Kakatte Koi
6 A conversa (Revisado)
Notas iniciais

A princípio Daigo não pergunta nada, apenas se abaixa e oferece um abraço, um ombro para o amigo chorar, para depois saber o que houve com ele e Uruha.
Kai está chorando silencioso com a garrafa vazia de vinho na mão, dizendo que não aguenta mais aquilo e que ele não pode mais viver assim, sempre tentando se controlar.
— Kai não estou entendendo, o que houve? Você estava tão feliz quando veio para cozinha com o Uruha._ Daigo pergunta e tento responder secando as lágrimas e respirando fundo.
— Eu pensei que conseguiria me controlar mas quase estraguei tudo com Uruha. . . Foi isso._ Voltando a abraçar meus joelhos, Daigo me olha e passa a mão no meu cabelo me consolando.
— Se for por causa de você passar mal e pedir para ele ir embora, não tem problema._ Daigo me dá informações que me fazem ir acalmando lentamente.
— Sério? Ele não saiu bravo? Eu me descontrolei e mandei ele embora. . ._ Murmurou num lamento e um tanto envergonhado.
"Será que ele não percebeu nada?"
— Não precisa ficar nesse estado, ele saiu preocupado que não pode te ajudar._ Daigo me acalma falando com carinho.
Respiro fundo de novo sentindo meu estômago apertar e queimar, fecho os olhos e seco minhas lágrimas, olho de novo para Daigo que sorri gentil.
— Todos eles mandaram, melhoras para você. Amanhã você deveria ligar avisando que foi um mau entendimento e que está melhor.
Daigo suspira e continua….
— Kai você tem que parar de beber e ir comer alguma coisa sólida, isso que está lhe fazendo mal por isso fica com o estômago doendo. _ Me aconselha e eu olho para a garrafa, penso por um segundo e depois olho para ele com mais dor ainda dentro de mim, dor essa que vai se transformando em agonia.
— Não consigo sozinho, preciso de ajuda. Chama Kamijo-san aqui, só ele pode resolver meus problemas... Vai, liga para ele Daigo! _ Era difícil ter que me humilhar em pedir ajuda logo para ele, mas nessa situação não tem outra pessoa a quem eu possa recorrer.
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POV Kai
Daigo fica de pé e vai depressa até o salão para ligar para Kamijo, dizer que estou com problemas e pedir para que ele venha até o restaurante.
— Konbanwa! Gostaria de falar com Kamijo-san? _ Ouço ele pegando minha agenda e então ligando deixando no viva voz, logo um tempo de silêncio antes de escutar sua voz. Jogo a cabeça pra trás abrindo de leve a boca e raspando meu lábio nos meus dentes.
— Konbanwa. É ele mesmo, quem está falando? — Kamijo responde, é inconfundível a voz elegante e esnobe ao mesmo tempo.
— Gomen, eu sou Daigo trabalho no restaurante do Chef Kai . . .
— Afinal o que houve? Para Yutaka-san pedir para um estranho me ligar. — Kamijo parece irritado e interrompe o menino o que me faz fechar os olhos com força.
— Gomennasai, Kamijo-san. Mas Kai-san está com problemas e pedindo a sua presença. _ Se desculpa, Kamijo deve ter amedrontado ele.
— Que tipos de problemas? Pode ser mais específico Daigo-chan._ Kamijo pergunta agora com deboche no nome do menino. Abro os olhos e seguro com mais força a garrafa, estou disposto a levantar e ir lá falar com ele eu mesmo.
— Ele está sentado no chão. . . Chorando. . . Dizendo algo sobre estar perdendo o controle e segurando uma garrafa de vinho vazia, disse que só Kamijo-san pode ajudá-lo. _ Quase reviro os olhos ao ouvir ele hesitar ao falar minha condição.
— Daigo-chan, eu chego em 20 minutos. Você pode ficar com ele enquanto isso, não é?_ Kamijo parece entediado, mas afobado ao mesmo tempo.
— Sim, Kamijo-san vou ficar com ele. Arigatou._ Agradece a ele e eu suspiro voltando a me acomodar no chão, estou suando frio inferno.
— Avisa ele que já estou indo. _ Kamijo desligou com uma voz bem apressada.
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POV OFF
Daigo volta para a cozinha, Kai continua naquele chão frio batendo a garrafa vazia no chão, chega perto para avisar que Kamijo está a caminho.
Daigo reflete sobre o Chef Kai “Nesse tempo todo que estou trabalhando aqui, nunca vi ele desse jeito totalmente desesperado com baixa estima e chorando. Kai pode ser um pouco excêntrico às vezes, tem gostos estranhos e problemas para comer, mais ultimamente ele tem bebido um pouco mais dá conta é o que pode tá afetando seu autocontrole, é o que penso que pode estar acontecendo com ele.”
