Kakatte Koi
17 De volta ao lar (Revisado)
Notas iniciais

POV Yutaka
Hizaki e Kamijo tiveram um pouco de trabalho para me convencer a sair do lado Daigo. De acordo com as regras do hospital nem era para ficar dentro da UTI, mas eu estava tão abalado que permitiram que ficasse um pouco com meu Neko-chan desacordado e com todos aqueles tubos, soro e curativos.
Apesar de Uruha ter ficado um pouco comigo na sua tentativa de me acalmar, sendo um bom namorado me deixava mais culpado ainda, pois não podia lhe dizer que ali naquela cama era o meu outro namorado, não apenas um amigo do trabalho. Quanto mais ele me abraçava e demonstrava seu carinho e afeto, mais lágrimas corriam aumentando meu desespero e angústia.
Acabei sendo obrigado a ir embora, sob motivo de força maior: O Sol estava perto de nascer, Hizaki e os outros já estavam nervosos com minha demora, tinha me esquecido desse pequeno detalhe sobre nossa condição.
Kamijo fez um bom trabalho com a imprensa que tinha um monte de microfones e muitas perguntas. O assalto ao restaurante era assunto em todas as mídias, televisão, jornal e rádio, eu só me lembro de entrar no carro amparado por Hizaki e Masashi me protegendo Teru e Yuki vieram em seguida.
Kamijo levou alguns minutos para se juntar a nós, eram muitas pessoas em cima dele, querendo respostas sobre mim e o que aconteceu? Pareciam um bando de urubus em cima da carcaça, que no caso era eu, me deixando atordoado com aquilo tudo, só sei que ele deu umas respostas curtas, entrou no carro e mandou seguir.
Então aqui estou, em frente à minha antiga morada, a mansão Versalhes, lugar que não devia ter saído. Fui seduzido pela idéia de morar sozinho, por que Kai queria tentar fingir ser humano e seguir com o restaurante.
Penso agora se eu tivesse insistido mais com Kai em aprender como se alimentar da fonte e não das garrafas meu sofrimento seria menor. Sendo mais ativo eu tomaria as rédeas da nossa condição vampira na época, hoje não estaria mal pelo que fiz com meu amado Daigo.
Faz pouco mais de um ano que fui morar sozinho e não voltei mais. Kai sempre arrumava desculpas e ainda não perdoou Kamijo por sermos vampiro. Apesar desse conflito, Kamijo sempre nos ajudou em tudo em relação ao restaurante, nunca esqueceu de mandar o sangue para nos alimentar, pois por mais que o Kai reclame que ele mentiu e não confia nele, são a única família que temos.
Sempre cuidaram de nós como se fosse o filho caçula, Teru e Yuki são os irmãos que nunca tive, tivemos muitas aventuras juntos. Hizaki é como uma mãe para todos, tem um carinho e um jeito especial que consegue deixar nossa família vampira unida, uma paciência enorme, único que o Kamijo ouve. Masashi é mais calado, não interage muito, mas é grande amigo e um ótimo guarda costa sempre pronto para ajudar e proteger.
Hizaki entra comigo abraçado em sua cintura, dentro da enorme mansão nada mudou nem parece que sai, tudo está intocado. Passamos pela sala seguindo para o corredor dos quartos subindo as escadas, indo até uma porta já conhecida, meu antigo quarto.
Hizaki abre a porta acendendo a luz, meu quarto nesta casa está do jeito que eu lembrava quando fui embora, minha cama, meu travesseiro e meu edredom.
Queria nunca ter nunca saído aquele dia para falar com Kamijo que queria morar sozinho, brigamos e quando acordei já era um vampiro, carrego essa mágoa por que ele me mordeu sem minha permissão, já havíamos conversado sobre eu querer mais tempo sendo humano.
— Yutaka-kun, aqui pode entrar seu quarto está com você deixou. Devia tentar descansar um pouco, foi um dia complicado.
— Hizaki-kun não sei se conseguirei, toda vez que fecho os olhos, vejo meu Daigo quase morto naquela poça de sangue.
— Não fique assim, ele vai ficar bem. É normal se sentir assim, a primeira mordida é sempre meio desastrosa, para todos a minha também foi. Por isso ensinamos aos novatos como fazer direito, agora para evitar esses problemas.
— Por que você insistiu com o Kai para se alimentar? Devia ter nos deixado morrer, assim não seria esse monstro que me tornei com essa dor no peito que não passa.
