Notas iniciais
Revelações chocantes fazem Len repensar toda a sua vida!!

– Primeiramente Len, eu quero que você se acalme. Vamos entrar e sentar. Piko-kun e eu estávamos mesmo no meio de alguma coisa quando você chegou. – Kaito disse enquanto coçava a cabeça de uma forma que me irritou demais.

– Vamos deixar você a par de tudo que descobrimos nessa última semana. – Utatane disse.

Última semana. Essas palavras me fizeram perceber que Rin foi agredida em um sábado. Na segunda nós já não estávamos nos falando e foi quando eu comecei a ser um shota dedicado às meninas e a passar meu tempo livre com a Aoki (já que meu suposto melhor amigo me ignorava para ficar de segredinhos com um cara que definitivamente eu não gosto... E eu nem sei porquê!). Na quarta-feira, notei o comportamento um pouco estranho da Aoki, mas não falei nada. Essa estranheza foi acumulando até o ponto culminante, no sábado, quando alguém jogou um saco de lixo aberto em cima dela e ela despirocou total. Isso me fez perceber que ela provavelmente estava sofrendo o mesmo tipo de tratamento que a Rin tinha antes. Mas graças ao seu discurso enquanto ela estava em pânico pude perceber também que ela sabia quem estava fazendo aquilo.

Nós três nos dirigimos ao quarto de Kaito que PUTA QUE PARIU! DE ONDE VEIO ESSA CARALHADA DE PAPEL?

– Por Deus, Len. Seus pais não te deram educação? – Kaito olhou para mim, reprovando meu linguajar.

Mas PORRA! Tinham pilhas e mais pilhas de papel no quarto dele. Alguns espalhados pelo chão, outros pregados em um quadro de avisos. Kaito estava reciclando papel e não me contou, só pode...

– Agora, conte o que você sabe sobre tudo que está acontecendo com a Rin. – Utatane falou.

Rápida e sucintamente, expliquei ao Kaito e ao Utatane o que tinha acontecido na última semana. As coisas que eu tinha notado e achando importante relatar até o dia de ontem que eu resolvi chamar de “A Despirocada da Aoki”... Obviamente eu omiti minha discussão com a Rin depois disso. Acho que o Utatane ia ficar muito satisfeito de ouvir que nós tínhamos brigado e eu não queria dar esse gostinho a ele. Por fim, contei do eu encontro com a Lily (não que isso tivesse relevância, mas eu queria que eles pensassem que eu tinha muitos amigos e que não estava me sentindo só sem o Kaito e a Rin... O que obviamente não era verdade).

– Len... Você sabe o que é a Gakkou no Ouji? – Kaito começou cauteloso, enquanto Piko recolhia alguns papeis jogados.

– Não faço idéia do que seja isso. – Dei de ombros.

– É uma organização dentro da escola. – Falou Piko enquanto me alcançava uma folha.

– Um clube, você quer dizer... – Falei, mas Kaito balançou a cabeça negativamente.

– Não, literalmente uma organização. – Ele disse. – São garotas que admiram garotos da nossa escola. São divididas em grupos de acordo com a preferência de cada uma. Atualmente existem três grandes “vertentes”: A primeira é constituída pelas fãs do Leon-sensei. A forma que elas encontram de deixar as outras garotas longe do professor é ensiná-las a matéria para que não fiquem de recuperação. Somente as garotas que fazem parte da organização têm “permissão” para freqüentar as aulas de recuperação.

A terceira vertente é a do Hibiki Lui-kun, seu colega, Len.

As garotas que faze parte dessa vertente são mais pacificas, já que o Lui-senpai se dá bem com todas as garotas. Consiste basicamente em fazer coisas para entregar para ele e trocar fotos dele entre si.

– E a segunda vertente? – Perguntei, meio que já sabendo a resposta.

– É a sua. – Kaito respondeu. – A segunda vertente com mais garotas e a que as seguidoras são mais agressivas.

– Em outras palavras, ninguém pode se aproximar de você, especialmente as meninas.

– Mas que absurdo! Elas não podem decidir isso! – Protestei.

– Ah, mas elas acham que podem. – Kaito replicou.

– Do que nós já sabemos a sua vertente é a única que tem duas facções. Uma mais passiva, que envolve troca de fotos e algumas coisas suas como lapiseiras, borrachas e objetos pequenas que elas pegam das suas coisas, e outra mais agressiva, responsável pelos ataques não só contra a Rin-chan, mas também a inúmeras outras garotas que pensavam em se aproximar de você.

– Mas... Por quê? O que essas meninas fizeram para serem alvos dessas... Psicopatas?! – Eu não conseguia pensar em um termo mais adequado para tratar as garotas envolvidas nessas barbaridades sem sentido...

