Kakatte Koi
8 Amizades... (Revisado)
Notas iniciais

POV Kai
Demorou alguns dias ainda depois que o Ruki ligou para novamente eu ser convidado para ir no estúdio assinar a papelada e ficar perto dele. Uruha, o guitarrista das mais belas coxas.
Ah!... Aquele corpo esculpido pelos deuses, as pernas bem torneadas, com braços fortes e mãos delicadas, o peito alvo e um pescoço que é um pedaço do paraíso, fico só sonhando.
”Pode sonhar Kai, mas não esqueça sou eu que vou agarrar e prensá-lo até o fazer gemer de prazer, me aguarde”.
Preciso manter o foco e a concentração, esses pensamentos são perigosos, não quero despertar meu alter ego adormecido, agora que tudo parece está dando certo, e colocar tudo a perder.
Tento em vão me distrair com os afazeres do restaurante, mas toda vez que vou a cozinha preparar a massa para o doce de mousse de vinho me lembro do momento que estive a sós com ele aqui, e nossas mãos se tocaram um leve choque percorreu seu braço no qual pude tocar sentindo a textura da sua pele, depois foi seu gosto quando passei a língua por seu pescoço e ele estremeceu. . .
Então nesse momento começo a ficar com raiva e irritado, minhas mãos tremem e uma ansiedade me corrói as veias, a ânsia de vômito vem e eu sinto meu corpo gelado pelo meu desespero por ter mandado ele embora.
"Quem em sã consciência faz isso? Por que ainda aceito “ele” ficar me provocando?"
No fim de semana à noite de trabalho, não estava bom, não mesmo, não sei o que deu em mim. Tudo parecia bem, mas pequenas coisas me irritavam, errinhos idiotas, tão idiotas que me pergunto que tipo de equipe tenho em meu restaurante!
Quantas vezes não tive que gritar que a carne estava queimando e que a opinião do chefe não contava já que o maldito cliente queria o salmão mal passado?! Gritei por que deixaram as louças sujas, gritei com uma funcionária que não fez um molho direito, gritei por que tinham arruinado vieiras, rosnava a cada vez que eles eram lerdos demais ao picar alguma coisa. . .
E como um chefe dessa patente, a ponto de estar trabalhando pra mim, tem que olhar a receita?! Como não sabe fazer um pedido especial, e como, pelos anjos, não sabe as medidas para fazer a bosta de um sorvete?!
Assumi a frente de muitos pratos essa noite, não pude deixar de pensar pra onde meu restaurante estava indo e que impressão eu dava se era assim que funcionava toda noite! Eu estava uma pilha de nervos e nem Daigo se aproximou muito hoje, não que ele tivesse escolha, seu avental estava com o laço torto e tive que refazer aquilo.
“Às vezes tem outras pessoas na cozinha e vem minha irritação, sou rude e mau humorado, dando ordens e corrigindo o que estão fazendo dizendo estar errado. Eles são arredios mesmo comigo, então não preciso fingir que são meus amigos, aqui é um ambiente de trabalho, quero ver tudo funcionando e arrumado.”
"Em outras vezes vou direto para o salão ver se está tudo arrumado, sento na minha bateria e ensaio um pouco enquanto espero o telefone tocar. Essa espera está me deixando angustiado. Por que tudo tem que demorar tanto?"
Somente Daigo se aproxima depois de um tempo e tenta manter um diálogo, acabei promovendo ele de garçom a responsável pela cozinha e os outros funcionários. Agora que estarei com o compromisso com a banda, preciso de alguém de confiança para cuidar do restaurante quando eu estiver fora.
Daigo cria coragem e se aproxima.
— Você está bem?_ O olho de lado e sorrio.
— Estou sim. Por quê?_ Pergunto tranquilo ainda tocando ritmadamente minha bateria.
— Bem hoje. . . Foi um pouco tenso na cozinha hoje, né?. . . Ouvi alguns funcionários comentando quando o expediente acabou que nunca te viram assim. _ Ergo uma sobrancelha.
— Assim? Como?
— Você estava gritando e reparando em cada erro mínimo. . . Respondia e rosnava. . . Kai-san, você estava rosnando para o nada.
— Rosnando?_ Daigo vem me falando de algumas coisas que tem acontecido, que parece que às vezes eu sou diferente: às vezes sou gentil, amável e tímido como quando estou conversando com ele.