— Pelo mesmo motivo que você me pediu para salvar o Daigo. Por amor Yuta-kun, sempre o considerei como um filho e não podia deixar de atender seu pedido salvando seu amigo.
— Hizaki-kun, Daigo-neko-chan não é só meu amigo, mas sim meu namorado, meu amante e confidente. O que farei se ele não acordar?
— Daigo-san sabe que você é um vampiro? E ainda assim continuou com você sabendo do seu segredo?
— Ele sabe sim, e curtiu muito dizendo que eu sou seu lindo vampiro de olhos de fogo. Até tocar nas minhas presas Daigo quis. Ele não é um caçador, eu perguntei. O segredo está salvo, ele é fã dos vampiros.
Comecei a chorar novamente lembrando o quanto o assustei e quase o matei. Sentando na cama agarro meu travesseiro deitando em forma de conchinha.
Hizaki se aproxima e senta na beirada da cama colocando minha cabeça no seu colo, passando a mão no meu cabelo tirando dos olhos. Seu carinho é reconfortante e vai me acalmando aos poucos.
— Yuta, não chora! Daigo vai se recuperar, nós chegamos a tempo para resgatá-lo com vida. _ Agora pensando com clareza ainda não sei como eles apareceram lá.
— Hizaki-kun, ainda não sei como vocês apareceram lá, se estavam fora de Tóquio. Como sabiam que eu precisava de ajuda?— A banda estava em turnê em algumas cidades, e as vezes que tentei ligar deu fora de área.
— Foi por pura sorte, viemos um dia antes embora. Assim que entramos na cidade o celular do Kamijo começou a receber todas as mensagens perdidas. Ele passou para mim vi que todas eram do seu celular. _ Neko-chan achou meu celular, foi ele que pediu ajuda.
— Lembro de ter ligado, durante a semana, para dizer que tinha acabado o sangue.— Suspiro forte parando um pouco de chorar. — Kamijo não atendeu e a adega estava fechada. Daigo ficou nervoso e começou a procurar meu celular, ele que viu a mensagem que vocês tinham viajado no sábado.
— Yutaka, mas quando foi que você foi ver a mensagem? Você nunca deixou o sangue acabar antes? _ Kai sempre foi cuidadoso com isso, acho que bebemos demais, por causa da aproximação do Daigo e o lance do namoro com Uruha.
— Não sei ao certo, mas acho que foi na terça ou quarta que Daigo viu as garrafas vazias. _ Acabou antes por que Kai bebeu demais para curar o estômago depois daquele desastre do encontro com Uruha. — Tivemos um problema, Kai quis brincar de dar comida para Uruha, num encontro e acabou comendo também, passou mal do estômago. Agora ele acha que temos bulimia, outra idéia de Daigo-kun.
— Ah…! Meu querido Yuta, você ficou com fome todos esses dias. _ Só lembro dá dor no meu estômago apertando e se contorcendo nem com vinho passava. — Por isso que você perdeu o controle, despertou o instinto de sobrevivência, o demônio interior aquele que só busca por alimento não vê nada além da presa. Chega a ser irracional, gosta de brincar com a presa e se diverte provocando medo e pavor antes de se alimentar, só fica satisfeito depois que se sente completo e realizado.
— Hummm… Hizaki assim mesmo que aconteceu.— As lágrimas voltam a cair e abraço forte o travesseiro. _ Tentei enganar a fome com vinho, nem sei quantas garrafas foram. Me segurei ao máximo durante o jantar até o Uruha ir embora. Mas meu Neko-chan estava na cozinha bravo comigo, só por que fui falar com Ahiru-chan. O problema maior foi que Daigo-kun estava arrumando suas coisas para ir embora e sem querer furou o dedo.
Sei agora que ir flertar com Uruha foi errado, pois deixou o Kai muito bravo, dizendo que roubei sua noite com o namorado e também acabei provocando ciúmes no meu Neko-chan dando um apelido para o Uruha também.
— Yuta-kun, você apelidou eles! Certeza que Daigo-san ficaria com ciúmes. Até eu ficaria se alguém desse em cima do meu Kamijo. _ Hizaki está tentando me animar rindo com os apelidos. — Tenta descansar para estar bem amanhã para visitar seu Neko-chan.
