Trancado em meu quarto eu procurava colocar os pensamentos em ordem. Tudo estava fugindo do controle. Rin e eu estávamos mesmo brigados? Porque diabos ela estava andando com aquele sujeito? Porque aquelas garotas tinham atormentado por tanto tempo a vida da Rin?

Ah, espere. Para esta ultima eu tenho a resposta. Mas justamente quando ia contar tudo para a Rin, ela estava ocupada demais sendo enganada por aquele arrogante pretensioso. Além disso, Kaito não está falando comigo E EU NEM SEI O POR QUÊ?!

GEEZ! E ainda tem aquela Aoki. Droga... Eu estou com muita raiva dela, mas não posso extravasar ou ela não vai falar mais nada. Tenho que continuar a fazer como eu fiz aquele dia...

Daquela vez, eu suspirei fundo antes de ela responder e sorri o mais que pude. Tinha que deixá-la tranquila e confortável para falar. Passei levemente a mão nos seus cabelos e falei de uma forma meio infantil:

– Não se preocupe que eu te protejo Aoki! Não vou deixar que ninguém te faça mal!

Vi então seus olhos se enxerem de lágrimas enquanto ela me abraçava.

– Len-senpai! Você é mesmo um príncipe! Nós sabíamos que era!!

– Mas eu vou precisar saber, Aoki-chan, quem é que está te maltratando. Só assim vou poder te ajudar.

Ela fez que sim com a cabeça e disse:

– Vou contar tudo que eu sei...

– E mais importante Aoki-chan: Eu vou precisar de ajuda. Tenho que garantir que nada de mal vai te acontecer... Você é muito importante. – Sorri para ela.

Acho que eu nunca vi alguém tão vermelho antes. O rosto dela ficou em Cinquenta Tons de Vermelho. E antes que alguém me julgue, é claro que ela é importante! Ela tem a informação que pode fazer com que eu e a Rin possamos nos encontrar de novo na escola.

– L-L-L-L-LEN-SENPAI! Eu… vou fazer o que for necessário!

– Então, quando eu te chamar, venha! Não vai ser hoje. Primeiro eu preciso me preparar para te proteger. Confie em mim.

Levantei e fui direto atrás da Rin. Mas aquela ingrata... E andando justo com aquele cara perigoso...

Alguns ruídos vindos do quarto da Rin me despertaram dos meus devaneios. Devia ser ela indo para o quarto depois do banho. Eu queria ir vê-la, mas isso agora nem pensar! Era ela quem estava errada pra começo de conversa então quem tem que vir até mim é ela!

Mas... Sem a Rin eu me sinto solitário. Também o Kaito está me evitando... Que chato...

Enquanto observava o teto ouvi meu celular tocando. No fundo eu queria que fosse o Kaito dizendo que precisava conversar comigo e que me desse algumas explicações sobre o porque de ele estar me evitando desde o dia que cortaram o cabelo da Rin, ou pelo menos que fosse a própria Rin ligando para pedir que eu fosse ao quarto dela conversar. Mas não foi o nome de nenhum deles que apareceu no visor do celular.

– Len-kun? Desculpe estar de incomodando a essa hora. Como você está?

– Lily-senpai... Não esperava que fosse me ligar...

– Bem, você me deu seu numero, não é? Ficou surpreso?

– Confesso que fiquei um pouco.

– O que está fazendo?

– Nada... Desculpe senpai, mas será que poderia ir direto ao ponto e dizer por que ligou?

– Hahahaha, claro, claro. Desculpe. Bem Len-kun, eu estava querendo dar uma volta amanhã à tarde e queria saber se você não quer me acompanhar...

– Amanhã? Nós temos aula!

– Len-kun, amanhã é domingo...

– Mesmo? Nossa, onde será que eu estou com a cabeça, hahaha.

– Bem, então amanhã! Combinado?

– Pode ser.

– Na frente da estação de trem ás 10 horas. Vou estar te esperando.

– Okay. Até.

Desliguei...

...

...

MAS QUE DIABOS?

Essa garota não é amiga da Rin? Então porque não chama ela para sair? Porque cargas d’água tem que ser eu? Não, espera... Mais coisas não se encaixam nisso...

Ela tem vários amigos, é a garota mais popular da escola. Mas ela me ligou... Por quê? Além do mais ela nem sequer perguntou sobre a Rin e se eu bem me lembro, esse foi o motivo que ela deu para pedir o meu celular. Bom, quem sabe eu posso descobrir isso amanhã.

Droga... Amanhã eu queria ir à casa do Kaito perguntar algumas coisas. Acho que posso fazer isso depois de sair com a Lily.

Dez horas da manhã lá estava eu, esperando. Alguns minutos depois a Lily chegou.

– Desculpe, esperou muito?

Ela usava shorts, botas de cano alto e uma camiseta preta. Não prestei muito mais atenção do que isso.

– Não muito. Onde vamos? Não posso demorar porque tenho um compromisso logo.

