Kakatte Koi
1 A Inauguração - (Revisado e Betado)
Notas iniciais

KAI P.O.V
— Parabéns! Yutaka-kun, o lugar ficou lindo, está todo decorado com temática voltada para os músicos J-Rock e artistas do Visual Kei. Seu restaurante é o primeiro nesse estilo, será um grande sucesso! Seu cardápio é bem diferente, inovador e revigorante, e as sobremesas são divinas. —_ Disse o crítico culinário que veio na inauguração do meu restaurante.
— Obrigada, Yousei-san, agradeço sua avaliação, tudo foi feito para agradar quem venha a frequentar e também encontrar um refúgio e diversão no local. — Coloco minhas mãos ao lado do corpo e faço uma reverência de agradecimento e o conduzo até uma mesa, chamando um garçom para atendê-lo.
A inauguração foi programada para um fim de semana que coincidiu com as férias e muitos músicos estariam em suas casas, ou já tinham terminado as turnês de shows e estavam descansando, então foram distribuídos os convites nessa época para várias produtoras. A inauguração atraiu muitas pessoas da alta sociedade ligada à música e muitos curiosos ficaram sabendo que algumas bandas famosas iriam comparecer no local, e alguns fãs ficaram do lado de fora os aguardando.
A segurança foi reforçada e um cordão de isolamento garantiu a todos os convidados uma entrada no recinto, seguindo por um tapete que se estendia do carro até o hall de entrada do restaurante.
Parecia noite de gala do Grammy, cada vez que parava um veículo e os integrantes de uma banda desciam, era um alvoroço para ver quem era. Os primeiros a chegar foram o X Japan, que desfilaram majestosamente, sendo muito simpáticos e acenando. Yoshiki parou para tirar algumas selfies com os fãs que foram à loucura, o aplaudindo com fervor. Outras bandas como Luna Sea, Buck Tick, Diaura, Banda Sid, Jupiter, “D” — Asagi, Lynch, Nightmare, Gackt e Kamijo também foram convidadas. A noite está quase completa, só faltava uma banda muito esperada pelos fãs: The Gazette.
Assim que o veículo parou e a porta abriu, os gritos começaram. O primeiro a descer foi Shiroyama Yuu, conhecido como Aoi, guitarrista de suporte. O moreno pisou no tapete e seguiu acenando e mandando beijos para os fãs. O baterista Yune desceu e caminhou até a entrada, acenando feliz para o público.
Na sequência, saiu Suzuki Akira, que também atende como Reita, o responsável pelo baixo, ele tinha uma faixa cobrindo seu nariz e os cabelos loiros arrepiados quase cobriam seus olhos. Ele caminhou até a entrada, acenando às vezes para os fãs. Matsumoto Takanori foi o próximo, com o apelido de Ruki, o vocalista da banda. As meninas em volta ficaram sem voz de tanto chamar por ele, que desceu todo tímido em meio ao alvoroço. Acenou e seguiu atrás do Reita.
Nada tinha me preparado para quando ele saiu, apontando na porta do carro. Eu estava no hall da entrada, cumprimentando a todos e os agradecendo por prestigiarem meu restaurante, quando a brisa leve do vento trouxe seu perfume amadeirado até meu nariz. Me senti embriagado pela essência de seu cheiro, isso raramente acontecia comigo. O loiro Takashima Kouyou, apelidado por Uruha, era o guitarrista principal da banda.
“Ele despertou um sentimento em mim que até então não sabia que eu ainda tinha: desejo e paixão. Meu íntimo clamava por esse contato, o loiro seria meu e eu seria dele, minha solidão poderia acabar se o loiro aceitasse quem eu realmente era.”
Uruha desceu do carro e pisou no tapete vermelho, e seguiu vindo na minha direção. Outro alvoroço se ergueu e os gritos recomeçaram, mas nem conseguia ouvi-los, prestava atenção somente no loiro e seu modo de andar, em suas pernas que mostravam um pouco da pele branca, pois um lado da calça de couro era um shorts, que devia estar bem justo, pois delineava suas partes íntimas deixando-as bem agarradas ao tecido.
