Kagamine Twins
15 Escola
Notas iniciais
Eu realmente sinto muito, Len, por não poder dizer mais sobre isso. Mas quando você souber o motivo da minha ausência, sei que vai ficar feliz... Por enquanto eu só peço que você confie e espere...
Foi com esse pensamento em mente que eu me mantive no quarto nos últimos dias da viagem dos nossos pais. Quando eles chegaram, passaram a me ajudar a estudar. Infelizmente eu cometi um erro que jamais poderia ter cometido...
– Então, como foi sua consulta quarta-feira? — Perguntou meu pai um dia, quando estava no meu quarto.
– Con-consulta? — Eu disse...
Então tive um choque de realidade. Eu esqueci completamente que tinha uma consulta de revisão para ir. Era tão mais fácil quando os meus pais estavam por perto para se lembrar disso por mim... Bem, eu tinha que assumir meus erros com coragem.
– Pai, eu... Eu sinto muito... Baixei a cabeça Eu...esqueci....
Ele se limitou a suspirar e passou a mão no meu cabelo.
– Vamos ter que ir após a sua prova amanhã, então.
Eu me limitei a assentir com a cabeça e voltar para meus estudos.
No outro dia saímos sem dizer nada para o Len... Acho que ele deve estar se sentindo mais rejeitado que colcha de motel barato... (A gente aprende expressões bem interessantes na internet). Mas eu fico imaginando a cara de felicidade que ele vai fazer quando descobrir que eu estou fazendo a prova de nivelamento do colégio dele... Hehe.
E como já era esperado fui devidamente aprovada. Mas no 1° ano! Não é justo... Eu fiz uma pontuação suficiente para o 2° ano mas os professores acharam que talvez eu não fosse conseguir dar conta da matéria... Bom, pelo menos agora eu vou estar na mesma escola que o Len...
Na volta, sugeri aos meus pais que comprássemos sorvete para comemorar a minha entrada no colegial (e para melhorar o humor do Len, claro...)Acho que ele ficou feliz. Espero que tenha ficado feliz.
De noite, pensei em ir dormir com ele... Parecia fazer tanto tempo desde a última vez. Mas eu tinha que ser firme. Se fosse ele provavelmente ia querer saber o que eu andei fazendo nos últimos tempos. Ugh, coragem Rin...
Como ainda tinha que ajustar a papelada na escola, fui de manhã cedo com meus pais lá. Droga, pensei que já daria para ir pra aula com o Len-nii. Queria que ele me visse de uniforme... Bem, eu encontro com ele lá...
Depois de tudo acertado e da cerimônia de boas vindas aos calouros eu estava indo para a sala dos professores quando um monte de gente se aglomerou em volta de mim.
– Oi! Você é aluna nova?
– Nossa, como você é bonita!
– Qual o seu nome?
– Que cabelo comprido! Dá trabalho?
– Kyaaa! Que fofa!
Essas foram algumas frases que eu consegui distinguir...
– Han... Comecei hoje. Eu estava indo para a sala dos professores.
– Nós levamos você lá! — A massa de pessoas disse, em coro.
– Eu não quero incomodar... — Disse meio sem jeito.
E lá fui eu pelos corredores da escola com meu séquito de seguidores. Eu nunca tinha visto tanta gente da minha idade juntos... E todos saudáveis! Assim que chegamos a grande massa se dispersou. Ainda bem...
Não demorou muito até o sinal tocar anunciando o inicio das aulas do dia. Fui para sala acompanhada da sensei responsável.
Quando entrei escutei alguém dizendo: "Ah, a garota bonita está na minha turma."
Pelo que eu havia entendido que o diretor falou aos meus pais, nesta escola o ingresso de alunos se dá a partir do primeiro ginasial não havendo possibilidade de ingresso no meio do ano ou na troca de ginasial para colegial. Mas como o meu caso era especial acabaram abrindo uma exceção. E por isso que eu era uma novidade tão grande naquele colégio onde todos se conheciam.
E também por isso tive que passar pela apresentação para a classe.
– Pode vir se apresentar. — Disse o sensei.
Fiquei de frente para classe e disse:
– Meu nome é Kagamine Rin, muito prazer em conhecê-los.
– Ah, você é parente do Kagamine Len? — Um garoto sentado na primeira fileira perguntou.
