Kakatte Koi
46 Noite dos Artistas
Notas iniciais

Capítulo 46 — Noite dos Artistas
A noite caía com uma elegância quase sobrenatural sobre a cidade, e o restaurante Kakatte Koi, com suas luzes e vitrais góticos, parecia respirar um ar de mistério e encantamento. Não seria uma noite qualquer. Aquela seria lembrada para sempre como a Noite dos Artistas mais emocionante da história do lugar.
Yutaka, de volta ao restaurante depois de sua reconciliação com Daigo, estava envolvido até a alma num plano cuidadosamente arquitetado com a ajuda de sua família vampira e seus amigos de confiança. Ele havia escolhido a próxima Noite dos Artistas para se declarar publicamente e tornar Daigo seu noivo e parceiro para sempre. Era o gesto que Daigo sempre sonhou: ser reconhecido, ser assumido, ser amado diante de todos.
Yutaka organizou tudo com discrição. Envolveu os funcionários do restaurante em segredo, contratou um cerimonialista experiente e usou como desculpa para tirar Daigo de lá, um convite para um passeio pelo shopping, uma noite antes da festa.
Dias antes da Noite dos Artistas
Na mansão Versailles, a ideia da festa não partira só de Yutaka. Hizaki, sempre sensível ao amor verdadeiro, foi o primeiro a dizer:
— Finalmente, Yukkun... Você vai fazer isso! Não se preocupe com a sociedade vampira, eles já têm escândalos demais para lidar. O que importa é que você o ama.
Hyde-san, que ouvia tudo, segurava sua taça de vinho tinto na sala principal, encostado no bar, com o olhar carregado de séculos de experiência.
— Você sabe que a sociedade espera outra coisa de você. Uma aliança com alguma filha de sangue puro... — Hyde dá mais um gole no vinho — Se for para cair em desgraça, que seja ao lado de quem te ama.
— E, como sua madrinha glamourosa, já estou preparando o figurino ideal para ocasião. Vai brilhar mais que o reflexo da lua no cálice de cristal. — Hizaki complementa.
Kamijo cruzou os braços com um sorriso sarcástico.
— Só me avise antes para eu não aparecer com minha capa de cerimônias. Está deixando o orgulho de lado, e agindo como verdadeiro herdeiro do trono vampiro. Se Daigo-san é quem você quer... então não tema.
Teru, sempre mais sério, ainda guardava lembranças do hospital, quando Daigo quase perdeu a vida devido à sede descontrolada do irmão.
— Mas só tome cuidado com a parte emocional, né? Daigo-san passou por muito estresse desde... aquela noite no hospital. Eu estarei lá, pronto para ajudar com tudo, mas confesse que parte de você ainda tem medo.
Yutaka baixou o olhar.
— Tenho sim. Não dele... mas do mundo, da sociedade vampira. Como otou-san disse, esperam que eu me una a alguma vampira herdeira poderosa. Mas eu amo Daigo-kun. Não quero esconder mais.
— Sim, é o certo a fazer, ainda mais que ele o perdoou... Só cuide para que nunca mais aconteça. E... parabéns, Yutaka. Você merece isso. — respondeu Teru, colocando a mão no ombro do irmão.
— Eu sei, Teru-kun. Ele arriscou tudo por mim, e eu quero que todos saibam o quanto ele é importante.
Yuki, o discreto e leal, apenas assentiu com um sorriso fechado.
— Finalmente. Estávamos cansados de ver você se esconder atrás da culpa. Seja feliz. — Yuki, com um tablet nas mãos. — Ninguém vai entrar sem convite, vampiro ou não. Vou combinar com a equipe do restaurante para ensaiar a música tema que você escolher.
Masashi, o gigante gentil, deu um tapa leve nas costas de Yutaka.
— Vai mesmo amarrar esse coração? Parabéns, chef. Faço questão de supervisionar a segurança da noite. — completou Masashi, firme. — Quero ver esse restaurante lotado de brindes e gente rindo, e o melhor vinho de sangue na minha taça, por favor.
Yutaka assentiu, com um leve sorriso nervoso, olhando novamente para Hyde-san.
O líder vampiro escutava tudo junto à lareira, se manifestou.