Trajava uma blusa preta brilhante com botões e gola em V e um colete sem mangas por cima. No pescoço tinha uma gargantilha preta e umas correntes, combinando com brincos e anéis. Ele chegou até mim para cumprimentar, fiquei estático encarando seu rosto e sorriso, ele dizia algo, mas eu não consegui me expressar verbalmente, então apenas acenei com a cabeça.
Notei que sua pele era tão branca que podia se ver as veias azuis que estavam por toda extensão do seu pescoço, fazendo meu sangue ferver. Ele foi se distanciando de mim, mas eu queria voltar o tempo e poder falar com ele, na verdade… “eu queria beijá-lo e deixá-lo sem fôlego, depois agarrar suas pernas e apertar aquela bunda modelada com tamanha perfeição, queria prensar ele na parede e foder com ele ali mesmo no meio da multidão”; mas como sempre, o momento passou e eu não disse nada, perdendo a chance de encontrar um possível amor para toda vida.
Eles foram os últimos a chegar, entrei e os seguranças fecharam a porta para garantir que ninguém que não tivesse convite entrasse. Chamei o restaurante de Kakatte-Koi, uma expressão que costumo usar, quando nas horas vagas estou tocando minha bateria por diversão em casa.
A especialidade da casa são pratos nobres e alguns exóticos da culinária japonesa, acompanhados por um molho especial feito de pasta de tomate, fondant, polpa de maçã, molho worcestershire, sal, polpa de cenoura e vinho, e uma sobremesa de Mousse de Vinho uma receita antiga da minha avó, feita exclusivamente por mim.
— Prazer, sou Tanabe Yutaka, mas podem me chamar de Chef KAI. Sou o responsável por esse restaurante temático que vocês irão conhecer agora. Aproveitem as novidades e experimentem a sobremesa: Mousse de Vinho é uma indicação do Chef.
Perambulei por entre as mesas, vendo se todos estavam sendo servidos adequadamente. O recinto ficou completamente cheio, fiquei muito feliz que a maioria dos convidados estavam ali para prestigiar meu sonho, que sempre foi ser Chef e ter meu próprio restaurante para músicos poderem se divertir e trocarem ideias sobre o cenário musical. Mas tinha uma pessoa em particular que eu queria que tivesse rejeitado o meu convite, lógico que ele não perderia essa oportunidade.
— Kamijo-san, por que você veio? E trouxe os familiares? —_ Sou ríspido com ele.
— Você mandou convite para minha produtora, já se esqueceu? — Ele gosta de me provocar.
— Não esqueci, achei que não fosse vir, ainda mais em um restaurante. — Falo dando de ombros.
— Somos os representantes mais famosos do Visual Kei, por isso decidimos vir prestigiar nosso filho pródigo e seu sonho. — O que Kamijo quis dizer com isso?
— Não precisava ter todo esse trabalho, sei que você nem vai gostar do cardápio por conta de seu gosto peculiar de alimentação. — Dou um sorriso sarcástico, mostrando umas das minhas covinhas. Ele segura meu queixo e me olha diretamente.
— Não vim pela comida, e sim para ver o sorriso daquele rapaz que encontrei uma vez num bar escuro e fedido, tocando bateria com uma banda de garagem por um prato de comida. — Por que ele tinha que lembrar disso agora? Já faz muito tempo.
— Esse sorriso só me colocou em apuros e você está envolvido até o pescoço nessa história. — Kamijo sempre soube ser persuasivo quando se interessava por algo.
— Só ajudei um garoto que tinha um sonho de ser rico e famoso sendo Chef no próprio restaurante para bandas de J-Rock, que mal tem isso? — Como se ele não soubesse o que tive que fazer em troca desse luxo.
— O preço pago foi alto demais, e me tornou o que sou hoje? Como fui cair na sua conversa fiada dizendo que gostou muito de mim? — Nem gosto de lembrar, acredito que fui enganado no nosso acordo.
— Considere como um presente de um amigo que te ama! Por que ainda continua rebelde depois de tudo o que fiz por você? Não pense muito, vai lá e pegue ele para você. Ainda duvida do seu potencial? Olhe em volta, não é tudo o que você queria? — Ele me conhece bem, já percebeu que estou secando o guitarrista Uruha e babando por ele.
