A ansiedade para sair com o Len era tanta que não estava conseguindo dormir, só pensando o que nos aguardava na casa de seu amigo. Hehe... Rolei para um lado, rolei para o outro... E nada do sono chegar. Isso nunca tinha acontecido em todas as minhas 15 primaveras de existência... Mas também, era a primeira vez que eu ia sair com o Len-nii.

Abracei a minha banana de pelúcia (Me deixem ç^ç"), deitada de lado com parte da banana entre as pernas. Len-nii...Fechei os olhos e quando os abri novamente já era dia! Até que enfim!!

Levantei logo da cama, me vesti e fui para cozinha. Os meus... han... pais estavam tomando café, comentando as notícias do jornal.

Rin: Bom dia...

Soichiro: Acordou cedo... Caiu da cama?

Rin: Hm, não... É que o Len vai me levar na casa do Kaito-kun para ver uns jogos hoje...

Reina: Está ansiosa?

Rin: Hm.. Não sei...

Reina...hm...minha mãe levantou-se e foi organizar alguma coisa para eu comer. Estou tentando chamá-los assim... Uma hora eu vou ter que me acostumar então é melhor começar de uma vez. Uma hora acho que não irei mais me sentir desconfotável.

Para o café da manhã, entre outras coisas, tinha salsichas em forma de polvo. Fiquei meio incerta sobre como reagir àquilo...

Após o almoço fui direto me arrumar. Não queria demorar para sair. Apesar de me esforçar, Len ficou insatisfeito com o que eu estava vestindo e mandou eu me agasalhar melhor. Apesar de colocar mais algumas roupas ele fez questão que eu usasse seu cachecol

. Aquela peça de roupa estava impregnada com o cheiro dele. Ajeitei-a para que cobrisse uma parte do meu rosto. Tinha certeza de que estava com o rosto muito vermelho. Fechei os olhos, lembrando-me do abraço que Len me deu ontem. Tinha o mesmo cheiro do cachecol.

Len: Ah! Antes de sairmos coloque suas luvas, Rin, ou vai congelar seus dedos.

Rin: Ahhh...não quero. Já tem muita roupa.

Len: Quer que seus dedos virem palitinhos de gelo? Acho que não, né?! Então trate de colocar as luvas.

Rin: Só se você colocar também. – Protestei

Len: Coloco, coloco... O importante é VOCÊ estar agasalhada.

Luvas colocadas, tênis calçados, partimos em direção a casa do Kaito. No caminho, Len segurou a minha mão para que eu não me perdesse. Aquele gesto de preocupação aqueceu meu coração.

Kaito prontamente atendeu à porta quando chegamos.

Len: Chegamos....

Kaito: Sentiu muito frio pra chegar até aqui, Rin-chan?

Rin: Ah... Não... O Len-nii me vestiu direitinho para vir até aqui. – Sorri para ele, querendo demonstrar o quanto meu irmão se preocupava comigo.

Kaito: O Len... o quê?

Len: Huhu, quem sabe o que eu posso ter feito...

Rin: Ah! Hum... Não foi... – Não estava entendo muito daquela conversa mas senti que algo que eu disse não tinha ficado muito claro.

??: LEEEEEEEEEEEEEEEEEEN-CHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAN!

Um vulto passou por mim muito rápido e grudou-se no MEU irmão. Fiquei atônita enquanto tentava entender aquela cena bizarra.

??: Fiquei com tanta saudade de você!!!

Len: Meiko-nee-chan.... estou... sufocando!

Olhei para baixo, aborrecida. Eu, que era irmã do Len, não conseguia abraça-lo tão desinibidamente como aquela garota tinha feito. E mesmo que eu quisesse fazer aquilo, ainda me faltava altura e peito. Ao imaginar a situação – Comigo alta e gostosona abraçando o Len daquela forma – senti meu rosto arder em chamas.

Len:... Deixa eu te apresentar. Essa é a minha irmã, Rin. Rin, essa é a Meiko, irmã do Kaito.

Rin: Ahn... Hum... Muito... Prazer. – Continuei olhando para o chão, muito sem graça pelo que tinha imaginado. Com o rosto vermelho desse jeito eu não poderia olhar para eles. Que vergonha...

Meiko: Poff.

Ouvi... Um barulho de algo quebrando...

