KOURIN

3 Uma escola bem... Alegre


Notas iniciais
Hoe, moçada! Como vão?Eu fiquei sem postar um tempo, mas não gostei nem um pouco disso e não pretendo fazer de novo.Obrigada pelos reviews. Vocês são muitos alegres huauhauha! E sejam bem vindos, novos leitores! Espero que gostem!Eu escrevi com bastante sono, então devem ter alguns erros de digitação(Se encontrarem algum, me avisem sem problemas).Agora segue o capítulo 3! Enjoy ;3

– Bom dia, Kourin-chan!

Desgrudei o rosto de cima da mesa e olhei para a dona da voz. Minha irmã estava sentada ao meu lado com um avental bordado em volta da cintura e os cabelos castanhos presos num rabo-de-cavalo bem alinhado.

Tentei mandar-lhe uma mensagem de "por favor não perturbe" com o olhar, mas acho que ela não recebeu.

– Que cara péssima! — disparou — Aposto como não dormiu direito...

Tudo bem, dormi no chão de madeira durante boa parte da tarde, mas meus móveis chegaram por volta das seis horas e gastei todo o resto de energia que tinha para arrumar o quarto, o que realmente exigiu tudo de mim naquele dia. Mas acordar de mau-humor e despenteada não tinha nada a ver com isso. Desde que era uma criança minhas manhãs eram negras: Eu ficava irritadiça, sarcástica e perigosamente briguenta.

– Não estou tão ruim assim, Nanami. E não me amole logo pela manhã. — voltei a deitar a cabeça.

– Pois eu nunca tinha visto algo mais assustador. — riu uma terceira voz. Ela era mais alta e fez meus pelos do pescoço eriçarem, deixando-me de olhos abertos e alertas.

– Bom dia, Rukia! — apressou-se minha irmã sempre meiga.

– Bom dia, Nami — a mais alta cumprimentou e olhou de volta para mim — E pare de babar na minha mesa nova! Parece até um monstro de saliva...

Eu normalmente não respondo a tais provocações, mas como eu já havia dito: Mau-humor pelas manhãs.

– Desculpe por babar na sua mesa, Rupia-chan. – falei errando de propósito.

– Não é Rupia, Kourin-chan. É Rukia. Com “k”. — a de avental levantou-se sorridente e ingênua, indo em direção ao forno que acabara de apitar.

– E só a Nanami me chama assim. — continuou a outra fechando a cara — Mesmo eu não gostando.

Fingi pensar por alguns instantes.

– Hm... Não sei não. Acho que tem cara de Rupia. — ela me lançou um olhar gélido e eu estava pronta para a batalha quando notei — O que houve com seus olhos?

Ela demorou a entender minha pergunta. Como se algo tão trivial não viesse a tona agora.

– Ah, isso? — ela apontou para sua íris de um azul incrível — Não são lentes de contato, se é isso que quer saber.

– Mas estavam pretos ontem. — acusei.

– Eu costumo usar lentes negras para sair na rua. Não chama atenção, entende?

– Kourin-chan, a Haruka é filha de um inglês com uma japonesa, — Nanami voltou com uma travessa de peixe assado — por isso seus olhos são tão bonitos!

– Eu acho assustador. — continuei a briga.

– Por que não volta pra casa de seus pais então? — respondeu a de cabelos mais escuros apoiando-se também a mesa para ficarmos no mesmo nível. Seu olhar não me intimidava.

Respirei fundo.

– Por que você não vai-

Então fui interrompida pelo som de algo sendo fincado na mesa de madeira.

– HARUKA! KOURIN! — gritou a cozinheira e nós duas olhamos pasmas para ela que estava parada, com a boca retorcida e as mãos na cintura.

Não sei quanto a Haruka, mas eu não me lembro de já ter visto Nanami zangada. No máximo chateada. Por isso, o que veio a seguir fez com que eu tremesse.

– EU QUERO QUE AS DUAS FAÇAM AS PAZES NESTE SEGUNDO! SE EU VOLTAR A PRESENCIAR UMA DISCUSSÃO DESSAS, EU JURO QUE... — ela pareceu notar nossos rostos de puro medo e olhou para sua mão direita que segurava o cabo de uma faca gigantesca e bem afiada. Sua ponta estava cravada a mesa.

Lentamente, ela puxou a arma e a deixou repousar na bancada ao lado antes de sentar-se conosco. Eu ainda estava paralisada quando Nanami voltou os olhos castanhos para nossa direção novamente.

– Então? – perguntou séria.

Na mesma hora eu e Haruka demos o abraço mais caloroso já visto.

– Agora sim. — sorriu jogando o rabo-de-cavalo com a graça de sempre -Itadakimasu!

– Itadakimasu... – murmuramos trêmulas.

X

Mais tarde, subi para continuar o trabalho com meus pertences e Nanami, que já estava mais calma, me ajudava a arrumar tudo.

– Sabe, onee-chan...

– Ah, Kourin! – ela passou por cima da minha fala de forma bem afetada enquanto esticava a fronha do colchão – Há quantos anos que ninguém me chama assim?

