Kagamine Twins
5 Passeio
Notas iniciais
Acordei cedo naquela manhã. Na verdade não foi exatamente um acordar, mas um não aguentar mais estar na cama. Minhas costas estavam até doendo. Como isso era possível. Não fazia nem uma semana que eu tinha saído do hospital e lá eu passava deitada.
Talvez seja o desconforto por estar em um lugar diferente. É um “estar em casa” sem estar realmente em casa... Não sei se deu para entender. Sabe aquela sensação de ir dormir na casa de um amigo? Pois é assim que eu estou me sentindo. Eu sei que aqui é a minha casa, mas eu não me sinto muito confortável aqui... Talvez por isso eu não esteja conseguindo dormir direito...
Levantei-me e fui até a janela. Vi o Len indo para aula. Um dia eu provavelmente o seguiria por esse mesmo caminho. Mal posso esperar. Na verdade o Len é o único que me faz sentir... Hmm... Mais ou menos confortável. Na verdade, fazia tanto tempo que eu não o via que estou muito ansiosa para saber tudo sobre ele. Que saudade do tempo que ele ia ficar comigo no hospital. Len... Será que só eu criei um vinculo com você por causa dessa época? Você pensa, ao menos um pouquinho, em mim?
Olhei para o computador e lembrei-me do jogo que ele havia instalado para mim. Acabei sentindo um calorzinho no coração. Sorri. Será que meus pais já tinham acordado? Achei melhor verificar a cozinha.
Reina (Mãe): Daqui a pouco vou levar o café da manhã para Rin-chan.
Soichiro (Pai): Mas o que será que ela gosta de comer?
Reina: Hmm...
Eu estava na porta da cozinha, observando os dois. Neste instante mamãe virou-se e me viu e gritou, largando o que estava segurado no chão.
Soichiro: Reina??? – Ele se levantou, olhando para mamãe e depois para mim. Após sorriu como se entendesse o que tinha acontecido. – É só a Rin-chan. – Disse ele, e completou. – Precisamos urgente modificar o seu guarda-roupa, minha filha. Essa camisola branca quase matou sua mãe de susto.
Rin: Me desculpe... Não pretendia assustar.
Reina: Não, não... Tudo bem. É que você me pegou desprevenida. – Ela riu. – Um pouquinho de sol e logo você não...er... confundirá mais ninguém.
Não entendi ao certo o que ela quis dizer, mas sorri e concordei.
Soichiro: O que você gostaria para o café da manhã?
Rin: Não sei... Geralmente me davam bolachas água e sal no hospital.
Reina: Então...se importa se eu escolher por você?
Soichiro: Lembre-se que não pode ser nada muito forte. Rin-chan ainda não está acostumada com comidas que não sejam as do hospital.
Reina: Estava pensando em uma batida de banana. Não é pesado e alimenta bem, afinal de contas ela precisará de energia para hoje.
Rin: O que tem hoje?
Soichiro: Será uma surpresa. Tudo o que podemos adiantar é que assim que terminar o seu café é para você ir se arrumar.
Ficou um pouco obvio que iríamos sair, por isso perguntei.
Rin: Vocês não têm que trabalhar ou algo do gênero? Podemos esperar o próximo final de semana para sair...
Acho que fui um pouco grosseira afinal minha mãe ficou com uma cara e saiu da cozinha... Ainda tenho que aprender sobre a personalidade dos dois e como eles são no dia-a-dia. Soichiro, o meu pai, saiu atrás dela. Fiquei sozinha na cozinha. Olhei para os lados. Nada me era familiar. Nada. Um sentimento de estranhamento se apossava do meu coração. Como se sentisse que aquele ali não era o meu lugar. Quando pensei em retornar do meu quarto, Soichiro e Reina voltaram. Me sinto mais confortável referindo-me à eles assim. Mas não vou chama-los dessa forma quando estiver falando com eles. Pode magoa-los.
Rin: Desculpem-me. Falei sem pensar... – Disse assim que entraram na cozinha.
Reina: É que... Esperamos tanto que você estivesse conosco que não queremos esperar mais nem um dia para ficarmos com você...
Soichiro: Nos desculpe se as vezes tivermos esse tipo de reação. Procure entender... Estávamos muito ansiosos para ficar com você. Nós te amamos muito e queremos recuperar o tempo perdido.
Rin: Sim... Me desculpem também se eu por acaso não souber como lidar com vocês. É tudo... Muito novo. Essa história de casa, família, irmãos...
Acho que os deixei chocados, de certa forma.
Reina: Você... Acha melhor deixarmos para sair outro dia?
Rin: Não! Vocês estão folgando no trabalho por minha causa. Vamos sair hoje e compensar todo o tempo que não pudemos ficar juntos. – Disse, sorrindo.
Era verdade que eu queria ficar com eles, não exatamente para “recuperar o tempo perdido” mas sim porque eu queria me livrar desse sentimento de não pertencimento. Sentir-se deslocada é horrível.
Terminamos aquele café da manhã com conversas amenas. Soichiro e Reina me contaram sobre seus trabalhos. Aparentemente trabalhavam juntos em uma firma e se conheceram no colegial. Seus dias de estudante, clubes que participaram... Estavam começando a falar sobre como tinham sido os anos de namoro quando Soichiro disse que era melhor sairmos logo. Mais um pouco e as lojas estariam tão lotadas que não seria possível nem ao menos entrar nelas. Liquidações de fim de ano.
Reina: Rin-chan... Você... Se importaria se eu à vestisse? – Ela me perguntou, olhando para baixo. Eu não conseguia decidir se Reina era uma mulher forte ou frágil. Pessoa estranha...
Soichiro estava atrás dela e fez um sinal com a cabeça, dando a entender que era para aceitar. Como aquilo não fazia diferença para mim, aceitei. Afinal, se ia fazer um bem para Reina, por que não aceitar?