Em outro momento meu outro “eu” tem um ar superior que gosta de dar ordens, fazendo as pessoas ficarem temerosas e assustadas com medo do que ele possa fazer.
Agradeço suas preocupações, alego ser estresse e muito trabalho, posso ter me exaltado um pouco. Peço desculpas, pergunto se fui rude com ele alguma vez, pois é tanta pressão que posso estar tem momentos de lapsos de memória.
Ele fala que só acontece com os outros na cozinha, começo a entender o porquê dos outros terem medo e receio de mim. Meu alter ego tem aprontado, quando achei que estava adormecido, terei que ter mais cuidado com meus momentos explosivos, pois é quando ele tá fazendo festa. Detesto quando tenho que aceitar que Kamijo tem razão, o vinho não tem feito mais efeito.
— Sim. . . muito estranho... — Levanto da bateria e círculo sua cintura com um braço, cheiro o pescoço alvo, o cheiro do seu perfume gostoso com o suor de fim de expediente me faz arrepiar e eu tenho prazer em rosnar profundamente perto de seu ouvido.
— Assim?...Grr..._ Ele se assusta e me afasta completamente corado, me olha e eu vejo as pupilas dilatadas, mas logo ele murmura uma despedida apressada e sai numa corridinha tosca. Ah, então quer dizer que Daigo-chan gosta de algo mais. . . Bruto?
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Numa tarde já perto do fim da semana seguinte, recebo uma ligação muito importante e que me deixa muito feliz.
— Moshi… Moshi… Kakatte Koi, Konichiwa! Em que posso ajudar?_ Atendo o telefone do salão do restaurante.
— Konichiwa! Gostaria de falar com o Chef Yutaka-san?— Não reconheço de imediato a voz do outro lado da linha e pergunto quem seria.
— Quem gostaria de falar com ele? _ Não falo meu nome, pode ser banco ou alguém pedindo dinheiro para qualquer causa.
— Diz que é Takanori-san ligando da PS Company... _ interrompi ele no meio da frase.
— ... Ohayoo Ruki-san. Sou eu mesmo, que tá falando. Tudo bem com você? _ Até que fim ele ligou, já estava ficando nervoso com essa espera.
— Ohayoo Kai-san. Sim tá tudo bem. Tô ligando para avisar, que de acordo com a nossa indicação a produtora quer contratá-lo como Baterista do The Gazette. _ Agora é real mesmo, tô explodindo de felicidade.
— Ruki-san, estou muito feliz com a notícia. Agradeço a confiança de vocês _ respondo a ele.
— Deixa disso Kai-san é muito bom na bateria. _ Ruki me elogia, fico corado mesmo que ele não possa ver. — A papelada vai estar pronta na sexta, podemos enviar um carro para te buscar?
— Arigatou, pode sim. Em qual horário? _Tomara que não seja tão cedo.
— Que tal lá pelas 10 da manhã? Depois de assinar a papelada podemos ensaiar no estúdio. _ Vou poder ver o Uruha de novo e tocar com ele. — Fica bom para Kai-san assim?
— Ruki-san está ótimo, sexta-feira só abrimos para o almoço, mas deixarei um responsável na direção do restaurante. _ Daigo já se ofereceu mesmo para cuidar de tudo.
— Estamos combinados, então nos vemos na sexta-feira _ Ele já ia desligar.
Ainda com o Ruki na ligação, lembro de passar meu numero de celular, assim fica mais fácil manter o contato e ter mais privacidade. Enfim comprei o aparelho que chegou no começo da semana, agora não preciso mais depender do fixo do restaurante.
— Ruki-san, já estava esquecendo anote por favor o número do meu celular, fica mais fácil de trocar mensagens. _ Ele pede para esperar um pouco que vai digitar, falo o número ele salva o contato, me replicando uma mensagem de volta.
— Arigatou Kai-san, até sexta no ensaio._ Ruki agradece o contato.
— Arigatou Sayonara Ruki-san, vou ficar aguardando._ Escuto Ruki desligar do outro lado da linha.
Fico pensando como isso tudo aconteceu e agora produtora estaria enviando um carro da empresa para me buscar na sexta de manhã lá pelas 10 horas, que é madrugada para mim que sempre durmo até as 3 da tarde.
Mas farei esse sacrifício só para ficar com Uruha, conversar com ele, tocarmos juntos, quero poder me desculpar daquele dia que o mandei embora.