— Yutaka-kun, se está esperando minha permissão... não precisa. Eu preferiria que você se unisse a alguém do nosso clã, por segurança política. — pensou antes de continuar — Mas... eu vi o que Daigo-san causou em você. Você sorri de verdade e seus olhos brilham diferente quando está com ele. E, mesmo ele sendo humano, não teme o que você é. Isso é raro. Então... vá em frente. Eu estarei ao seu lado.
Yutaka, emocionado, agradeceu o voto de confiança ao pai.
— Arigatô… a todos. Só quero que seja perfeito. Ele merece mais do que o mundo pode dar.
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Reunidos outra noite para acertar os últimos detalhes do noivado surpresa, Yutaka caminhava pela mansão ao lado de Hizaki e Kamijo enquanto discutiam animadamente. Hizaki-san, impecável em um robe de cetim rosa que refletia sua elegância natural, examinava minuciosamente desenhos de flores e toalhas, segurando uma taça de vinho em mãos.
Seu olhar atento aos toques refinados e sua postura sempre serena demonstravam a importância que dava a cada elemento da decoração.
— Yukkun, seu Daigo merece uma noite que reflita o amor e o respeito que você tem por ele — Hizaki disse com seu tom autoritário e delicado ao mesmo tempo. — Pensei que seria perfeito adornar o restaurante com pétalas de rosas-vermelhas espalhadas delicadamente sobre as mesas, criando um tapete natural de paixão e beleza. Além disso, velas em tons dourados, dispostas em elegantes candelabros, trarão uma iluminação suave e acolhedora, capaz de envolver o ambiente em um brilho quente e convidativo.
Kamijo, que até então escutava atentamente, sorriu e acrescentou com entusiasmo.
— Hizaki-san, suas ideias são incríveis! Acho que, além disso, poderíamos incluir uma seleção musical cuidadosamente escolhida para criar a atmosfera perfeita.
— Um pequeno palco com cortinas rubi será montado, exalando elegância e encanto, perfeito para que momentos especiais possam acontecer ali, como discursos emocionados ou até mesmo uma apresentação musical. — Hizaki disse imaginando.
— Músicas suaves, que evoquem sentimentos profundos e memórias felizes, tocando ao fundo, enquanto os convidados desfrutam da noite. Talvez até uma canção especial que tenha significado para Yukkun e Daigo — sugeriu Kamijo.
Yutaka, absorvendo cada palavra e visualizando o cenário em sua mente, respondeu com um sorriso emocionado.
— Sim, vocês estão certos, Hizaki-san, Kamijo-san. Quero que esta noite seja inesquecível para Daigo-san, que ele sinta todo o amor e dedicação que coloquei em cada detalhe.
Kamijo inclinou-se com uma mão no ombro de Yutaka.
— Este é um momento raro e significativo para você, tanto como vampiro quanto como homem. Escolher seu noivo humano publicamente, não, é algo que muitos fariam, mas você... é diferente e honra nossa família com isso.
Yutaka respirou fundo, refletindo sobre as palavras de Kamijo.
— Kamijo-san, é ele quem quero ao meu lado, seja qual for a consequência. Ele precisa saber que sempre foi minha escolha e agora também do Kai.
— A decoração precisa ser intimista, mas com elegância. Nada de exageros, Yukkun — disse Hizaki, sorrindo ao imaginar a cena. — Quero tudo em tons passionais. Ele vai se derreter.
Kamijo assentiu, aprovando com um leve sorriso.
— Concordo com Hizaki — murmurou Kamijo, cruzando os braços. — Mas também sugiro um quarteto de cordas ao fundo, pelo menos na hora do pedido. E que tal algo discreto, como um símbolo vampírico gravado no anel? Algo que represente vocês dois.
— A ideia das rosas-vermelhas e das velas douradas é perfeita, e o palco com as cortinas rubi dará um toque de sofisticação que ele merece. A música, claro, será essencial para criar a atmosfera ideal. Obrigado por me ajudarem a tornar este momento tão especial.
Enquanto continuavam a planejar, a noite avançava, e cada sugestão era recebida com entusiasmo e cuidado.
No salão principal da mansão, os familiares de Yutaka se reuniram para ajudá-lo a organizar a festa de noivado surpresa para Daigo. A atmosfera era descontraída, mas cada um trazia uma opinião importante sobre o evento.