– Sim, sou irmã dele. — Sorri.
– MENTIROSA! — Uma garota sentada mais atrás gritou para mim. — Todos sabem que o Len não tem uma irmã!
Eu não sabia muito bem como me defender daquela acusação. Um dos problemas de se passar a vida internada é justamente a falta de experiência em lidar com outras pessoas e, no meu caso, pessoas da minha idade. Aquilo causou um burburinho na classe.
– Acalmem-se. A Kagamine-kun esteve internada no hospital até pouco tempo atrás e por isso só está começando as aulas só agora.
Mais burburinho.
– Certo, quietos. Kagamine, pode se sentar nesta classe. Qualquer dificuldade pode pedir ao Utatane-kun, que senta ao seu lado.
O garoto ao meu lado sorriu para mim enquanto eu me sentava.
– Prazer. Utatane Piko. Pode me chamar só de Piko.- Ele disse, sorrindo.
– Então, pode me chamar de Rin. — Sorri para ele.
E então eu finalmente estava tendo o primeiro dia de aula da minha vida.
Tenho que confessar que me senti meio burra. Afinal eu era a única que fazia perguntas...
Quando deu o intervalo, Piko e mais alguns garotos se ofereceram para me mostrar a escola.
– Obrigada, mas eu já tinha combinado de conhecer a escola com o Len-nii. Se vocês puderem me levar até a sala dele eu já ficaria agradecida.
No caminho até lá os garotos foram falando várias coisas que eu sinceramente não prestei atenção.
Len saiu da sala acompanhado de Kaito. Ou melhor, tentou sair...
– Ri... RIN! O que está fazendo aqui? Quem são essas pessoas????
– Surpresa! — Sorri e respondi ao Len. — Pessoal muito obrigada por me trazerem até aqui. Vocês foram muito gentis. Agora, eu tenho que explicar algumas coisas pra ele. A gente se vê na sala, tá? — Disse para os meus colegas que compreenderam e saíram.
– Kaito-chan, estou pegando o Len emprestado um pouco, ok?
– Ah, vai lá Rin-chan. — Ele sorriu e eu sorri de volta.
Abracei o braço de Len e...
– Hã, onde nós podemos conversar?
– Quer dizer que planejou me sequestrar sem arranjar um cativeiro antes? Bem, acho que isso inverte um pouco os nossos papeis... Agora, eu que vou te sequestrar hahaha!
– Mas Len-nii, você não precisa me sequestrar. Eu já sou sua. — Fiquei vermelha e sorri.
Mas acho que isso desagradou o Len-nii porque ele se soltou de mim e se afastou, olhando para baixo.
– De-desculpa! Acho que você... — Tentei me explicar.
– Tão bonitinha... — Len estava com a mão sob a boca e com o rosto todo vermelho.
– Hã?
– Desculpe... — Ele finalmente me olhou e sorriu, todo vermelho. — É que você ficou tão bonitinha dizendo aquilo.
– Mas o que tem de errado? Eu sou mesmo sua. Sua irmã. E nada nem ninguém pode mudar isso. — Abracei-o e sorri.
– Ah... é isso? — Len pareceu... Murchar. — Bom, se você não se importa, podemos comer antes? Eu estou realmente com fome.
Fomos até onde ele costuma comer (não sei se é a lanchonete ou refeitório) e ele comprou alguns pães.
– Tudo bem você comer pães a essa hora? — Perguntei
– Já estou acostumado, mas isso não vem a caso. Acho que você tem que me dar algumas explicações...
– Bom, isso era um segredo nosso. Uma surpresa pra você.
– Nosso? — Ele deu uma mordida em um dos pães.
– Bem, meu e dos nossos pais.
– Há quanto tempo vocês estão escondendo isso?
– Bem... Faz algum tempo...
– Isso é muito vago.
– Ah, Len-nii! Eu não tenho como te dar dia e hora exatas de quando isso começou!
– Foi por isso que você ficou trancada no quarto?
– Sim.
– Então quer dizer que você não estava me evitando?
– Exato.
– Porque não me falou? Eu teria te ajudado.
– Porque senão não seria surpresa. E mesmo assim... Meu esforço não adiantou muito.
– Como assim?
– Eu queria me nivelar com você, Len-nii, para que pudéssemos ser colegas, como provavelmente teríamos sido se...
