Kagamine Twins
13 Declaração
Não agüentava mais tanta angustia no meu peito. Sem ter para onde fugir, para onde correr, me enfiei no meu quarto. Lá deitada, olhando o teto, comecei a repassar o dia de ontem na minha cabeça. Será que eu fui muito dura? Deveria ter deixado-o lavar a louça?
A resposta era obvia. Ele havia me abandonado, não havia? Neste exato momento eu não estava sozinha? Sim, estava. E muito provavelmente a culpa era minha. Tudo por causa da maldita louça e desse meu desejo de ser tratada como um ser humano normal.
De pensar nisso as lágrimas começaram a escorrer e eu deixei-as rolarem pelo meu rosto.
O solzinho da tarde batia em minha cama. Estava cansada e sinceramente só queria desaparecer. Deitei-me na cama desejando ser engolida por ela. O calor aquecia meu corpo e sem que eu percebesse, adormeci.
Acordei não sei quanto tempo depois. Uma voz macia me chamava com carinho. Eu a ouvia lá de longe. Devagar fui voltando do mundo dos sonhos para a realidade. Era o Len.
De olhos entreabertos fiquei olhando para ele querendo dizer tantas coisas. Me perdoa por ter sido tão grossa ontem, me perdoa por querer que você me enxergue como uma pessoa normal... Eu prometo que não brigo e nem reclamo mais... Então não me deixa mais sozinha...
Eu queria demais dizer tudo aquilo, mas não consegui. Na verdade, tudo que eu fiz foi começar a sorrir. Não importava mais. Ele estava ali, comigo. Ele me sorriu de volta. Estava tudo bem então? Ele não estava mais zangado?
Len: Bom dia dorminhoca. Trouxe uns doces para comer com você. Quer?
Rin: Hm... Quero. Mas antes, fica aqui comigo um pouquinho.
Cheguei um pouco mais para o lado na cama, dando espaço para ele se deitar também. Tudo que eu queria agora era estar com ele e só. Nada mais importava. Nem brigas, nem discussões, nem capacidade, nada. Por favor tempo, congele neste momento.
Deitados um de frente para o outro, eu olhava no fundo dos olhos dele, procurando saber o que ele de verdade sentia por mim. Os olhos do Len me lembravam o mar. Eram muito azuis, cintilantes e vivos. Pareciam o céu num dia de verão sem nuvens, com pequenas estrelas brilhando aqui e ali.
Me aconcheguei mais próxima dele. Eu vi. Lá no fundo daquele olhar eu vi o que ele sentia. Amor. Um amor tão aconchegante e acolhedor... Quente. Amor de irmão deve ser assim. Len, eu também te amo meu irmão. Não quero nunca mais ter que me separar de você. Nunca...
Não percebi quando adormecemos. Na realidade foi como fechar os olhos e abri-los de novo. A diferença é que a lua já estava alta lá fora. O quarto não estava tão escuro porque era noite de lua cheia. Encostei a testa na dele e chamei-o.
Rin: Len...
Len: Hm...
Rin: Len, acorde. Adormecemos.
Len: Só mais um pouco...
Rin: Depois eu venho te chamar então.
Levantei e fechei a janela. Junto com a noite veio o frio, mas nenhum de nós percebeu pois estávamos dormindo muito abraçados.
Levantei e fui arranjar alguma coisa para comermos. Não podia ser tão difícil. Desci as escadas para a cozinha imaginando o que o Len gostaria de comer. Até o momento eu não sabia fazer nada, mas podia muito bem aprender.
Abrindo os armários achei um pacote de massa. Macarrão parecia bom. Mas como fazer? Atrás da embalagem tinham instruções sobre como cozinhar a massa. Mas massa com nada é muito sem graça. E eu não sabia onde tinham livros de receita... Bom melhor começar pela massa.
Panela, panela... Onde tem uma panela? Já vi que tenho muita coisa pra aprender. Sei onde ficam os pratos e os copos mas não faço idéia sobre os potes e panelas. Ah! Tem panelas dentro do armário embaixo do fogão! Aprendi uma coisa nova.
Coloquei a água para ferver e fui para o quarto. Na internet eu deveria conseguir achar uma receita, alguma coisa, sei lá...
Não sei ao certo quanto tempo fiquei na frente do computador. Ah! O Len acordou.
Rin: Oioi! Estou fazendo o jantar. Pode ficar sossegado.
Len: Hm... Oi. Nossa, como eu dormi. Você disse...Jan-tar?
O rosto dele ficou branco e ele correu para a cozinha. Fui atrás, afinal vai saber o que ele pensou.
Len: Rin... Você tinha posto água para ferver?
Rin: Sim. – Disse sorrindo.
