Kakatte Koi
47 Noite dos Artistas parte 2
Notas iniciais

Capítulo 47 — Noite dos Artistas parte 2
O sol já havia se escondido quando Yutaka e Daigo saíram do apartamento. O vampiro parecia tranquilo, como se aquela fosse apenas mais uma noite comum, mas por dentro seu coração imortal palpitava de ansiedade. Vestia-se de preto dos pés à cabeça, com uma camisa social justa, calça de alfaiataria e um sobretudo de veludo que lhe conferia um ar de aristocrata moderno.
Ao seu lado, Daigo-san usava um blazer vinho sobre uma camisa escura, com os cabelos um pouco bagunçados pela pressa da saída. Ainda esfregava os olhos, como se o mundo ao redor ainda estivesse no modo soneca.
— Você me fez perder a hora, Yuta-san...
— Eu te fiz viver um dia inesquecível. Isso não vale mais do que qualquer relógio? — respondeu ele com um sorriso travesso, entrelaçando seus dedos aos do futuro noivo.
E, enquanto saíam do apartamento, Daigo ainda não fazia ideia do quanto aquela noite mudaria tudo para sempre.
O carro estacionou suavemente diante da fachada imponente do restaurante, agora transformada por uma iluminação suave em tons rubros e dourados, que projetava reflexos cálidos sobre a calçada de pedra.
Daigo, ainda um pouco desorientado com o atraso e os beijos de despedida de Yutaka, ajeitou o colarinho da camisa, enquanto o vampiro ao seu lado mantinha um leve sorriso no canto dos lábios.
Nenhuma movimentação visível na fachada iluminada. O letreiro brilhava como sempre, mas a atmosfera parecia suspensa, como se algo estivesse prestes a acontecer.
— Tem certeza que hoje há um evento aqui? Nem os funcionários estão na porta... — Daigo estranhou.
Yutaka fingiu procurar um papel no bolso.
— Me disseram que a equipe reservou tudo para a “Noite dos Artistas”. Estão nos esperando lá dentro. Venha.
— Tem certeza de que está tudo bem? — perguntou Daigo, desconfiado. — Todo mundo está me mandando mensagens perguntando onde eu estou. Isso nunca acontece…
— É porque hoje você é o anfitrião — respondeu Yutaka com um brilho nos olhos. — Mas só desta vez, Neko-chan. Prometo que depois te deixo cuidar de tudo novamente.
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Enquanto Yutaka distraía Daigo durante a tarde, Hizaki e Teru coordenavam os últimos retoques. Luzes suaves, um palco montado com instrumentos prontos para uma sessão de música ao vivo, cortinas de veludo vermelho, pétalas de rosas formando um caminho do palco até uma mesa grande com comidas sofisticadas e taças preparadas para o brinde.
— A pulseira de rubis já está pronta — Hizaki enviou mensagem para Yutaka. — E o anel está na caixinha preta, como você pediu.
O restaurante estava impecavelmente decorado para a ocasião, com velas douradas espalhadas nos candelabros, enfeites nas mesas e luzes suaves que refletiam nas taças de cristal, criando um ambiente intimista e sofisticado. Convidados, vampiros e humanos, músicos antigos e novos rostos, estavam reunidos. Entre eles, Hyde, Teru, Hizaki, Kamijo, a banda The Gazette, que havia sido convidada como “atração especial”.
Yutaka se adiantou, abrindo a porta do restaurante como um cavalheiro clássico. Por um segundo, Daigo estranhou a ausência do movimento comum no restaurante. Mas, ao entrar com Yutaka, um mar de escuridão os envolveu por um segundo... até que luzes se acenderam subitamente com um efeito dramático, revelando uma decoração luxuosa: cortinas douradas, candelabros acesos, arranjos de rosas negras e vermelhas, e dezenas de convidados vestidos elegantemente, aplaudindo e revelando uma plateia de amigos que, sem saber de nada, foi recebida por uma explosão de aplausos. O salão inteiro brilhou em tons quentes, e a música suave começou.
— SURPRESA!!!
Daigo arregalou os olhos, deu um passo para trás, mas Yutaka o segurou pela cintura.
— O que... é isso? — perguntou Daigo, surpreso, olhando ao redor.
A música tomou o ambiente, suave e envolvente. O som de taças se erguendo se misturava ao riso dos convidados. As paredes estavam enfeitadas com fotos de momentos vividos, de Daigo e Yutaka, de ensaios e turnês, de noites no restaurante e dias comuns transformados em lembranças inesquecíveis.
