Kakatte Koi

2 A Sobremesa. (Revisado)


Notas iniciais
Boa Noite! Meus Queridos Leitores. Vamos melhorar a Quarentena? Lavem bem as mãos e passem alcool gel, Fiquem em casa, lendo esse novo capítulo. Que tal aproveitar essa delícia de sombresa servida pela Chef Kai. Querem saber se o Kai vai criar coragem para falar com Uruha? Descubra a seguir... Esse capítulo foi revisado.Boa Leitura .

POV Kai

Alguns meses se passaram desde a inauguração e continuávamos a todo vapor, tínhamos até lista de espera para o fim de semana que era reservado somente para os músicos, toda semana pedidos eram recebidos e todos queriam curtir uma noite diferente e agradável.

Durante a semana funcionava abrindo para o público na hora do almoço com cardápio normal, o gerente e outros funcionários cuidavam dessa parte.

Me interesse era só com os finais de semana, sempre revisava os convites para saber quando ele apareceria de novo e mesmo que a lista de espera fosse grande quando via o pedido da produtora deles usava meu privilégio de escolher quem eu queria que frequentasse meu restaurante, por mais de três vezes nesses 6 meses que se passaram ele veio acompanhando a banda, sempre pediam minha sobremesa de mousse de vinho.

Eu ficava de longe no balcão, olhando como ele apreciava o doce e o jeito como ele degustava cada colherada, o modo como passava a língua por aquele lábios carnudos que pareciam muito macios, o vinho no doce subia rápido deixando-o com calor então algumas vezes ele se abanava com o guardanapo ou com o folder do cardápio.

O vento trazia o seu cheiro até mim, era um perfume de almíscar levemente amadeirado, que fazia meu íntimo arder de desejo e “senti minha pele queimar, tudo nele me deixava excitado e eu precisava ter ele para mim, meu instinto me traía toda vez que ele vinha ao restaurante”, os garçons sempre diziam que ele elogiava muito o Chef e queria conhecê-lo.

Nessa última vez que ele veio era um sábado, ele tinha pintado os cabelos de castanho chocolate que estavam jogados para o lado, também tinha raspado a lateral perto da orelha, deixando só a parte de cima com cabelo dando um ar de moicano, “salivei e mordi o canto da boca passando a língua ao ver ele entrar e sentar sempre na mesma mesa ficando de costa para o balcão, para piorar minha atração”. Ele usava uma camiseta com gola tipo canoa preta que devia ser da grife da banda, não me contendo, fiquei encarando aquela pele branca do ombro desnudo, o corte do cabelo deixava o pescoço todo livre me fazendo ter espasmo de prazer só ver ele.

Eu sempre passava mal quando estava na presença dele mesmo a pouca distância, no sentido do meu corpo tremer levemente e ter dores no abdômen, ainda bem que estava atrás do balcão, pois uma ereção latejante se fazia presente na minha calça couro justa, não conseguia mais me controlar esse desejo estava sendo mais forte que a minha vontade de manter ele afastado.

Necessitava urgente de uma distração, naquele estado que me encontrava poderia facilmente perder a cabeça e atacá-lo na frente de todos no meio do salão, que se dane a minha reputação de bom moço eu queria fazer muitas maldades com aquele guitarrista gostoso.

Que inferno! Por que eu parecia um adolescente em plena puberdade? Já tinha passado dessa fase anos atrás, desde que tinha deixado a casa de Kamijo-san e não quis ser o baterista da sua banda, segui com meu sonho de ser Chef e ter um restaurante.

Precisava tomar uma atitude, buscar lá no fundo toda a coragem que não tinha, e ir na mesa deles tentar ao menos cumprimentar e agradecer os elogios. Cadê o garçom? Uma bebida me ajudaria nessa investida, quem sabe uma ou duas doses, queria um vinho tinto seco para descer queimando a garganta, evitando uma possível gagueira na hora de falar com ele.

O garçom vinha na minha direção com o pedido da mesa da banda, durante meu devaneio não tinha percebido que o baterista não veio junto com eles. Seria verdade o que Kamijo falou naquele dia da estréia, que o Gazette estava com problemas e o baterista tinha saído mesmo? Como ele podia saber? Talvez fosse minha chance de me apresentar e conversar com Uruha, agora podia ter algo em comum para falar com ele: a minha paixão pela música.