Len: Vem aqui então...
A água tinha evaporado e a panela estava toda preta.
Rin: Uhg... Desculpe.
Len: Quando você coloca água para ferver tem que ficar de olho nela ou ela ferve, evapora e o fogo começa a queimar a panela, entendeu?
Rin: Sim... – Cara de choro.
Len: Não precisa se preocupar. Vem, eu vou te ensinar a fazer.... O que você quer fazer?
Rin: Spaghetti...
Len: Ah... Fácil... Erm... Bom, vamos começar fazendo a massa que é o que eu sei fazer. O resto a gente procura na internet.
Dei risada. Acabamos aprendendo a cozinhar o tal spaghetti juntos. Ficou muito gostoso.
Durante o jantar Len me contou sobre os mangas que estava lendo, os jogos que estava jogando e sobre seu jogo on-line favorito: World of Warcraft. Me pareceu legal mas sinceramente fiquei com vergonha de pedir para ele me ensinar a jogar.Depois que terminar de comer a massa, fomos comer os doces que ele trouxe no quarto dele.
O quarto do Len tinha o perfume dele. Aquele cheirinho doce que sempre o acompanha onde quer que ele vá.
Corri para dentro do quarto dele e me joguei em cima da cama, abraçando o travesseiro e esfregando a cara nele.
Len: O que você está fazendo?
Rin: Sei lá. Sempre quis fazer isso, hehe. – Sorri para ele e ele sorriu de volta.
Len: Olha, esse é o jogo que eu te falei.
Rin: Argh! Está tudo em inglês!
Len: Claro, normal ué.
Rin: E você se diverte jogando isso?
Len: Muito! Kaito e eu sempre vamos juntos procurar por mais pessoas que queiram fazer dungeons conosco.
Passamos mais um tempo conversando afinal o Len tinha que me explicar o que era dungeon, o que era raid, raidar, raidcall, farmar... eram coisas demais para minha cabeça. Mas os doces estavam gostosos.
Rin: Que bom que você goste tanto de jogos mas sinceramente eu não estou entendendo nadinha de nada do que você está dizendo. – Dei risada.
Len ficou um pouquinho vermelho.
Len: Desculpe.
Rin: Tudo bem, devagarinho eu vou aprendendo... Isto é, se você estiver disposto a me ensinar.
Len: Claro. – Ele sorriu.
Eu bocejei e Len declarou que estava na hora de ir dormir. Espreguicei-me e dei-lhe boa noite, me dirigindo ao meu quarto.
De novo o teto branco, de novo o mesmo pijama, a mesma noite que sempre chega impiedosa dando fim ao dia não importando se ele foi bom ou ruim. Aquele que havia começado como o pior dos dias transformou-se como num passe de mágica em um dia encantado. Foi como se após dormir eu tivesse entrado em um mundo de sonhos onde apenas meu amado irmão e eu existíamos e só nós dois, mais ninguém. Mas o calor dentro do meu coração indicava que aquilo não tinha sido um sonho. Ó dia, por favor, não acabe. Não se vá. Não destrua a magia que se criou hoje. Pare, por favor!
...
Nada. Óbvio que o tempo não ia parar só porque eu pedi. Droga de vida.Ainda se eu fosse uma maga, como naquele jogo que o Len falou... Mas não. Aqui é o mundo real e o tempo aqui não para só porque a gente quer. Suspirei.
Não conseguia dormir. Talvez pelos dois cochilos que dei de tarde. Será que o Len está dormindo? Vou ao quarto dele.
Pé ante pé fui até a porta ao lado.
Rin: Len... Está acordado?- Falei do lado de fora do quarto, por detrás da porta.
Sem resposta.
Rin: Len?
Comecei a abrir a porta mas o Len gritou lá de dentro.
Len: Espera um pouco! N-não entra ainda!
Esperei.
Len: Deu, entra.
Entrei no quarto segurando o meu travesseiro. Não entendi muito bem o porque de não poder entrar mas o Len estava sentado na cama com o travesseiro entre as pernas.
Rin: Não estou conseguindo dormir. Posso ficar aqui com você?
Len: Pode,claro. Vem cá.
Ele deu espaço e eu me deitei com ele. Era a segunda vez naquele dia que nós ficávamos daquele jeito. Len me cobriu com o edredom e eu me aconcheguei mais juntinha dele.
Com a cabeça perto do seu peito, eu podia ouvir as batidas rítmicas do seu coração; e ele batia no mesmo compasso que o meu.
Nós dois estivemos sempre, sempre juntos, mesmo separados. Somos uma única existência em dois corpos, conectados por algo maior do que nós mesmo.
Rin: Len...
Len: O que?
Rin: Eu te amo.
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