Kaichou Wa Heroine-sama!

5 Adventure V - The blacksmith and the travellers


Notas iniciais
Hello! Oxe, essa história já tem mais de 30 leitores *love* Seus lindos! Muito obrigada aos comentários de Bre Lee, Minahamo, DeltaSix, Patrícia Skylark, Vicky Megurine e MeliVick ~~ Boa leitura!

Olhou-se no espelho, apreciando o reflexo que lhe foi presenteado. Os longos cachos loiros reluziam com o brilho, assim como os olhos azuis sagazes e bem destacados pelos longos cílios. Ao somarem-se às bochechas rosadas sobre a pele de porcelana, compunham a face delicada e harmoniosa. Numa risadinha orgulhosa, afastou-se do espelho com satisfação incontida. Não havia dúvida: era linda.

Ou melhor, lindo.

Enquanto percorria o aposento com o andar leve e digno de uma dama exemplar, perguntou-se o que fariam os tantos admiradores se descobrissem que embaixo de tantos tecidos finos e exagerados babados e laços daqueles vestidos havia o corpo de um garoto. Se decepcionariam? Sentiriam nojo? Ririam com escárnio?

De fato não importava: devido a pouca idade e nulo desenvolvimento púbere, Hyoudou Aoi escondia ― e muito bem ― o próprio gênero. Tanto que nunca desconfiaram que a incrível e precoce ferreira na verdade era um menino que admirava tudo que havia de “adorável” no mundo. Que aquela que a todos impressionava com os contrastes (afinal, como mãos tão delicadas eram capazes de forjar armaduras e lâminas mortais?) tinha o maior deles oculto aos olhos de todos.

Como eram tolos, pensou o moreno travestido de loira. Já que era impossível que as mentes fechadas daquele Império compreendessem que a sua existência transcendia os gêneros, continuaria a fingir-se de garota. Nem era assim tão difícil; afinal, a maneira de agir, gesticular e se portar femininos eram fáceis e agradáveis de se aprender, ao contrário do comportamento bárbaro de alguns homens.

E aquele parecia ser apenas mais um dia no qual iria servir aos guerreiros daquela e de outras inúmeras regiões, que ali vinham à procura das incomparáveis habilidades com a forja, além da beleza pelos quatro cantos propagandeada. Sinceramente, preferia costurar vestidos com ornamentos graciosos, mas estas peças destinavam-se somente a uso próprio, e moldar metais em armas rendia-lhe uma boa quantia para garantir-se.

Com um belo sorriso nos lábios foi atender quando ouviu batidas à porta. Não havia distinção: era deste modo que recepcionava cada cliente ao abri-la. Bem vestido, simpático, eficiente: era assim a se apresentar a cada um e ganhar seus corações ― e suas moedas. E pelos ruídos, era bem mais de dois, sem dúvidas.

― O que desejam, senhores? ― indagou com um sorriso deslumbrante. E que logo murchou.

Não haviam apenas homens entre os quatro visitantes, pois dois dentre eles eram garotas, e uma delas aparentava ter a sua idade. Porém, não era isto a causar estranheza: muitas vezes ofereceu os serviços a guerreiras corajosas. Nenhuma delas, no entanto, viera ao seu encontro vestida como empregada ― em meio a um frio glacial! Esta era a mais velha, percebeu, e a expressão agressiva nada condizia com as vestes muito femininas.

A mais nova, e tão pequena, ao contrário nada expressava na face tão semelhante à da outra (seriam irmãs?, supôs). Na verdade, o rosto mais parecia paralisado em choque, congelado sem qualquer sentimento expresso. Algo um tanto perturbador de se ver, e logo voltou os olhos para os dois rapazes. Quer dizer, apenas um deles estava consciente, pois o outro mais parecia dormir sobre seus ombros.

Aquele que o carregava não aparentava estar nada alegre com a situação, e evidenciava isto em um olhar até mesmo zangado. Era o único loiro dentre os outros três morenos, e destacava-se com uma beleza madura, masculina. Apesar de tê-lo ignorado até o momento, foi impossível não voltar a atenção ao último deles ― e descobriu que não dormia, afinal. Sob o manto que o encobria, anteviu algumas manchas rubras que indicavam feridas profundas.

Não demorou mais que segundos para apreender a situação, e antes que a garota mais alta, vestida de maid, dissesse qualquer sentença, antecipou o pedido. Desconfortável tanto com o frio quanto com a ocasião, a morena pediu de maneira deselegante:

― Hã... Poderia nos ceder um quarto, por favor?

“Não atenda para estranhos”, diziam os pais. Como se arrependia de nunca tê-los ouvido.

***

Eu não acredito que aquela... aquela... Argh!