— Meu rapaz vem aqui _ Chamo o garçom, nunca lembro os nomes dos meus funcionários.

— Sim, o que o Chef Kai-san deseja ? _ Ele me pergunta .

— Você sabe me dizer por quê o baterista não veio junto com eles hoje?_ Pergunto. Quem sabe ele escutou alguma conversa sobre o assunto?

— O Chef Kai, não está sabendo que o Yune deixou a banda? Ninguém sabe o motivo e agora eles estão parados._ Será que Kamijo leu mentes para saber disso antes de todos?

— Então é verdade, achei que fosse só um boato, uma jogada de marketing. . . _ Agora que tenho certeza, vou tentar falar com eles.

— Tenho pedidos de sobremesa de mousse de vinho, o Chef Kai podia levar para eles e perguntar. Sei que faz tempo que ensaia para falar com ele._ Não acredito que até ele já percebeu meu interesse no guitarrista. Tento segurar minha surpresa e constrangimento numa cara fechada, suspiro e cruzo os braços inclinando a cabeça levemente para o lado ao encará-lo.

— Como assim? Falar com quem? Eles são músicos ocupados e famosos não vão querer ouvir um mero chef de cozinha. Você deve tá sonhando _ Suspiro e volto a olhar para ele, “será que ele me ouviria? Me aceitaria como seu amante e me amaria por todo vida mesmo depois de saber quem eu sou?”

— Ah... chef Kai, não é segredo para ninguém daqui que você tem treinado as músicas da banda quando pensa que o restaurante está vazio, e também suspira pelos cantos o nome dele sempre . _ Que segredo mais ele sabe? Devo ficar mais atento. . . E tomar mais cuidado, estou muito no mundo da lua para ter deixado isso acontecer.

— Monte os pedidos que vou levar para eles, mas não demore, senão posso perder a coragem _ O garçom sai num tiro para a cozinha quando mando ríspido sem nem olhar na cara dele. Posso dizer que estou em choque, que abuso falar isso assim.

Por que fui deixar ele me encorajar a fazer isso? E se eu tropeçar e cair com a bandeja? Nunca mais saio de casa, ou se ele não quiser falar comigo, nem sei se é hetero ou gay. . . Sei que eu quero ele para mim..., às vezes Kamijo tem razão eu devia fazer do modo mais fácil chegar, pegar o que quero, investir no meu potencial.

São tantas maneiras que aprendi e não uso, na prática seria menos traumático. . . Mas devo ser burro ou gostar muito de sofrer por amor não correspondido, já foram tantas decepções usando esse meu método que se não for dessa vez, aceitarei a proposta de Kamijo em usar a sedução e a persuasão como método de conquista.

Enfim o meu amigo e confidente garçom volta com a bandeja dos pedidos, quatros sobremesas de mousse de vinho que foram desinformadas numa forma de massa amanteigada modeladas em forminhas pequenas de torta, decorada com frutas vermelhas em cima com cobertura de Cassis finalizando a apresentação da sobremesa.

Yeah! Eu ensinei e contratei os melhores.

Dou suspiro prolongando olhando para a bandeja e para a mesa que eles estão, parece perto mas a minha ansiedade está tornando tudo tão distante e torturante. Mas já me decidi que não vou voltar atrás, me encaminho até a mesa esquecendo tudo a minha volta que possa me distrair ou fazer errar e perder esse momento. Sempre estou complicando as coisas, um gesto simples vira uma batalha secular na minha mente.

Primeira vez que fico tão perto dele, já nem tenho mais pulsação, estou tremendo de pavor e ao mesmo tempo estou imerso numa extrema alegria que não está cabendo dentro do peito.

Chego até eles e sorrio, sei que meu sorriso com covinhas sempre foi minha perdição. Por causa dele que Kamijo se encantou e me ofereceu tudo o que sonhava, mas tinha uma condição que na época não pensei nas consequências para o futuro.

Sim! Consegui o meu sonho mas não aceitava esse novo “eu”. . . Não tinha mais o que fazer já estava do lado dele, “meu sangue começa a ferver com aproximação, não sei se vou resistir”. E agora o que eu falo!? Ele percebe e abre a boca movimentando os lábios carnudos, começando a falar comigo.