“Quero apertar suas coxas e escutar ele gemer”
— Estou com muita saudades do seu sorriso.
”Quero beijar aqueles lábios sem pudor”
— Ouvir sua voz com som aveludado.
”Sussurrar no seu ouvido e sentir ele estremecer”
— … para já com isso … não vai fazer nada disso… é só trabalho.
”Por que não assume logo que quer foder gostoso com ele.”
— … me deixa em paz.
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Aviso o Daigo sobre a minha visita ao estúdio na sexta-feira, que será amanhã, ficando muito feliz, me diz para não se preocupar que posso ir tranquilo que o restaurante fica por sua conta.
Ele está meio estranho comigo mas não sei o por quê. . . Na verdade desconfio, se meu outro "eu" fez algo com ele eu não iria me perdoar! Mas não consigo lembrar o que foi. . .
Subo as escadas em direção ao quarto, vou deixar tudo arrumado para amanhã, vou conhecer o estúdio e ficar perto do meu amor.
"Será que ele vai me aceitar? Será que vai querer falar comigo?"
No caminho pego na geladeira um dos meus vinhos e coloco em uma garrafa térmica para levar amanhã, não quero passar mal fora de casa. Levo também o restante comigo para o quarto, irei tomar um pouco depois do banho.
Ajeito minha roupa e calçados deixando tudo na cadeira, acertei o alarme do celular para não perder a hora. Me direciono até o banheiro, faço minhas necessidades entro na ducha quente deixando água cair por todo meu corpo dando um alívio imenso tirando o cansaço do dia estressante, ensaboo meu corpo também lavo meus cabelos com um shampoo muito perfumado. Quero estar muito cheiroso para o evento de amanhã, termino meu banho, pego uma toalha para o corpo e uma para secar o cabelo.
Me enxugo, visto meu pijama e vou para cama ainda secando o cabelo, antes de deitar me sirvo um copo cheio com um pouco de “vinho” para comemorar o dia de amanhã. Sei que vai ser difícil dormir com todos esses pensamentos, ansiedade e desejos, mas vou agarrar meu travesseiro deitar e ficar esperando o sono chegar, uma noite com bons sonhos pode me fazer bem.
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Com muita dificuldade consigo me levantar, o dia tá muito claro, minha vontade é voltar para cama, não sou uma pessoa diurna então a minha lentidão para acordar é enorme. Mas assumi esse compromisso agora tenho que cumprir.
Levanto e troco de roupa, escolhi uma camiseta escura de manga curta, uma calça preta de jeans, uma jaqueta manga longa, uma echarpe cinza que gosto muito, uma bota cano médio tipo coturno, meus óculos escuros, o chapéu e a máscara preta. Apesar de estar sol, estou um pouco de frio, estou quase pronto falta fazer uma make leve, como é muito cedo e a claridade não combina com os tons escuros que costumo usar, agora sim vou até o espelho dá uns retoque no cabelo.
“ Estamos lindo e perfeito para seduzir, o patinho será nosso, ele não me escapa irei chupá-lo até ele ter um orgasmo insano”
— Se comporte senão ficamos aqui mesmo.
“ Um estraga-prazer você é isso sim… “
Desço as escadas, vejo que Daigo já está à minha espera na cozinha, ele veio mais cedo para cuidar de tudo para o almoço.
— Ohayoo Daigo-san! Então o que acha? Como estou?_ Pergunto, talvez tenha exagerado.
— Ohayoo Chef Kai! Arrasou na composição. Está parecendo um executivo rico. _ Daigo exagera no elogio.
— Sempre me mimando com esses elogios, assim vou ficar mal acostumado _ Dou um sorriso aparecendo minhas covinhas antes de acertar minha máscara.
— Gosto muito de vê-lo feliz e sorrindo._ Daigo sorri sua expressão é de felicidade. — Kai-san é muito bom para mim, ajudar na sua felicidade é uma honra.
— Não fala assim, fico sem jeito. _ Meu rosto cora ficando vermelho de vergonha. — Sou capaz de borrar a make se continuar com isso.
— Tudo bem, já parei! O segurança mandou avisar que a van já chegou. _ Agora fiquei nervoso, tô começando a tremer. — Kai-san, se acalma vai dar tudo, certo!
— Ok! Vou me acalmar, espera só mais um pouco. _ Respiro fundo, Daigo me olha com paciência. Ele segura minhas mãos, me olha com carinho e inusitadamente encosta sua testa na minha.