— Será que ele já vai ter acordado? Será que ele ainda vai querer me ver?— Falo secando as lágrimas que não param de escorrer. — Hizaki só com as ligações perdidas você achou que eu estava com problemas?— Penso que Daigo possa ter mandado alguma mensagem.
— Acredito que sim, é só ter paciência, ele não cura rápido como nós. Não se preocupe com isso agora, no começo ele pode ficar um pouco assustado. _ Uma coisa boa de ser vampiro é a cura rápida. Daigo pode nem querer mais me ver, dou razão a ele se isso acontecer, fui horrível perseguindo ele. — Então no meio das mensagens tinha um áudio dele pedindo para o Kamijo vim para o restaurante que você não estava bem. Assim que ouvimos ainda na estrada, Masashi-san estava dirigindo e viemos o mais rápido que conseguimos, sua voz era sussurrada e um tanto ofegante e falhou no final da mensagem ficando muda, sabíamos que algo estava errado e ele corria perigo.
— Ainda não acredito que fui esse monstro. Lembro de puxar ele debaixo da cama, o celular estava na sua mão me vi refletindo nele, minhas presas eram enormes e meus olhos estavam num vermelho tão intenso e eu estava faminto, ele tremia e implorou para não machucá-lo. — Nunca mais vou esquecer o cheiro de medo que ele exalava estava me deixando louco. — Tanto que não me reconheci e parei por um instante, foi quando ele correu.
— Yuta-kun não fica remoendo isso só vai lhe fazer mais mal. _Agora está tudo fresco na minha memória, vou ter que esconder isso, não posso deixar o Kai saber e nem lembrar de qualquer parte dessa memória.
— Hizaki-kun você encontrou meu celular? Queria muito ouvir a voz do meu Neko-chan. _ A sua voz é tão doce e gostosa de ouvir que me acalma.
— Encontramos sim estava caído perto da mão dele. Acredito que ele ainda segurava quando Yuta o mordeu. _ Daigo tinha esperança que poderia ligar para pedir ajuda. — Melhor não! Meu querido Yuta-kun só vai te fazer sofrer mais, não tem como mudar o que foi feito. Só descanse e pense como seguir em frente.
As palavras de Hizaki, eram como duas estacas afiadas no meu coração como eu poderia descansar diante de todo aquela cena de horror. Meu Daigo, meu amor caído naquele sangue todo, eu sendo o culpado daquilo um monstro sanguinário como Kai sempre disse, ainda vejo seu olhar vazio como se sua alma tivesse abandonado seu corpo.
Fez se um silêncio no quarto Hizaki agora apenas acariciava meu cabelo, enquanto minhas lágrimas corriam silenciosas até que o cansaço e todo aquela culpa e lamúrias deram lugar para o sono pesado que me dariam muitos pesadelos, mas não estava aguentando forçar ficar acordado. No fundo eu sentia falta do carinho que Hizaki tinha comigo, me lembrava muito minha mãe e minha avó.
“Será que meu propósito na vida e agora sendo imortal é sempre sofrer e perder quem eu amo?”
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Acordo meio assustado, me sentindo estranho com todo meu corpo dolorido e minha cabeça latejando, agora lembro que acabei apagando de puro cansaço no colo do Hizaki, sinto meus olhos inchados dormi chorando, durante meu sono tive pesadelos revivendo aquelas cenas com Daigo desmaiado caindo dos meus braços indo ao chão com olhar vazio.
Me levanto sentando na beirada da cama, olhando para os lados, eu estava de volta ao meu antigo quarto, passei ótimos momentos nele e ruins também, agora novamente eu não devia ter deixado Kai me manter afastado da minha família.
Sem eles meu Daigo não estaria vivo agora. Hizaki ficou comigo à noite até eu pegar no sono, é admirável a paciência e os conselhos dele que ele me deu. Vejo na cômoda ao lado que ele deixou meu celular, não quis me dar ele ontem, pego aparelho e só sinto cheiro de álcool. Hizaki higienizou provavelmente que estava caído na poça de sangue dele.
Confiro se há mensagens novas, algumas são dos meninos da banda e uma mensagem pessoal do Uruha, dizendo que tudo vai ficar tudo bem e a noite ele vem me ver. Passo o dedo pelas mensagens perdidas. Daigo fez muitas chamadas, nem imagino o quanto ele devia estar assustado, ali está o áudio que Hizaki falou, não sei se estou preparado ainda para ouvir.