Aoi prosseguiu a esbravejar, enquanto andava de um lado ao outro com nervosismo. À sua frente, Misaki permanecia confusa diante da explosão inexplicável. Após instalarem o rapaz ferido em uma das camas, enquanto aguardavam por um médico local, a garota contou-lhe todo o ocorrido desde que fora “amaldiçoada” pelas bruxas do Maid-Latte. Estavam sozinhos, já que tanto Suzuna (que não deixaria o quarto nem por um decreto) quanto Usui (cuja localização era desconhecida) estavam concentrados em outros assuntos.

Ao ouvir todo o relato, Aoi impacientou-se e passou a reclamar, sem nem ao menos controlar o próprio timbre para mantê-lo feminino. Ah, droga! Estava tudo tão quieto e pacífico; tão bem. Por que tinham de atrapalhar quando se estabilizara em uma localidade longínqua? Inquieto a procura de todas essas respostas, apanhou o belo espelho que possuía nas acomodações íntimas para trazê-lo até onde estava.

Com uma moldura esculpida em detalhes dourados, mais parecia uma obra de muitíssimo valor. A superfície do espelho, no entanto, nada refletia do recinto em que se encontravam. Encoberta por uma espécie de névoa, nada revelava ― até que ele recitou algumas palavras, desconhecidas para a guerreira. Em poucos segundos, dissipou-se o efeito e de lá se pode antever um espaço familiar.

Muito familiar.

Como vai, precioso sobrinho? ― cantarolou, animada, Satsuki através do que deveria ser um artefato mágico.

Não saia por aí dizendo que é minha tia! ― gritou Aoi, ameaçando-a com os punhos. Toda a imagem de donzela se fora.

Não será assim que conseguirá o que queria ― prosseguiu a mulher, um pouco mais séria.

― Não tenho tempo para estas besteiras...!

Isto era necessário para a aventura das guerreiras ― interrompeu ela, em um estúpido tom solene.

Atrás da que deveria ser a líder das bruxas estavam as outras três, condescendentes com o eterno espírito jovem desta. A mais nova delas, Honoka, aproximou-se do que deveria ser um objeto parecido do outro lado,para segredar ao garoto travestido:

― É melhor entrar no jogo dela se quiser respostas, Aoi-chan. ― E mostrou-lhe um de seus sorrisos enigmáticos.

― N-Não precisa me dizer o que fazer! ― protestou ele; as maçãs do rosto avermelhadas.

Mas não havia escolha, realmente. Após um longo suspiro para acalmar-se, voltou a fitar o plano enfeitiçado. Distante do campo de visão do objeto, Misaki desconcertava-se mais e mais. Desde que o vira, pressentira que aquele menino não era normal ― pois em um único olhar percebeu que, por baixo de todo o revestimento feminino, era sim alguém do sexo masculino. Por que deveria travestir-se era a primeira dúvida. A segunda dizia respeito à ligação dele com as bruxas, e fora respondida pelo próprio Aoi: era familiar de uma delas. Talvez isto justificasse sua excentricidade.

― Por que... ― começou o garoto, para pigarrear antes de prosseguir, em um timbre afetado, além de desconfortável: ― Por que os enviou até mim?

Encontrariam um rumo a seguir assim ― respondeu Satsuki, simplesmente. Apertando os punhos, prestes a proferir impropérios, Aoi manteve-se estável cerrando os dentes.

Nada tenho a oferecer a estes viajantes ― esbravejou, fuzilando-a com os orbes azuis.

Ao menos estão mais próximos do almejado que antes.

Ah, como aquele sorriso dela era de tirar qualquer um do sério!

Não sou uma maldita hospedaria! ― explodiu, ignorando a musicalidade e as rimas. ― Não venha me colocando em seus planos loucos sem que eu concorde.

Apesar de observar o diálogo num estado de aturdimento sem igual, Ayuzawa decidiu interferir naquele momento. Mesmo que a raiva do garoto fosse assustadora, já havia lidado com bestas, mercenários e criaturas muito mais aterrorizantes. Contudo, o tom ao lidar com ele era leve, quase cuidadoso:

― Aoi... Aoi-chan, não é? ― confirmou, um pouco nervosa. Porém, prosseguiu com firmeza: ― Se somos um incômodo, podemos ir embora.

O que dissera, ao contrário, pareceu enfurecer o travestido ainda mais. Porque o moreno lutava contra si mesmo; uma contradição de pensamentos. Por um lado, havia a tia e a irritante mania dela de ajudar a qualquer um. Por outro, ele, que herdara o mesmo péssimo hábito! Entretanto, não iria se humilhar e concordar com o que diziam. Antes de tudo, Aoi era orgulhoso. Decidiu cruzar os braços e desviar o rosto, ultrajado:

― Como se uma celebridade do Império pudesse deixar algum viajante sem abrigo. ― Estreitou os olhos, vaidoso: ― Vocês devem ficar e beijar meus pés em agradecimento.