— Então, essa será uma noite especial — comentou Teru, com um leve sorriso. — Daigo-kun merece esse reconhecimento, especialmente depois do que ele passou... Yukkun. Ele provou sua força e lealdade a você.
Yutaka assentiu, com uma expressão que refletia gratidão e remorso, lembrando-se de quando Daigo quase perdeu a vida.
— Além da memorável decoração, tenho que garantir uma experiência gastronômica para os convidados humanos. Vou analisar o cardápio para optar por pratos que combinem requinte e sabor.
Yuki entrou na conversa, cruzando os braços com um sorriso encorajador
— Então, é simples: Daigo-kun não é apenas seu parceiro; ele é uma parte fundamental da sua jornada, Yukkun. Agora, é hora de compartilhar isso. Precisamos decidir sobre os convites, recomendo serem impressos em papel de alta qualidade com detalhes em relevo dourado para refletir a elegância do evento.
Masashi, sempre atento e protetor, concordou, mantendo seu olhar firme.
— Concordo com Yuki-san. Daigo-kun é digno de todo respeito. E, como seu guarda-costas e amigo, eu garanto que nenhum problema atrapalhará essa noite. Vamos honrar essa decisão sem reservas.
Sentindo o apoio dos irmãos e amigos, Yutaka respirou fundo, mas sua apreensão persistia. Ele foi até o lado do pai, Hyde-san, para um conselho final.
— Otou-san... às vezes eu me pergunto se estou fazendo o certo. E se a sociedade vampira não aceitar Daigo-san?
Hyde, com um olhar sereno e compreensivo, colocou a mão sobre o ombro de Yutaka.
— Você está ouvindo a voz do coração, filho. Muitos vão questionar, mas você se tornou um vampiro que desafia os padrões. Eu também enfrentei resistências no passado... Mas, se Daigo-san é quem te completa, então a sociedade precisa entender que amor verdadeiro supera até as normas mais antigas.
Por fim, definiram o momento exato para a surpresa, planejando que Daigo fosse levado ao restaurante sob o pretexto de apenas uma Noite dos Artistas. Yutaka queria que a emoção fosse genuína, que cada instante fosse vivido intensamente, e que o noivado fosse o início de uma nova e bela etapa na vida dos dois.
A conversa se estendeu até altas horas da madrugada, entre risos, ideias e planos, todos compartilhando o mesmo desejo: criar uma noite mágica, repleta de amor, elegância e felicidade. E assim, com expectativa, eles se despediram, certos de que aquele noivado seria um momento inesquecível para Yukkun e Daigo.
Com esse apoio de sua família, Yutaka sorriu, confiante de que estava no caminho certo. A festa de noivado, preparada com a ajuda de todos, prometia ser um evento memorável para celebrar a união única entre um vampiro e seu amado humano.
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Na noite anterior à festa
Yutaka caminhava de um lado para o outro na cozinha do restaurante, sentindo o suor escorrer pela sua testa. Com o celular em mãos, ele tentava conter a ansiedade enquanto elaborava os últimos detalhes do plano para surpreender Daigo. A Noite dos Artistas se aproximava, e ele sabia que precisava tirar o amado do restaurante para que a noite fosse especial.
Quando Daigo finalmente apareceu nos fundos da cozinha, com um sorriso relaxado que iluminou o ambiente, Yutaka não hesitou em abraçá-lo pela cintura.
— Neko-chan... — começou Yutaka, tentando manter a naturalidade na voz. — Amanhã é a Noite dos Artistas, e eu gostaria que hoje você me ajudasse a escolher algumas roupas novas. Pensei que poderíamos dar uma volta no shopping, comer algo leve, talvez até ver um filme e... quem sabe, algo mais para o resto da noite.
Daigo o olhou com uma expressão desconfiada, uma risada escapava de seus lábios.
— Você? Indo ao shopping? Que estranho. Está aprontando alguma coisa?
— Eu? — Yutaka fingiu indignação, colocando uma mão no peito como se ofendido. — De jeito nenhum! Só quero ver você experimentando umas roupas lindas e... bem, é hora de tirar você daqui. Você tem trabalhado muito, e temos funcionários para isso.
O sorriso de Daigo se alargou, e ele respondeu, um brilho travesso nos olhos.
— Hum... não sei, mas, se for para você me ver vestir e despir, eu aceito. Estou curioso para ver como isso vai acontecer.
