudar.
— Ah! Neko-chan é para descansar, não precisa se preocupar pensando em como me ajudar. Quando você voltar vou poder lhe abraçar e beijar sem medo de te atacar, vou aprender controlar a fome.
— Isso mesmo, meu amor. Você tem que aprender para seguir com os ensaios e ajudar o Kai manter o controle perto da banda e do Uruha. Só me promete que vai ser divertir durante esse tempo, tá?
— Sem Daigo neko-chan por perto vai ser meio triste, não queria ter que te mandar para longe. Mas terei que suportar esse sacrifício, só quero seu bem. Tentarei ser mais ativo para ajudar o Kai no projeto com a banda.
— Não quero você triste e dormindo demais, ligarei para saber como você está se saindo. Melhor você ir já ficou de noite, logo você fica com fome e meus pais logo estão de volta. Não precisa esconder sua forma vampira de mim, ainda gosto dela, só preciso me recuperar do trauma.
— Daigo neko-chan, ainda não acredito que depois do que aconteceu você ainda gosta desse vampiro que só lhe fez mal.
— Pode parar com esse negócio de se culpar, foi acidente agora é seguir em frente. Isso vai ficar esquecido no passado, combinado? Teru-san melhor vocês irem embora.
— Vou sentir muitas saudades do meu neko chan, é doloroso me separar de ti, mas será por uma boa causa. Se cuida meu amor.
Teru volta da sacada, está na hora de ir embora se pensar como um vampiro um mês não devia ser nada para mim. Mas vou sentir esse tempo como humano ainda, queria muito abraçar e sentir o cheiro do seu cabelo sem culpa ou medo de perder o controle e machucá-lo outra vez.
Apenas aperto suas mãos quentes e me inclino depositando um beijo rápido nos lábios só para guardar na lembrança o seu gosto. Ao contrário do Kai, já meio que controlo a forma vampira, apesar do cheiro inebriante que emana do Daigo consigo reverter as presas e fecho os olhos me concentrando para ficar normal, me levantando do sofá.
— Daigo-san foi um prazer lhe conhecer pessoalmente.- Teru se despede.
— O prazer foi todo meu, Teru San. Arigatou por cuidar do Yuta-chan. — Daigo agradece.
— Sem problemas, vou ficar de olho no Yukkun. Hizaki e os meninos também. — Teru agindo como irmão super protetor.
— Teru-san não deixe ele ficar sozinho e nem escondido só no quarto. Com o restaurante fechado dá para se dedicar mais à música. Me escutou Yuta-chan! Chega de tristeza, lembre-se de se divertir. — Daigo sempre preocupado comigo.
— Pode deixar meu neko-chan, vou fazer o que você me pediu. Serei um vampiro melhor para quando você voltar, meu amor. — Fixo meus olhos nos seus com ternura, estou parado em pé a sua frente.
— São só férias, vai passar rápido, meu querido vampiro de olhos cor de fogo. — Daigo acaricia meu rosto deixando uma sensação gostosa.
— Vou ficar contando os dias para ter Daigo neko-chan nos meus braços novamente. — Não queria me despedir dele, mas me obrigo a fazer isso, será o melhor para nós dois.
Despedidas feitas Daigo nos acompanha até à porta, esperando entrar no elevador para dar um adeus final antes das portas fecharem.
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De volta a mansão…
O caminho de volta foi tranquilo e silencioso, apenas fiquei com meus pensamentos, às vezes respondendo algumas perguntas do Teru sobre o lançamento da nova música do Gazette. Teru estava tentando mudar de assunto e me animar com o projeto da banda.
A noite estava tranquila, o céu antes nublado agora estava limpo a Lua brilhava majestosa no céu e algumas estrelas resolveram aparecer. Mesmo com aquele sentimento de culpa de mandar Daigo para casa dos seus pais. Já estava mais confiante que agora tudo parecia que ia melhorar.
Arianne estava me esperando, primeiro contei como foi o encontro, depois me alimentei, ela me aconselhou dizendo que foi a melhor decisão que tomei em breve estaria controlado e poderia também deixar o Kai se aproximar do Uruha sem ter medo.
Estávamos todos na sala conversando com a TV ligada num programa de reality de música, mas poucos estavam prestando atenção. Teru entra na sala com a correspondência deles na mão, pouco espantado olhando para todos, mas direcionado para mim.
— Yukkun, tem uma carta especial para você.
— HÃ! Uma carta? Nem avisei nenhum serviço da mudança de endereço… É do restaurante?
— Exato! Não é do restaurante. Essa carta está escrito seu nome à mão e pelo cheiro foi com caneta tinteiro.
— Teru-kun, quem me mandaria uma carta escrita à moda antiga?
— Yukkun, você não está percebendo a importância dela. Pessoal olhem que foi lacrada com cera quente e um brasão antigo.
— Não estou entendendo nada. Vocês podem me explicar por que estão todos espantados com a tal carta.
— Isso que dá ficar no meio dos humanos e não saber nada sobre os seus semelhantes.
— Agora estou preocupado. Estou mais encrencado ainda com essa carta. Para de enrolar! Teru-chan já to nervoso.
— Calma Yukkun! Como os humanos dizem, essa carta se compara a encontrar o Santo Graal.
— Teru-kun, nunca encontraram o Santo Graal, é uma lenda do Rei Artur, acho que não está nessa carta.
— Yuta-chan, lógico que não é o Graal, foi só uma referência sobre a sua importância.
— Deixa eu ver essa carta. Feita de papel reciclado, escrita à mão e não tem remetente só um selo que parece com um brasão atrás. Como o correio sabia onde entregar?
— Por Drácula! Yutaka-san você não sabe mesmo sobre essa carta. Já sei como explicar. É igual ao bilhete dourado da fábrica de chocolate do Willy Wonka, é muito raro um vampiro novato receber esse tipo de convite. Você é um vampiro de sorte, meu querido irmão. Entre nós só Kamijo-san recebeu uma carta igual, há muito tempo atrás.
Só sei que eles estão todos eufóricos com essa carta ser um bilhete dourado do mundo dos vampiros.
Mais ainda estou aqui sentado pensando para o que será que fui convidado?
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