Daigo ficou imóvel, os olhos brilhando de emoção. Seu coração humano parecia pequeno demais para conter tudo aquilo. E, no meio da multidão, Yutaka se aproximou com uma taça de vinho escuro nas mãos. Entregou uma a Daigo e ergueu a sua como num brinde particular entre os dois.
— Bem-vindo à sua noite — disse ele, com um sussurro quase reverente.
Daigo piscou, engolindo em seco. A taça tremia levemente em sua mão.
— Yutaka... — ele começou, mas foi interrompido.
— Só espera — sussurrou Yutaka, guiando-o para o centro.
Daigo ainda não entendia até ver Yutaka subir no palco, respirar fundo, pegar o microfone.
Yutaka-san vestia um terno negro impecável que acentuava seu olhar profundo e misterioso. Ele olhava ao redor com um misto de ansiedade e determinação, sabendo que aquele era o momento.
Quando a música silenciou e os convidados voltaram sua atenção para o palco, Yutaka, segurando o microfone, com sua voz suave, mas carregada de emoção, ficou em silêncio.
— Todos aqui sabem o quanto esta noite é importante. Esta banda, o The Gazette — apontou para Ruki, Reita, Aoi e Uruha, elegantemente vestidos e com taças na mão. — Esta família que criamos significa muito para mim.
Um foco de luz iluminou Yutaka.
— Esta noite não é sobre música, nem sobre fama. É sobre amor. É sobre a coragem de ser vulnerável diante de todos. — Ele virou-se para Daigo. — Eu passei tempo demais me escondendo. Mas não vou mais.
— Olha só, ele... o astro da noite. E nem sabe disso — Reita sussurrou para Uruha.
Daigo sorriu sem entender nada.
— Hoje, diante de todos os meus amigos e da minha família, há uma pessoa em especial que significa ainda mais. — Ele olhou diretamente para Daigo, seus olhos cintilando com uma mistura de amor e nervosismo. — Daigo-san, você sempre foi minha âncora, meu apoio... o amor que eu não sabia que podia encontrar.
Yutaka desceu os degraus do palco, ajoelhou-se no meio do salão, sob os olhos atentos e emocionados de Daigo, tirando do bolso interno do blazer uma pequena caixa de veludo negra. Dentro, um anel delicado, cravejado com uma pedra vermelha que parecia capturar luz própria.
— Eu sei que nossa ligação é mais profunda do que a maioria pode compreender. — Ele abriu a caixa, revelando um anel de prata com um rubi brilhante, simbolizando o sangue que os conectava.
Um silêncio reverente se espalhou pelo salão. Os olhos de Daigo se encheram de lágrimas enquanto ele escutava, incapaz de conter a emoção.
— Daigo-san, eu quero algo que vá além do nosso laço de sangue, mas por amor e pela vida que construiremos juntos. Você me aceita como sou, e sempre foi você quem eu quis ao meu lado.
Yutaka segura a respiração, sentindo o seu coração dhamfir bater forte. Ele olha ao redor, vendo os rostos expectantes e a reação de seu Daigo neko-chan.
— Você sempre disse que queria ser reconhecido, estar ao meu lado sem ser nas sombras — Yutaka olhou brevemente para Uruha — Então, aqui estou, pedindo diante de todos: aceita ser oficialmente meu noivo? Meu companheiro? Meu amor eterno?
Daigo estava sem palavras. Ele segurou a caixa com o anel, olhou para Yutaka e respondeu de forma firme e emocionado.
— Você ainda pergunta? Seu bobo. — Daigo riu. — Mesmo antes de entender quem você era... eu já sabia que era você.
Lágrimas discretas surgiram em seus olhos.
— Claro que aceito, Yuta-san. É tudo o que sempre quis: ser reconhecido como seu parceiro, seu noivo.
Yutaka, sem hesitar, colocou o anel no dedo de Daigo enquanto os convidados explodiam em aplausos, acompanhados por uma chuva de pétalas, e a música da banda começava a tocar.
Yutaka não conseguiu conter a emoção. Em um impulso de pura alegria, ele abraça Daigo com força, sem se importar com os olhares ao redor, levantando-o e girando-o no ar.
As lágrimas escorriam silenciosas pelo rosto de Daigo enquanto ele assentia. Aplausos explodiram, e alguns convidados vampiros discretamente afastados da luz intensa sorriam com nostalgia.
