Notas iniciais
Com a palavra, a srta Kagamine Rin! Não se esqueçam de comentar o que acharam. Se gostarem eles ficarão de narradores das suas próprias aventuras. Boa leitura!!

Conheci o mundo através dos olhos das outras pessoas. Desde que eu me lembro, já estava no hospital, com meus pais ao lado da minha cama ou fazendo exames para ver se estava tudo bem. De vez em quando meu irmão ia me visitar. Ficava horas me contando sobre as coisas que ele fazia. Era divertido e nesses dias o tempo passava mais rápido.

No ano em que faríamos 6 anos os médicos me deram minha primeira alta. Pela primeira vez eu ia ir para casa. Faziam dois meses que eu estava fazendo exames diariamente e como nenhum deles mostrava alteração acharam que eu poderia terminar minha recuperação em casa. Para ter certeza de que tudo estava bem fizeram uma última bateria de exames antes de sair do hospital. Isso me cansou demais. Meu pai teve até que alugar uma cadeira de rodas para me levar para casa. Apesar do cansaço eu estava feliz. Ia viver com meu irmãozinho como uma criança normal... Assim que eu estivesse mais forte, poderíamos brincar e correr... Ia ser maravilhoso.

Eu tinha que ficar bastante em repouso, mas isso não era problema. Eu queria mesmo brincar com o Len. Como eu não podia sair muito do quarto, Len passou a me visitar na janela. Às vezes passávamos a tarde inteira conversando. Não sei porque ele não entrava e sentava em uma cadeira.

–... E sabe depois disso ele tropeçou em uma pedra e caiu. – Len deu risada e eu ri junto.

– Rin, eu queria saber... Porque você é tão fraquinha?

– Ah, isso é porque eu.... – Nossa mãe entrou no quarto nessa hora. Deu pra notar que ela forçou muito um sorriso. Tão forçado que até alguém tão novo perceberia.

– Len, seu pai está te chamando. Vá ver o que ele quer por favor, filhinho.

Len foi atender ao chamado do papai e mamãe sentou-se ao pé da cama.

– Rin, não importa o que aconteça você nunca poderá contar ao Len o motivo de estar assim.

– Porque?

– Porque ele ia se sentir culpado.

– Porque?

– Porque você só ficou assim por ter doado um rim para ele.

– Porque?

– Porque se não fizesse isso ele poderia morrer.

– Porque?

– Porque sim. Só faça o que eu estou mandando. Quer que o Len fique muito, muito, muito triste?

– Não...

– Então, só faça, está bem? – Ela sorriu e se levantou, saindo do quarto.

Acho que o Len nunca soube... No começo eu também não entendia mas como os médicos falam sobre isso como se fosse muito normal, não demorou pra que eu associasse o meu estado com as inúmeras entrevistas que tinha que dar e o fato de ser tão bem cuidada pelos médicos e enfermeiras.

Parece que o nosso foi o primeiro caso de transplante renal feito em recém-nascidos em que os dois sobreviveram. Abriu precedentes para muitos outros transplantes e nos quase 6 anos que tinham se passado, até então, vários bebês já tinham sido salvos.

Em novembro daquele ano tive que voltar para o hospital. Minha imunidade ainda estava baixa e acabei com uma infecção respiratória. O médico jura que não tinha nada haver com o transplante... Meu pai jura que tinha tudo haver com o transplante. Bem, isso não importa. O que interessa é que eu voltei para o hospital de novo e mais uma vez...

Algum tempo depois o Len parou de ir me ver... Primeiro as visitas foram se espaçando, até que finalmente cessaram. Mamãe disse que como ele estava na quarta série tinha muitos trabalhos para fazer e coisas para estudar.

– Eu também quero ir para escola!

– Você ainda não pode. Tem que se preocupar em sarar logo. Aí depois você irá para a escola. – Minha mãe alisou meu cabelo e sorriu.

Sem as visitas do Len os dias pareciam muito maiores e chatos... E dessa forma os meus dias se arrastaram até meu aniversário de 15 anos.

Meus pais entraram mais felizes que o normal no quarto. Tinham acabado de pegar os resultados do ultimo exame de sangue que eu tinha feito (Um coleta a cada meia hora durante duas horas para ver se o meu organismo estava metabolizando direito a glicose) e pareciam bem felizes.

De primeiro eu não entendi o que o meu pai tinha dito, até que mamãe me abraçou e disse, chorando “Finalmente vamos para casa filha”. Aquilo soou tão irreal... Era verdade mesmo? Eu ia ir para casa? Ia ver o Len? Quanto tempo eu sonhei com isso... Ter que lavar a louça, arrumar o quarto... Fazer traquinagens, levar bronca... Depois de tanto tempo eu finalmente ia ir para casa...