Olho no relógio do celular e já passa das 3 da tarde, estou com fome de novo, vou atrás do Hizaki ele deve ter preparado um copo para mim. Escuto uma movimentação na casa, todos já devem estar acordados, acho que devia tomar um banho antes estou com a roupa que usei no hospital.
No guarda-roupa ainda deve ter algo meu, mas meu estômago está doendo com força de novo, não quero perder o controle, melhor eu ir até a cozinha, depois eu volto e tomo um banho a visita no hospital será só a noite mesmo.
Entro na cozinha, Teru e Yuki estão sentados conversando e Hizaki ao fundo lavando algo na pia. Eles me olham com expressão animada, mas não sei por que não estou nesse clima de felicidade.
— Konichiwa! Yuta-chan se sente melhor? Seus olhos ainda estão inchados. _ Yuki pergunta olhando para mim.
— Já estava com saudades do meu irmão caçula, Yukkun conseguiu dormir? _ Teru sempre fala que sou como o irmão mais novo que ele tinha, ele pouco fala sobre seu passado.
— É estranho acordar aqui de novo, culpa do Kai. Sempre senti falta de vocês. Não muito, tive alguns pesadelos e meus olhos estavam inchados porque eu dormi chorando. _ Kai sempre arrumava desculpas para não voltar, nem para visitar os irmãos ele quis.
— Meu querido Yuta-kun! Sente-se um pouco ajuda a melhorar. _ Hizaki fala preocupado. — Quer contar o que você está sentindo?
— Não sei dizer ao certo, meu corpo dói, minha cabeça está latejando. — Falo puxando uma cadeira me sentando com eles. — Meu estômago tá doendo muito de novo, estou com medo do monstro voltar.
— A cabeça dói por causa que você bebeu muito ontem sem controle, é como se fosse uma ressaca de bebida alcoólica. _ Interessante Hizaki dizer que fiquei embriagado por beber rápido demais. — Seu corpo está reagindo aos efeitos do sangue e ao estresse causado pelo susto que você levou.
“Senti uma sensação de euforia misturada com adrenalina, o sangue quente descendo pela minha garganta fez meu estômago parar de doer na hora. “
— Hummm… como se fosse uma droga? A sensação foi prazerosa na hora só que passou rápido, então entrei em desespero quando vi o que eu fiz com o meu querido Daigo-neko-chan.— Umas lágrimas escorrem pelo meu rosto, tento em vão secar com a manga da camisa. — Hizaki-kun, será que meu Neko-chan vai acordar? Tenho medo de não me controlar perto dele.
— Assim mesmo como uma droga. A sensação é essa mesma, por isso você devia ter aprendido a controlar a sede, senão vira um vício e não consegue mais parar e nunca fica satisfeito. _ Maldito Kai, podia ter ao menos aprendido isso. — Yuta-kun não se preocupe seu namorado, está recebendo tratamento de primeira, você só precisa dá um tempo para ele se recuperar.
— Yukkun, você tem dois namorados? Explique isso. _ Teru me pergunta espantado, só contei para o Hizaki, como vou explicar para eles. — Uruha e o Daigo sabem que você é vampiro?
— Ah… Teru-kun! Sim e não, é complicado. Kai pediu o Uruha em namoro, só que… Humm… houve um problema Daigo-kun descobriu nosso segredo. — Aquela massagem foi maravilhosa, mas fiquei com medo dele contar para alguém. — Ficamos preocupados, Kai deixou eu conversar com ele.
— Tinha me esquecido, você tem um alter ego, deve ser estranho a convivência de vocês dois. — Yuki fala rindo lembrando que tenho um outro “eu” que apareceu quando me tornei um vampiro. Kai era só meu apelido como baterista. — Uruha está inocente nisso tudo, está gostando do baterista Kai e não sabe sobre você.
— O que Daigo-san falou quando você conversou com ele? _ Teru está bem animado, essa conversa com eles também me animou um pouco. — Meio perigoso humanos descobrir sobre nós e sair contando, vai que aparece um caçador.
— Yuki-kun, pode ser estranho para quem está vendo, mais eu e o Kai nos completamos.— Sempre brigamos, mais Kai fica perdido sem eu não lhe ajudar. — Kai contou para Uruha sobre mim, eu me apresentei para Ahiru-chan que aceitou nós dois numa boa, ele só sabe que Daigo é um bom amigo.