— Neko-chan, não me provoque! — exclamou Yutaka, empurrando-o levemente em direção ao quarto do restaurante, rindo nervosamente. — Suba logo, para trocar esse uniforme de chef.
Assim que Daigo subiu as escadas, Yutaka correu para a cozinha, onde a equipe já estava em plena atividade. Hizaki e Teru se escondiam no salão, organizando arranjos florais, enquanto Kamijo conferia os equipamentos do palco e as mesas. Yuki e Masashi, por sua vez, vigiavam as portas, prontos para garantir que a surpresa não fosse revelada.
Com todos em seus postos, Yutaka aguardou ansiosamente a descida de Daigo. Assim que o amado apareceu novamente, ele parecia hesitar, pronto para entrar no salão. Mas Yutaka não deixou que ele o fizesse. Aproximou-se, tomou a iniciativa e, em um gesto inesperado, beijou Daigo suavemente, levando-o para fora do restaurante.
— O que foi isso? — questionou Daigo, surpreso, mas encantado pelo momento.
— Uma pequena amostra do que está por vir — respondeu Yutaka, piscando para ele enquanto pegava sua mão e o guiava para o carro que já os esperava na saída.
A noite caiu lentamente sobre a cidade, tingindo os prédios com um dourado suave que se perdia no horizonte. Yutaka caminhava ao lado de Daigo pelo shopping, observando cada detalhe com aquele brilho sutil nos olhos. O vampiro fingia distração, mas seu coração dhamfir — ainda que não pulsasse como do Daigo — estava disparado. A festa surpresa estava montada no restaurante, os convidados já instruídos, e ele só precisava manter Daigo longe até o momento certo.
A noite continuou com eles explorando o shopping, entrando em algumas lojas. Daigo experimentou e desfilou com várias roupas, desde as mais simples até lindos yukatas e ternos de grife, onde risadas e sussurros se misturavam ao som das luzes cintilantes.
Yutaka, sempre atento a cada detalhe, saiu das lojas com algumas sacolas na mão. Ele havia planejado meticulosamente cada passo daquele passeio — o shopping, o jantar, um filme, olhar as vitrines que refletiam seu reflexo junto ao de Daigo, tão vivo, tão humano.
O jantar foi em um encantador bistrô aconchegante, onde Daigo foi servido com a melhor refeição do cardápio. Yutaka acompanhava seu amado com uma taça de vinho tinto, onde suas covinhas apareciam, e suas risadas se mesclavam à música suave.
Ao final do jantar, eles se dirigiram ao cinema.
O filme, um thriller romântico, mantinha a tensão no ar, mas a verdadeira adrenalina pulsava entre os dois.
Daigo se lembrou do dia do cinema na mansão e da história que inventou junto com Yuta-san, sobre o milho mágico que só crescia na lua cheia, olhando para o pote de pipoca no seu colo, tudo para enganar Uruha-san.
Yutaka sentia a excitação crescer a cada toque discreto, a cada olhar que trocavam, como se o universo ao redor deles desaparecesse, deixando apenas os dois em um mundo de possibilidades.
O passeio foi cheio de risos, mãos dadas e pequenos gestos de carinho, e, ao final da noite, ao invés de voltar direto para a mansão Versailles, seguindo ordens de Yutaka, o motorista levou ambos para o apartamento de Daigo, com a desculpa de descansarem um pouco.
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Quando chegaram ao apartamento, os risos diminuíram, dando espaço a silêncios que diziam mais do que qualquer palavra. Daigo fechou a porta com um clique suave, as luzes estavam suavemente baixas, criando um ambiente perfeito para a intimidade.
Yutaka, um mestre na arte de seduzir, olhou nos olhos de Daigo, a intensidade de seu olhar prometendo algo especial. Ao sentir o vampiro aproximar-se por trás, rendeu-se aos seus braços, envolvendo-o com firmeza e ternura.
Yutaka encostou Daigo contra a parede da sala, suas mãos firmes segurando a cintura dele, enquanto sua língua castigava com fervor seu lóbulo da orelha, descendo com beijos pelo pescoço que pulsava. Os suspiros ficaram mais intensos. Daigo arfava sob os toques habilidosos do vampiro, seu corpo completamente entregue àquela presença dominante.
