– Bom dia ... – Len e eu falamos juntos para os nossos pais.

Os dois deram risada. Len e eu estávamos com o uniforme da escola, cabelos bagunçados, cara de sono.

– Até que enfim, uma cena dos gêmeos fazendo alguma coisa igual. – Mamãe disse, rindo.

– O café já está pronto.

Nós dois nos sentamos para comer. Olhamos um para a cara do outro e começamos a rir. Nossos pais riram também.

– Rin-chan, essa semana você tem check-up. Len-chan, você pode ir com ela?

– Por quê? – Len perguntou.

– Porque nenhum de nós dois vai estar livre no dia, e é importante que ela vá nos dias certos.

– Eu posso ir sozinha. — Falei.

– De jeito nenhum. E se acontece alguma coisa? – Mamãe disse.

– Eu levo, eu levo... A menos que a Rin não queira. Você não quer, Rin? – Len me olhou com seu melhor olhar 43.

– Ugh... Não é isso... Tudo bem, eu vou com você.

– Iupi! – Len vibrou.

– Agora, se apressem os dois ou vão se atrasar para a escola.

Terminamos de comer rapidinho, e fomos terminar de nos arrumar. 10 minutos depois, lá íamos nós, em direção a escola.

Desde que tivemos aquela conversa na casa do Kaito, duas semanas atrás, as coisas tinham mudado bastante entre nós. Fazíamos praticamente tudo juntos. Nos intervalos dos almoços, na escola, estávamos sempre juntos. As vezes, Len me esperava na porta da sala. Outras vezes quem ia até ele era eu. Estávamos felizes do jeito que tudo estava.

Piko-kun passou a nos acompanhar. Ele é um bom amigo. Me ajuda em tantas coisas, principalmente quando eu não entendo alguma coisa da aula. Ele tem almoçado com a gente, assim como o Kaito.

É interessante ver como os dois são diferentes. O Kaito é sempre tão falante, agitado, enquanto Piko-kun é calmo e ponderado, além de ser sempre muito solicito. Acho que o Len tem ciúmes dele. Hehe...

Finalmente nossos dias estavam sendo normais. Sem desentendimentos, sem sofrimento, sem tantas conversas.

Mas... Ultimamente, algumas coisas estranhas têm acontecido.

– Vamos embora Rin? – Len me perguntou, na porta da minha sala.

– Vamos. Só vou terminar de guardar as minhas coisas.

Peguei minha bolsa e saímos.

E então, aquilo aconteceu de novo. Alguém colocou lixo nos meus sapatos de sair da escola. Suspirei. Isso tinha começado a acontecer no inicio da semana.

– Ugh, de novo?? – Len se aproximou e viu o estado dos meus sapatos.

Fiz que sim com a cabeça.

– Tsc, pior que os professores disseram que não podem fazer nada. Não vai ter jeito. Vou ter que te levar nas costas hoje.

– Eba! – Comemorei e subi das costas dele.

– Eba nada! Rin, você está engordando. Em casa quero uma massagem nas costas.

– Ah! Repete que eu to gorda pra você ver!

– Gorda! Gorda! Gorda!

– Grrr... – Puxei as bochechas dele.

– Aiaiaiai! Desculpa! Desculpaaaa!!

– Humpf, acho bom. Onde já se viu? Eu! Gorda!

Nós dois demos risada enquanto caminhávamos de volta para casa.

– Oi Rin. Está de carona de novo?? – Passamos pelo Piko-kun no caminho.

– Pois é. Parece que tem alguém que não gosta mesmo de mim. Pior é que eu nem imagino quem foi.

– Será possível que ninguém vê essa pessoa fazendo isso? – Len falou.

– Rin-chan, se você quiser pode guardar seus sapatos junto com os meus.

– Obrigada Piko-kun. Mas acho que desse jeito acabariam jogando sujeira nos seus sapatos também.

– Não necessariamente. Você poderia deixar um par de sapatos no seu armário como chamariz e guardar outro no meu armário.

– Ah! Isso pode dar certo. Obrigada!! – Sorri para ele.

– Bom, eu vou por aqui. Tchau tchau, Len, Rin. Até amanhã.

– Tchau tchau. – Respondi sorrindo.

Len não disse nada.

Um pouco mais adiante.

– Da próxima vez você pede pra esse “Poki” te carregar nas costas...- Ele disse, emburrado.

– Ah! Porque?

– “Tchau, tchau”, “Ain, obrigada Poki querido por me ceder um espaço no seu armário”, “Nossa Poki, como você é inteligente. Tão perspicaz...”

– O nome dele é Piko! E se isso te incomoda tanto, por que não divide o armário comigo?

– Humpf. Eu colocaria os seus sapatos no meu armário mesmo que você não quisesse. Apesar do seu chulé.

– Ahh! Lá vem você implicando comigo de novo. Vou te ensinar uma lição.

Dei uns cascudos na cabeça dele.

– EI! PARE COM ISSO! A GENTE VAI CAIR!

Len se desequilibrou e nós dois caímos. Na grama. Ainda bem.

Nós dois demos risadas juntos.

– Seu bobo. Não precisa disso. – E falei baixinho, só para ele ouvir. — É só você que eu amo.

– Eu também te amo. – Ele respondeu no mesmo tom, e se levantou. – Agora vamos logo ou nesse ritmo não vamos chegar nunca.

– É porque você é lerdo. – Eu disse, subindo nas costas dele de novo.

– É porque você é gorda. – Ele respondeu.

E lá fomos nós, implicando um com o outro, para casa.

Notas finais
Começou! Segurem-se em suas cadeiras que muita coisa ainda está por vir!