"Por que sinto meu rosto esquentar com essa aproximação? Ele me passa confiança para seguir, então me lembro que esqueci da garrafa térmica e sussurro no seu ouvido. Vejo ele se arrepiar, tô desconfiado com o que meu outro “eu “ tenha feito algo com ele, antes ele tava arredio, agora muito amável estreitando nosso contato. Será que ele quer ser mais do que meu amigo?"
— Daigo, esqueci meu “remédio” lá no quarto, tá numa garrafa térmica, poderia buscar para mim?_ Ele solta minhas mãos, cortando nosso contato físico. Ele vai se magoar se tiver outra intenção além de ser meu amigo.
— Com prazer Kai-san já volto. Pode indo para a van que eu levo até lá, senão vai atrasar muito._ Daigo sobe correndo para meu quarto, enquanto eu sigo para o carro meu alter ego surge comentando sobre o subchefe.
“Viu como ele é obediente, vai ser um ótimo submisso.“
— O que você está aprontando com ele?
“Ainda nada, mas ele parece gostar do que somos.“
— Já avisei para não brincar com as pessoas! O que você fez?
“Só rosnei no seu ouvido, ele se arrepiou e depois fugiu.”
— Por isso ele estava arredio comigo, tá proibido de mexer com ele.
“ Não posso garantir isso, ele tá sempre nos secando na cozinha, chega a ser apetitoso.”
—Para já com isso, ele é um bom amigo, você estraga tudo que toca.
“Você não deixa eu agarrar o Uruha, agora quer me impedir de pegar o Daigo? Escolha um dos dois, por que o outro vai ser meu.”
— Depois vamos ter uma conversa séria, ele tá voltando, agora me deixa seguir para o ensaio.
O segurança já conhece meu gosto e pediu para o motorista estacionar bem perto da entrada, onde faz uma sombra, assim não preciso andar muito no sol, sou um pouco fotossensível.
O veículo é uma van que costuma levar a banda para os shows, ensaios e o que tiverem que fazer, o motorista desce e vai até a porta traseira lateral e abre para mim.
Então vejo meu amigo Daigo, sim eu o considero como amigo.
”Quero uma amizade colorida, talvez uma prensada na parede e ele deve gemer gostoso.”
— Já mandei parar com isso, se controle.
Ele vem correndo trazendo meu “vinho” e meus óculos escuros que já tinha esquecido também. Agradeço a ele, coloco a garrafa no bolso enorme da jaqueta, vou em direção da van caminhando pela sombra, visto minhas luvas, os óculos e levanto a gola da jaqueta, assim me sinto protegido da claridade do sol. Entro na van o motorista fecha a porta, seguindo viagem até o estúdio onde irei encontrar Uruha…e também para o ensaio com a banda.
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Levamos um certo tempo para chegar no estúdio, o prédio é muito bonito, com vários andares que para minha sorte tem um estacionamento subterrâneo. A van entra e depois para em uma vaga, me preparo para descer assim que o motorista abre a porta, e o agradeço. Ele fala para eu seguir até o elevador que já estão esperando por mim no primeiro andar.
Entro no elevador pensando que podia ser o Uruha que tivesse me esperando na saída do elevador, seria sorte demais. Só que quem está lá é o Ruki, como já era de ser esperar, o baixinho chega com um sorriso tímido e me cumprimenta apenas inclinando levemente a cabeça e retribuo com o mesmo movimento.
Ruki começa fazer um tour comigo, mostrando tudo o que tem no prédio, as salas de gravação de áudio, as salas de percussão, os aparelhos para ajustar, onde fica a local para refeição, até a localização dos banheiros. Só vou seguindo ele, olhando tudo, ás vezes tento prestar atenção no que ele tá falando, pois ele não para de andar e falar, esse homem só pensa em trabalho. Mas minha cabeça e pensamentos estão longe, só esperando para saber em qual dessas salas está Uruha.
Depois de dois andares e muito falatório de Takanori-San, chegamos numa sala que deve servir para reuniões, ele aponta para uma cadeira, vejo uma papelada em cima da mesa. Com certeza são os contratos, que ele explica e pede para ler apesar de ser muito, faço uma leitura rápida, somente pergunto onde eu assino para seguimos para o estúdio.