Não demora muito para serem ouvidas batidas na porta de entrada do restaurante. Daigo avisa que deve o Kamijo e que vai até lá abrir. Daigo não conhecia Kamijo pessoalmente, mas sempre admirou seu trabalho com a banda Versalhes. Abriu a porta, cumprimentando Kamijo com uma reverência, ele retribui juntando as mãos ao lado do corpo.
— Prazer em conhecê-lo, Kamijo-san.
— O prazer é todo meu, Daigo-san. Onde ele está? Yutaka-san cadê ele?
— Na cozinha, sentado no chão perto da geladeira, Kamijo-san.
— Arigatou gozaimasu, Daigo-san. Não precisa ficar eu cuido dele.
Kamijo avisa com dureza a Daigo, que não precisava de curiosos ali.
— Kamijo-san, agradeço por ter vindo, não sei o que aconteceu para Kai-san ficar desse jeito.
— Não se preocupe, vou conversar com ele.
— Konbanwa Kamijo-san.
Daigo vai embora e Kamijo se dirige até as portas que dividem o salão da cozinha. Ele caminha até o fundo da cozinha e vê o moreno sentado no chão, com aparência mais pálida que de costume com os olhos cheios de lágrimas e vermelhos de tanto esfregar, então fica de frente para o Kai.
— O que aconteceu dessa vez, Kai? _ Kamijo agacha próximo e pergunta com ar de superioridade, ele está vestido de modo normal, como uma calça social preta, uma blusa cinza claro e blazer preto sem nenhuma maquiagem e os cabelos ainda estão molhados.
— Eu me aproximei do Uruha. . . Agora faço parte da banda, me aceitaram como baterista. _ Kai fala para ele que continua apenas olhando. — Então trouxe ele aqui na cozinha, quase perdi a cabeça e avancei nele, quando beijei seu pescoço fiz um arranhão nele e por pouco não coloco tudo a perder.
— Mas e daí? O que você quer de mim, Kai? _ Kamijo pergunta desdenhando. Ele sabia exatamente do que Kai precisava, mas queria ouvir da sua boca.
— Você sabe do que eu preciso, Kamijo! _ Kai responde secamente. — Eu não queria que as coisas chegassem a esse ponto, mas parece que não sou tão forte assim: eu preciso de mais vinho, essa foi a última garrafa.
“Toda vez tenho que passar por essa humilhação pedindo ajuda para ele. Por tudo que ele me fez. Por todas as mentiras. Eu achei que ele era bom pra mim mas me enganei.”
— Você sabe que pode ter direto da fonte. Tem o poder de mudar essa sua condição, mas prefere se sujeitar a ser alguém inferior._ Kamijo respondeu.
Kai ficou extremamente chateado e uma lágrima escorreu.
— Não precisa fazer essa cara. Eu trouxe uma aqui porque achei que fosse precisar, mas depois pedirei que tragam mais garrafas. _ Kamijo retira a mão de trás das costas com uma garrafa.
Kamijo entrega a garrafa nas mãos do moreno.
— Fique sabendo que não concordo que você prefira se comportar assim, por que ainda tentar ser o que não é, não devia continuar afastando esse outro “eu” que vive aí dentro. _ Kai pensa se fez bem em pedir para chamá-lo? Kamijo começa um sermão. — Pode ser que o “vinho” não funcione mais, uma hora ele vai voltar e tomar conta totalmente de você.
— “Chega, Kamijo. Eu não quero mais ouvir você! _ O outro “eu” do Kai responde rispidamente se levantando e seguindo para o andar de cima. — Me recuso a continuar falando com esse ser orgulhoso e mentiroso. Já pode ir embora, você sabe onde é a saída ”
— Eu não disse. . . Até logo, Yutaka-san! _ Kamijo diz se despedindo olhando para o moreno na escada.
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POV Kai
Observo da escada Kamijo se levantar e em seguir em direção das portas balcão que dividem a cozinha do salão, termino de subir para o quarto deixando a garrafa próximo da cama. Porque ele acha que pode mandar , só porque é o tutor legal, está sempre cheio da razão com esse ar de superioridade, é só eu não ficar sem o “vinho” que meu outro “eu “ fica sob controle.
Eu precisava de um banho, estava todo amassado, sujo e molhado das lágrimas, talvez se eu conseguisse descansar, poderia pensar em tudo o que aconteceu hoje.
Afinal de contas eu tenho uma banda agora, mas estraguei tudo com o Uruha. Será que ele me descobriu? Será que ele poderá me perdoar? Só saberei se é verdade o que Daigo falou, conversando com Uruha, mas ele vai querer falar comigo? Espero não ter assustado ele.
Preciso dormir esses eventos de hoje, acabaram comigo estou muito exausto. Pego minha roupa de dormir vou para o banheiro, ligo o chuveiro tomo um banho rápido, me troco volto para o quarto, vou até a cômoda me sirvo de um copo de vinho para me acalmar, depois me jogo na cama, rapidamente já estou num sono profundo. Amanhã resolvo o que fazer.