— Chef Kai, quanta honra! Ser servido por uma pessoa tão ilustre como você _ Uruha me elogia com uma voz tão suave e doce, e que lábios lindos ele tem vendo agora de perto.

— Não sou tão ilustre assim, vocês que são, além de serem famosos. Sou apenas um simples Chef de cozinha _ Eu e minha modéstia, no mesmo instante estou corando e sorrio de lado mostrando minhas covinhas.

— Que Kawaii! Você tem covinhas muito fofas. Não tem nada de simples, é a melhor sobremesa que já comi, só um Chef muito habilidoso poderia acertar essa textura e sabor. _ Uruha continua me elogiando, preciso muito segurar meu ímpeto e “minha vontade é imensa de beijá-lo até ficar sem fôlego, depois partir para seu pescoço saliente que dá ver a sua pulsação, ele parece um príncipe de sangue azul com essa pele tão alva e queria deixar uma marca ali e explorar com a língua o lóbulo da sua orelha” . Foco Kai concentre-se…. suspiro fundo e falo.

— Notei que o Yune não veio dessa vez, ele está doente ? _ Pergunto já com a intenção de confirmar o que o garçom disse, ao mesmo tempo em que seguro a bandeja numa mão e coloco os pratinhos de sobremesa na frente de seus respectivos donos.

— Isso é complicado! Como vou dizer... _ Ruki começa falar

— Houve alguns contratempos... _ Reita tenta falar uma frase mas não termina.

— Não... Não está doente, não estávamos mais entrando em acordo sobre as músicas..._ Aoi também tenta dizer o que houve.

— Ele nos deixou e foi embora para tocar em outra banda, então estamos parados a procura de um baterista novo._ Uruha acaba falando tudo o que eu queria saber.

— Vocês fazem testes com as pessoas quando estão procurando um novo membro? _ Vou arriscar já que estou aqui conversando com eles mesmo.

— Fizemos alguns testes, às vezes a pessoa toca até bem mas tem um gênio forte sendo bem antipática, nas outras vezes é super simpática e carismática mais não consegue seguir o ritmo das músicas._ Ruki conta com uma expressão cansada como tem sido difícil encontrar um substituto.

— Chef Kai, muitos músicos têm vindo ao seu restaurante, não sabe de algum baterista solitário à procura de uma banda? _ Uruha chegou na pergunta que eu queria, essa é minha chance não posso perdê-la.

— Sim, eu conheço um baterista, ele sempre toca às vezes aqui no restaurante. _ Essa minha deixa vamos ver o que vai dar.

— Sério mesmo? Ele toca bem?Tem o contato dele? Não estaria aqui hoje, está?_ Uruha pergunta empolgado olhando em volta disfarçadamente, adorei fazer esse suspense.

— Acredito que vocês estariam com sorte se ele viesse aqui hoje, mas na verdade ele é freelancer, acompanha bandas no Karaokê nos finais de semana. _ Não creio que falei isso.

Nunca toquei em público, somente na época que era jovem sem dinheiro em busca de uma carreira, foi assim que Kamijo me conheceu procurando um baterista para sua banda, aqui no restaurante só treino para descontrair. Por que eu fui abrir a minha boca?

— Como podemos encontrar com ele? _ Ruki pergunta interessado.

— Posso agendar um horário aqui no restaurante, fora do expediente. Ficaria bom para vocês? _ O que estou fazendo? Agendar uma hora, essa aproximação com Uruha tá me fazendo cometer essas loucuras.

— Nossa seria ótimo, muita boa idéia. _ Ruki fala sorrindo pequeno.

— Só um momento, vou tentar falar com ele pelo telefone. _ Não to acreditando que vou fingir ligar para marcar um horário comigo mesmo, tô passando mal só pode.

— Agradecemos de verdade sua ajuda Chef Kai._ Aoi fala com uma voz doce e suave.

Me afasto da mesa e vou até o balcão procurar o telefone, para quem vou ligar agora? Nunca fiz uma coisa dessas, por que inventei tudo isso? Era só dizer que eu tocava bateria como hobby é muito mais fácil, mas não sei o que acontece meu alter ego parece assumir e comandar minha ações, só de ficar perto dele eu estou cometendo essa loucura.

Já sei vou ligar para telefonista que fala as horas, assim finjo estar conversando com alguém. Caminho de volta até a mesa com telefone pergunto se pode ser um dia no final da tarde, pois é o horário que estou livre dos afazeres do restaurante.

