Notas iniciais
Queridos Leitores (as) de Plantão. Boa Tarde Tudo bem com vocês? Kai se lembra como foi que começou o lance das garrafas de vinho especial. Daigo tenta ajudar Kai/Yutaka, dá melhor forma possível. Descubra a seguir como foi ... Boa Leitura

Flashback — Yutaka

“ Estava deitado na minha cama sem vontade para mais nada, meu estômago apertava de fome, mais não era mais por comida como um cozinheiro poderia seguir carreira se eu não poderia mais sentir o sabor de uma simples refeição, todos os sabores que conheci só estavam na minha memória agora, tentei experimentar alguns pratos que costumava fazer, mais não sentia o paladar e com poucas colheres tudo era rejeitado pelo estômago fazendo ficar pior que antes, só um pouco de vinho acalmava a fome e parava doer.

Mas era paliativo pouco tempo depois sentia a fome me apertando como se tivesse sido atropelado e passado um rolo por cima, abraçava os joelhos e ficava encolhido de modo fetal esperando que aquilo fosse passar sem remédio.

Eu sabia qual era o remédio para aquela dor, era fácil e simples dizia ele é só beber direto da fonte, e tudo ficaria bem. Não queria ser o que ele me tornou, não tão jovem como eu era, já tínhamos conversado várias vezes que ainda era cedo eu queria curti mais da vida humana e tudo que me foi tirado antes dele me salvar daquela escravidão, que certamente iria me levar a morte em pouco tempo…

Ser imortal, não é ruim quando você está preparado e anseia por isso, mas ele não deu escolha e agora quer que eu aceite que foi o melhor que podia fazer por mim.

Kamijo perdeu a paciência e ficou muito bravo quando recusei morder uma pessoa que ele me trouxe como forma de conter a fome e a sede de sangue, um vampiro na transição precisa se alimentar nos primeiros dias senão a morte o leva de vez. Não sei porque mas via nos seus olhos um medo e desespero em todas as vezes que eu recusava me alimentar, queria que a morte me levasse não fazia sentido continuar aquela pós vida que ele me impôs.

Alguns dias já haviam se passado, estava entregue na cama, a dor era tão forte e dilacerante que não me levantava mais, essa fome estava me comendo por dentro sugando minha força e o resto de lucidez que eu ainda deveria ter, havia me entregado a depressão profunda só gemia de dor e deixava as lágrimas caírem torcendo para o fim chegar logo.

Então cansado de ver meu sofrimento, Hizaki veio conversar, ele era mais calmo e sempre teve paciência comigo. Kamijo estava sempre nervoso e com um medo fora do comum que eu fosse morrer, parecia que minha condição o afetava tanto que até alguns shows ele cancelou, fazia tudo como se fosse seu último dia na terra.

Ouvi por alto em meio aos meus devaneios de fome, que ele seria punido severamente por seu Mestre, caso algo acontecesse comigo. Kamijo sempre fora restrito e escondia muita coisa sobre a família vampira a qual ele pertencia, o mais estranho é que nenhum deles me dizia quem era seu o Mestre, queria um dia saber o interesse dele em mim que deixava Kamijo nesse nível de stress total...

Hizaki entrou no quarto se aproximou da cama, sentando perto de mim, não tinha mais forças nem para abrir os olhos mais sabia que era ele por causa da colônia que usava, ele pegou minha mão me fazendo soltar os joelhos e me forçando abrir os olhos para vê-lo.

— Yutaka, você não devia se entregar assim, querido. Por que está encarando isso como fim do mundo. Olha seu estado, sempre foi forte resistiu a tantas perdas e privações na vida enfrentou aquele homem horrível que o sugou trabalhando até a exaustão…

— Hizaki, minha vida não tem mais sentido. Me diz como poderei ser dono de um restaurante se não posso nem provar mais comida que tenho enjoo e vômito. Me explica por que ele fez isso… sabia que eu não estava pronto…

— Yutaka, já se esqueceu da promessa que você fez a sua vó? De que não desistiria dos seus sonhos não importando quais fossem as dificuldades que passasse iria deixá-la orgulhosa.

