Notas iniciais
Agora vai!!!!

Ouvi um barulho no corredor e fui ver o que era. Ver a Rin caída no meio do corredor me fez entrar em desespero.

– KAITO! KAITO!!! – Eu gritava para o único que talvez pudesse me ajudar naquela hora.

Kaito veio correndo.

– O que aconteceu?

– Eu não sei, ouvi um barulho e quando vim ver a Rin estava caída no chão. Será que tem alguma coisa errada com ela?

– De qualquer forma, não podemos deixar ela no chão.- Kaito pegou a Rin no colo e a levou para dentro do quarto, colocando-a na cama.

Merda. De novo aquela raiva. Parecia que ele fazia de tudo para me provocar. Primeiro tinha ido de mãos dadas com a Rin para a cozinha, e agora isso. Mas eu não posso reclamar. Agora a culpa foi minha, que entrei em pânico e não me dei conta que deveria tirá-la do chão.

Sentei no chão perto da cama do Kaito, onde a Rin estava deitada.

Não muito mais cedo, Kaito tinha vindo falar comigo.

– Len, eu tenho uma pergunta muito séria pra te fazer...

– O que foi? O que é essa atitude agora?

– Len... A Rin sabe o que é incesto?

– Acho que ela deve saber...

– Len, eu acho que ela não sabe! Ela me disse que você pediu ela em casamento!

– Eu? Não, eu não fiz isso...

– O que você disse pra ela, exatamente?

– Que eu gosto dela... — Falei mais baixo, sentindo meu rosto ficar vermelho. – “Do jeito que é para casar”.

– Acho que ela confundiu o que você disse, e achou que tinha pedido ela em casamento. Mas sabe qual o único problema que ela vê nisso? Que vocês são muitos novos!!

– E daí? Nós somos mesmo!

– Len, esse é o único problema que ela vê. O fato de vocês serem irmãos não atrapalha em nada para ela...

– Mas...

– Len, ela foi criada num hospital! Sem muito contato com outras pessoas! Você acha mesmo que as médicas e enfermeiras daquele lugar iam se incomodar em explicar o que é incesto e porque isso é errado pra crianças doentes?

– Tem lógica.

– E mais: Você se lembra alguma vez dos seus pais te falando o que era incesto? Porque eu não me lembro dos meus falando sobre isso. Essa deve ser mais uma daquelas coisas que você aprende convivendo com os outros. Mas a Rin não teve essa convivência. Ela não sabe que os sentimentos de vocês não são aceitos na sociedade.

Toda aquela enxurrada de informações voltava agora à minha cabeça... Fazia um pouco mais de sentido agora. Por isso que ela não via nenhum empecilho ou parecia insegura em relação a mim. Ela simplesmente não entende que existe diferença entre amor de casal e amor de irmão.

Rin finalmente se mexeu em cima da cama. Fui verificar como ela estava. Ela abriu os olhos devagar e tentou se sentar na cama, mas eu a impedi, pedindo que ficasse deitada.

– Você está bem? – Perguntei. – Está sentindo alguma coisa?

– Eu estou bem. Acho que o nervosismo fez minha pressão baixar. Desculpe a preocupação.

– Vou deixar vocês a sós. Qualquer coisa, me chamem. – Kaito, que estava encostado em uma parede próxima a nós, sorriu e saiu do quarto.

Corri para abraçar a Rin.

– Droga... que susto você me deu.- Abracei ela forte, fechando os olhos.

Senti suas mãos nas minhas costas e ela se ajeitando nos meus braços. Sentei-me na cama e passei as pernas em volta dela, deitando a cabeça na cabeça dela. Não sei quanto tempo ficamos assim. Acho que o tempo necessário para que eu me acalmasse e me convencesse de que ela estava bem, e estava ali.

– Não vá embora Rin. – Eu disse, sem solta-la.

– Eu não vou. Eu vou ficar sempre, sempre do seu lado. Não vou te abandonar.

