Não sabia ao certo se estava dormindo ou acordada. Só sabia que o Len estava no meu quarto. Ouvi sua voz muito baixa, parecendo tão distante quanto num sonho.

Len: É hora de levantar, sua dorminhoca.

Abri um pouco os olhos. Minha visão embaçada me mostrou um Len sorridente que me dava bom dia. Sorri de volta e balbuciei qualquer coisa.

Len: Nossos pais nos esperam lá embaixo. Parece que tem algo a dizer. Troque-se e vamos lá. Estou te esperando no corredor.

Respirei fundo, bocejando. Sentei na cama e olhei ao redor. Não vi o Len. Tinha sido um sonho? Pelo sim, pelo não, achei melhor me vestir e ir para o corredor.

Len me esperava no corredor, tal qual o sonho... Ou não sonho... Sei lá.

Rin: Len-nii, você não pode entrar no quarto de uma menina enquanto ela dorme. — Disse brincando e fingindo uma cara emburrada.

Len: Eu bati na porta mais você dorme tão profundo que nem me escutou. Aliás, acho que essa roupa é minha...- Ele me olhou de cima a baixo e eu me senti envergonhada.

Rin: Ah, desculpa. Isso estava no meio das minhas coisas então achei que fosse meu. — Mentira. Eu sabia que era dele. Peguei enquanto ele não estava no quarto, um dia desses.

Len: Que seja, Dona Pedra. Agora vamos que nossos pais estão nos esperando.

Rin: Ah! Porque Dona Pedra?

Len: Porque você dorme que é uma rocha! — Ele saiu correndo e eu fui atrás.

Rin: Não durmo não!!

Felizmente ou infelizmente, um dos meus pés prendeu na barra da calça, que era larga demais, e eu tropecei. Justo na escada. Adeus papai, adeus mamãe, adeus Len-nii. Eu te amei muito!!

Amei?

Ué...

Não sei ao certo como nem porque, mas quando dei por mim estava nos braços do Len-nii. Ele... Me salvou.

Len: Não corre nas escadas. Mas que coisa...

Rin: Desculpe. — Fiquei sem graça. Não pela situação em si, mas pelo que pensei. Como assim amei? Ah, como irmão. Claro. Normal amar o irmão... né ?

Desci as escadas junto com ele, um turbilhão de pensamentos na minha cabeça. Não prestei muita atenção ao que nossos pais diziam. Era alguma coisa sobre saírem em viagem ou qualquer coisa nesse estilo. Mas quando Len disse meu nome fui obrigada a prestar atenção.

Len: E se acontecer alguma coisa com a Rin, como é que fica?

Reina: É só por uma semana e caso aconteça alguma coisa você só precisa ligar para o hospital.

Len: Então para vocês é fácil assim abandonar alguém doente?

Rin: Um momento, Len-nii. Você pode até não querer que eles viagem mas não me use como justificativa. E mais, eu não sou doente. Eu estive, por um longo tempo, doente. Mas agora não estou mais. Estou melhorando dia após dia e essa sua super proteção está me dando nos nervos. Porque você não consegue me enxergar como uma pessoa normal?!

Toda vez que o Len me tratava como uma incapaz, uma doente, eu me sentia sem chão. Aquilo me destruía por dentro e as palavras ficavam presas em minha garganta. Sentia meu coração em frangalhos.

Soichiro: Então... Você não se importa, Rin-chan?

Rin: Claro que não. Não quero que vocês se privem de coisas que gostariam de fazer por minha causa. Eu vou ficar bem.

Reina: Bem, então agora só falta...

Olhei para o Len. Ele estava quieto, acho que ainda surpreso com a minha reação. Pois ele que esperasse para ver. De agora em diante ia ser assim. Eu não ia mais deixar que ele me tratasse como uma inválida.

Len: Tá, que seja... Podem ir.

Reina: Oba! — Reina e Soichiro se abraçaram.

Rin: E para onde vocês vão? — Quis saber, dando o caso por encerrado.

Soichiro: Havaí.

Rin: Waaa! Que legal!

Meus pais começaram a me contar sobre o que pretendiam fazer lá, que lugares visitar, o que comprar, o que eu gostaria que eles comprassem para mim...

Soichiro: Vamos deixar uma boa quantia de dinheiro para vocês usarem durante a semana que estaremos fora mas qualquer coisa podem nos enviar um e-mail que nós enviamos mais para vocês.

Reina: Você... Vai mesmo ficar bem Rin? — Ela passou a mão no meu cabelo e eu sorri.

Rin: Vou sim, mãe, não se preocupe.

Ela me abraçou e Soichiro abraçou a nós duas.

Aquela questão estava resolvida mas ainda tinha o Len. Len, Len, Len... Sempre ele e só ele. Nos últimos tempos o meu pensamento tem sido tomado por ele de tal forma que nem nos estu... Ops, não posso contar ainda, hehe, mas ele vai saber na primavera. Vai ser uma surpresa e tanto. Mas a primavera ainda parece tão longe, tão distante e ao mesmo tempo tão perto... Tão longe e tão perto...