— Sim, lógico que lembro, minha querida avó sempre dizia que eu seria um grande músico e faria muito sucesso com uma banda de rock… Creio que ela vai ficar muito decepcionada, pois não consegui esse feito. Não tenho mais forças para lutar por esses ideais. Nem sou mais humano…

— Ah… Yutaka! Não precisa ser assim, você já conquistou seus ideais, só sua condição física mudou, mais isso não é todo mal. Se você se alimentar, poderá seguir em frente e concretizar seus sonhos. Sobre o restaurante vamos contratar os melhores chefs de cozinha para provar a comida e diremos que você é excêntrico e vive de dieta, portanto é chique e ninguém vai ligar.

— Hizaki, por que está tentando me animar? Por causa do que ouvi sobre o Kamijo sofrer uma punição, se eu desistir de viver? Sei que você o ama, queria me desculpar se sou a causa do seu sofrimento.

— Eu me importo com você Yutaka, como um filho mais novo, não estou mais suportando ver todo esse sofrimento, eu precisava fazer algo a respeito… Kamijo me deu essa vida e sou muito grato a ele. Vê-lo nesse estado em total desespero por perder uma cria, está partindo meu coração, pois o amo muito. Não quero perdê-lo ou ter de assistir ele sofrer uma punição do Mestre dos vampiros.

— Então existe um Mestre, não sabia que tinha esse tipo de regra, entre o criador e seu vampiro recém-criado. Gomenasai, Hizaki-kun estou mesmo sendo muito egoísta, vocês me acolheram e me deram uma família depois que perdi a minha. Nem pensei que você estivesse sofrendo junto, não sei se conseguiria morder uma pessoa, o que você sugere?

— Aguarde um instante, Yutaka. Já sei o que fazer, você vai ficar melhor.

Hizaki sai a passos rápidos do quarto, e fiquei pensando nas suas palavras e o quanto minha recusa estava fazendo eles sofrerem e não tinha percebido. Hizaki e os meninos sempre legais comigo, me ajudaram muito quando vim morar aqui nessa mansão.

Kamijo me contou a verdade sobre o que eles eram, alguns dias depois que me instalei porque achei estranho não haver comida naquela casa, no dia seguinte estava tudo abastecido, mas sou eu que comia, eles sentavam a mesa e disfarçavam bem fingindo que também aproveitavam a refeição, mas o que eu via era só eles bebendo.

Eles faziam isso só para me acompanhar na refeição como uma família devia ser, assim eu não ficaria sozinho. E outra vez foi Hizaki com sua calma que resolveu falar numa refeição sobre o assunto e Kamijo terminou confirmando que o clima já estava ficando estranho e complicado, eles mantendo aquele segredo e toda aquela encenação. Depois disso tudo aconteceu naturalmente, eles diziam que consideravam como um irmão, e que se um dia quisesse ser igual a eles, a família estaria completa.

Vejo Hizaki voltar com um copo grande de suco com um canudo, Kamijo agora está junto com ele mais fica na porta olhando de longe ele se aproximar de mim, tento me levantar para vê-lo melhor, apoio meus cotovelos na cama forçando ficar sentado, mas caio no mesmo instante estou com fraqueza e o movimento faz eu sentir uma dor forte e aguda no estômago acabo gemendo com uma voz embargada misturada com as lágrimas que caem.

Hizaki senta ao meu lado e acena para Kamijo o ajudar segurando o copo, ele me levanta encostando meu corpo no seu, assim fico sentado, ele me abraça e estica a mão pedindo o copo segurando na outra mão. Vejo Kamijo se afastar em silêncio ficando só nos observando, nunca o vi tão quieto e apreensivo daquele jeito.

— Aqui Yuta-kun, apenas beba querido. Vamos fingir que é vinho, parece mais poético assim. Por favor, beba e sua dor vai passar.

— Hizaki-kun, vou tentar beber, farei por você e porque prometi a minha avó que não ia desistir, só me resta pouco de energia em mim mesmo.

— Não precisa se esforçar demais, eu seguro o copo. Pode beber devagar, não vou sair de perto até você terminar. Estamos aqui por você. Yutaka você não está mais sozinho, somos uma família nunca se esqueça.

Suas palavras são tão sinceras e tristes que me fazem chorar, lentamente vou sugando e engolindo aquele líquido no copo, a princípio senti um gosto estranho na boca algo parecido com ferro, mas medida que eu bebia a dor passava e a fome diminuía gradualmente, me fazendo recuperar parte das minhas forças me sentindo bem melhor.

— Hizaki-kun, ainda tenho fome, pode trazer mais um pouco?