Yutaka virou-o devagar, as mãos passando pelas laterais do corpo do seu humano, subindo por baixo da camisa, tirando-a, enquanto seus lábios encontravam os de Daigo com desejo contido por tempo demais. O beijo era como uma dança de vontades, a língua do vampiro explorando com reverência e fome. Ele o conduziu ao quarto, onde a luz era baixa e os lençóis já os aguardavam.
As roupas foram se perdendo pelo caminho, revelando peles sensíveis ao toque, músculos que tremiam ao menor gesto. Daigo arqueou-se sob os beijos que desciam pelo seu peito, seguido por uma mordida suave. Yutaka contornando com os caninos o limite do autocontrole. Os dois se deitaram, as pernas entrelaçadas, o calor entre eles crescendo como brasas prestes a incendiar.
Yutaka explorou cada centímetro do corpo de Daigo com beijos, mordidas suaves e toques envolventes. O prazer era quase místico, amplificado pela conexão antiga e verdadeira entre os dois.
Daigo se entregava com doçura, mas havia fome em seus gestos, uma urgência sussurrada que Yutaka reconhecia. Ele o puxou para si com reverência, deixando-se afogar naqueles olhos escuros que sempre lhe pareceram a coisa mais humana e mais preciosa de todas.
— Eu te desejei por tanto tempo — murmurou Yutaka, as mãos cravadas na cintura do outro. — E ainda assim, cada toque seu é como se fosse a primeira vez.
Daigo sorriu, arqueando o corpo sob ele.
— Então, não pare nunca.
Em momentos, Yutaka sussurrava palavras em línguas antigas, esquecidas, sua pele acendendo sob o toque humano, sentia a pulsação, a vida vibrando em cada toque, e isso o deixava em um estado de êxtase. Em outros, era Daigo quem dominava, com beijos famintos e mãos trêmulas de paixão. Yutaka, deitado sobre ele, sustentava-se com firmeza enquanto Daigo o puxava com urgência pelas costas, os quadris se encontrando num ritmo que explodia em gemidos baixos e promessas suadas.
As mãos do humano cravavam-se nos ombros do vampiro, pedindo mais, pedindo tudo. A cada investida, a excitação beirava o insuportável, os corpos se chocando um ao outro como se feitos sob medida.
Quando o clímax chegou, os corpos se arqueando em uníssono quase sagrado, Yutaka, em êxtase, deixou que seus instintos se libertassem por completo.
O cheiro de Daigo, sua pulsação latejando no pescoço, enlouquecia o lado mais primitivo de Yutaka. No ápice, quando ambos se perderam em suspiros e tremores, o dhamfir cravou os dentes na carne exposta, com delicadeza e paixão, sorvendo o néctar quente com reverência e cuidado. O sangue, misturado ao clímax, os uniu em um ciclo de prazer e entrega que transcendeu o físico.
O gosto do sangue quente, doce, carregado de adrenalina e amor inundou seus sentidos.
Não houve dor; Daigo não recuou. Ao contrário, gemeu com o prazer do gesto, oferecendo-se por completo. Era a prova de sua entrega, de sua confiança total.
— Toma o que é teu... — murmurou ele, arfando contra a boca de Yutaka. — Sempre fui teu.
O sangue misturou-se com o suor, o desejo e a eternidade contida naquela noite.
Daigo arfou, os olhos arregalados e vidrados. O calor se espalhou pelo corpo como fogo líquido. Yutaka bebeu apenas o suficiente — para sentir a vida, o néctar, o amor pulsando em cada gota. Quando se afastou, havia sangue escorrendo por seu queixo, e Daigo estava corado, com um sorriso de prazer nos lábios.
— Isso... foi... — Daigo não conseguiu completar. Riu, puxando Yutaka para si, lambeu o sangue escorrido. — Eu não tenho palavras.
Yutaka o beijou, e seus lábios ficaram manchados de sangue, ainda na boca de Daigo.
— Eu também não tenho. Enfim, consegui lhe dar prazer com minha mordida — sussurrou o vampiro. — Nunca mais vou temer perder você.
Daigo sorriu, com os olhos fechados lentamente.
— Ainda sou humano, mas por você... não tenho mais medo.
Eles se aninharam entre os lençóis bagunçados, e Yutaka, alisou os cabelos de seu Neko-chan, sussurrando palavras de carinho e promessas eternas.