Meiko: Ela é linda!!! Len, é igualzinha a você! Dá pra mim! Eu levo pros Estados Unidos pra me lembrar sempre de você! Prometo que vou cuidar bem dela! Nossa, olha pra você! Como é linda! Vem comigo! Eu tinha trazido isso pro Len mas vai ficar um milhão de vezes melhor em você!! – A irmã do Kaito me colocou literalmente em cima do ombro e subiu as escadas correndo comigo. Acho que vou vomitar...

Quando entramos no que parecia ser o quarto dela, Meiko me largou em pé no chão e foi em direção a uma mala enorme. Remexia as coisas, jogando roupas e mais roupas – A maioria saias e mini blusas – para o alto.

Meiko: Achei!

Meiko tinha pego um conjunto de mini blusa e mini saia pretos com detalhes em vermelho. Tirou a roupa na minha frente – O que me deixou mega envergonhada – e vestiu.

Meiko: Agora sim, vestida a caráter. Agora, Rin-chan, é a sua vez.

Ela veio para cima de mim e antes que eu pudesse reagir ou pensar qualquer coisa, já estava sem roupas e enfiada dentro de uma roupinha branca, de rendas, que eu nunca tinha visto antes. Até que era bonitinha.

Meiko: Ficou linda! Agora, vamos vestir isso por cima!

Rin: Kyaaa!!!

Dessa vez eu consegui reagir e, quando ela segurou o meu braço para começar a me vestir de novo, coloquei meu pé entre nós, tentando afastá-la.

Não deu 10 segundos que eu havia gritado e Kaito e Len entraram no quarto. Meiko e eu paramos de “lutar” uma contra a outra e olhamos para ele. Meu rosto ardeu em chamas.

Meiko: Mas o que é isso? SAIAM DAQUI OS DOIS! – Ela gritou. E lá foram Len e Kaito, chutados porta a fora.

Depois de algum tempo eu ainda ouvi meu irmão gritar alguma coisa, mas eu tinha meus próprios problemas para resolver e que, no momento, eram mais urgentes.

Não adiantou correr, espernear, me esconder... Meiko alcançou sem objetivo: Me colocar uma roupa de maid, com hairdress e avental. Era igual a roupa de uma personagem de um manga que uma enfermeira me deu para ler lá no hospital. Antes que eu pudesse protestar, Meiko já estava com uma câmera na mão, tirando fotos.

Miko: Linda, Rin-chan. Agora, sente na cama.

Agora, pensando melhor, porque cargas d’água eu estava fazendo as poses que ela pedia. Acho que no fundo eu estava gostando daquela situação toda. Que esquisita que eu sou...

Meiko: Pronto, agora eu tenho uma boa lembrança. – Meiko sorriu e afagou a minha cabeça. Ela era bem mais alta do que eu... Mais até do que eu tinha imaginado.

Sorri para ela também. Aí, se arrependimento matasse...

Meiko: Kyaaaaa!!

Meiko agarrou-me e ficou me abraçando falando coisas que eu não conseguia entender. Depois desse surto ela se acalmou e me disse:

Meiko: Vamos para a cozinha preparar o lanche?

Rin: Você quer dizer... Cozinhar?

Meiko: Isso! Vamos fazer um bolo. O que acha?

Rin: De laranja!

Meiko: Com cobertura de chocolate!!

Animadas, fomos para a cozinha. Até que a Meiko não era tão ruim assim. Tirando a loucura inicial ela até que era legal.

Meiko: Ok, vamos lá. Enquanto eu faço o bolo você faz a calda.

Rin: Ah... Mas... Eu não sei cozinhar.

Meiko: Não sabe?

Rin: É...

Meiko: Onde você esteve até agora? Numa caverna?

Rin: Não, num hospital.

Meiko: Quê?! Sério???

Rin: É...

E eu contei resumidamente a minha história para Meiko. Ao final ela se debulhava em lágrimas.

Meiko: Dadinha da Rin-djan, — Fungada. – Bassou a bida doda num hosbital, sebarada da família e sem conhecer ninguém – Fungada. – Se eu soubesse deria ido bisidar bocê. – Fungada e muitas lagrimas.

Rin: Mas isso já é passado. As lembranças boas e ruins fazem de mim o que eu sou hoje... E eu gosto muito de quem eu sou. — Sorri para ela. — Agora...Me ensine a fazer o bolo e a calda.

Meiko: Certo... — Ela limpou as lágrimas com um lenço e se recompôs.

Passamos o resto da tarde cozinhando (Eu, aprendendo e ela, ensinando). Ao final, acho que o resultado foi satisfatório. O cheiro pelo menos estava gostoso. Meiko me mostrou como fazer a massa, parti-la, colocar o recheio, a cobertura e confeitar. Se não estivesse gostoso pelo menos bonito estava.