– Se...?
– Se eu tivesse saído do hospital mais cedo...
– E isso faz diferença?
– Claro que faz! Eu queria tanto ser sua colega! Participar das atividades escolares junto com você, ir à excursão, estar junto nos festivais... Estudei tanto para isso... Mas mesmo assim... — Meus olhos se encheram de lágrimas. Não, isso não era hora de chorar. Eu tinha que ser forte.
– O que? Rin, eu não leio mentes. Se você não me falar tudo claramente eu não vou entender.
– Eles disseram que eu provavelmente não aguentaria o ritmo do segundo ano e que talvez fosse melhor eu ficar junto com os alunos do primeiro ano...
– Bom, mas agora vamos poder nos ver nos intervalos. — Ele sorriu e me ofereceu um pedaço de pão.
Sim, ele tinha razão. Não era o ideal mas pelo menos íamos nos ver mais do que se eu ficasse em casa. Não posso ser tão mal agradecida e egoísta. Eu preciso é ser grata. Tanta coisa boa aconteceu desde que eu saí do hospital.
Mas... Tem um único desejo que eu quero ver realizado.
– Bom, vamos indo que daqui a pouco começa a aula.
Eu assenti com a cabeça e Len-nii me levou até a sala.
– Me espere na saída para voltarmos juntos. — Ele disse, da porta.
– Tá. — Eu sorri para ele e dei tchauzinho enquanto me sentava.
Depois que ele saiu, escutei alguém dizer atrás de mim.
– Está rindo a toa só porque tem toda a atenção do irmãozinho
Me virei para ver quem tinha dito aquilo, mas tinham tantas pessoas conversando que não pude identificar quem que disse.
– Não ligue, estão com inveja.
Piko veio andando até minha classe e se abaixou para ficar com o nível do rosto próximo ao meu.
– Qualquer coisa que você precisar, é só me chamar, tá?
– Obrigada.
Logo o professor chegou e a aula teve inicio.
Acho que tenho que dar o braço a torcer. As aulas são realmente puxadas e algumas vezes fiquei sem entender direito o que o professor explicava. E lá ia eu, perguntando de novo. Que vergonha...
Mas tão logo começou, terminou. E na porta da sala o Len me esperava.
– Vamos? — Ele disse
Assenti com a cabeça e fomos até os armários trocar os sapatos.
No caminho para casa praticamente só eu falei. Len queria saber sobre as aulas, os colegas, o que eu tinha achado...Contei tudo, menos sobre o que a garota (ou as garotas) que tinham dito. Achei que era desnecessário.
Chegando em casa tomei banho, jantei e fui para o quarto rever a matéria. Era realmente bem difícil. Mas logo ouvi uma batida na porta.
– Sim, entre...
– Rin...
Era o Len. Ele me parecia... Preocupado.
– Ah, está estudando? — Ele perguntou
– Sim, algumas coisas são realmente bem difíceis.
– Se eu puder te ajudar...
– Len-nii, não foi pra saber dos meus estudos que você veio até aqui.
– Tem razão, desculpe. Precisamos conversar, Rin... — Ele se sentou na cama.
– Aconteceu alguma coisa?
Levantei da escrivaninha e fui me sentar junto com ele. Len parecia angustiado, triste e confuso, tudo isso junto.
– Rin, eu não aguento mais isso!
– O-o que??
– Uma hora você diz que me ama, na outra, que é minha irmã, depois diz ser minha e depois que é minha, mas minha irmã. Você está me deixando confuso e eu não aguento mais essa indecisão dentro de mim! Eu te disse que você precisa me dizer com clareza as coisas como brecha pra que você se explicasse mas... mas... você continua me deixando no escuro! Isso é algum jogo? É assim que você é? Uma pessoa que fica brincando com as outras, jogando com os sentimento alheios? — Ele colocou a cabeça entre as mãos, apoiando-se no joelho.
– Eu... Não! Eu não sou assim! Len-nii, o que você não entende? O que não fica claro?
Ele me olhou e segurou meu rosto com as mãos.
– Que merda, Rin! Eu te amo, e não é como um irmão ama um irmã. Eu te amo "daquele jeito que é pra casar".
Então ele se aproximou e muito suavemente encostou seus lábios nos meus e me beijou.
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