Quando tudo cessou, eles permaneceram abraçados, corações desacelerando juntos, o quarto mergulhado em um silêncio cheio de sentido.
O tempo pareceu parar. A respiração ofegante de Daigo e os olhos vermelhos de Yutaka se encontraram em silêncio, um pacto selado pelo amor e pela luxúria.
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A manhã chegou tarde para os dois. O sol já estava a pino quando Daigo abriu os olhos.
Acordando primeiro, virando para o lado, com os cabelos bagunçados. Olhou para Yutaka, que dormia tranquilamente com um leve sorriso nos lábios.
— Que horas são?! Meu vampiro dorminhoco — murmurou Daigo, rindo sozinho, antes de bocejar.
Yutaka, deitado com o peito nu e cabelos desgrenhados sobre o travesseiro, apenas murmurou:
— Meio-dia e meia… talvez uma da tarde.
Yutaka, abriu os olhos preguiçosamente, com um brilho provocante.
— Dormi só um pouco, para falar a verdade. Estava apreciando você dormindo... e planejando te manter aqui o dia todo.
— O dia todo?! Yuta-san, são quase duas da tarde! Você tem noção de que hoje é a Noite dos Artistas?!
Yutaka o puxou de volta para a cama.
— Só mais um pouco. Ninguém vai começar sem o anfitrião. E... você precisa de um banho. Comigo.
Daigo tentou resistir, mas se derreteu no segundo em que os lábios de Yutaka tocaram sua nuca. Entre risos, protestos e carícias, os dois passaram mais uma hora entre beijos e provocações, enrolados entre os lençóis e depois no chuveiro.
— Eu deveria estar no restaurante às três! — Daigo sentou-se de súbito. — Yutaka! Eu sou o anfitrião, não posso simplesmente chegar atrasado assim!
Yutaka, com um sorriso tranquilo e cheio de confiança, o puxou de volta para seus braços, envolvendo-o em um abraço reconfortante.
— Fique tranquilo… Eu organizei tudo. Você só precisa chegar lá às seis horas, sem pressa e sem preocupações — assegurou Yutaka, com uma voz suave que parecia acalmar até as tempestades mais intensas.
— Como assim você organizou tudo? — Daigo perguntou, franzindo a testa, surpreso e um pouco desconfiado, tentando entender como Yutaka havia assumido o controle da situação sem que ele soubesse.
— Confie em mim — respondeu Yutaka, com um olhar cheio de mistério e segurança. — Avisei Hizaki-san, ele estará lá com todos os preparativos prontos. Você só precisa se arrumar com calma e estar pronto para aproveitar a noite.
Yutaka acariciou os cabelos bagunçados do namorado com ternura, enquanto sua voz ganhava um tom mais gentil.
— E talvez comer algo antes, para ter energia. Gostaria que eu fizesse um lamem para você? Sei que é seu prato favorito e vai te deixar revigorado.
Daigo olhou para ele com uma mistura de desconfiança e curiosidade.
— Você está estranho hoje. Calmo demais… o que está aprontando, Yuta-san? — perguntou Daigo, com um sorriso brincalhão, tentando desvendar o que se escondia por trás daquela serenidade incomum.
O vampiro apenas sorriu de lado, aquele mesmo sorriso de covinhas que sempre o desarmava.
— Não se preocupe. Hoje a noite é sua, Daigo neko-chan — disse ele, com uma voz suave e cheia de carinho.
— Você vai se arrepender de me fazer chegar atrasado. Hizaki-san vai me matar.— Daigo respondeu, meio brincando, meio sério, enquanto uma leve tensão ainda pairava no ar.
Yutaka sorriu, um som suave e contagiante que preencheu o ambiente, dissipando qualquer preocupação restante.
— Não se preocupe com Hizaki-san, ele sabe como cuidar de tudo. Agora, venha, vamos preparar esse lamem e aproveitar cada momento antes da noite começar. Quero que você esteja relaxado e feliz, porque hoje é um dia especial para nós dois.
Enquanto Yutaka começava a preparar o lamem na cozinha, Daigo aproveitou para se sentar e relaxar um pouco, sentindo a ansiedade diminuir gradualmente. Assim, entre risos, carinhos e o aroma delicioso do lamem recém-preparado, os dois se prepararam para uma noite.
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