Ela sorriu quando eu lhe disse que por mim tudo bem e foi até o quarto de hóspedes comigo.
Reina: Eu... Esperei tanto por esse momento...
Acho que a cara que eu fiz deixou bem claro que eu não tinha entendido.
Reina: Sabe... Quando eu soube que esperava uma menina fiquei tão feliz, tão feliz. Antes mesmo de você nascer eu já imaginava nossas conversas. Eu iria escovar o seu cabelo, pintar suas unhas, ouvir suas histórias sobre a escola, dar bronca, ter uma tarde “só de mulheres” onde nós iríamos passear só nós duas, tomar um sorvete e fazer compras. Rin-chan... Eu já te amava demais muito, muito antes de você nascer. – Depois de dizer isso, com os olhos cheios de lágrimas, ela me abraçou. Eu a abracei também, sentindo um aperto no meu peito. Senti que também a amava, mesmo sem entender ao certo porque e como afinal apesar das visitas no hospital eu fiquei muito mais sozinha do que com eles.
Com certeza eu amo a Reina e o Soichiro... Só não sei como expressar esse amor.
Reina vestiu-me com uma blusa amarela e uma calça azul. Ambas as peças tinham tons pastel. No hospital não se podiam usar tons muito berrantes. Escovou meu cabelo e amarrou-o num rabo de cavalo. Assim que ela terminou de me arrumar fui para a sala e Reina subiu para o quarto afinal ela também precisava se arrumar. Soichiro já estava na sala, pronto.
Soichiro: Tenha paciência com a sua mãe... Ela sempre sonhou em fazer isso.
Rin: É, ela me contou... – Sorri para ele.
Soichiro meu sorriu de volta e afagou meus cabelos. Sentou-se mais perto e passou o braço por cima do meu ombro, me abraçando.
Soichiro: Nunca mais nos deixe, entendeu? Eu e a sua mãe esperamos muito para tê-la conosco. Perde-la agora... Ter que deixa-la de novo naquele hospital...
Rin: Eu... Vou ser forte, por nós três. – Disse à ele.
Reina: Nós quatro. Apesar de não parecer o Len ficou bem feliz de te ter aqui conosco. – Reina tinha terminado de se arrumar e descia as escadas.
Rin: Mesmo?
Reina: Sim. Você não viu porque não estava acordada, mas... Ele estava com olheiras esta manhã. – Ela riu. – Aposto que pensou a noite inteira em você.
Soichiro: E... Isso é bom?
Reina: Ora, claro que sim. Pelo menos ele considera a existência dela e não apenas a ignora.
Soichiro: Espero que seja só por serem irmãos.
Reina: Mas é obvio que é por isso. Pelo que mais seria?
Rin: Eu ainda estou aqui, sabiam? Não falem como se não estivesse.
Nós três rimos.
Rin: Eu... Vou ficar forte para poder continuar aqui, com vocês.
Reina:E nós colocaremos em dia tudo o que não pudemos fazer antes.
Saímos juntos. O que Soichiro e Reina tinham planejado para aquele dia era fazer compras. MUITAS COMPRAS!
Fomos primeiro à uma loja de moveis onde tive o privilégio de escolher tudo o que queria no meu quarto, desde os moveis, propriamente ditos, até as cortinas, tapete, abajur... Tudo. Um quarto inteiro da forma como eu queria. Os moveis seriam entregues quarta-feira de manhã.
Quando terminamos já era quase uma da tarde e ainda não havíamos almoçado. Paramos em um restaurante. Céus... Eu não sabia o que fazer afinal nunca tinha ido a um lugar daqueles. Reina mostrou-me o cardápio, onde eu poderia escolher qualquer um dos pratos ali mostrados. Aconselhou-me por pratos mais leves, por causa da minha saúde ainda debilitada. Optei por um peito de frango com arroz e salada e um suco de maçã. Estava uma delícia.
Depois fomos a uma loja de departamento. Compraram-me toalhas e lençóis.
Mas o mais exaustivo de tudo foi ir comprar roupas. Reina disse que roupas com “cor desbotada” não combinava com alguém da minha idade e por isso eu precisava de um guarda roupa mais alegre. Provei roupas até ficar exausta. Tanto que tivemos que sentar em algum lugar, pois eu senti um pouco de tontura.
Reina trouxe um sorvete de creme para mim, uma delícia. No hospital não tinha esse tipo de coisa...
Forças recobradas agora eu precisava de acessórios. Reina escolheu quase tudo. Claro, eu dei meus pitacos e disse o que tinha gostado e o que não. Mas o bom gosto da Reina me impressionou. Não me admirou que nas horas de folga ela escrevesse matérias sobre moda para um blog. Será que eu saberia usar tudo aquilo?
Reina: Calma, sua mãe está aqui para te ajudar. – Ela leu a dúvida na minha testa... Mãe é mesmo mãe, mesmo quando não se conviveu com ela por anos...
Quando terminamos já era noite. Soichiro deu a ideia de pegarmos uma pizza no caminho afinal Len deveria estar com fome. Compramos pizza de calabresa, mussarela (para mim, pois era mais “levinha”) e atum. Ou será que atum era mais leve que mussarela? Ah, e compramos uma pizza doce também... De banana com canela.
Quando cheguei em casa encontrei Len com aquele amigo que tinha ido lá no outro dia... Acho que o nome era Kaito.
Kaito e Len jantaram conversando muito. Não tinha espaço para mim na conversa... Fiquei meio triste. Depois de comermos as pizzas fomos para sala onde Kaito e Len continuaram tagarelando. Fiquei observando-os até ser vencida pelo cansaço e adormecer no sofá.
Fale com o autor