Notas iniciais
Esse capítulo eu escrevi em primeira pessoa, como se fosse o Len contando a história. Se não gostarem me digam que eu mudo... É a primeira vez que eu escrevo em primeira pessoa e por isso os comentários desse capítulo vão definir todo o resto. Conto com vocês. Juntos faremos uma história incrível.

Sabe, quando se está fazendo 15 anos e os seus pais dizem que têm uma surpresa para você, o que você espera é um videogame ou notebook ou qualquer coisa assim. Mas os meus não. Eles chegaram em casa com uma garota da minha idade, praticamente idêntica a mim. Oh, sim, tudo que eu queria ganhar: uma irmã.

Eu já conhecia a Rin. Ia visita-la bastante no hospital quando era mais novo... Mais por obrigação do que por gostar daquele ambiente frio e com cheiro de remédio. Bem, eu não tinha muita escolha: era ir ou ir. Felizmente a psicóloga do colégio foi falar com meus pais, pois achava que não era bom para uma criança da minha idade ir tanto a um hospital, mesmo que fosse para visitar a irmã. Está certo que se eu não tivesse dito a ela que me sentia mal com isso ela nunca teria ido falar com meus pais. Não que eu não goste da Rin... Ela é legal e minha irmã. Mas não gostava de ter que ficar indo ver alguém que provavelmente não se salvaria. Triste uma criança tão nova já pensar assim, eim?

Acho que foi por querer que convivêssemos mais que meus... Ou melhor, nossos pais conseguiram que Rin fosse para casa. Tínhamos 5 anos quando aconteceu. Rin chegou em uma cadeira de rodas e foi levada para o quarto. Se era para ser assim, pensei, qual a diferença de estar em casa ou no hospital? Passei a visitar sua janela. Sim, pois na minha cabeça era errado um menino entrar no quarto de uma menina.

Esse é outro ponto interessante. Nunca senti Rin como minha irmã. Uma prima, talvez... Deve ter sido pelos 5 anos que vivi longe dela. Bem, não importava muito já que em novembro daquele mesmo ano Rin teria que retornar ao hospital.

Os próximos 10 anos eu ficaria sem vê-la direito. Eu perguntei a nossos pais o que a Rin tinha. Tudo que me responderam foi que ela nasceu muito fraca e frágil. Estava no hospital para se fortalecer.

Ok, tratamento médico ainda vá, mas ficar internada por 15 anos? Porque não desistem logo e a deixam descansar em paz? Está claro de que se não fosse pelo coquetel de remédios que ela toma, já teria ido há muito tempo. Chega a ser maldade ficar prendendo ela nessa vida. Deixem-na partir.

Minha mãe me bateu. Ela tinha muitas lágrimas nos olhos.

– Você é muito egoísta! Não entende que tudo isso é por você? Para quando eu e seu pai morrermos você não ficar sozinho?? Os dois! Para os dois não ficarem sozinhos! – Ela me disse, chorando muito.

Fiquei envergonhado. Acho que aquela foi a primeira vez que apanhei no rosto. Quis chorar, mas segurei minhas lágrimas. Não iria demonstrar fraqueza na frente dela. E pensar que tudo isso aconteceu alguns dias antes da Rin voltar para casa definitivamente... No nosso 15° aniversário...

Para minha surpresa ela chegou caminhando, e não em uma cadeira de rodas!

Eu estava no meu quarto, deitado na cama jogando videogame. Meus pais me chamaram lá em baixo. Pensei que seria meu presente de aniversário ou a tal surpresa. Imaginei até que eles teriam me comprado um carro ou coisa do gênero. Para sonhar não se paga imposto.

Deixei o videogame de lado com uma velocidade que até eu achei incrível e desci as escadas correndo, morrendo de curiosidade. E quando cheguei aos últimos degraus, lá estava ela: Longos cabelos loiros, olhos azuis, pele muito clara. Usava um vestido branco. Não deveria pois aquilo lhe dava aspecto de fantasma. Mas devia ser a melhor cor para se usar em um hospital.

Quando ela me viu, sorriu e fechou os olhos. Ela parecia tão... Frágil. Dava a impressão que iria quebrar. “Quem nossos pais subornaram para tirá-la do hospital?”, pensei.

Droga... Não sabia o que dizer. Acabei só sorrindo de volta para ela, como um bobo.

– Len me ajude a levar as coisas da sua irmã para o quarto dela. – Disse o meu pai.

Resmunguei alguma coisa e fui ajuda-lo. Não queria dizer o que eu tinha para dizer na frente da Rin. Assim que deixamos a sala e fomos para o carro, perguntei.

– Ela veio para ficar? Definitivamente?

– Sim. Não é a melhor das notícias? Ela só terá que voltar ao hospital uma vez por semana para fazer exames e se dentro de dois meses não aparecer nada as consultas vão ir se espaçando até que ela não precise mais voltar lá.

– Não vai ser como da outra vez... Vai? Ela está mesmo bem?

– Fica tranquilo filho. Sua irmã está bem. Só está cansada do deslocamento, mas com o tempo ela vai ir ficando mais forte.

Para levar ao quarto dela tinham duas caixas e uma mala. Era a segunda vez em tão pouco tempo que me sentia tão envergonhado... Era óbvio que eu tinha muito mais coisas que ela...