Hizaki me olha sorrindo, por causa do apelido não sabia que isso ia causar problemas, meu Neko-chan ficou com ciúmes com o apelido que dei para Uruha.
Pensei ser mais fácil de chamar eles assim, pois Uruha tem a boca que parece um bico de pato e Daigo é todo manhoso como um gato.
— Teru-kun, perguntei quando foi que ele desconfiou? Bem, na verdade eu assustei e ameacei ele, pensando que ele podia ser um caçador.— Não sei por que ele ficou comigo, sabendo que sou perigoso. — Daigo-kun falou que era fã sempre gostou de vampiros e ficou contente quando descobriu que eu era um.
— Que confusão! Yukkun você se meteu, duas pessoas gostando de você e só uma sabe da verdade. _ Teru solta uma gargalhada gostosa e Yuki também parece gostar dessa loucura. — Daigo-san acabou sendo seu cúmplice para esconder o seu lado vampiro do Uruha com o Kai.
— Então achei que não teria problemas e fui falar com Uruha no jantar no lugar do Kai. — Vejo agora que foi uma péssima idéia. — Kai brigou comigo pois roubei sua noite com Uruha. Daigo ficou com ciúmes por que dei um apelido para Uruha de Ahiru-chan e ele de Neko-chan. No meio da discussão ele estava indo embora bravo e sem querer furou o dedo, como já fazia mais de 3 dias que eu não me alimentava perdi o controle e ataquei ele.
Hizaki está com um copo metálico com tampa e canudo, caminhando na minha direção com certeza ele já separou o sangue para mim, estou com muita fome. Kamijo também entra na cozinha nesse momento, olhando para todos que estão rindo de toda a minha confusão.
— Yuta-kun, aqui querido pode beber! Vai passar sua dor no estômago.
— Arigatou Hizaki-kun, estou com muita fome mesmo.
Antes que eu levasse o copo à boca Kamijo o pegou da minha mão e me olhou fundo de modo nada amigável. Se voltando para falar com Hizaki num tom bravo e repreendedor.
— Nada isso, Hizaki-san! Yutaka-san é um vampiro que deve aprender a se alimentar como os seus semelhantes de sua raça.
— Kamijo-san! Yuta-kun está com fome e acabou de acordar, ainda está bem assustado.
— Sabia que tudo que aconteceu é culpa sua Hizaki-san!
— Como assim!? Culpa minha? Só estou cuidando do meu menino.
— Você é culpado sim! Pois mimou ele deixando-o dependente do sangue das garrafas de vinho.
— Mas Kamijo-san, você sabe que foi preciso. Kai nunca aceitou ser um de nós. Não podia deixar Yuta sofrendo e eu tinha que fazer algo para salvá-lo.
— Agradeço por ajudar naquele momento de transição, também fiquei preocupado. Mas agora ele não é mais um novato, um dia isso ia acontecer a fome e sede são mais fortes que a razão, e ele agora não corre mais o risco de morrer.
Kamijo estava discutindo com Hizaki sobre mim, como se eu não tivesse ali e a fome apertando meu estômago com ele segurando meu copo, só queria beber e ir para o meu quarto deitar. Teru e Yuki estão só olhando espantados e calados, o clima está ficando tenso.
— Kamijo-san, não brigue com Hizaki-kun, ele só está tendo compaixão comigo.
— Esse é o problema, ele é bom demais para um vampiro. Fiz vista grossa e deixei sua parte humana assumir achando que com o tempo... Yutaka-san você fosse ser mais presente, persistente e teria convencido Kai da sua condição vampira.
— Ah… Kamijo-san! Eu tentei muitas vezes, mas Kai cismou que pode fingir ser humano. Até arrumou um namorado humano, e passamos a beber mais com aproximação dele.
— Yutaka-san, lhe avisei que isso podia acontecer! Você perderia o controle se ficasse reprimindo a fome e sede e foi o que houve. Seu descontrole quase matou o seu subchefe. Cadê o Kai agora? Esse seu outro “eu” me irrita muito.
— Coloquei o Kai para dormir, estou no controle agora, pois ele não pode saber que isso aconteceu. Kamijo-san realmente estou com fome, devolve meu copo.
— Não mesmo! Você está surdo! Quero você na sala agora, se estiver mesmo com fome. Tenho uma voluntária lhe esperando para aprender direito como se controlar e se alimentar como deveria ser, se o Kai não tivesse interferido.