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POV OFF
Manhã de sábado, Daigo chega cedo ao restaurante, pois lembrou que precisava consertar a vitrine das bebidas depois do acidente com a baqueta, o que não deixa de ser estranho, pois teria que ter uma força sobrenatural para fazer a aquele estrago, a prateleira e a madeira da lateral foram destruídos, um furo no concreto de quase um dedo está no local.
Por sorte o restaurante só abre a noite, dá tempo chamar alguém para arrumar. Rapidamente Daigo faz umas ligações, então o vidraceiro chega e tira as medidas e diz que volta logo com vidro cortado e também um pouco de massa para fechar o buraco na parede.
Daigo recolhe todos os cacos e vidros quebrados, antes que os outros funcionários cheguem, eles já tem receio do Chef Kai e suas excentricidades, mais uma coisa estranha é capaz de pedirem demissão, com medo do patrão. Kai não precisa de mais um problema ele já tem tantos, ainda mais agora que ele vai tocar com a Banda.
Já passa o meio-dia e o rapaz do vidro volta como combinado, o bar está novamente como novo ele fez um trabalho perfeito, deu um jeito na madeira e tampou o buraco da parede, ficou ótimo bem a tempo, os funcionários do turno do sábado só chegam às 3 da tarde, ninguém vai perceber, agradeço e acerto com rapaz por ser tão rápido e prestativo.
Daigo vai para cozinha acertar tudo para noite, hoje é dia dos artistas e algumas bandas também já foram convidadas, então não pode haver erros, pois a reputação do restaurante depende dos clientes e do bom atendimento.
Distraído com seus afazeres, Daigo nem percebe que o Chef Kai está na cozinha, quase se assusta ao vê-lo. Kai não parece muito bem, os olhos parecem bem fundos com uma olheira bem evidente, ele ainda está de pijama acredito que não teve uma noite de sono tranquilo.
— Ohayoo Kai-san, você me assustou! Tá passando mal ainda? Quer que chame Kamijo-san novamente?_ Daigo está com uma expressão de preocupado.
— Não sei por que mandei chamá-lo ontem, ele sempre consegue me chatear mais do que me ajudar. _ Kai odeia ter que pedir ajuda para Kamijo.
— Vocês brigaram? Ele é seu parente ou algo assim? _ Daigo pergunta sobre a relação do Kai com Kamijo.
— Kamijo-san está mais para algo assim. Não brigamos, mas ele gosta de lembrar toda vez, o quanto ele me ajudou a chegar onde estou hoje. _ Kai suspira forte. — Nunca tive ninguém para me ajudar, depois que minha mãe morreu aos 16 anos. Fiquei sozinho, trabalhava em troca de comida e um teto até que um dia Kamijo-san apareceu.
— Então ele te acolheu e cuidou de você. Isso é bom não é? _ Daigo indaga.
— De certo modo, foi bom no começo, ele se encantou com meu sorriso, queria que eu tocasse no Versailles com eles. _ Kai pensa um pouco.— Mas eu queria muito ser um Chef famoso e ter meu restaurante.
— Ainda não entendi o problema ? Ele te ajudou a ter o restaurante, certo? _ Daigo continua sem entender.
— Problema é o que ele quis em troca, para me ajudar a realizar meu sonho, ainda hoje acho que fui enganado, não era isso que eu queria ser exatamente._ Kai acha que Kamijo o seduziu com suas mentiras e ele caiu na sua lábia. — Por isso discutimos sempre, só em último caso, que peço ajuda como aconteceu ontem, pois não tenho a quem recorrer.
— Kai-san, você não está mais só! Eu sou seu amigo, pode pedir ajuda sempre que precisar._ Kai fica contente, em saber que agora tem um amigo de verdade. — Mas me conta o que ele quis em troca que vocês discutem tanto e te deixa triste.
— Outro dia quem sabe! Os funcionários estão chegando, estou de pijama na cozinha. Eles logo vão ver os estragos do bar e querer saber o que aconteceu, mais uma vez vou ser taxado de esquisito, já que nem vão mais me dirigir a palavra de medo. _ Kai ainda não sabe como aquilo aconteceu. O salão ficou uma bagunça com a vitrine e os copos destruídos.
— Não precisa se preocupar com isso. Cheguei mais cedo, já resolvi isso tá tudo arrumado os outros funcionários nem vão saber que aconteceu um incidente com a vitrine do bar. _ Kai não acredita que ele arrumou tudo por sua causa.
— Nossa ! Você fez isso por mim?_ Kai abre um sorriso com as covinhas a mostra do tanto que ficou contente por ele preocupar assim com sua pessoa.
— Foi por esse sorriso que fiz. Não gosto que fique triste e nem que chore mais, por favor, ok?_ Daigo é a melhor pessoa que já apareceu. Kai acredita que pode confiar nele.
— Nem sei como agradecer! Estou feliz por você se importar comigo como amigo._ Kai queria dar um abraço nele, mas o pessoal estava entrando na cozinha então ele correu para o andar superior para me trocar.
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