Kamijo brindava em silêncio com Hyde-san, de longe, acenou com a taça na mão, orgulhoso. Teru, Yuki e Masashi vibravam com entusiasmo.
— Arishiteru, Daigo neko-chan. Obrigado por me aceitar de volta. — sussurrando no seu ouvido
— Eu também te amo, Yuta-chan. Vamos enfrentar o futuro juntos. — Se beijaram no centro do salão, em perfeita harmonia.
A noite era deles, e a celebração de um amor que transcendeu a eternidade e se solidificou diante de todos.
Hizaki correu até o palco, com um leque dourado nas mãos, abanando dramaticamente os olhos, como se também estivesse prestes a chorar.
— Finalmente! O mundo pode dormir em paz esta noite! — exclamou, fazendo todos rirem. — Agora... tragam os presentes! Que venha a parte glamourosa desta união!
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Músicos iniciaram um jazz suave, enquanto os convidados se aproximavam para abraçá-los. Estavam ali amigos humanos, artistas, aliados, vampiros e, é claro, os membros da banda The GazettE. Ruki, Aoi e Reita estavam impecáveis, com roupas cheias de estilo e um sorriso de orgulho pelo chef baterista que agora se mostrava tão apaixonado.
Uruha, único entre eles que conhecia toda a verdade, observava com um brilho discreto no olhar.
Reita foi o primeiro a atravessar o salão e puxar Yutaka para um abraço forte, quase esmagador.
— E pensar que você era o mais quieto da banda… — murmurou Reita. — E agora é o primeiro a se casar. Dá para acreditar?
Ele entregou uma caixa envolta em couro escuro. Dentro, havia um par de baquetas feitas à mão, com detalhes em ouro branco e os nomes gravados:
“Daigo & Yutaka — uma batida eterna.”
— Você não pode parar de tocar, mesmo usando uma aliança no dedo — disse com um sorriso de canto.
Aoi se aproximou, como sempre refinado, e entregou um frasco de perfume raro.
— Isso é para vocês dois, feito com flores que só desabrocham à noite — disse ele, guiando Daigo a borrifar um pouco no pulso. — É para você lembrar que, mesmo na escuridão, há beleza. Como esse amor de vocês.
Ruki surgiu logo em seguida, analisando o ambiente com um olhar de crítico rigoroso. Ele fez uma pequena careta ao notar o bolo decorado com rosas negras.
— Hum... Achei que eu seria o mais dramático aqui hoje, mas vocês se superaram. — Todos riram, e ele estendeu uma pequena caixa prateada a Daigo. — É uma corrente. Discreta, elegante... e com um pequeno pingente que tem um sensor. Se o Yutaka-san sumir, ela vibra. E você me liga. A gente já resgatou ele de coisa pior.
— Ruki! — Yutaka tentou protestar, mas riu. Daigo quase chorava de rir, agarrado ao presente.
Todos riram, inclusive Yutaka, que tapou o rosto, sem saber se agradecia ou pedia desculpas.
Por fim, Uruha-san chegou. Estava deslumbrante em um terno bordô escuro, com o cabelo preso em uma trança lateral, e o olhar sereno, mas carregado de saudade. Ele se aproximou lentamente de Yutaka.
— Ainda me lembro de quando dividimos o palco pela primeira vez. — Seus olhos brilharam. — E mesmo com tudo que aconteceu entre nós... estou feliz que tenha encontrado sua alma gêmea. — Ele estendeu uma caixinha com uma flor seca envidraçada. — É uma das primeiras flores de cerejeiras que colhemos juntos, lembra? Preservada. Para você nunca esquecer quem você era, e como se tornou quem é.
Yutaka segurou o presente com as mãos trêmulas.
— Arigato... por tudo. Por fazer parte da minha história — sussurrou ele.
Daigo, ao ver a troca de olhares entre os dois, simplesmente segurou a mão de Yutaka. Uruha sorriu para ele também, genuinamente.
— Cuide bem dele, Daigo-san. Não é todo dia que se ama um imortal — disse ele com um brilho sábio no olhar.
Uruha-san, emocionado, entregou um colar com um cristal escuro.
— “Um talismã para protegê-lo quando eu não estiver por perto.”
Daigo respirou fundo antes de responder.
— Eu sei que não fui o primeiro... mas espero ser o último. Arigato... por não guardar rancor. E por estar aqui.