Aquele foi o melhor aniversário de todos. Meu pai saiu para assinar a papelada de alta enquanto minha mãe arrumava minhas coisas e meu quarto era invadido por um bando de enfermeiras e médicos. Todos com rostos felizes. Algumas enfermeiras (as que tinham ficado mais tempo comigo) me abraçaram e me desejaram tudo de bom. Dentro de alguns instantes eu estaria em casa.

Quando chegamos... Foi incrível. Mamãe entrou em casa antes e chamou Len para descer. Vê-lo me fez perder a fala... O meu coração batia rápido. Será que ele ia se lembrar de mim? E da nossa promessa? Eu só conseguia sorrir. As palavras não saiam... Ele também só sorriu para mim. Acho que ele se lembrava de mim....Ai, que bom.

Sentei-me no sofá... Minha vista escureceu e quando eu acordei estava em uma cama, olhando o teto branco. Sentei-me rapidamente na cama. Não podia ter sido um sonho! Não podia.... Não tinha sido. Apesar de o teto ser igual o quarto era completamente diferente. Tinha um armário, uma escrivaninha, cortinas, muitos bichinhos de pelúcia e um cartaz de Bem Vinda.

Eu estava inebriada de tanta felicidade. Nem notei o computador novinho em cima da escrivaninha. Levantei e fui sentar na janela. Tinha que assimilar tudo aquilo. Ia demorar para que eu conseguir considerar aquele o meu lar... Mas pelo menos podia ver o Len de novo.

Ele apareceu na minha porta.

– Olá. – Disse para mim.

Minha felicidade em vê-lo foi tanta que só consegui sorrir e dizer “Oi”. Ele entrou no quarto. Parecia estar meio sem graça...

– Ei Rin, um amigo meu da escola vai vir aqui para instalarmos umas coisas no meu “note” novo... Estava pensando se não quer que arrumemos o seu computador também.

– Pode ser... – Eu ainda nem tinha olhado direito para o computador. De qualquer forma, não sabia onde ligar cada cabo daqueles...

– Ah, posso te ajudar com isso. Vem cá que eu te ensino como engatar os cabos. – Eu não tinha um real interesse em aprender aquilo... Queria mais era estar perto dele então acabei me aproximando para vê-lo engatar os cabos.

Não demorou muito até tocarem a campainha. Pensei que nossos pais atenderiam a porta, mas quando Len se levantou e foi ver quem era me dei conta de que eles não deviam estar em casa, afinal estava muito silencioso. Fiquei sentada no chão do quarto esperando que ele entrasse só que quem apareceu dessa vez foi um garoto de cabelos azuis. Encarou-me um pouco e não sei por que, mas ele se virou para o Len e disse.

– Ei, Len... Alguém deixou uma boneca igualzinha a você no chão desse quarto.

– Eu não sou uma boneca... – Foi a maior frase que eu tinha formulado desde que acordei. Acho que os dias de solidão no hospital me fez meio... Calada.

– Kaito, essa é a minha gêmea, Rin. Rin, esse é o amigo que te falei. – Len nos apresentou e logo voltou a olhar para o tal de Kaito. – Aquele é o computador que temos que configurar... Eu estava instalando os cabos quando você chegou.

Levantei-me do chão, já que os dois se aproximavam do computador, e sentei-me na cama. Não pude ver mais nada do que estavam fazendo... E eu que queria ficar sozinha com o meu irmão... Bem, outras oportunidades virão.

Me levantei e pensei em ir até a cozinha pegar algo para eles beberem... O dia estava quente e Len podia estar com sede. Mas primeiro....descobrir onde era a cozinha.

Não perambulei muito, até que foi fácil. Já tinha um suco de laranja pronto na geladeira. Só tive que pegar a jarra e equilibrar três copos na outra mão. Ainda bem que o quarto não era longe. Nessas horas é bom não ter a casa enorme.

– Trouxe suco... – Falei baixinho. Na verdade fiquei bem envergonhada... Parecia até que aquela já era a minha casa. Len olhou para mim e veio em minha direção.

– Ei, Rin! Essa jarra deve estar pesada. Você acabou de sair do hospital. Se queria suco, era só me pedir. – Len tirou a jarra e os copos de minhas mãos e colocou-os em cima da mesa de cabeceira. Separou os copos e serviu-os com o suco, me alcançando um. – Não se esforce tanto. Você... Precisa ficar bem logo. – E sorriu.

Deus, obrigada por me dar um irmão tão bom...

Enquanto isso, Kaito me olhava de canto de olho...

Notas finais
É isso!! Mais um capítulo no fim. Vamos indo devagar que eu não quero assustar vocês. ♥ Comentem o que acharam!! Ah! É mesmo... Agora estou reservando um tempinho para responder suas reviews. *-*~ Acho que isso nos aproxima! Vamos juntos contar essa história de amor.