Notas iniciais
Me perdoem pela demora. Vida de gente grande não é facil. Espero que gostem desse capitulo, contado pela voz do Len.

Eu não sei por que a minha escola não faz recesso. Cinco dias que nós passemos sentados nas cadeiras vendo uma aula desinteressante (afinal nossas mentes estavam ocupadas demais pensando no feriado de ano novo) não iria fazer com que aprendêssemos mais ou que fossemos melhor nas provas de proficiência.

Mas aqui estou eu, sentado nessa cadeira fria enquanto vejo uma velha senhora tentar prender a atenção de 30 alunos entediados com um discurso nada convincente sobre literatura antiga.

Apoiando meu rosto na mão, olho pela janela, vendo a alva neve cobrindo o que um dia já foram jardins verdejantes. Será que a Rin gostaria de ir para escola qualquer dia? Será que já tinha visto um jardim? Será que já tinha almoçado? Meu Deus e se ela tivesse engasgado com a comida já que devia estar acostumada com aquela sopinha insossa do hospital? E se não tivesse ninguém por perto para ajudá-la ?

Então eu a vi. Seu rostinho branco ficando azul e ela sem conseguir respirar direito... Rin, já estou indo! Vou chegar até você! Me espere! Me... TOC!

A professora bateu com o livro na minha cabeça.

– Kagamine-kun, eu sei que o recesso de ano novo está próximo, mas o senhor poderia deixar para dormir na sua casa? Ou pelo menos quando fizer isso enquanto estiver na escola não gemer tanto?

A turma inteira riu da minha cara. Bando de gente detestável e desagradável. Não vêem que eu estou sofrendo com minha angustia?? Mas... Por que eu estava angustiado mesmo? A fome já estava me fazendo perder o foco das coisas. Tinha que comer, urgentemente.

O sinal tocou e fui imediatamente para a lanchonete. As paredes do meu estomago deviam estar grudadas de tanta fome que eu estava sentindo (se é que isso é possível). Kaito havia chegado antes e reservado uma mesa. Vantagens de se ter um amigo em outra turma.

– Vai querer o que? – Ele logo me perguntou. – E diz rápido que isso aqui está enchendo.

– Pão de banana e uns dois Pães de Curry. E você? – Dei o dinheiro dos pães pra ele.

– Pra mim, iogurte de morango. Pega o da ultima maquina que sempre está mais gelado. – Ele me entregou o dinheiro do iogurte.

Deixamos nossas coisas em cima da mesa marcando lugar e fomos cumprir nossa “missão”. Acho que desde sempre Kaito e eu nos dividimos assim: Enquanto ele comprava a comida eu ia atrás das bebidas. Isso quando não comíamos no refeitório. É que a nossa escola até oferece almoço para os alunos mas a “tia da cozinha” é uma velha quarentona e solteirona com uma verruga peluda no meio do rosto. De verdade... Ver aquilo tira o apetite de qualquer um. Fora que quando ela vai servir os pratos acaba enfiando os dedos gordos como salsichas no meio da comida. Argh... Só de lembrar me dá vontade de vomitar. Melhor parar antes que não consiga almoçar de tanto enjôo. Resumo da ópera: Só comemos no refeitório quando a velha não está lá, ou seja, quase nunca.

Peguei o iogurte para o Kaito, leite para mim e voltei para mesa. Kaito ainda não tinha retornado. A fila da lanchonete é enorme desde que a velha da verruga chegou ao restaurante. Àquela altura Rin já devia ter almoçado. O que será que estava fazendo? Na certa devia estar jogando o jogo dos coelhinhos que Kaito e eu instalamos no computador dela. Ela comentou que tinha gostado bastante. É um joguinho idiota em que se tem um coelho virtual como bichinho de estimação. Rin ficou bastante feliz jogando-o na noite de domingo. Lembrar disso me fez sorrir.

– Está pensando em alguma garota, Romeu? – Kaito chegou com nossos lanches.

– Não, que isso? Está me estranhando é? – Respondi no susto.

– É que você estava sorrindo feito um idiota agorinha pouco. Vai me dizer que é a Luka-chan do 2° ano sala B? Ela é uma tremenda gata.