— Sem problemas, até melhor assim já aproveitamos para fazer um Happy Hour, depois de sair do Estúdio._ Ruki diz me encarando eu coro e fico com vergonha.

— Ele disse se pode ser na sexta-feira que vem, se vocês não tiverem compromissos, é claro._ Não sei como ainda tô me aguentando .

— Na sexta … Acho que não temos nada agendado Ruki … Confirma para nós._ Reita indaga o vocalista e depois me olha com aquela cara de. . . Não sei.

— Não que eu me lembre… Mesmo se tiver eu desmarco quero conhecer esse baterista _ Ruki fala pensativo.

— Chef Kai, confirma com ele, sexta à tarde estaremos aqui para audição._ Uruha fala e me arrepio todo, esse homem me tira do eixo.

Transmito a mensagem para a telefonista do outro lado da linha, como se tivesse conversando realmente com o “Baterista misterioso” e desligo o telefone.

— Então ficamos acertados sexta-feira a partir das 19:00, vou deixar tudo certo para a audição, e também deixo umas porções de aperitivos e bebidas para vocês comerem depois do teste, certo?_ Agora tá feito, tenho até o fim de semana para me preparar, ainda não to no juízo perfeito por ter feito isso. Mas só de saber que vou ficar perto dele e tocar com ele, vai compensar toda essa bagunça que fiz.

— Sim, muito obrigado por ajeitar tudo, ensaiar só com o playback da bateria é muito frustrante, vou ficar contando os dias para tocar com um baterista de novo. _ Uruha fala me deixando corado, eu sorrio de lado. “Será que ele vai gostar de mim? Será que estarei à altura do seu desejo de tocar com um baterista presente? “

— Chef Kai, esqueci de perguntar qual o nome dele? _ Aoi pergunta e não sei agora o que vou responder.

— Fico com vergonha de dizer que não sei, na agenda escrevi baterista freelancer, nem lembro se ele me falou o nome. Que deslize!_ Não posso falar nem meu nome e nem apelido, senão estraga todo o circo que fiz e eles vão rir e deixar de confiar em mim. Sem falar que eu realmente não sou bom com nomes.

Todos começam a rir porque marcaram um teste com um baterista misterioso, eu dou risada mais de nervoso, pois aprontei uma confusão que não sei se eles vão aceitar depois que virem que sou eu o baterista.

Me diverti muito essa noite, consegui coragem para chegar perto dele e conversar, ganhei a confiança dos outros membros, espero não perder. Depois que perceberem que fiz uma brincadeira com eles, em relação a música e a minha bateria, tenho mais vergonha do que coragem de me apresentar, por isso treino sozinho e quase escondido aqui no restaurante.

Me senti muito triste quando eles se levantaram, para ir embora, “queria ter ele para me aquecer naquela noite estou cansado dessa solidão”, eu estava atrás do balcão recebendo as comandas dos outros que estavam indo embora, eles acertaram a conta com o garçom e vieram até mim se despedir e mais uma vez agradecer por agendar um teste de um baterista para a banda.

Uruha se aproximou ficando muito perto do meu rosto e na direção do meu ouvido disse com uma voz de veludo.

— Até sexta, então Chef Kaii… _ O jeito com ele falou me incendiou o corpo, causando um arrepio no pescoço e um frio espinha, aquilo foi intenso porque eu quase tive contato com a pele do seu pescoço e deu para ver que sua pulsação estava acelerada, fiquei estático apenas disse.

— Vou ficar esperando por você. _ Ele acenou cabeça positivamente e foi saindo, tentei segurar em seus ombros para ele ficar mais um pouco, mais o móvel atrapalhou e o momento passou, fiquei olhando ele seguir os amigos até a porta e ir embora levando seu perfume que me embriaga e “deixa meu “eu“ interior louco de desejo e paixão, esse homem ainda vai ser meu”.



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Notas finais
Que confusão! O The Gazette marcou um teste com um “Baterista misterioso” ! O que será que vai acontecer quando descobrirem quem é? Deixem suas teorias nos comentários. Obrigada por ler Obrigada por favoritar Obrigada por comentar ❤ Obrigada muuuito obrigada Uma Parceria de KaguraWay e MalikaHarunoo.