Meiko: Tem chá oolong na geladeira. Pode ir pegando enquanto eu chamo os meninos para o lanche.

Ela subiu correndo as escadas. Que desconfortável... Ter que mexer na geladeira na casa dos outros. Como que a Meiko consegue ser tão desencanada?

Ué...

Acho que já vivi essa situação antes... Quando foi mesmo?

Ah...Lembrei. E junto com a lembrança veio um ardor forte no rosto. Balancei a cabeça e procurei o chá que a Meiko tinha falado.

Servi quatro copos, e coloquei-os na bandeja que Meiko já tinha deixado pronta com quatro fatias de bolo. Ouvi-a dizer da outra sala:

Meiko: Muito bem, Rin-chan, pode trazer.

Ai Deus... E agora? Bom... O jeito era tentar levar a badeja para lá... Lá vou eu...

Peguei a bandeja e fui para a sala ao lado, tentando ao máximo não derrubar nada.

Quando cheguei até escutei o Len exclamar algumar coisa mas a minha atenção estava toda voltada para a bandeja e em não derrubar os copos. Um vulto se aproximou e tirou a bandeja das minhas mãos. Levantei a cabeça e dei de cara com um Len-nii irritado e com o rosto todo vermelho.

Len: Meiko! O que pensa que está fazendo?? A Rin não é sua empregada e muito menos tem força para carregar uma bandeja pesada que nem essa!! — Ele estava parecendo furioso.

Segurei suas vestes e supliquei:

Rin: Ta tudo bem, Len-nii! Eu estava conseguindo carregar. Nem estava tão pesado!!

Len: O que você tinha na cabeça? E se ela se machucasse?!

Kaito: Len, se acalme!

Len: Ah, claro. Falar é fácil quando não é a sua irmã que pode ser afastada de você.

Olhei para Meiko e ela estava sem reação, com uma expressão que eu não conseguia decifrar.

Rin: Já chega, nii-chan!

Len largou a bandeja na mesa e me segurou pelos ombros. Ele pareceu querer dizer alguma coisa, chegou a abrir a boca e puxar o ar... Mas nenhuma palavra saiu. Ele suspirou e se sentou, parecendo mais calmo.

Len: E essa roupa aí, eim? Eu já não te disse que está frio?

Rin: Ah...Eu gostei dessa roupa...E nem está tão frio assim. Não estou com frio... — Olhei para baixo.

Kaito: Vamos já parar com isso e comer! O bolo está parecendo ótimo!

Ninguém se mexeu. O clima ficou bastante pesado. Len estava com o punho fechado em cima da mesa, olhando para um ponto fixo. Meiko continuava parada, meio distante, agora olhando para o chão. E eu não sabia o que fazer.

Quem quebrou o gelo foi, surpreendentemente, a própria Meiko.

Meiko: Sabe Len... Você não pode tratar a Rin-chan como se ela fosse de cristal.

Levantei a cabeça e olhei para Meiko.

Len: E você não pode tratá-la como se fosse de ferro. — Percebi que Len também olhava para Meiko.

Meiko: Porque não escuta mais o que a sua irmã diz? Pare de tentar adivinhar o que ela sente e tomar como verdade algo que você nem tem certeza. Se ela diz que está bem, então tudo bem!

Len: Quem é você para me dizer o que fazer?

Meiko: Uma irmã mais velha muito mais experiente do que você. Porque não acredita mais no potencial da Rin-chan? Ela é esperta e super capaz de fazer tudo aquilo que tentar.

Len: Você não sabe de nada...E nem deve se importar. Afinal, se alguma coisa acontecer com ela não é você que vai ficar sozinha. — Len voltou o olhar para o próprio punho Eu nunca tinha visto ele daquele jeito...

Meiko: A Rin-chan passou a tarde inteira comigo, Len. Ela já me explicou a situação e tudo mais. Então, eu sei sim! Só que nós duas ficamos cozinhando juntas e em momento nenhum a Rin pareceu estar passando mal. Muito pelo contrário. Pelo que eu vi ela estava se divertindo bastante. Mas isso ela mesma pode te dizer, afinal ela está aí, na sua frente, olhando todo esse seu show.

Len olhou para mim. Nossos olhares se cruzaram por alguns segundos e então eu baixei o olhar. Kaito veio na minha direção e me segurou pelos ombros.