Uruha assentiu suavemente.
— O que vocês dois compartilham é especial. Ele me amou de maneira intensa, mas, ao seu lado, descobriu a paz. Isso é algo raro.
Ao perceber os vestígios de maquiagem no pescoço de Daigo, Uruha levantou uma sobrancelha com uma curiosidade discreta, seus olhos brilhando levemente com a mistura de surpresa e interesse. Aquelas pequenas marcas, quase imperceptíveis para um olhar desatento, contavam uma história silenciosa e cheia de nuances, revelando algo mais profundo sobre o momento que Daigo havia vivido.
— Está escondendo as marcas? — ele murmurou, com um leve sorriso nos lábios. — Como é a sensação de ser sugado durante um momento íntimo? — perguntou com uma mistura de curiosidade e provocação.
Daigo riu, um pouco envergonhado, hesitou por um instante e se inclinou ligeiramente para responder em um tom confidencial, sussurrando, quase como se compartilhasse um segredo raro e precioso.
— Não sei explicar... É estranho, mas, ao mesmo tempo, fascinante sentir essa espécie de sucção, como se fosse puxado para um lugar onde tudo é mais intenso e verdadeiro. Não dá para descrever com exatidão... É como morrer e renascer ao mesmo tempo.
Uruha escutava atentamente, absorvendo cada palavra de Daigo, percebendo que ali havia mais do que uma simples resposta.
— É uma mistura de vulnerabilidade e prazer, algo que te deixa completamente entregue ao momento, como se o mundo ao redor desaparecesse e só restasse aquela conexão intensa e profunda. Talvez eu devesse arranjar outro namorado vampiro para você... Yuki e Masashi estão disponíveis, o que acha? — Daigo indagou, apontando para os vampiros conversando no canto do salão.
Uruha soltou uma risada breve, cruzou os braços, compreendendo que aquelas marcas no pescoço não eram apenas vestígios físicos, mas símbolos de experiências vividas e sentimentos intensos que nem sempre são fáceis de expressar.
— Ainda tenho um certo receio em relação a esse tipo de intensidade. Prefiro observar à distância... por enquanto.
Yutaka o observava em silêncio, com o olhar marejado e o coração leve. Pela primeira vez em anos, sentia que tudo estava exatamente onde deveria estar.
A banda, unida como quando se conheceram naquele mesmo lugar para audição do baterista, fez um brinde no centro do salão. Os fotógrafos capturaram o momento, congelando-o como um quadro eterno.
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O restaurante logo se encheu de música, risos, discursos improvisados e brindes. Daigo, ainda atordoado com a surpresa, abraçou Yutaka com força, seus olhos marejados.
Os presentes continuaram, e agora era a vez da família vampira de Yutaka presentear o casal.
Hizaki-san entregou uma capa de veludo carmesim com bordados em prata.
— “Para as noites frias em que mesmo o calor de um dhamfir não seja suficiente.”
Kamijo-san, com um sorriso orgulhoso, entregou uma pequena caixa de madeira entalhada com o brasão Versailles.
Dentro, havia um pingente de prata antiga com um rubi menor incrustado, feito com o mesmo metal do anel de noivado. Era um símbolo da linhagem vampírica que agora reconhecia Daigo-san como parte dela.
— Este pingente carrega o brasão de nossa família, Daigo-san. Você não é somente o amor de Yutaka-san. Agora, a partir de hoje, você é parte de nossa família. — disse Kamijo pregando o pingente no terno do Daigo.
Teru chegou logo depois, com um embrulho leve e comprido. Ao abri-lo, Daigo encontrou um lenço de seda negra, com padrões discretos bordados com fios vermelhos.
— É para quando você sentir que ele está longe — disse Teru, sorrindo. — Assim, você lembra que, mesmo na ausência, o coração dhamfir dele bate por você.
E também ofereceu uma katana decorativa.
— “Não é para usar como arma, mas como símbolo de proteção. Para que nada mais ameace sua paz.”
Yuki entregou uma garrafa rara de vinho vampiresco — uma bebida cerimonial entre os seres da noite, feita de frutas negras e uma gota do sangue do clã.
— Não, é algo que humanos costumam provar, mas... você não, é qualquer humano — disse ele, com um olhar respeitoso.
— “Para brindar à eternidade… quando chegar o momento.”