— Com certeza, querido quanto você quiser. Kamijo-kun busca mais “vinho”, Yutaka ainda está com fome.

Kamijo se aproxima para pegar o copo da mão de Hizaki, vejo uma expressão de alívio no seu rosto, ele dá um beijo na testa do seu amado e o escuto sussurrar “Arigatou, não sabia mais o que fazer. ” Kamijo se levanta e sai indo buscar mais, fico ali encostado em Hizaki que está mexendo no meu cabelo fazendo um cafuné.

— Muito bem, parabéns! Você conseguiu Yuta-kun, não foi tão difícil assim.

Depois daquele dia, eles sempre colocavam o sangue nas garrafas de vinho, era assim que me alimentava ainda não aceitando ser um vampiro, por causa desse conflito interno ele apareceu e se tornou o alter-ego. Kai é a parte humana, que não aceita nossa nova condição vampira. Mesmo me mudando para o restaurante Kamijo nunca esqueceu de me enviar as garrafas do “vinho“ especial. “

:.:.:.:.:.:.:.:

POV KAI

Dou um sorriso me sentido meio nostálgico, eles nunca deixariam faltar meu “vinho”, será que Kamijo mandou alguma mensagem e distraído como ando esses dias deixei passar despercebido.

— Kai-kun, sei que a situação é desesperadora. Só que esse sorriso não combina com o momento. _ Daigo me tira dos meus devaneios com sua observação.

— Daigo-kun, não é por causa disso. Eu estava lembrando de como começou o lance das garrafas de “vinho” especial. _ Daigo me olha curioso, pois não falo muito sobre meu passado. — Foi Hizaki com toda sua calma e paciência que nos convenceu a beber fingindo que era vinho, ele trouxe um copo com canudo e pediu para beber. Já que nós não tínhamos mais forças, eu me recusava a morder uma pessoa para me alimentar há alguns dias.

— Não acredito que Kai-kun fez greve de fome. Não é à toa que eles estavam preocupados você ainda podia morrer na transição. _ Daigo me olha assustado. — Preciso agradecer a Hizaki-san quando ele vier aqui no restaurante.

— Nem é para tanto Daigo-kun, ele só me mostrou o quanto eu estaria perdendo se desistisse dos meus sonhos. Também foi nessa época de transição que Yutaka apareceu. _ Meu alter-ego sempre tentou me convencer a aceitar o que sou. — Ele me ajudou com a depressão que tive depois que viramos vampiro e às vezes aparecia quando eu estava nervoso com uma pessoa e tinha que tomar as decisões sozinho.

— Mais porque será que Kamijo-san não atende o telefone? Ele mandou algum recado para Kai-kun que você não lembra de visualizar. Cadê o seu celular? _ Daigo pergunta pelo celular talvez tenha alguma mensagem.

— Está aqui na bateria estou usando para ensaiar. _ Volto em direção ao instrumento e pego o aparelho procurando por mensagens. — Daigo-kun não sei mexer direito ainda.

Entrego o celular para ele, que rapidamente mexe no aparelho e me mostra um SMS não visualizado.

— Kai-kun, achei uma mensagem que foi enviada sexta passada. Vou ler para você.

“Kamijo-san para Yutaka-san: Ficaremos fora de Tóquio por uma semana com os shows da turnê. Yutaka você precisa de mais vinho? Me avise para enviar para ti, pois a adega ficará fechada durante nossa viagem."

— Agora me lembro que ele me disse algo sobre começar os shows da turnê da Banda no Japão. _ Não acredito que fiquei tão distraído com o ensaio, também teve o problema com o Daigo descobrir o nosso segredo e o encontro com Uruha. — Não tem problema ficar alguns dias sem, eu já vinha bebendo pouco mesmo…

— Yutaka me disse que vinho normal pode enganar a fome na falta do sangue. _ Aquele vampiro sempre falando demais, mas dessa vez isso pode ser útil.— Pode ser um jeito de driblar a fome.

— Não precisa se preocupar, são poucos dias no fim de semana, eles estarão de volta. _ Tento não mostrar o quanto nervoso estou, fora a vez que fiz greve de fome, nunca mais fiquei sem sangue, sei que vou sentir aquela dor de novo e ter Daigo por perto não vai ajudar. — Não vamos surtar por causa disso.