Enfim chegamos ao estúdio que fica no 3º andar, até que é bem amplo, tem uns sofás, uma mesinha no centro, um canto com espelhos para fazer maquiagem e cabelos, tem bastante staffs entrando e saindo, que me cumprimentam e acenam para mim. Estou me sentindo muito bem com o local e as pessoas parecem ser bem legais e não param um segundo.
Meus olhos encontram meu objeto de desejo, sentado no sofá de óculos com sua guitarra verde testando uns acordes. Lá está Takashima Kouyou, ele está tão distraído que não viu que estou na sala encarando ele, até que o Ruki chama sua atenção.
— Terra chamando Uruha! Olha quem está aqui._ Ruki aponta para mim.
— Chef Kai, você veio! _ Uruha abre um sorriso, e levanta vindo na minha direção.
— Pode me chamar só de Kai mesmo, Uruha._ Ele para e me olha por inteiro.
— O tempo mudou, está frio lá fora? Quando eu vim estava um Sol. Por que tanta roupa? _ Vejo que ele está só camiseta manga curta com um colete e uma calça jeans rasgada, com crocs amarelas no pé.
— Acordei com um pouco de frio, e não costumo sair muito de manhã. _ Dou um sorriso puxando a máscara para baixo, também acabo tirando a jaqueta e o chapéu.
— Agora sim, tá bem melhor. Quer ensaiar? Estávamos te esperando._ É tudo que eu quero fazer agora, Uruha.
— Lógico, foi para isso que eu vim. Onde está o Aoi e o Reita? _ Pergunto por que não vejo eles na sala .
— Kai, eles já estão lá no estúdio. _ Ruki me responde. — Os staffs já montaram uma bateria para você testar.
— Vamos então! Tô muito animado para tocar. _ Uruha segue ao meu lado, todo feliz e sorridente. Ruki vai na frente mostrando onde fica o lugar.
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O ensaio foi muito proveitoso, juntos tocamos algumas músicas, do álbum Nil e Disorder, ficamos quase duas horas passando o som.
Uruha é perfeito na guitarra, fizemos uma ótima sincronia, em alguns momentos eles parecia que me fitava durantes as músicas, fazendo uns ritmos junto com a bateria. Chegou perto algumas vezes e balançou a cabeça muito empolgado. O vocal do Ruki é mesmo incrível como ele muda a voz normal para gutural sem se perder na música. Aoi e o Reita completam as músicas com sua guitarra e baixo dando equilíbrio às melodias.
Acabamos que parando o ensaio para eles almoçarem, Aoi era o que mais reclamava de fome e vontade de sair para fumar um pouco. Todos deixaram os instrumentos de lado e seguiram para uma lanchonete no 1º andar do prédio.
Uruha me convidou para ir junto, e fiquei muito feliz, pelo jeito ele não ficou bravo por conta de eu ter mandado ele embora aquele dia.
Antes de descer com ele fui até minha jaqueta e peguei minha garrafa térmica, e desci com eles para o local que iriam comer.
Seguimos para o elevador, para chegar mais rápido a lanchonete, entramos com mais algumas pessoas, ficando mais ao fundo e Uruha está na minha frente quase fiquei encostando nele, tão perto que dava para sentir seu perfume e vendo com perfeição sua pele alva do pescoço que estava a mostra.
Em um solavanco do elevador para fazer a parada no andar seguinte, Uruha desequilibra e dá uns passos para trás, num impulso o seguro colando nosso corpo outra vez como na cozinha, ele me olha e sorri, fico com vergonha na hora meu rosto fica vermelho e sinto minha pele ferver soltando ele.
“Teria apertado o botão de emergência, assaltado seus lábios com um beijo violento sem deixar ele respirar, jogado ele no chão, e o possuído ali até ele gritar meu nome no momento em que eu acertasse seu ponto de prazer.”
“Se estivéssemos sozinhos no elevador… sim... pare com isso... não coloca essas idéias pervertidas na minha cabeça.”
As portas se abrem e descemos, ainda estou envergonhado por causa das outras pessoas. Será que perceberam meu movimento? Vão ficar me julgando por que sou novo aqui? Mas pode ser só paranóia minha, Uruha está rindo então nem percebeu meu nervosismo.
Numa mesa comprida já estão sentados Ruki, Aoi e Reita, tendo mais duas cadeiras que ficam uma na ponta e outra na lateral. Ruki diz que já pediu lámen para eles, e chama o garçom para anotar o nosso pedido. Uruha pediu um Mentai Korokke Bento e um chá verde para acompanhar, o garçom se vira para mim e agradeço e não peço nada.
