Notas iniciais
Vamos engrenar essa bagaça que nem eu aguento mais essa enxeção de linguiça

No outro dia acordei cedo e, sinceramente, de bem com a vida. Eu sentia como se estivesse flutuando. Tudo ia ficar bem entre mim e a Rin agora!

Reina: Bom dia! O café ja está pronto. Ah! Len, preciso conversar com você um pouco. Pode ser enquanto toma café?

Len: Pode...- Enfiei um pedaço de torrada na boca.

Reina: Enquanto estivermos fora, você cuida da comida, ok? Qualquer coisa podem chamar pizza de noite e ir almoçar fora mas não façam isso todo dia.

Rin chegou nesse momento.

Len: Eu vou cuidar bem da Rin-chan, vocês vão ver.

Rin: Não que eu precise de alguém para cuidar de mim, não é mesmo?

Ué, ela estava de mau humor?

Reina: Bom dia Rin-chan. Já fiz o seu café.

Len: Precisa sim. Ontem mesmo você quase caiu da escada. — Meio que ignorei completamente o que a gente conversou ontem...Droga.

Reina: O que? Mas que perigo!

Rin: É que eu estava sonolenta. Algumas roupas do Len foram parar no meu armário e, como elas são largas demais, tropecei na calça. Só isso. Se eu usar as minhas roupas isso não vai acontecer.

Ela sentou do meu lado para tomar o café. Continuei comendo sem prestar muita atenção na comida. Pisei na bola de novo?

Quando terminei me ofereci para lavar a louça da Rin também, mas ela não quis... Ainda por cima, meu pai me chamou para conversar na sala.

Soichiro: Len...Tenha paciencia com a Rin-chan. Acho que ela está tentando te mostrar que ela pode fazer as coisas também. Não fique chateado com ela.

Len: Tá... — Olhei para baixo, ensaiando um "beicinho".

Soichiro: Não precisa forçar a barra. Fique só por perto. Quando ela precisa de você ela vai dizer.

Len: Tá...

Soichiro: Cuidar dela é assim tão importante para você?

Que raio de pergunta era essa? Como que se responde isso para o seu proprio pai? Ainda mais em se tratando da irmã?

Len: É que eu... Me sinto em falta com ela. Digo... Eu meio que abandonei ela lá naquele hospital. Acho que estou tentando compensar essa ausencia.

Desabafei mesmo, e daí?

Soichiro: Você não abandonou ela. Muito pelo contrário: durante muito tempo você cedeu os seus pais durante dias inteiros para ela. Essa foi a melhor forma que você encontrou de ajudá-la. Ir lá não te fazia bem. Ninguém te culpa por isso, nem a Rin, por isso não seja carrasco de si mesmo...

Acho que fiquei com uma interrogação tão grande no rosto que tudo que meu pai conseguiu fazer foi me abraçar e dizer que um dia eu iria entender.

Fui para o meu quarto, esperar pelo almoço. No skype, conversei com o Kaito que me convidou para ir lá mas eu não estava a fim. Pelo menos não hoje. Ficamos jogando online. Ultimamente jogar World of Warcraft é a unica coisa que me distrai.

Passei o resto do dia assim: jogando. Só saía do quarto para comer ou para ir no banheiro. A situação com a Rin tinha me deixado desconfortavel de estar com ela. Meu Deus, por quanto tempo mais a minha vida vai ser essa montanha-russa de emoções? Parece que eu estou sempre pisando em ovos! Parece... Olha, a chave para o palácio de Lei Shen! Beleza, hora de farmar alguns Antigo Amuleto de Boa Sorte e uns gold.

Len: Ei, Kaito! Consegui uma chave para o cenário solo! — Estava falando com ele pelo Raidcall.

Kaito: Ah, eu fui lá ontem! Pena que só dê para ir uma vez por semana....

Len: Nem... Uma vez por semana tu pega a chave para abrir o baú especial do fim mas no palácio tu pode vir todos os dias...

Kaito: Ah, legal. Len, vou dar uma saída agora... Depois a gente se fala. Se quiser, aparece aí amanhã.

Len: Ah, ok...

Não demorou até que a minha mãe me chamasse para jantar.

Rin já tinha descido. Estava sentada conversando. Senti meu coração apertado. Aquilo não podia continuar assim.

Len: Amanhã de tarde vou na casa do Kaito. Você fica bem, não é Rin?

Rin: Hm... Sim. Qualquer coisa eu telefono para lá.

Len: Beleza então.

Na manhã seguinte nossos pais partiram para sua viagem. Ou seja: Acordei tarde, tomei café na frente da tv, escutei musica...