— Kai-kun vou buscar vinho para você. Prefere suave ou seco? _ Daigo pergunta naturalmente, acho engraçado e sorrio mostrando as minhas covinhas. — Ah! Que pergunta a minha... vou trazer dos dois para Kai-kun provar…

— Sem pressa. Vou voltar a ensaiar ainda não encontrei o ritmo certo para a música "Filth in the Beauty”.

É o melhor que tenho a fazer agora me concentrar no trabalho, se eu ficar pensando que estou sem “vinho”, pode aumentar minha fome temo não controlar meus instintos. Daigo me parece delicioso, preciso mantê-lo longe de mim...

:.:.:.:.:.:.:.:

POV Daigo

Entrei na cozinha pensativo, indo na direção da geladeira imaginando como proceder com isso agora. Kai tentou disfarçar mais percebi que ele ficou nervoso e apreensivo, de acordo com o que entendi eles nunca deixaram faltar sangue para o vampiro novato. Com certeza ele não vai procurar um meio de se alimentar, vai sofrer sozinho sem aceitar ajuda como sempre fez.

No momento não posso fazer nada, além de levar o vinho para ele, torcer que a viagem da Turnê da Banda do Kamijo, não tenha contratempo e não se atrase para voltar para Tóquio. Fico pensando como Kamijo arruma voluntários para alimentar sua família, e se só seria Kai/Yuta o único vampiro novato que deu problema para seu mestre.

Acredito que seja complicado roubar uma bolsa de sangue? Eu poderia tentar doar mais como explicar que quero ficar com o sangue, me colocariam na mesma hora num hospício ele ficaria sozinho. Talvez se eu me oferecesse para Yutaka, apesar que ele ficou receoso e com medo de não se controlar e com fome pode ficar pior, a sede vai aumentar e o instinto de sobrevivência vai prevalecer, melhor eu pensar em outro jeito de ajudar.

Naquela noite depois que levei as garrafas de vinho, fomos para o quarto e sentamos na cama. Yutaka pouco namorou, bebemos um pouco juntos, ele me beijou mais em seguida me afastou dizendo que meu cheiro era bom demais e estava entorpecendo seus sentidos e pediu muito triste que eu fosse embora, que comigo ali perto tinha medo de perder o controle.

— Yutaka-kun, certeza que você vai ficar bem?_ Pergunto tentando olhar nos seus olhos mais ele abaixa a cabeça virando para o lado.

— Melhor você ir Daigo neko-chan é mais seguro. _ Yutaka repele o carinho que tento fazer em seus cabelos, colocando minha mão de volta na minha perna.

— Assim ficarei preocupado com você aqui sozinho, meu lindo vampiro. _ Yutaka estava sendo cauteloso demais, não era seu jeito.

— Já estou acostumado a ficar sozinho, foi assim a vida toda é normal. — Como ele pode dizer isso, estou aqui agora.

— Não precisa ser assim, estou aqui agora para cuidar de você Yutaka-kun. _ Porque ele não me deixa ajudar, está agindo igual ao Kai. — O que mais posso fazer para ajudar?

— Neko-chan é ótimo saber que agora temos você e já nos ajudou muito, mas preciso que você vá para sua casa descansar. _ Nunca vi Yutaka sério com medo e ar de preocupado.

— Se não tem outro jeito, já vou indo. Quer eu pegue outra garrafa de vinho?— Pergunto pois bebemos quase toda aquela que trouxemos.

— Não precisa se eu quiser, mais ainda sei onde é a geladeira. _ Yutaka sorri com o comentário que fez, fico mais aliviado.

— Então está eu vou, mas com uma condição… _ Yutaka me olha esperando completar a frase.

— Qual seria? Já falei que é perigoso Daigo neko-chan ficar aqui, tenho medo de não controlar meu instinto. _ Ele segura minhas mãos e me olha nervoso.

— Ah! Que amor… Yuta só quero um beijo de Boa Noite, pode ser? _ Levo minha mão nos seus cabelos indo até nuca ele se derrete com o carinho.

— Só um beijo rapidinho e Neko-chan vai embora. _ Yutaka tenta ser arredio mais não resiste a um beijo.

— Rapidinho… e vou embora. _ Ele sorri e aproveito para beijar aqueles lábios gostosos.