Uruha fica intrigado e pergunta por que não vou comer depois do esforço que tivemos no ensaio no estúdio.
— Uruha-san, estou fazendo uma dieta a base de shake, que eu trouxe aqui na minha garrafa. _ Então coloco a garrafa na mesa, abro e uso a própria tampa para beber.
— Dieta?! Para que? Você está em forma, nem precisa de academia. Duas horas na bateria já perdeu todas as gorduras localizadas. _ Uruha dá uma risada gostosa, eu bebo mais um pouco.
— Só se for forma de bola! Olha essa barriga tá fazendo dobras._ Aperto minhas gorduras na barriga, Uruha desata a rir e outros olham para ver o por que dos risos.
— Ruki, acredita que o Kai está fazendo aquelas dietas de Shake, porque acha que está gordo?_ Uruha continua rindo até quase engasgar e pede um pouco de água para o Reita.
— Essas dietas costumam não dar certo, pois quando você acaba os dias, volta a comer tudo de novo. _ Ruki ri e bebe um pouco — Então não funciona.
— Sei bem como é isso, já tentei algumas, Dietas da Lua, sopa, chá, só de carne vermelha. _ Aoi diz que já fez várias. — No fim você descobre que só se privou de comer as coisas boas por nada.
— Boa sorte Kai-san! Mas prefiro ir na academia e depois comer bem. _ Reita também diz sua opinião. — Cada um na sua, certo?
O garçom aparece trazendo as refeições deles, cortando as risadas e o assunto sobre a minha dieta do Shake. Faz-se um silêncio enquanto eles degustam sua comida, fico observando Uruha comer sua porção. O jeito que ele abre os lábios e faz um bico de pato para comer, é muito fofo, quando ele percebe que tô encarando, disfarço bebendo meu “vinho”. Ele me olha nos olhos e pergunta sobre o ensaio.
— Kai, você costuma usar lentes? _ Uruha faz uma pergunta estranha.
— Sim, uso lentes de grau. Mas qual motivo da sua pergunta?_ Agora estou intrigado.
— Quando estávamos tocando lá no estúdio. Tive a impressão que seus olhos mudaram de cor para um tom avermelhado. _ Uruha continua me olhando esperando uma resposta.
— Deve ter sido o reflexo das luzes, essas lentes mudam um pouco a tonalidade do olho, a luz pode confundir a visão. _ Uruha não está convencido da minha resposta.
— Ah! Tá… pode ser as luzes. Mas era um vermelho tão nítido que parecia tão real... Devo está vendo coisas... _ O que será que ele viu para continuar na dúvida?
— O espaço lá é bem apertado e a música atordoa os sentidos. Vemos até as cores do arco-íris no reflexo das luzes. _ Ele dá uma risada, e logo termina sua refeição.
Todos acabam suas refeições, e também guardo um pouco do meu Shake para mais tarde, não sei mais quanto tempo vou ficar aqui, posso ficar com fome e isso nunca é bom. Já é perto das duas da tarde penso em como passou rápido o tempo e nem consegui conversar direito com Uruha ainda.
— Pessoal, tem uma reunião marcada para às três da tarde para apresentação do nosso novo baterista, Kai-san, para os produtores e o resto da equipe. _ Ruki avisa sobre uma reunião importante. — Então vocês têm um tempinho para descansar.
— Vamos subindo logo quero pegar o sofá grande. _ Diz Aoi se levantando.
— Nada disso Aoi, é minha vez de usar. _ Reita diz passando na frente para chegar antes o Aoi.
— Sempre a mesma briga pelo sofá. Quando é que eles vão crescer?_ Ruki fala seguindo atrás deles.
— Podem ir, vou ao banheiro primeiro. _ diz Uruha seguindo a mesma direção dos outros, ele se vira para mim. — Você vem Kai? — ele estende a mão para mim.
— Com certeza Uruha, também preciso ir ao banheiro. _ Ele fica esperando para segui-lo, então sorrio mostrando uma das minhas covinhas.
— Ah! Essas covinhas são mesmo um charme. _ Ele encosta sua mão no meu rosto tocando na marca da covinha e segue andando.
Esse contato foi tão inesperado, que fez meu sangue ferver para senti-lo mais uma vez.
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