Masashi, sério como sempre, apenas estendeu um envelope. Dentro havia duas passagens para uma estada luxuosa em uma pousada isolada no campo, cercada por névoa e silêncio, perfeita para uma lua de mel discreta.
— Cuidem um do outro. Mas, se precisarem de proteção, eu estarei sempre por perto — declarou com firmeza.
Hyde-san e Sakurai-san se aproximaram por último, trajando ambos uma capa longa preta com bordado de dragão, o brasão do conselho vampiro. Yoshiki-san teve um compromisso no mesmo dia, outro jantar com os vampiros a quem fora convidado para tocar seu piano. Mandou seus votos de parabéns ao casal.
— Daigo-san, aqui está meu presente: aceitação — Sakurai disse, fazendo uma pausa dramática. — Talvez seja o mais raro de todos.
Hyde-san deu a eles um pergaminho com uma bênção antiga da linhagem vampira.
— “Porque mesmo os imortais precisam de palavras que durem para sempre.”
Yutaka sorriu, emocionado.
— Arigato, otou-san... — fez uma reverência em agradecimento.
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A música voltou a tocar suavemente ao fundo, e os garçons do restaurante trouxeram pequenas bandejas com doces finos, pétalas de rosas e espumantes encantados. Luzes suaves flutuavam pelo teto, como pequenas lanternas encantadas.
— A primeira dança é com o noivo! — gritou Ruki. — E a segunda, comigo. Quero saber se Daigo-san sabe dançar ou se só sabe domar o chef baterista com a comida.
Risadas preencheram o salão enquanto Yutaka conduzia Daigo para o centro da pista, onde a música suave começava a tocar — uma melodia composta por Aoi especialmente para aquela noite.
A primeira dança foi lenta; Uruha assistia em silêncio ao lado de Reita. Ruki secava discretamente uma lágrima, escondido atrás da taça de vinho. E, mesmo sem saber a verdade sobre o que Yutaka realmente era, os amigos estavam ali. Sempre estiveram.
Uruha-san, porém, sabia. Sabia de cada cicatriz, de cada fome contida, de cada noite em que Yutaka fugia e não ousava amar. E ver aquele amor florescer... era mais do que ele ousaria desejar.
Um dia, talvez, Yutaka contasse aos outros. Revelaria que seu coração batia entre dois mundos. Que a eternidade o aguardava, e que Daigo, ainda humano, escolheria a imortalidade ao seu lado.
Daigo, ainda atordoado com a surpresa, abraçou Yutaka com força, com os olhos marejados.
— Como você fez tudo isso sem que eu desconfiasse?
— Sou um vampiro, Neko-chan. Um dos talentos é guardar segredos.
Daigo sorriu.
— Não quero mais segredos entre nós.
Yutaka o encarou por um longo instante, a expressão mais séria agora.
— Prometo. Depois de hoje, todos os segredos serão revelados. Mas, por ora... aproveite a festa. É para você.
Mais tarde naquela noite, Yutaka e Daigo estavam sentados em um canto do salão, afastados dos convidados, com taças na mão.
— Foi perfeito — disse Daigo, ainda em êxtase.
Yutaka segurou sua mão com ternura.
— Eu queria que todos vissem, que todos soubessem... que você é meu amor. Não um segredo, não uma sombra. Você é meu futuro, Daigo Neko-chan.
Daigo sorriu, com os olhos brilhando.
— Não sei como será o amanhã, mas sei que quero tê-lo ao meu lado
A noite seguiu com dança, música, risadas e lágrimas. Mas o momento mais simbólico foi quando Yutaka e Daigo brindaram juntos e, num gesto íntimo, Daigo tocou os lábios de Yutaka e sussurrou:
— Ainda sou humano... Mas, um dia, se você ainda me quiser, serei imortal ao seu lado.
Yutaka sorriu, com os olhos úmidos, encostou a testa na dele, emocionado.
— Eu sempre vou querer você, mesmo que eu tenha que esperar mais vinte e cinco anos por esse sim.
Naquela noite, entre taças erguidas, promessas eternas e a vibração do amor partilhado, o mundo silenciou por um instante apenas para ouvir o som de dois corações, tão diferentes, batendo como um só.
Ali, entre os sorrisos dos amigos, as taças tilintando e o calor do amor verdadeiro, Yutaka e Daigo selaram seu destino. Uma história de aceitação, superação e, acima de tudo, de amor entre um vampiro e seu humano que venceu tudo para, enfim, brilhar livremente.
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