― Muito obrigada ― agradeceu Misaki, sorrindo de maneira que ele não julgava ser possível.

Era um sorriso tão... belo e fofo. Mas não era ele a pessoa mais fofa que existia? Como podia dizer que uma garota também o era? E por que ela sorrira daquela maneira, afinal? Queria provocá-lo? Por que corou com um sorriso e com palavras que ouvia tão corriqueiramente? Ah, droga! E como se não bastasse, Honoka provocou através do espelho:

― Viu como é fácil, Aoi-chan?

― Vo... Vocês são todas insuportáveis! ― gritou, sem quaisquer bons modos.

***

Quando em pânico ou assustadas, a maior parte das pessoas deixava isto claramente exposto em seus rostos. Feições contraídas em pavor, lágrimas e soluços, eram todos indícios do medo. Mas não para Suzuna. Não porque não os sentisse: poderia ser dita apática, impassível, inexpressiva. Porém, isto era somente a casca.

Era sim muito mais tranquila que a maior parte das pessoas, cujo contraste com a irmã mais velha irritadiça evidenciava. Isto não impedia, no entanto, que sentisse dor, alegria ou temor. Naquele momento, principalmente temor. Pelo estado do rapaz, deitado inconsciente sobre um caprichoso conjunto de lençóis.

Mas existiam diferenças: normalmente, a face pálida da pequena permanecia em plácida contemplação. Sem qualquer tensão ou denúncia de conflito. Desde o ocorrido, ao contrário, arranjara-se em algo artificial, forçado. Como uma máscara bizarra, que desesperadamente tentava conter um turbilhão interno. Por quê...?

Nada iria mudar a culpa que sentia. Por que não estendera a barreira que a salvara até Hinata? Porque era fraca. Ainda que o próprio poder fosse impressionante, a reação instintiva não abrangera mais que cinco metros. Por que não foi salvá-lo imediatamente? Porque era fraca. Ficara longos segundos somente a confirmar se o que ocorrera era real. Até mover-se para alcançá-lo, desperdiçou estas preciosas unidades de tempo. Por que não conseguira curá-lo com a magia? Por que era fraca. Num estado de puro nervosismo, a sorte não estava a seu favor. E de todos os “sorteios” para feitiços medicinais, acertara apenas dois. Com isso, estancou os principais ferimentos, mas muitos outros ainda o atingiram.

Recusava-se a dizer que fora por sorte que os outros os encontraram. Não, a sorte a havia abandonado. Teria que lutar para encontrá-la novamente. Foi isto que dissera a mais velha ao encontrá-la em estado deplorável: “se está se sentindo fraca, fique forte para defendê-lo das próximas vezes”. Não o dissera num timbre repreensivo, no entanto. Estava sendo compreensiva. Ainda que no momento estivesse ocupada a fitar apavorada o rosto do moreno, contraído em dor desde que fora atingido.

Ao menos agora ele não sentia dor ― ou assim disse Usui, depois de enfeitiçá-lo pelos próprios meios. Dissera que anestesiara os sentidos de Shintani, para que ele não sofresse com os ferimentos. Contudo, isto se estendera para tudo além do tato: visão, olfato, paladar. Audição. Com isso, ele nada ouviria se dissesse o que queria dizer, com o encerrar da luta.

Iria dizê-lo, mesmo assim. Porque as palavras eram sobretudo para si mesma. A tal força de que a irmã falara teria início com este incentivo. Olhou pena enésima vez para o semblante de Hinata: percebeu a pequena cicatriz, logo abaixo do olho direito, herdada da batalha. Imaginava como ele reagiria se soubesse da existência dela... Mas seu aspecto tranquilo era semelhante ao de alguém adormecido. Estava errado. Apertou as mãos junto ao corpo, inclinando para baixo a cabeça. Murmurou, sozinha:

― Quero ver seu sorriso de novo, You-kun.

Notas finais
Well, o próximo capítulo já está quase pronto. Sabe quando uma autora tenta dar uma de esperta e escrever dois capítulos de uma só vez para apressar as coisas e acaba se atrasando vinte dias? Então, sou eu ;-; O que significa que a espera para o próximo vai ser menor - e que eu já posso antecipar que vai ser o mais sombrio até agora! Hihihi ... Tadinha da Suzuna... mas é bom fazer a guria sofrer, sorry [/like a sadist Até o próximo, pessoas divas!