O beijo que era para ser rápido, ficou um pouco mais demorado e intenso sinto ele agarrar minha cintura com uma força diferente do normal, e o seu lado vampiro surge mostrando suas presas durante o beijo, o que não seria problema o estranho é que estão mais afiadas que o normal e sem querer ele morde meu lábio e o canto da boca sangra, na hora ele para o ósculo do beijo e lambe o risco de sangue que saiu.

Respiro fundo e me estremeço ao ver seu olhar num vermelho fogo me encarando como uma presa. Apoio minhas duas mãos no seu peito e o afasto devagar, um movimento brusco pode assustá-lo ainda quero sair ileso. Começo a falar ele parece sair daquele estado voltando para a realidade ele fixa seu olhar em mim.

— Yuta, promete que vai dormir depois que eu me for? _ Vou tentando sair do seu abraço sem ele perceber, ele parece estar voltando ao normal.

— Hummm... Neko-chan é tão saboroso quero mais..._ Dou uma leve sacudida no seu ombro que parece fazer que ele saia do transe. — Vou dormir e sonhar que estou correndo atrás do meu Neko-chan.

— Oyasumi Yutaka-kun, durma bem. Amanhã venho lhe acordar à tarde._ Consigo me separar dele me levantando e saindo de mansinho.

— Grr… Oyasumi Daigo neko-chan, lhe amo até amanhã. _ Perto da porta o vejo deitar e acenar para mim e fechar os olhos.

— Também lhe amo, meu vampiro Yuta.— Fecho a porta com cuidado, suspirando essa foi pouco o instinto do vampiro não vê a pessoa na sua frente só uma presa.

Desço as escadas, pego meus pertences e sigo para saída fechando todo restaurante, e vou para meu apartamento pensativo com tudo que está acontecendo e como poderei ajudar melhor.

:.:.:.:.:.:.:.:

Os dias que se seguiram não foram muito bons, Kai/Yutaka estavam arredios e bebendo muito vinho, no dia seguinte que cheguei para acordá-lo encontrei duas garrafas vazias espalhadas, uma na escada e outra caída perto da cama. Ele estava encolhido na cama abraçando os joelhos antes de acordá-lo fiquei observando que ele gemia alto sofrendo sozinho por ser incapaz de se alimentar, o vinho engana a fome mais o efeito passa rápido.

Yutaka acorda me deseja boa tarde, sorri, me dá um selinho e se afasta dizendo que vai ensaiar, ele pouco fica comigo agora, passa a tarde ensaiando. A única coisa que posso fazer é observar o ensaio e servir o vinho que Kai agradece sem demorar muito perto de mim e já volta para bateria, acredito que ele faz isso para ser distrair assim não pensa na fome.

Quando chegou a noite, Yutaka trocou algumas palavras e me deu um beijo rápido e acabei sendo obrigado a ir embora. Nunca tinha reparado que poucos dias demoravam tanto para passar. Mas antes de ir vejo Kai nervoso com a ligação que acabou de receber.

A ligação era da produtora alterando o horário das 3 da tarde do ensaio para as 10 horas da manhã, fora antecipado por que os membros da banda queriam almoçar juntos assim sobrando tempo para comemorar o lançamento do single.

Se já estava difícil ele se manter longe de uma pessoa, imagina ir num ensaio com várias pessoas, sem seu “vinho especial” sem expor o que ele é. Kai estava muito nervoso, não encontrava uma solução, tinha passado a semana ensaiando essa música era muito importante para banda e sua carreira como músico, não esperava que o “vinho” acabasse antes do ensaio.

Depois de sentar e conversar com ele para que se acalmasse, acabei tendo a idéia de gravar seu ensaio com o som tirado da bateria e depois unindo com a música. Enviamos para a produtora, na esperança que eles conseguissem fazer o ensaio com vídeo e o áudio gravado.

:.:.:.:.:.:.:.:

A resposta veio no dia seguinte de manhã, pois quando enviamos o vídeo já era noite, e ninguém da banda estava lá. Kai deu uma desculpa que estava com problemas no estômago e não poderia ir no ensaio, mais não deixaria eles na mão, havia enviado o áudio e um vídeo com a música pronta era só eles ensaiarem.

A idéia foi boa, eles aceitaram e mandaram melhoras e na próxima vez fariam o ensaio juntos. Kai ficou aliviado não tinha estragado os planos da banda, entretanto mais tarde Uruha ligou após o ensaio e o almoço com a banda, e o rosto do Kai era de espanto como se não acreditasse no que estava ouvindo, só ouvir ele dizer sim, tudo bem, e desligou o telefone.