– Vai sair com a Rin-chan?

– Não, não estamos nos falando. Mas ela deve ter te contado afinal vocês tem andado juntas ultimamente.

– Bem, sim... Mas sabe, não gostei do que ela fez com você ontem...

– Como você sabe?

– Bem, a notícia correu como um raio pela escola. No fim, acho que ela merece mesmo ser mal tratada.

– Pensei que vocês eram amigas...

– Desculpe, Len-kun, eu sei que ela é sua irmã mas eu sinceramente não quero ser amiga de alguém como ela. Parece só agora ela está realmente mostrando quem ela é. Eu realmente detesto essas pessoas que se escondem atrás de uma máscara de boa menina para conseguir o que querem e, quando a investida não dá mais certo, deixam a máscara cair. Ela é absolutamente desprezível.

Tudo aquilo soava estranho demais para mim. Elas não eram amigas? Então porque, depois de um episódio isolado, Lily já julgava o carater da Rin e determinava que ela era falsa, alguém que usava máscaras e tudo mais? Era como se uma luzinha vermelha dentro da minha cabeça tivesse ligado. Essa garota... Ela não estava falando toda a verdade. Tinha algo absolutamente estranho com ela e com o que ela dizia. Eu precisava ficar atento e, mais do que nunca, prestar atenção no que ela dizia.

Infelizmente, até o fim da tarde, meus esforços se mostraram relativamente improdutivos. Lily tinha dois ingressos para o parque de diversões e me arrastou com ela por vários brinquedos. Não sei se foi impressão minha ou se em vários momentos ela tentou deixar um clima mais romantico mas... Ela era uma garota bonita, mas não me emocionava como a Rin. Na verdade, era quase como se as duas fossem completamente opostas, apesar de serem parecidas na aparência (pelo menos quando a Rin tinha cabelos compridos.)

Mas com a Rin era diferente. Quando eu estou perto dela... É difícil explicar. Ela... Sei lá, emana uma aura de felicidade que te faz feliz também. E quando ela está triste tudo o que você quer é vê-la feliz de novo. Quando ela está irritada, é como se o chão se abrisse logo abaixo dos meus pés.

Não sei quando, mas a Rin se tornou o centro das minhas atenções, a mediadora das minhas emoções, a pessoa que fazia o meu mundo muito mais colorido.

Não importava se ela era minha irmã. Acho que se ela fosse um garoto, isso também não importaria. Eu me apaixonei por quem ela é, pelo que ela me transmite, e não pelo quê ela é. Eu amo ela e só agora que nós estamos brigados é que eu tenho uma pequena dimensão da importância que ela tem na minha vida. Eu quero protegê-la e para isso eu vou até as últimas consequências, passando por cima de qualquer um.

– Desculpe, Lily. Mas eu tenho que ir. Sabe ir até em casa sozinha né? Até mais.

– Espere um momento, Len-kun. – Ela me segurou pelo pulso. – Nos vemos amanhã na escola?

– Hm... Eu já combinei com a Aoki de que passaria o dia com ela na biblioteca. Conhece ela? Aoki Lapis do primeiro ano. Uma garota realmente impressionante. Bom, até mais.

Me desvencilhei dela e fui para casa... Do Kaito. Já eram quase 18 horas e eu tinha certeza de que ele estaria em casa. Eu faria ele me ouvir à força se fosse necessário.

Bati na porta e esperei. Lá de dentro eu ouvi uma voz estranhamente familiar dizer:

– Deixa que eu atendo.

E qual não foi a minha surpresa quando a pessoa que abriu a porta era ninguém menos que Utatane Piko.

– Kagamine-senpai...

Antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, empurrei-o para dentro da casa e entrei (afinal a qualquer momento ele poderia fechar a porta e me deixar de fora e isso frustraria completamente os meus planos.)

– Kaito, seu covarde, apareça! – Gritei.

E, como pedido, Kaito apareceu. Ele pareceu surpreso, a princípio, mas depois suspirou e deu de ombros.

– Eu avisei que era inevitável que uma hora ele aparecesse por aqui. – Kaito coçou a cabeça, resignado.

– Eu quero respostas, e eu quero agora! E principalmente: eu sei quem está maltratando a Rin!

– Não, definitivamente você não sabe. – Piko ser limitou a dizer, misterioso, enquanto se levantava do chão.

Notas finais
Primeiramente, gente, gostaria de me desculpar. Vários fatores culminaram para o atraso deste e dos outros capítulos, incluindo o fato de eu ficar doente, meu computador estragar e eu perder tudo que eu já tinha feito e uma viagem inesperada que eu precisei fazer. Para compensar, claro, vou postar todos os capítulos que eu já refiz. Sei que prometi a revelação das agressoras para este capítulo mas uma nova ideia me pareceu melhor e vai fazer com que a revelação fique ainda mais bombástica (eu espero, senão vocês me matam e^e")