— Kamijo-san, sabe que não funciona assim, quero conquistá-lo à moda antiga, por amor, e não o forçando a ficar comigo. Sinto que pode dar certo se ele me aceitar e me amar sem precisar esconder minha condição, talvez eu encontre um parceiro para acabar com a minha solidão. — Suspiro e continuo observando o loiro dar gargalhadas com os amigos da sua banda.
— Hizaki-san, ele vai começar com a mesma história de amor de sempre. Será que ele não vê como ele é lindo sendo o que é! Vamos sentar e beber, que essa conversa já me cansou, não sei por que ainda perco tempo com ele, é um caso perdido. — Hizaki, no seu vestido lindo, apenas diz “Hai”! e dá uma risada. Kamijo continua falando. — Teru-san, quem devo matar para ser servido aqui? — Detesto quando ele faz essas brincadeira com duplo sentido.
— Quem sabe algum loiro sorridente da outra mesa. — Teru fala dando uma risada maliciosa, olhando para mim.
— Ninguém! Kamijo-san, eu mesmo vou servi-lo, pois conheço seu gosto peculiar para comida. Vou separar um pedido especial para você e seus amigos, tenho um vinho de uma safra única com uvas imaculadas de sabor delicado e aromático, também tem a sobremesa de Mousse de Vinho — Kamijo consegue me estressar toda vez que nos encontramos.
— Yutaka-san, sabia que o baterista deles está deixando a banda? Só veio por ter de manter as aparências e a imagem do grupo. Percebe o clima tenso entre ele e os outros membros? Pode ser sua chance. Vai lá falar com eles, assim fica mais fácil para você seduzir e agarrar o guitarrista Uruha e fazer o que quiser com ele. — Kamijo fala dando uma risada maliciosa, olhando para o loiro na outra mesa. Deu vontade de grudar no pescoço dele pelo comentário alto, me fazendo corar.
— Droga! Fica na sua, Kamijo-san! Me deixa em paz! Tenho um restaurante para cuidar. — Me distancio dele e vou atrás do garçom, passo as instruções do pedido para servir na mesa deles.
O resto da noite transcorreu muito bem, sem mais nenhum interrogatório por parte de Kamijo e sua banda, num canto do recinto deixei um espaço para um palco com uns instrumentos, para quem quisessem tocar suas músicas ou cover dos colegas, talvez um Karaokê.
Foi um sucesso depois das refeições. Já na sobremesa, que foi muito elogiada, houve uma disputa entre o X Japan e o Luna Sea, para ver quem cantava melhor a música do Sakurai — “Kagerou”, e foram revezando com as outras bandas no vocal.
Depois tivemos um duelo de guitarras que foi bem difícil decidir, porque todos eram muito bons. Uruha subiu ao palco e fez um duelo com Sugizo, e a música escolhida primeiro foi “Baretta”, depois foi "Rosier'', fiquei mais fascinado ainda vendo ele tocar.
O jeito de tocar nas cordas e os movimentos rápidos que fazia com aquela palheta, os braços nus brilhando graças ao suor escorrendo pelo seu esforço.Seu rosto era pura felicidade, estava gostando muito daquela interação, também dava uns passinhos no ritmo da música.
Já era de madrugada quando eles começaram a ir embora e o restaurante, aos poucos, foi esvaziando. Todos saíram felizes e elogiaram bastante, alguns disseram que sempre que tivessem tempo livre passariam mais algumas horas agradáveis no ambiente que criei a partir de um sonho de infância. Só fiquei triste porque não pude me despedir do guitarrista Uruha. Quando vi, todos já tinham saído e o local ficou completamente vazio.
Era bem tarde, eu nem tinha conseguido comer nada, sendo anfitrião naquela noite de estréia, juntei uma garrafa de vinho igual ao que servir ao Kamijo, e peguei um pouco do mousse que tinha sobrado. Bebi todo o vinho com o doce e fui para meu quarto, na parte superior do restaurante, deitando na cama de roupa mesmo, estava tremendamente exausto. Assim que meu corpo entrou em contato com o colchão, desmaiei de sono, para só acordar na tarde do dia seguinte, de tanta canseira.
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