— Kai-kun, o que houve? O que Uruha-san queria que te deixou tão pálido assim? _ Kai estava na escada e se apoiou na parede escorregando até chegar ao chão e abraçando os joelhos colocando a cabeça no meio das pernas.

— Daigo-kun… eu devia ter dito NÃO… mas não fiz, por que sou assim!! _ Não estou entendendo nada do que ele diz tento me aproximar ele manda ficar onde estou.

— Kai-kun, não faz isso está me deixando aflito! Me deixa ajudar. _ Kai está agindo muito estranho, melhor pegar um pouco de vinho para ele.

— Uruha-san disse que quer... me ver... _ Kai está tremendo continua falando meio enrolado, ainda com as mãos segurando as pernas.

— Não vejo qual é problema? _ suspiro fundo e penso nisso, me aproximo com uma taça de vinho para acalmá-lo. — Uruha-san agora é seu namorado, natural ele estar preocupado com Kai-kun.

— Daigo-kun, você não vê, eu sou o problema. _ Kai aceita o copo e pega com as duas mãos, bebendo metade do vinho num gole só. — Olhe para mim o que eu sou? Eu devia ter falado não, por que ele tem que ser tão amável??

Olhando bem para ele sentado ali no chão, creio que estou entendendo o que ele quer dizer, com a fome não está se controlando ficando vampirizado só por estar nervoso.

— Não vejo Kai-kun sendo um problema. Só estou vendo um moreno lindo de olhos de fogo com lindas presas e um ótimo gosto para vinho. _ Ele acaba rindo mostrando suas covinhas e bebe o resto do vinho voltando ao normal, a fome o deixa instável.

— Daigo-kun, como você pode gostar delas? Queria te entender. _ O vinho ajudou ele voltar a realidade, já parece mais estável e parou de tremer. — Gomen. Fiquei nervoso e surtei só você para me fazer melhorar e sorrir, o que eu faria sem você meu amigo.

— São lindas suas presas, faz parte de ser um vampiro, mesmo que Kai-kun não aceite. _ Ele parece melhor agora está mais leve e controlado. — Que hora Uruha-san, marcou com Kai-kun?

— Acho que foi depois das 7 da noite, eu estava tentando dizer para ele que não precisava vir que já estou bem, mais ele insistiu e foi amável, foi impossível falar NÃO.— Kai está com ar apreensivo e suspira fundo. — Estou com medo de ficar perto dele e perder o controle.

— Fácil de resolver, mantenha-se embriagado… Bebendo Kai-kun fica sem fome. _ Olho para ele que sorri da minha solução, vejo ele está mais relaxado agora. — Seguinte como vai ser agora a noite, nada melhor do que servir um jantar, ainda mais que acho que Uruha-san deve querer comemorar o lançamento da música nova com o seu namorado.

— Daigo-kun, o que eu faria sem suas idéias? Ainda não acredito como você pode ser tão bom para mim. _ Kai continua inconformado que aceito dividir ele com Uruha. — Não sei como você consegue planejar um encontro desse corpo com outra pessoa.

— Ainda não parei para pensar nisso, só sei que amo seu “eu” vampiro Yutaka, e quero que você seja feliz também. _ Kai se levanta e vem na minha direção perto do balcão e aperta minha mão como gesto de amizade. — Agora vai se arrumar enquanto ajeito as coisas para o jantar.

— Arigatô Daigo-kun. _ Vejo que seu semblante está mais confiante, o medo parece ter sumido por enquanto. — Já vou indo, meu amigo não quero me atrasar para o encontro com meu namorado.

Kai sobe as escadas todo feliz, suspiro aliviado que consegui acalmá-lo, essa fome vai voltar com mais força a qualquer momento, tudo pode acontecer nesse jantar espero que dê certo e todos fiquem bem…

:.:.:.:.:.:.:.:

Notas finais
Daigo está bem preocupado com esse jantar no restaurante. Será que Kai vai conseguir controlar a fome perto do Uruha? Deixem suas teorias nos comentários. Obrigada por ler Obrigada por favoritar Obrigada por comentar ❤ Obrigada muuuito obrigada Capítulos novos assim que ficarem prontos. Uma Parceria de KaguraWay , MalikaHarunoo PS: Kakatte Koi está sendo publicar ao mesmo tempo no Spirit