Acho que, parando para pensar, ver a Rin me deixava angustiado. Ela parecia tão frágil... Parecia precisar tanto de alguém que cuidasse dela... Mas ao mesmo tempo parecia que se alguém a tocasse ela se partiria em pedaços.

Bom... Eu era irmão dela, não era? E ainda por cima, gêmeo. Já que ela iria ficar, decidi que o melhor a se fazer seria tentar ajuda-la a se acostumar com a nova vida. Depois que eu e papai colocamos as coisas dela no quarto, voltei a sala para chama-la. Ela tinha que ver seu quarto novo. Qual não foi minha surpresa ao vê-la dormindo no sofá da sala. Dormindo toda encolhida, abraçando os joelhos, ela ficava menor ainda e mais parecia ser feita do mais fino cristal. Suspirei e com todo o cuidado que eu tinha — que não é muito vamos admitir... – peguei-a no colo e levei-a para sua cama, no quarto de hóspedes no térreo.

Rin dormiu a tarde inteirinha do nosso aniversário de 15 anos.

O bom de fazer aniversário no sábado é que se tem o domingo para descansar e curtir os presentes. E sabe... Eu já não estava mais tão chateado com o fato da surpresa que meus pais tinham para mim era a ida da Rin para caso. Ela não tinha culpa de eu ter imaginado ganhar algo como um videogame super avançado e ter recebido mais alguém com quem eu teria que dividir as coisas gostosas de comer que a minha mãe fazia. E, claro, o fato de nossos pais terem dado um notebook para mim e um desktop para ela hoje de manhã não tem nada haver com a minha mudança de humor.

Eu já estava acostumado com meu computador, mas a Rin... Acho que eles não tinham computadores no hospital... Só de vê-la olhando o computador já deu para notar que ela não sabia nada de computadores... Nem tecnologia. O que ela ficava fazendo no hospital continua uma incógnita para mim, embora eu imagine que ela ficava descansando...

Enfim, o Kaito vai vir aqui hoje de tarde. Vamos instalar uns jogos e mais uns programas no meu notebook novo. Será que a Rin deixaria que nós arrumássemos o computador dela? Podemos ensiná-la a mexer... Acho que ela iria gostar... Vou até o quarto dela perguntar.

Sinto-me meio estranho entrando no quarto dela. Nossos pais saíram pra comprar algumas coisas no mercado e estamos sozinhos... Deve ser isso que me faz sentir esquisito...

Abri a porta. Rin estava sentada na janela, olhando para o jardim. Nossa... Como o cabelo dela é comprido. Não deve ter cortado muito enquanto estava no hospital. Não sei como permitiram; cabelo comprido deve dar trabalho.

– Olá... – Disse meio sem graça, à porta do quarto dela.

Ela virou o rosto para mim e sorriu.

– Oi.

De novo aquela sensação que ela vai quebrar. Fiquei pensando nisso ontem de noite... Irmãos mais velhos devem se sentir assim quando ganham uma irmãzinha... Tá certo que a minha “irmãzinha” já veio meio grande, mas o sentimento deve ser o mesmo. Me aproximei sorrindo.

– Ei Rin, um amigo meu da escola vai vir aqui para instalarmos umas coisas no meu “note” novo... Estava pensando se não quer que arrumemos o seu computador também.

Tentei parecer o mais descontraído possível, embora me sentisse meio desconfortável... Ela sorriu para mim.

– Pode ser... – E olhou para a escrivaninha onde o computador estava. Nenhum dos cabos estava engatado.

– Ah, posso te ajudar com isso. Vem cá que eu te ensino como engatar os cabos.- Me aproximei do computador e me abaixei para ajeitar os cabos na CPU. Rin desceu da janela e foi para perto de mim, ver o que eu estava fazendo. Abri minha boca para explicar que cabo era aquele que eu tinha na mão quando a campainha toca.

– Deve o Kaito... Vou só atender a porta e já volto para te ajudar com isso.

Ela só sorriu de volta. Será que não era de falar muito ou estava só tímida?

Abri a porta para o Kaito. Ele é meu melhor amigo na escola, sempre nos divertimos bastante. Ele trouxe uma mochila cheia de DVDs com programas e jogos. Será que tem algum com jogos bonitinhos e fofinhos? Acho que a Rin ia gostar.

– Onde está o note? – Kaito me perguntou.

– Ah, primeiro vamos arrumar o PC que está no quarto de hóspedes.

A Rin tinha um quarto no segundo andar ao lado do meu, mas por enquanto ela estava ficando no quarto de hóspedes já que subir e descer escadas pode ser cansativo demais. Eu já tinha dito isso?

Kaito saiu na frente, já que conhecia a casa inteira, e entrou no quarto de hóspedes. Segui logo atrás. Esqueci-me de dizer que a Rin estava em casa. Aliás, alguma vez eu mencionei a Rin para o Kaito?

O olhar do Kaito cruzou com o da Rin... Mas o que é isso que eu estou sentindo? Ciúme?

Notas finais
Nunca imaginei o Len como um egoísta mimado, mas vamos levar em consideração que ele cresceu sozinho. Acho que com o passar o tempo a personalidade dele vai ficar mais...decente. Vamos ver o que vai acontecer. E não tem capítulo novo enquanto não chegarem os reviews sobre o que vocês acharam dessa narrtiva. Ah, eu teria colocado o capítulo antes mas o nyah estava em manutenção... Enfim, sem comentário sem capítulo novo. Não é chantagem, é pesquisa de opinião para melhor atende-los. :D