Kagamine Twins
16 Drama
Já se passaram 2 dias desde que eu coloquei tudo pra fora. Deus, como eu pude fazer isso? Mas... mas... Ver ela cercada por aqueles caras lá na escola me fez perceber que se eu não tomasse coragem eu poderia perder ela a qualquer momento.
Ou não... Ou talvez ter posto tudo para fora foi o que realmente me fez perder ela, porque... Deus, ela nem olha pra mim! Agora, parece que está tudo perdido. CARALHO O QUE FOI QUE EU FIZ??
– Rin, está tudo bem entre você e o Len? Eu ouvi certo dia nossa mãe perguntar pra ela.
– Acho que sim... Porque?
– É que eu quase não tenho visto vocês conversando...
– Bem, eu acho que ele anda muito ocupado. Nem na escola tenho visto ele...
Como ficar ouvindo a conversa dos outros é feio, me retirei para o meu quarto, digerindo o que tinha acabado de ouvir.
Quer dizer então que a culpa agora é minha? Que eu que estou ocupado demais para falar com ela?
Bom, concordo que a culpa é minha que ela esteja me evitando... Ai merda, o que foi que eu fiz...
Deus, Odin, Rá, Zeus, Júpiter, Arceus... Qualquer divindade suprema que esteja me ouvindo. Por favor, faça o tempo voltar...
Incapaz de lidar sozinho com essa agonia fui para o meu segundo refugio favorito na face da Terra, também conhecido como a casa do Kaito.
...
– Kaito, você devia ser canonizado. Eu disse.
Tinha acabado de chegar e contar absolutamente tudo. Achei que Kaito fosse me condenar porque, uma coisa é você estar apaixonado pela irmã. Outra completamente diferente é você beijá-la. Achei que ele fosse ficar com nojo de mim. Na verdade, mesmo agora, eu percebo tenho posto muito em risco as minhas relações. Sabe... Beijando a Rin, corri o risco de perde-la, contando tudo para o Kaito, corri o risco de perder a amizade dele, de ele ficar com nojo de mim. Mas tudo que ele me disse foi Cara, a gente não escolhe quem amar. Apenas ama.
– Acho que não é para tanto. Eu só meio que entendo o que você está passando. Claro, que você é numa escala bem maior. E o que você pretende fazer agora? Ele perguntou.
– Não sei... Estou perdido e confuso com tudo isso e... Espera aí, você? C-com a Meiko?
– Como eu disse, nada perto do que você chegou. Qual é?! Eu tinha uns 10 anos. E falando francamente, a Meiko é linda. Mas é minha irmã. Acho que como eu cresci com ela tenho um freio que você não tem.
– Bom... Essa me pegou de surpresa. Mas enfim, agora qualquer chance que eu tinha de construir esse freio foi por agua a baixo.
– Len, seja sincero: Você queria ter esse freio?
– Não sei... Acho que não. Sabe, quando a Rin veio para casa foi como se algo que estivesse faltando tivesse finalmente chegado. Alguém por quem eu esperei a vida inteira. É tipo... Você não sabe que está faltando algo até que esse algo fica completo e aí você percebe que não era uma pessoa completa e sim uma sombra vazia perambulando por aí, fingindo viver, fingindo sentir. Agora, tudo parece tão real. Tão vívido...
Kaito assoviou.
– É meu amigo, o seu caso é grave. Tão grave que eu nem entendi direito o que você quis dizer.
– Ora, cale a boca. Na minha cabeça faz sentido.
Apoiei a cabeça entre as mãos. A minha vontade era de gritar. Maldito mundo. Maldita vida. A mulher que eu amo é a minha irmã e eu sinto que nada nesse mundo pode parar esse amor. Nem moralismos, nem genética. QUE MERDA, EU NÃO ESCOLHI ME APAIXONAR POR ELA. Só... só aconteceu. E como não se apaixonar? Ela tem aquele jeito doce e esforçado, sempre dando o melhor de si. Imagine, até pra escola ela está indo... Está acompanhando as aulas do primeiro ano mesmo sem nunca ter frequentado a escola.
– Ughh... Ughhh....
– Olha Len, eu sei que deve estar bem confuso aí na sua cabeça, mas ficar gemendo desse jeito não vai ajudar em nada...
– E o que vai? Olhei para ele, com aquela cara de suplício que só eu sei fazer.
– Hm... Espera que eu vou buscar.