— Uma voluntária? Não entendi? É assim que você consegue o sangue? Como fica o segredo dos vampiros?
Estou bem confuso agora, nunca perguntei como ele conseguia o sangue, o que importava para o Kai era apenas ter o “vinho” para saciar a nossa fome. Kamijo não quis responder saindo já estressado da cozinha.
— Yutaka-kun, tem uma comunidade de aficionados, uma espécie de culto aos vampiros. Eles são voluntários que curtem o lance de serem mordidos, assim protegem nosso segredo. Assim que conseguimos o sangue e não precisamos sair atrás de algum desconhecido na rua como fizeram nossos antepassados.
— Sempre imaginei como vocês conseguiam se alimentar e ainda guardar sangue para enviar para nós no restaurante.
— Sim. Yuta-kun agora vai atrás do seu mestre antes que ele fique mais nervoso. Tudo em relação a você deixa ele apreensivo.
— Sério!? Kai acredita que ele não se importa conosco e só sabe dar sermão. Hizaki-kun você sabe, por que ele nos fez vampiro sem a nossa permissão?
— Yutaka-kun, não posso lhe responder isso. Você tem que perguntar para ele, quem sabe um dia ele conta, quando for a hora. Agora vai meu querido, qualquer coisa pode me chamar que vou te socorrer.
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Sem opções depois que Kamijo tirou meu copo e me intimou a segui-lo até a sala, me levantei da cadeira na cozinha e caminhei até a sala que era bem ampla, tinha dois conjuntos de sofás fazendo uma volta, uma mesa de vidro no centro e uma televisão enorme do tamanho de quase uma tela de cinema.
Kamijo estava de pé ao lado de uma jovem que estava sentada no sofá, a garota devia ser a voluntária que ele tinha falado.
— Então resolveu aparecer Yutaka-san! Por que demorou tanto não estava com fome?
— Kamijo-san, sabe que sim você me intimou vim aqui. Quem é a garota?
— Arianne-chan lhe apresento Yutaka-san. Ele é novato e um pouco tímido, poderia me ajudar a guiá-lo na sua primeira mordida controlada?
— Prazer Yutaka-san!
— Prazer Arianne-san!
— Kamijo-san, estou aqui para servir como posso ajudar Yutaka-san?
— Yutaka-san teve um problema de descontrole na sua primeira mordida. E o rapaz está internado no hospital. Quero que ajude ele a controlar a sede e a fome.
— Sente-se aqui Yutaka-san. Não precisa ter medo vou lhe servir.
A jovem Arianne já deve está acostumada com isso, meio relutante me aproximo dela sob o olhar inquisidor do Kamijo, sentando de frente para ela que inclina o pescoço para mim.
Olho fixo para sua ação é fácil assim, meu mestre pede ela se oferece para mim, encaro sua pele branca vendo sua veia pulsar, seu perfume me lembra do cheiro dos cabelos dele e de como meu gatinho fica arrepiado quando encosto na pontinha da língua na sua orelha e rosno no seu ouvido. Viro meu rosto para o lado abaixando a cabeça, Kamijo já me repreende.
— Yutaka-san, não disse que estava com fome? Essa dor aí no estômago não vai passar sozinha. Vamos sacie sua sede! É só mordê-la e acabar com isso.
— Kamijo-san, nem conheço ela como assim só mordê-la. Se eu não parar dessa vez, posso machucar ela já não basta o que fiz com o Daigo-kun.
— Não tenho paciência para isso, Yutaka-san! Achei que fosse mais esperto que sua parte humana. Arianne está aqui para você aprender a se controlar e não beber demais como devia ter feito no começo. A diferença é que você não está só agora, estarei de olho nos seus atos.
Kamijo se aproxima da garota segurando seu cabelo para o lado e pressiona sua unha de metal do polegar contra o pescoço dela, fazendo um furo deixando o sangue escorrer quando retira o objeto metálico.
Olho assustado para ele, como ele faz isso com a garota, é instantâneo sinto minhas presas surgir e o desejo do predador volta a me assustar, olho atentamente para o sangue escorrendo e começo a salivar de fome e sede, meu estômago está se contorcendo de dor, preciso disso urgente.
— Agora sim tenho sua atenção Yutaka! Você precisa dominar essa ansiedade de querer atacar e se culpar depois.
— Por que fez isso Kamijo!! Posso matá-la, tenho essa dor aqui que só passa se saciar minha sede com sangue quente.
