Notas iniciais
Tem algo estranho acontecendo e Len já se deu conta disso. O que a Rin está escondendo?

Rin e eu finalmente nos acertamos. Obviamente nós não conseguimos nos encontrar como um casal normal e quando saímos juntos tempos que manter certa distancia. Então, passamos a nos encontrar escondidos, na calada da noite, no meu quarto.

Mas ultimamente, parece que tem algo errado. Antes a Rin parecia mais falante. Nos últimos dias ela não quer conversar, sobre a escola, sobre o que estamos vendo, os amigos que estamos fazendo. Ela diz que é impressão minha e desconversa, mas antes ela parecia tão animada ao falar sobre o que fazia. Se eu puxar da memória, faz mais ou menos um mês e se não me engano, começou na mesma época que colocaram lixo nos sapatos dela.

– Rin...Rin... Eu a afastava e ela voltava para cima de mim, me beijando com algo próximo ao desespero. Rin, eu preciso respirar. Ofegante, consegui me afastar dela.

Estávamos os dois sentados na minha cama, ela segurava meus ombros com força, e pareceu desolada quando eu levantei e coloquei alguma distancia entre nós. O que, por Deus, estava acontecendo?

– Desculpe Len. É que eu simplesmente não consigo ficar longe de você. Ficar o dia todo sem te beijar é quase uma tortura... Não poder nem ao menos fazer um leve carinho em você...

– Eu sei, mas eu te expliquei. Nós não podemos.

– Então, ao menos quando eu posso... Não fuja de mim.

Me senti culpado e voltei a me sentar ao lado dela. A impressão que eu tinha é que ela usava nossos beijos como uma forma de suga, um recurso para não precisar falar.

Mas se ela não ia me contar o que estava acontecendo, eu sei quem iria. No outro dia, fui esperá-lo no portão da escola, sem a Rin. Falei com o Kaito e ele levou-a para o telhado. Do que eu pude perceber, colocaram lixo de novo nos sapatos dela.

– Ah, Utatane-kun. Era com você mesmo que eu precisava falar.

– Kagamine-senpai! Em que eu posso te ajudar?

– Você tem um minuto para conversar. A sós?

– Hm... A aula vai começar daqui a pouco. Se importa se for no almoço?

– Eu só preciso saber de uma coisa: Está acontecendo alguma coisa com a Rin? Eu perguntei mas ela disse que não é nada. Acontece que eu sou irmão dela e esse tipo de mudança a gente nota. Ela parece estar mais quieta e sempre preocupada...

– Bem... Sabe, Kagamine-senpai, esses dias jogaram cola na mesa da Rin.E não foi só isso... O caderno dela foi todo picotado e riscado. A ultima coisa que aconteceu foi que pegaram alguns materiais de outras pessoas e colocaram dentro da bolsa dela fazendo parecer que ela que pegou... Ela teve que ir na sala dos professores se explicar. Acho que ela está muito assustada com tudo isso... Mas quando pergunto, ela só sorri pra mim e diz que está tudo bem. Que tudo vai passar. — Os olhos dele encheram de lágrimas e eu me senti meio desconfortável com a situação. — Len-senpai, a Rin-chan é a pessoa mais gentil que eu conheço. Tem alguém querendo prejudicar ela, mas eu não sei quem é e por mais que eu queira ajudá-la só consigo ficar olhando impotente enquanto todas essas coisas acontecem. Que merda de amigo eu sou!!

– Então é isso... — Cocei a cabeça, olhando o céu. Algo negro estava crescendo dentro do meu peito. — Que garota idiota, porque ela não pede ajuda? Tsc, só me causando mais problemas... Utatane Piko, estou contando com a sua ajuda pra me ajudar a descobrir o que está acontecendo. Se algo de anormal acontecer, por favor vá direto me contar.

Ele fez que sim com a cabeça. Então o sinal tocou e nós dois precisamos correr para nossa classe.

Entrei antes do professor. Sorte. Kaito me olhou significativamente quando eu cheguei. Eu devia uma explicação para ele, afinal tinha mandado uma mensagem no meio da madrugada pedindo que hoje de manhã ele mantivesse a Rin ocupada e longe de mim. Só disse rapidamente que no intervalo para o almoço explicaria tudo. Naquele lugar. Então a aula começou e pelo menos por algum tempo eu teria que manter meu pensamento afastado da Rin e prestar atenção na aula.

As aulas se arrastaram e um nó se formava no meu estomago. Eu já tinha entendido o que estava acontecendo. Só não sabia o porque. Talvez o Kaito tivesse alguma idéia. Comi minhas unhas enquanto pensava nisso.

Aí estava ele. O sinal do fim das aulas da manhã. Peguei meu almoço e fui para onde tinha combinado de me encontrar com o Kaito.