Acho que no final das contas você é a minha primavera, Len.

Mais tarde, deitada em minha cama, olhando o teto, eu imaginava tudo o que queria dizer para ele. Devo ser meio louca por ficar imaginando as conversas antes de tê-las. Sei lá... Criei coragem e me levantei. Fui até o quarto dele e dizer tudo o que eu queria dizer.

Rin: Eu entendo que você se preocupe comigo e isso até me deixa muito, muito feliz. Mas às vezes isso se manifesta de forma exagerada... Eu tenho capacidade, eu posso fazer as coisas... Acredita um pouco mais em mim, por favor.

Len: É que eu tenho muito medo de te perder. Eu, hoje, não saberia como ficar sem você.

Rin: Não vai ficar. Eu estou sempre com você, Len-nii. Sempre. Mesmo que não seja de corpo presente, o meu pensamento está sempre em você. Uma parte minha está aqui dentro para sempre. Acredita em mim.

Ele me pediu um tempo para se acostumar com tudo o que estava acontecendo, com as mudanças da vida dele. Nos abraçamos.

Bem, na verdade eu não disse tudo que queria. Um nó na garganta e um aperto no coração me diziam que alguma coisa ainda tinha ficado guardada. Mas o que?

Claro que na manhã seguinte eu me surpreendi com a correria dos meus pais. Se tivesse prestado mais atenção na saberia que eles estavam de partida no dia seguinte, agora que o Len tinha autorizado, e que precisavam arrumar tudo antes de partir.

Len-nii estava... Hm... Não... Se eu quero que ele perceba que as coisas são diferentes e que eu não sou dependente dele (apesar de eu ser...) tenho que tratá-lo pó Len e só Len.

Bem, como eu dizia ele estava na cozinha e pelo visto nossa mãe passava à ele algumas instruções.

Reina: E qualquer coisa vocês podem sair para almoçar e pedir alguma coisa para comer, ok?

Len: A gente se vira, mãe.

Reina: Uma semana é menos do que parece, você vai ver.

Len: Eu sei, eu sei – Ele sorriu – Eu vou cuidar bem da Rin-chan, vocês vão ver.

Rin: Não que eu precise de alguém para cuidar de mim, não é mesmo?

Reina: Bom dia Rin-chan. Já fiz o seu café. – Ela me sorriu e eu sorri de volta.

Len: Precisa sim. Ontem mesmo você quase caiu da escada.

Reina: O que? Mas que perigo!

Rin: É que eu estava sonolenta. Algumas roupas do Len foram parar no meu armário e, como elas são largas demais, tropecei na calça. Só isso. Se eu usar as minhas roupas isso não vai acontecer. – Sentei para tomar o café.

Estava tudo muito gostoso. Enquanto eu comia, Len e Reina continuavam a conversar e de vez em quando Soichiro aparecia carregando alguma coisa.

Quando terminei o café, Len tentou tirar a minha louça, mas eu o impedi.

Rin: Eu mesma faço isso. – Disse, impedindo-o.

Len: Mas você... – Não deixei que ele terminasse de falar.

Rin: Eu disse que eu mesma faço!- Levantei, recolhendo a louça e indo para a pia lavá-la.

Soichiro: Len-kun, pode vir aqui um instante?

Vi quando Len acompanhou nosso pai para a sala e eu terminei de lavar a louça.

Rin: Mãe, tem alguma coisa que eu possa te ajudar?

Reina: Por enquanto não, querida, mas qualquer coisa eu te chamo.

O resto do dia demorou para passar. Não queria encontrar nem falar com o Len. Depois da cena da louça, ficou um clima meio estranho.

De noite, no jantar, quase não nos falamos. Conversei mais com nossos pais, que estavam empolgadíssimos com a viagem amanhã. Ao final, Len anunciou que após a partida deles para o Havaí estaria indo passar a tarde na casa do Kaito.

Fui para o meu quarto e fiquei pensando até adormecer. Quando acordei, a casa estava silenciosa. Ninguém. Olhei o relógio: Passava das 13h. Dormi demais. Queria ter ido me despedir deles no aeroporto mas pela marca de batom em meu rosto soube que eles vieram se despedir de mim. Len já devia estar no Kaito. E eu estava sozinha.

Troquei de roupa e desci as escadas. Estava com fome e queria comer alguma coisa. Em cima da mesa, um bilhete.

Deixei o almoço pronto. Vê se come direito.

Len

Fiquei um pouco feliz. Almocei e lavei a louça. Fui para a sala assistir TV, mas não tinha nada que eu realmente quisesse ver. Estava inquieta e queria gritar até explodir. Queria chorar. Queria desaparecer. Queria que o Len estivesse aqui...

Notas finais
Fiquei tensa de fazer esse capítulo. Por várias vezes eu tentei mas não conseguia deixar a Rin do jeito que eu queria. Acho que a partir do próximo capítulo vai ficar mais fácil, hehe.Um beijo para vocês e aguardem que já já tem mais.Ah e desculpem a demora.