— Não vai! Estou aqui para isso. Se aproxime dela e passe a língua no sangue e no pescoço algumas vezes, mas você não deve morder ainda só deve anestesiar o local para ela não sentir a dor da mordida.
“Lembro que mordi o Daigo, em vários lugares direto sem passar a língua, ele gritou de dor e me bateu, imagino agora como ele deve ter sentindo dor e desespero.”
— Assim… Mesmo Yuta-san! Agora posicione suas presas onde passou a língua, mordendo de uma vez só num único lugar, não precisa morder várias se souber como sugar.
A mordida na garota não lhe causou dor, apenas um gemido. Seu sangue é quente e grosso desce queimando pela minha garganta, sinto bater no estômago, começando a passar a dor. Seguro-a com mais força sugando mais forte e rápido ouvindo que seus batimentos aceleram assim fiz com Daigo, ele tinha cheiro de medo e pressão alterada.
— Yutaka-san, não tão rápido assim você aumenta o fluxo de sangue e os batimentos disparam, causando alteração na pressão ela pode desmaiar, o corpo fica mole e fraco. Mantenha controle em sugar conforme as batidas normais do coração, pare quando diminuir ou sentir que ficou ela ficou sem forças.
“Como pude ser tão burro, eu corri atrás do meu Neko-chan, mordi-o errado fazendo o desmaiar quando bebi rápido, a adrenalina correndo nas minhas veias e o cheiro de medo e pavor me cegaram, ele desfaleceu nos meus braços e deixei-o cair no chão frio para curti o frenesi daquele torpor do sangue que tinha saciado minha fome.”
Umas lágrimas silenciosas escorriam na minha face, enquanto ainda mordia a garota Arianne quando Kamijo mandou parar, sequei as antes que ele visse para não ficar mais bravo comigo.
— Muito bem Yutaka-san! Parabéns! Está sendo um bom aluno, agora retire suas presas. Limpe o sangue que escorreu, não devemos perder uma gota, nem deixar vazando pode causar hemorragia. Agora com sua língua você deve lamber os furos até parar de sangrar, nossa saliva tem propriedades anestesiantes e cicatrizantes.
As últimas palavras de Kamijo me atingiram no fundo do meu coração, ainda não acredito como meu Neko-chan ainda está vivo, deixei ele sangrando depois de todas aquelas mordidas.
“Quanta dor, medo e pavor ele sentiu, eu fui um monstro sanguinário, só devia oferecer meu amor para ele e o que dei? Uma quase morte nem sei se ele vai acordar? Não consigo mais me segurar e desabo a chorar assim que termino de fechar os furos da jovem Arianne.”
— Kamijo, não posso fazer isso. É doloroso demais lembrar que fiz tudo errado e meu amado Neko-chan se encontra no hospital, por minha culpa quase o matei.
— Yutaka-san! Volte aqui é errando que se aprende. Um vampiro não chora por causa de quase perder seu humano. Está sentimental igual a Hizaki-san, ele lhe mimou demais.
— Arianne-san. Arigatou por me ajudar com Yutaka-san.
— Ao seu dispor Kamijo-san. Não seja tão duro com ele. Yutaka parece um bom rapaz.
— Sim, ele é bom até demais. Chamarei se precisar outra vez de ti.
Ouço o resto da conversa Kamijo, vou correndo chorando para o meu quarto acabei sendo rude com a Arianne nem agradeci por me alimentar com seu sangue, mas não podia ficar mais lá. No corredor esbarro com Hizaki e Teru, apenas peço desculpa e continuo correndo, escuto Hizaki perguntar o aconteceu.
— Yuta… querido! O que houve? Por que está chorando? O que Kamijo lhe fez?
— Nada…. Não só me mostrou que.... Sou um monstro e fiz tudo errado com meu Daigo neko-chan.
— Espere vou tirar isso a limpo com Kamijo. Teru-kun vai atrás dele, não o deixe sozinho.
— Yukkun… não fica assim. Me espere!
Continuo correndo e chorando, entro no meu quarto me jogando na cama abraçando fortemente meu travesseiro ficando encolhido chorando por alguns minutos. Na cômoda do lado da cama está meu celular pego o aparelho, mesmo sendo doloroso preciso ouvir a voz do meu Neko-chan.
Clico no áudio para reproduzir a mensagem, estou tremendo segurando o celular e minhas lágrimas cessaram um pouco, então coloco no viva voz.