A antiga sala do clube de kendo estava abandonada desde que o capitão da equipe tinha saído. O motivo pelo qual os outros membros saíram e a sala foi abandonada continua um mistério, mas isso realmente não me interessa. A sala tinha várias mesas e cadeiras, armaduras velhas penduradas, shinais escoradas em um canto, troféus de campeonatos passados, cheiro de mofo e muita poeira.

Eu e Kaito a descobrimos no ano passado e desde então viemos aqui para matar aula ou quando não queremos ser encontrados. E esse era um desses casos. Por mais que eu gostasse da Rin, nunca tinha mencionado a sala do clube para ela. Essa era uma regra que eu e o Kaito tínhamos. Aquele era o nosso segredo.

Cheguei antes que ele e tratei de arranjar um local confortável para comer. Outra regra nossa era nunca ir a sala do clube juntos. Indo separados a chance de alguém nos ver era bem menor.

Dei uma leve limpada na em uma mesa e uma cadeira e sentei para almoçar. Mas aquela história com a Rin tinha me tirado um pouco da fome. Dali a pouco, Kaito chegou. Seu semblante estava sério, como quem já sabe o qual o assunto.

– Len... Não tem nada que você possa fazer. Ele começou.

– Mas eu nem fiz ou disse nada ainda. retruquei.
– Nem precisa, a Rin-chan me contou hoje de manhã.

– Ah, quer dizer então que com você ela se abre, é? Fiquei com ciúmes. Porque ela disse para ele o que estava errado, mas quando é comigo ela só me cobre de beijos e fica em silencio

– Ela não quer te deixar preocupado. E me contou em caráter sigiloso. Seja lá o que você pense em fazer, tem que ser sem que ela saiba.

– Mas afinal, o que é que ela te disse? Porque ela está tão estranha?

– Bullying. Kaito respondeu seriamente.

Aquela palavra só serviu para confirmar meus medos. Eu senti um forte nó na garganta e um frio no estomago. Porque aquilo estava acontecendo com ela?? O que ela tinha feito para merecer aquilo?

– O que ela te contou? Perguntei, receoso.

– O que você sabe? Kaito respondeu.

Só os idiotas respondem uma pergunta com outra pergunta, pensei, mas se queria informações não podia irritar o Kaito. Então, contei a ele o que o Utatane tinha me contado naquela manhã.

– Além disso, percebi que a Rin está fechada. Não conversa comigo e quando pergunto o que está acontecendo, ela só responde que não é nada.

E então, Kaito me disse o que ele tinha conversado com ela:

– Len, parece que já a algum tempo o truque dos sapatos não funciona. É óbvio, afinal os sapatos dela não fediam quando ela entrava na sala. Passaram a colocar tachinhas nele. Pelo que a Rin me contou, já furou os pés umas 3 ou 4 vezes. Fora isso, várias vezes alguém bate nela, tromba com ela propositalmente, joga as coisas dela no chão e até já colocaram a mesa dela para fora da sala.

Percorri o cabelo com as mãos, exasperado. Nunca poderia imaginar que era aquilo que ela estava passando...

Não, era mentira. Dizer que eu não tinha imaginado era só uma fuga para me abster da culpa. Quase um mês que isso esta acontecendo. Qualquer um perceberia. Mas eu não queria me envolver. Pra mim estava bom. A garota que eu amo estava em meus braços e todas as noites eu podia me perder nos lábios dela até me cansar. Além do mais, o fato de ela não querer falar a fazia me beijar mais e mais, apenas para se manter calada. E eu não me importava com isso. Ah, eu sou horrível. Eu já sabia, Rin, mas estava tão centrado em mim mesmo que simplesmente não me importei e pensei que com o tempo isso ia acabar.

– Porque ela não me disse nada? Porque ela não conversa com o professor? Porque ela não pede ajuda??

– Porque a causa é você, Len!

Olhei para o Kaito sem acreditar no que tinha ouvido. Eu? Como eu poderia ser a causa?

– Ela te disse isso? Perguntei, a voz saindo mais tremida do que eu pretendia.

– Não, mas é o que eu suponho. Ele olhou para o chão.

Geralmente quando isso acontecia era porque ele não estava me contando tudo. Mas àquela altura, eu e Kaito já nos entendíamos o bastante para saber que existem coisas que nós não queremos falar, simplesmente porque não vai ter nada que o outro possa fazer em relação à isso.

– O que você pretende fazer agora??

– Falar com a Rin e, junto com ela, bolar um plano para fazer essas agressões pararem.

– E como você pretende fazer isso?

Eu ia responder, mas nesse momento a porta da sala abriu com um movimento brusco e Utatane Piko entrou, parecendo preocupado.

– Kagamine-senpai... É a Rin!

Notas finais
O próximo capítulo é cena que inspirou TODO Kagamine Twins. Não percam!! Na próxima semana!! BWAHAHAHA ÒWÓ/