Eu precisava demais dela. Era como se a vida toda eu tivesse esperado por ela, e agora que a tinha, não deixaria que a levassem de mim.

– Len...

– Rin...

Ela se afastou um pouco e me olhou. E eu, atraído para ela tal qual um inseto na luz, não pude mais resistir ao impulso de beijá-la. Mesmo sabendo que era errado, mesmo sabendo que eu iria me “queimar”, eu não tinha como dizer não, tão forte era a atração que ela exercia sobre mim.

Acariciei seu rosto brevemente com a mão direita, deslizando-a para trás de sua nuca e puxando-a para mim. Nossos lábios se tocaram levemente, sem pressa, sem desespero. Nós nascemos um para o outro. Nós precisávamos um do outro.

Então, a lembrança da conversa com o Kaito me atingiu como um soco. Eu precisava saber se a Rin sabia o que estávamos fazendo.

Aos poucos, parei o beijo, me afastando. Ela abriu os olhos devagar e logo ficou preocupada.

– Len... O que foi?

– Rin... Você sabe o que é incesto?

– Hã?

– Incesto Rin... Você sabe o que é?

–Eu...eu... Não me lembro de ter ouvido falar sobre isso. É importante?

Suspirei. Nossas suspeitas se confirmaram.

– Rin, falando de uma forma simples, incesto é parentes terem relações amorosas. Não o amor comum que todos os familiares tem, mas um amor especial. Aquele amor que só se deveria sentir por pessoas de fora da família.

Incesto, pra mim, é uma daquelas coisas que todo mundo sabe o que é, mas que na hora de explicar, é muito difícil.

– Mas o que isso...- Ela começou a dizer, mas eu a interrompi.

– Em outras palavras, Rin, isso quer dizer que o qualquer relacionamento, que não seja o de irmãos, é errado.

– O meu amor não é errado. Como pode o amor ser errado? – Ela me disse, parecendo ofendida.

– Rin... A sociedade diz que é errado. Não existem leis propriamente escritas mas... Mas é um tipo de relacionamento que é proibido... Digo... Rin, o que você espera da gente.

– Eu te amo. Eu te amo daquele jeito que quer ficar pra sempre. Eu te amo, com sonhos de viver a vida do seu lado. Eu te amo, com esperança de envelhecermos juntos... Eu não sei que resposta você quer ouvir, Len.

– Você imagina algum dia se casar comigo?

– Sim, eu acho...

– Pois nós não podemos. Rin, não podemos nos casar, nem andar de mãos dadas em público, nem nos beijar em público, nem falar do nosso amor, nem construir uma familia. Por sermos irmãos, nosso amor está fadado a ficar escondido... Isso se você quiser continuar me amando...

Agora, o momento que eu tive tanto medo. O que a Ri vai dizer, agora que sabe os meus medos?

– É essa a condição? Para ser sua namorada eu não posso contar para ninguém que te amo? Não posso deixar as pessoas saberem que a pessoa que eu me apaixonei se apaixonou por mim também. Len, esse é um preço pequeno a pagar. A pessoa que eu mais queria que soubesse sobre o meu amor, já sabe. E, para minha felicidade, me ama também. Eu não me importo de fingir que somos apenas irmãos, eu não me importo em não contar para os outros e me esconder, contanto que com isso nós possamos ficar juntos.

Palavras não poderiam expressar o que eu senti nesse momento. Foi um misto de felicidade com medo. Medo, pois eu sabia que o que iríamos fazer era errado.

– Eu te amo Rin. – Segurei as mãos dela e sorri.

– Eu também te amo, Len. – Ela sorriu de volta.

Puxei para perto e a beijei de novo.

Notas finais
No próximo capítulo, o inicio de um arco mais sério. Agora que o amor dos dois finalmente engrenou, pessoas farão de tudo para separa-los, sem ao menos saber que estão juntos!! (WAT??) Não percam!!