Kaito: Rin-chan, vamos comer bolo lá no meu quarto? Eu te mostro uns jogos bem legais que você pode gostar.

Kaito separou o nosso lanche na bandeja (a mesma maldita bandeja que causou toda essa confusão) e eu me deixei guiar para o quarto dele. Meiko e Len continuaram na sala, conversando.

Kaito e eu sentamos no chão do quarto dele, com a bandeja com a comida em cima de uma mesa baixa. Eu não tinha a menor disposição para conversar. Quem começou foi o Kaito.

Kaito: Olha... O Len ainda está muito confuso com tudo que está acontecendo. Ele...Não sabe muito como agir com você...

Fiquei quieta, pensando no que ele disse.

Kaito: Está sendo complicado para ele... Mesmo que vocês tenham ficado separados por tanto tempo a sua chegada despertou no Len um sentimento de irmão que estava latente, guardado lá no fundo do coração dele, só esperando o dia que você retornasse para ser a irmã dele. Só que essa explosão de sentimentos foi demais para ele e ele não está sabendo como agir... Quem sabe você conversa direitinho com ele sobre isso?

Fiquei um tanto quanto surpresa pelas palavras do Kaito. E também um pouco curiosa. Como ele sabia tudo isso? O que ele teria passado para ter esse entendimento das coisas?

Rin: Você é um bom amigo, Kaito-kun. — Tentei sorrir um pouquinho e ele me sorriu de volta.- Que bom que o Len-nii tem alguém como você do lado dele.

Kaito: Você também pode contar comigo, tá certo? Agora, vamos comer que o meu estômago não aguenta mais ser torturado pela visão deliciosa desse bolo.

Kaito e eu comemos conversando coisas do dia-a-dia. Durante a nossa conversa pude perceber que ele conhece bem o Len: Seus gostos, seus desgostos, temperamento...

Fiquei com um pouco de ciúmes. Eu, que era irmã, não o conhecia tanto quanto o Kaito.

Algum tempo depois Len apareceu no quarto dizendo que estava na hora de ir para casa. Kaito e eu nos levantamos do chão.

Kaito: Ah mas...você não vai embora vestida assim, né?

Rin: Ah, é mesmo! Tenho que devolver esta roupa!

Len: A Meiko foi para o quarto. Vai lá. Eu te espero aqui.

Notei que o Len não me olhava. Ficava encarando o chão, com uma expressão apática.

Bati na porta antes de entrar no quarto da Meiko. Ela me recebeu com um sorriso no rosto mas isso não me tranquilizou.

Meiko: Imaginei que você viria se trocar. Essa roupa é um presente, ok?

Rin: Hm, obrigada...Olha.... Não liga para o que o Len-nii disse.

Meiko: Eu que deveria te dizer isso. Com o Len eu me entendo. Eu só acho que... Rin-chan, você deveria se posicionar e deixar as coisas mais claras para o Len. Se você discorda do que ele está dizendo, diga.

Rin: O Kaito-kun me disse a mesma coisa...

Meiko: Hu, ora essa... Esse meu irmão me surpreende cada dia mais. Bem, amanhã eu devo estar voltando para os "states" então te desejo boa sorte Rin-chan.

Rin: Boa viagem e cuide-se.

Meiko: Você também.

Ela afagou o meu cabelo e eu saí do quarto. Fui ao banheiro e troquei de roupa. De novo senti o cheiro do Len no cachecol. Dessa vez o meu coração se apertou de tristeza e incerteza. Len... O que foi que aconteceu essa tarde?

Voltei para junto dos meninos. Len estava encostado na parede perto da porta, de pé, enquanto Kaito estava sentado no tapete. Conversavam sobre algo que não consegui ouvir. Quando cheguei a conversa parou. Kaito só disse:

Kaito: Pensa no que eu te falei.

Len: Vou pensar. — E se virando para mim. — Vamos para casa?

Rin: Vamos.

Kaito nos levou até a porta. Nos despedimos e voltamos para casa. Dessa vez Len não me deu a mão.Ficou com as mãos no bolso, olhando o chão.

Notas finais
Desculpem a demora. Vida corrida. Logo tem mais. O primeiro que comentar acompanha o rascunho. Beijos -------------------------------------------- ATUALIZANDOOO!! A leitora que adquiriu o direito de ser beta do próximo capítulo fooooi: Suki K! Comentou no dia 14/02/2013 às 14:02! Suki, seu nome já está como leitora beta e eu já comecei a escrever! Obrigada a todas que participarem e fiquem ligadas para o próximo capítulo. o/