– Claro que não. Era... Na Hatsune-san da sua turma. – Menti

– Boa sorte. Aquela lá não dá bola pra ninguém.

– Não é isso. É que estava pensando quem tinha o cabelo maior, se a Rin ou a Hatsune-san.

– Disputa difícil eim meu caro... Mas falando na dita cuja, como está sua irmã?

– Não sei. Ainda não a vi hoje. Quando sai de manhã acho que ela ainda estava dormindo. Se bem que pensando melhor vi um vulto branco na janela do quarto de visitas quando estava saindo. Fiquei apavorado pensando que era um fantasma. Agora acho que devia ser a Rin.

– Coitada da menina. – Kaito riu de mim.

Contei a ele que Rin havia gostado do jogo dos coelhinhos e quis saber se ele não tinha mais desse estilo.

– Minha irmã é uma gamer maníaca desde que nasceu. Tenho vários joguinhos infantis em casa que a Rin-chan deve gostar.

Rin, Rin, Rin... Parecia que tudo que eu fazia ou pensava estava relacionado a ela. Fiquei pensativo alguns minutos e Kaito percebeu minha mudez.

– Len... Está tudo bem? – Ele perguntou.

– Está... É só que... A Rin, sabe... Ela não sai da minha cabeça...

– Hmm... Kaito me encarou um pouco antes de continuar, como se estivesse escolhendo as palavras que iria usar. – Deve ser o que se sente quando se ganha um cãozinho ou um brinquedo novo. Você deve estar curioso para saber todas as possibilidades que tem.

– Acontece que não é um brinquedo, nem um cachorro. É minha... irmã.

– E você queria o que? Ficar indiferente quando uma pessoa que tem a sua cara vai morar com você, de uma hora para outra? Cara, ela parece uma boneca baseada em você de tanto que os dois se parecem. Ainda mais com aquela pele clara, os cabelos compridos e o fato de ser calada. Eu mesmo tive que observá-la bem pra ter certeza de que não se tratava de uma boneca e sim da sua irmã. Fica tranqüilo que uma hora você se acostuma.

Tentei racionalizar meus sentimentos, pensar nos fatos com mais clareza. Kaito estava certo. Eu não tinha motivos para me preocupar. Talvez as outras pessoas não se sintam assim quando ganham irmãos porque o normal é que vá um bebê para casa. No meu caso eu estava ganhando uma irmã com a minha idade. Alguém que podia conversar e trocar idéias comigo. Essa constatação me deixou mais leve.

Kaito e eu fomos para aula assim que bateu o sinal. Como era de se esperar as aulas da tarde foram igualmente chatas às da manhã. Até porque, confesso, estava ansioso para ver a Rin.

Encontrei com o Kaito na saída.

– Vamos lá em casa testar uns jogos novos que a Meiko enviou dos Estados Unidos. Só lançamento!- Disse ele, todo empolgado.

– Não podemos testar na minha casa? – Perguntei

– Está louco para brincar com seu “cãozinho” né? – Kaito cutucou meu braço com o cotovelo.

– E daí se eu estiver? Pelo menos eu TENHO um cachorrinho e não SOU um, como você. – Cutuquei-o de volta, na barriga.

No final, acabamos passando na casa dele para pegar os jogos e algumas roupas. Ele passaria a noite lá em casa e amanhã de manhã iríamos juntos para a escola.

Qual não foi a minha surpresa ao constatar que nem a Rin e nem meus pais estavam em casa para me receber. Devem ter saído, pensei. Confesso que fiquei desapontado. Queria contar à Rin como tinha sido o meu dia e perguntar como tinha sido o dia dela. Bom, o jeito era esperar.

Kaito e eu subimos para o meu quarto e lá ficamos o que me pareceram várias horas. Quando olhei pela janela, já era noite. Ouvimos o barulho do carro chegando e, para minha felicidade, Rin havia chegado. E ainda por cima trouxe pizza! Eu adoro pizza.

Notas finais
Até domingo espero postar o próximo capitulo. Espero que, depois de todos os intervalos que houveram para ser feito esse capitulo a qualidade não tenha caido. Por isso conto com vocês para saber sobre o andamento da história.