FILHO DE UMA.... DIZ QUE NÃO ADIANTA FICAR GEMENDO MAS NA PRIMEIRA OPORTUNIDADE O DESINFELIZ ME ABANDONA! VAI, EU NÃO PRECISO DE VOCÊ MESMO!
VOU FICAR AQUI... no chão... deitadinho...quietinho...no meu cantinho.
Não sei quando tempo eu fiquei deitado de lado no chão, abraçando as pernas junto ao corpo, mas quando o Kaito voltou ele teve um ataque de riso.
– HAHAHAHA, POR DEUS, O QUE É ISSO? HAHAHAHAHA!!! Ele ria enquanto lágrimas escorriam pelos cantos dos olhos.
– Me deixa. Você me abandonou, que nem a Rin. Choraminguei.
– Len, Len, Len... Eu fui buscar a solução (momentânea) para os seus problemas.
Olhei para ele e o safado do cabelo azul estava com uma garrafa de sake na mão.
– Kaito, nós somos menores de idade.
– Eu sei, eu sei... Mas isso sempre ajuda a Meiko-nee a encontrar a solução pros problemas dela. A gente podia experimentar...
Bem... Os pais do Kaito estavam viajando (como sempre estavam, aliás) e não tinha ninguém que pudesse nos recriminar ali... Quer saber. FODA-SE. Kaito abriu a garrafa e eu logo dei o primeiro gole.
Não sei quanto tempo depois eu acordei, com o sol batendo no meu olho. Acordei com um sobressalto e senti a cabeça doer e o mundo inteiro girou me fazendo cair deitado de novo.
– Bom dia Aurora.
– Aurora? Perguntei, zonzo.
– É o nome da Bela Adormecida. Kaito disse.
– Não quero nem saber como que você sabe esses nomes...Quanto tempo eu dormi?
– Hm... Desde ontem. Já perdemos as aulas da manhã. Quer ir de tarde?
– COMO ASSIM? TO AQUI DESDE ONTEM?
– Calma, eu liguei para sua casa e perguntei se você poderia dormir aqui que nós queríamos jogar alguns jogos de noite. Disseram que sem problemas...
– Bom, pelo menos o pessoal lá em casa fica mais tranquilo. Aiaiai...
– Ressaca é?
– Sei lá. Tenho cara de que já bebi antes?
– Certeza que não. Mas e aí? E a escola?
– Não tenho condições de ir.
– Okay, você que sabe. Fiz alguma coisa pra gente comer. Vem.
Nesse ponto eu tenho que sinceramente admirar o Kaito. Acho que o fato de ele morar praticamente sozinho fizeram com que ele ficasse muito mais maduro que a maioria dos garotos da nossa idade. Ele sabe cozinhar, cuidar de uma casa, é responsável (exceto pela parte de dar álcool para um menor de idade)...
– Kaito, acho que poderia me casar com você. Eu disse enquanto ele colocava a mesa para o almoço.
– Não fale isso nem de brincadeira. Ele disse, com cara de pânico.
– Ué, e porque não? Não quer se casar comigo? Fingi que estava magoado.
– É que você vem com um acessório que eu não gosto muito. Mas se quiser me ceder a Rin... Vai ser praticamente como casar com você, só que melhor. Beeem melhor... Ele fez uma expressão muito safada e isso me deixou furioso.
– Não acredito que você teve esses pensamentos sujos com a minha irmã...
– Opa, eu não pensei nada. Você que está pensando que eu pensei. Agora come logo.
Cara, longe de mim elogiar comida de homem mas o Kaito cozinha demais....
– A sua mulher certamente vai ficar gorda! Disse, depois de ter comido e me sentindo desconfortavelmente estufado.
– Ta me rogando praga, maldito? Ele puxou a minhas bochechas.
– PFARA! NHÃUM FOI IXU QUI EU QUIS DIFZER.- Falei com dificuldade, meio rindo.
– Acho bom mesmo. Ele me soltou. — E a dor de cabeça?
– Passou um pouco agora que eu comi...
– Vou buscar um remédio pro fígado e outro pra cabeça. Agora que você já comeu já pode tomar.
Quando ele saiu para buscar os remédios, alguém tocou a campainha.
– EU ATENDO! Disse e fui para porta.
Abri a porta e vi: Parada na minha frente, com o uniforme da minha escola, cabelos longos e loiros descendo como uma cascata em cima dos ombros, uma fita branca amarrada em cima da cabeça e olhos muito, muito bravos, me olhando.
– Oi Rin...
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