– Len, veja as coisas desse jeito... – Kaito suspirou, cruzou os braços e fixou o olhar em mim. – Por enquanto você está solteiro. Ou seja, qualquer uma que se aproximar de você pode acabar se tornando sua namorada e tendo a “posse” de você. Essas garotas não querem isso e fazem com que qualquer pessoa, seja garoto ou garota, se afaste de você. O lema delas é: “O Len é de todas”. Apoiadas nisso, elas se consolam que apesar de você não namorar com elas também não vai namorar com mais ninguém.

– Isso é doentio... – Senti meu estômago se revirando. – Esse é o preço pelo meu crime, então? Ver a garota que eu amo sofrer só por que algumas pessoas se vêem no direito de decidir com quem eu posso ou não me relacionar?? Isso é cruel demais com a Rin... Não é justo.

– Amar... Você diz... – Balbuciou Piko.

Eu o fuzilei com os olhos. Toda a minha exasperação com a situação tinha sido transformada em raiva e tudo o que eu queria agora era extravasá-la. Azar do Piko por se manifestar primeiro. Inclinei-me para frente, apoiando as mãos no chão e encarando-a com uma expressão que, eu imagino, era puro ódio.

– É EU AMO A RIN! ELA É A MULHER QUE EU AMO E ADIVINHA, ELA ME AMA TAMBÉM! EU TENHO SEGURADO DURANTE TANTO TEMPO ESSA RAIVA... ESSE ÓDIO QUE EU TENHO DE VOCÊ, GAROTO! PORQUE EU NÃO POSSO SER VOCÊ? PORQUE EU TENHO QUE SER IRMÃO DELA? EU NEM AO MENOS POSSO BEIJÁ-LA OU SEGURAR SUA MÃO QUANDO ESTAMOS NA ESCOLA. POR SER AMADA POR MIM, ELA SOFRE. AO MENOS SE EU FOSSE VOCÊ, ESTARIAMOS JUNTOS SEM NINGUÉM NOS CONDENAR. MAS EU TE AVISO, CONTE ISSO PARA ALGUÉM E EU CORTO A SUA LÍNGUA FORA.

Estava completamente fora de mim. Kaito veio e passou os braços por debaixo das minhas axilas e me segurou, impedindo-me os movimentos. Se ele não tivesse feito isso, eu provavelmente teria esbofeteado Piko.

Deixei-me cair para trás deitando-me no chão, ofegante com o meu discurso. Meu coração estava em frangalhos. Agora, lágrimas que eu não conseguia conter escorriam pelo meu rosto. Porque eu tinha que ser eu? Tudo que eu queria era poder amar a pessoa que eu amo sem me sentir... Culpado. Deus... Isso é alguma maldição?

Piko nada disse sobre minha explosão, limitou-se a baixar a cabeça e encarar o chão, pensativo. Kaito observava a tudo, do meu lado. Eu sentia seu olhar de pena queimando sobre o meu peito que arfava a cada soluço que eu dava.

– Eu odeio a minha vida. – Consegui dizer, depois de algum tempo.

Estando um pouco mais lúcido, fiz um balanço da minha história: Quando nasci, tinha risco de morrer. Graças à Rin, sobrevivi. Mas também por causa disso, ela passou a vida inteirinha no hospital, sem amigos, sem ir à escola, sem conhecer a vida de uma garota normal. Como prova da minha “gratidão” por ela ter sido responsável pela minha salvação, eu a abandonei a sua própria sorte, ou seja, parei de ir ao hospital vê-la. Quando ela finalmente se recuperou e pôde voltar para casa, eu, vendo a doce e bela garota que ela tinha se tornado, acabei me apaixonando por ela. E agora, novamente por minha causa, Rin estava sendo maltratada pelas garotas do colégio. Eu literalmente só fodi com a vida dela. A pessoa mais importante para mim... Eu nem ao menos a protegi! Eu deveria ter notado... Eu deveria ter ido ajudá-la. Mas não, eu me limitava a ir para o conforto da minha sala e ela sozinha tendo que encarar cada dia os mais terríveis castigos (sendo que seu único “crime” era ser amada por mim).

Bem, ficar ali chorando as pitangas para Kaito e Piko não iria adiantar de nada. Sentei no chão, limpei o rosto na manga da camisa e encarei Piko.

– Quem são os peixes pequenos?

– Kasane Teto, segundo ano, Tone Rion, segundo ano, Prima Zero, primeiro ano e Aoki Lápis, primeiro ano.

– E a líder?

– Masuda Lily, terceiro ano.

Notas finais
FINALMENTE FORAM DESMASCARADAS! Gostaria de parabenizar o leitor Uchiha Angel, que acertou uma das agressoras (Prima). Parabéns!! (^-^)/ Quanto a algumas perguntas que a andaram me fazendo: Nããããão, não vai ter kaitoxlen. Observem que não existe aviso de homossexualidade na história. Kagamine Twins Extras: Tive um problema com o primeiro capítulo e acabei deletando tudo. Assim que estiver nos trinques eu republico. E aí, gostaram? Espero que sim. Ainda estou um pouco enrolada para postar na próxima quarta mas espero que até o final da semana que vem já tenha capítulo novo. Até lá. o/