Len: Soraikuzo!! Gekokujou!! Koko ni tsudoe warera Kagamine ikka... ~

Hu, adoro essa musica.

Quando estava para sair me dei conta de que a Rin ainda não tinha acordado. Deixei o almoço arrumado para ela e um bilhete junto. Na verdade, tenho medo de deixa-la sozinha... Mas acho que assim ela vai perceber que eu acredito na capacidade dela...

Cheguei na casa do Kaito pouco depois. Ver aquele infeliz me lembrou de que as aulas estão de volta logo logo... Argh.

Fomos para o quarto dele.

Len: Nossa, você já tem mangas novos.

Kaito: Você sabe que eu sempre acompanho as revistas da Shueisha.

Len: Ah, então saiu Onepunch-man?

Kaito: Aham, e está MUITO engraçado. Deve estar nessa pilha aí. — Apontou para uma pilha de revistas do meu lado.

Catei a tal revista e comecei a ler. Um pouco depois, quis falar.

Len: Kaito eu... Quero ficar longe da Rin.

Kaito: Como assim?

Len: Sabe, eu tenho pensado que talvez eu esteja impedindo a Rin-chan de crescer... Sua irmã tinha razão.

Kaito: Ah é, geralmente ela tem... Mas no que "ficar longe" ajuda?

Len: Argh, sei lá... Eu me sinto confuso quando estou com a Rin... Fico vermelho, começo a suar, sinto meu estômago se revirar e penso nela a todo instante!

Kaito: Haha, já pensou se você está apaixonado por ela?

Len: Apa.... NÃO FALE UMA BOBAGEM DESSAS! É CLARO QUE NÃO! — Murchei logo em seguida — Não tenho mais forças para aguentar essa situação.

Kaito: Você conversaram?

Len: Sim... Como você sa... Ah, esquece. Devia saber que tinha dedo seu naquela iniciativa da Rin.

Kaito: E como foi?

Len: Tranquilo. Kaito, você acha que eu devo tratá-la como uma pessoa sem nenhuma limitação?

Kaito: E existe alguém sem limitação nesse mundo? Todo mundo tem coisas que consegue fazer e coisas que não consegue fazer. De certa forma, não é isso que nos faz unicos?

Len: As vezes você fala umas coisas com tanto sentido e que parecem tão "inteligentes" que eu me esqueço que você é uma porta....

Kaito: Agora que eu falei uma coisa legal você vem e me desbanca assim, seu baixinho miserento? — Ele sorriu e eu sorri de volta. — Ainda tem bolo da Rin. Você quer?

Len: Quero. Ah, Kaito... Estou sozinho com ela por uma semana em casa...

Kaito: Essa pode ser uma boa oportunidade de vocês acertarem os ponteiros, não?

Len: É, pode ser...

Fiquei mais um tempo lá antes de voltar para casa. Estava tudo do jeito que eu deixei, exceto pelo fato que a Rin tinha comido o que eu deixei para ela. Comprei uns doces no caminho de volta para casa. Acho que ela vai gostar.

Subi as escadas e bati na porta do quarto dela. Sem resposta. Bati de novo. Ai agonia... E se ela caiu da janela?

Len: Rin...?

Abri a porta do quarto. Ela estava deitada na cama, usando um vestido branco. Os raio de sol alaranjados do fim da tarde batiam em seu corpo. Ela parecia tão quentinha... Deixei os doces em cima da mesinha de centro e fui para perto dela.

Len: Rin... — Chamei-a baixinho. — Rin, trouxe doces para comermos....

Ela se mexeu um pouco. Nossa, como ela dormia... Passei a mão no seu rosto. Ela abriu devagar os olhos e fixou-os nos meus. Nossa... Como os olhos dela eram azuis... Seriam os meus tão azuis e translúcidos quanto os dela? Ela sorriu e eu sorri de volta.

Len: Bom dia dorminhoca. Trouxe uns doces para comer com você. Quer?

Rin: Hm... Quero. Mas antes, fica aqui comigo um pouquinho.

Ela deu espaço na cama e eu me deitei com ela. Ficamos assim, deitados um de frente para o outro. Olhando no fundo dos olhos, como se enxergasse dentro da alma e palavras fossem desnecessárias. Eu ouvi a voz do Kaito na minha cabeça, dizendo de novo: "Haha, já pensou se você está apaixonado por ela?" É Kaito, eu estou. Irremediavelmente apaixonado pela minha irmã.

Notas finais
Acho que agora isso engrena xDComentem ai =D