— “Kamijo-san, por favor, assim que escutar essa mensagem, venha direto para o restaurante... O Yuta não está bem. . .” —
Escuto sua voz sussurrada com medo e pavor, pedindo ajuda para mim. Volto a chorar intensamente, como Daigo naquele momento pensou que alguém poderia me ajudar, em vez de pedir socorro para ele que estava em perigo. Nem percebi Teru se aproximando e tirando o celular da minha mão.
— Yukkun… não devia ter ouvido para se culpar ainda mais assim. Daigo-san está sendo bem tratado, está no melhor hospital com os melhores médicos.
— Teru-kun, fiz tudo errado e ele ainda pede para vocês virem me ajudar.
— O pouco que conheci dele nas visitas ao restaurante, me pareceu que ele se importa muito com Yukkun, a ponto de ficar preocupado e pedir ajuda por conta do seu descontrole.
— Será que ele ainda vai me querer de volta? Teru-kun acha que Kai tem razão, somos um monstro disfarçado em humano?
— Yukkun… Vamos ter que perguntar a ele, como você disse que ele te ama. Acredito que sim. Kai nunca aceitou ser um vampiro. Não exatamente, você só teve um incidente com instinto de sobrevivência, mas aprendendo a se controlar não vai ter mais problemas.
— Foi difícil para você Teru-kun aprender a se controlar?
— Um pouco no começo, o segredo está na aceitação, o controle vem em seguida. Vamos levantar Yukkun! Vai tomar um banho, está quase na hora da visita. Seca essas lágrimas não vai querer chegar lá com os olhos inchados.
— Verdade Teru-kun, já está quase na hora mesmo. Arigatou eu precisava desabafar com um amigo. Senti saudades disso.
— Também senti saudades nii-san Yukkun! Agora vai se arrumar vou contigo no hospital quero conhecer melhor seu namorado.
— Daigo-kun é a melhor pessoa que já conheci, certeza que ele vai gostar de Teru-kun.
.:.:.:.:.:.:.:.:.:.
POV OFF
Daigo parecia bem melhor do que da última vez que havia o visto, não estava mais tão pálido e completamente limpo agora.
Mas ainda de olhos fechados. Curativos onde fora ferido e ainda com um intravenoso na parte interior do cotovelo. Parecia bem.
Yutaka estava sentado ao seu lado e acariciando a sua testa. Segundo a enfermeira Aline que estava cuidando dele. Daigo havia perdido quase 50℅ do sangue de seu corpo, e foi um milagre continuar vivo, e continuava lutando ferrenhamente para permanecer assim.
Poucos casos de um choque hemorrágico daquela proporção acabam bem, e Daigo felizmente era um desses.
A enfermeira Aline também me avisou que os pais de Daigo haviam ligado atrás de notícias do filho, depois que viram a entrevista do Kamijo na televisão. Talvez eles voem até Tóquio para visitar o filho internado.
“Penso que talvez seja melhor para meu Neko-san ficar com sua família.”
Aproveitando o "tempo livre" que tinha, e ainda acariciando a mão gelada do menor, Yutaka assistia a uma reprise da entrevista com Kamijo sobre o assalto ao restaurante.
O loiro mais velho havia explicado sua relação com Daigo, falando dele ser seu subchefe. Havia explicado por alto também como conheceu e adotou o chef baterista, e sobre seu ingresso no mundo da música e depois a abertura do restaurante. Tudo por alto, sem responder as perguntas íntimas demais.
Algum tempo depois uma enfermeira avisou também de outra notícia boa: Daigo estava dando sinais de que ia acordar durante o dia, agora já era noite talvez ele abrisse seus olhos.
E foi dito e feito: Suas pálpebras tremeram e ele se remexeu parecendo perturbado, arfou e acordou num pulo, assustado e desorientado.
Foi automática sua reação ao colocar os olhos em Yutaka, ele se encolheu e começou a hiperventilar, tremendo e berrando em meio a um ataque de pânico.
Yutaka por sua vez sentiu o resto de sua felicidade e esperança quebrar-se em mil pedacinhos. Seu amor estava acordado, mas traumatizado e em pânico por apenas olhar para si, tremendamente assustado. E a culpa era inteiramente sua.
Havia perdido seu Daigo-neko-chan, e por um momento comemorou por não ter sido para a morte.
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