– Ora, eu sou sua única irmã. – respondi — O que você queria? Que a Haruka te chamasse de onee-chan?

– Claro que não. – respondeu ingênua – Ela é bem mais velha...

– Ah, mas pelo que eu vi hoje durante o café, você é quem manda. – provoquei antes de jogar no corredor a última caixa de papelão vazia.

– Ah, sobre aquilo, me desculpe. Eu estou realmente estressada com muitas coisas e acabei descontando em vocês... — Não sei dizer se ela realmente não entendeu ou se fingiu não ouvir por isso tentei novamente:

– Hm... Entendo... Então fazer com mulheres não diminui o estresse?

Nanami parou de dobrar as roupas e olhou em minha direção.

– O que quer dizer? – sorriu ingênua.

– Ou quem sabe, é a Haruka que não dá conta...

– Kourin... — ela suspirou.

– E aqueles peitos enormes dela? Não atrapalham quando vão se beijar? Quer dizer, eu nunca vi-

– KOURIN! – ela gritou – Não pense que vai continuar no controle da situação. Na casa de nossos pais, eu tinha de manter alguma postura. Aqui é diferente.

– Você está me ameaçando? – debochei.

Sim. Eu sou extremamente sarcástica e compro brigas com facilidade. Mas atire a primeira pedra quem nunca irritou o irmão ou a irmã por pura diversão.

– Não, não estou. Você é a rebelde da família, não eu. Só quero obter algum respeito.

– Há! Rebelde? Eu? E quando você chagar aos 30 anos sem ter se casado ainda? Acha que ninguém vai achar estranho?

Ela fechou os olhos e massageou as têmporas.

– Kourin, eu juro que minha vontade é te jogar na rua, com todas as suas coisas.

– Tudo bem, desculpe. Um dia você consegue se vingar. – sorri sentindo-me satisfeita.

– Já decidiu onde vai estudar? — perguntou de repente — Não quero que fique de bobeira o resto do ano.

Peguei a luminária de borboleta que tenho desde pequena e aloquei ao lado do computador, em cima da escrivania.

– Na verdade sim. A Academia Y. Yatobi! Você não vai acreditar em como o uniforme dela é lindo!

Enquanto eu falava sobre o que tinha lido no site, várias emoções passaram pelo rosto de Nanami que, por fim, abriu um largo sorriso.

– Ótima escolha! As pessoas da cidade comentam bastante sobre essa escola!

– É mesmo? E eu posso ir para lá? Quer dizer, se eu fizer a prova de admissão e passar, você assina minha matrícula? – meus olhos brilhavam.

– Mas é claro, Kourin! Se quiser, posso fazer o contrato de guarda de 3 anos com a prefeitura. Assim, caberá a mim decidir seu futuro escolar até que termine o ensino médio. Nem mamãe nem papai poderão intervir.

– Faça isso! Quero estudar em Yatobi até me formar!

Então ela começou a rir. E quando digo "rir" quero que entenda que ela dava altas gargalhadas e teve de sentar-se em minha cama pra não cair no chão. Eu não sabia bem o porque de tudo isso, mas entrei em seu estado de espírito e comecei a rir também.

Mal sabia eu que ela estava apenas antecipando o que estava por vir.

X

Fomos naquela tarde mesmo até a Academia para que Nanami pudesse assinar a papelada e eu, realizar a prova de entrada.

Ela ficava a duas estações de metrô da nossa casa e mal pude me conter quando chegamos aos portões.

– Pode ficar por aqui. Eu vou ver onde é a secretaria e já volto. — Nanami advertiu.

Era um dos prédios escolares mais lindos que já tinha visto. Tudo o que me chamou a atenção na foto estava ali, mas ao vivo era ainda melhor! Vários alunos passavam de um lado para o outro, alguns me olhando com curiosidade, outros conversando alegremente uns com os outros.

Uma garota alta, de pelo menos 1,70 e cabelos até os ombros brigava com uma dupla que parecia ser do ensino fundamental. Algo nela não aprecia certo, mas não sabia o que. De repente, ela me notou e antes que eu pudesse disfarçar, sorriu e acenou para mim.

Fiquei aliviada por não ter arranjado uma inimiga logo que pus os pés na escola, e mais ainda por finalmente descobrir o que me incomodava nela antes: sua maquiagem exagerada a fazia parecer bem mais velha do que devia ser.

Acenei de volta e continuei andando até encontrar um banco onde não havia ninguém.

– Isso aqui é o paraíso! – disse para o céu azul acima de mim.

– De fato, um lugar agradável de se frequentar. – uma voz vinda do nada me fez pular.

– O-olá – disse com o coração acelerado. Era a tal menina de maquiagem forte.

– Sou Hakeshi Kaede, do segundo ano. Você vai se transferir para cá? – a voz dela era bonita, mas não aprecia ser real. Como se alguém dublasse por ela.

– Ah, minha irmã está vendo isso agora. Mas ainda tenho que fazer as provas... E... meu nome é Naruma Kourin.

– Belo nome! E não se preocupe com as admissões. Não será perguntado nada difícil demais. – ela se sentou ao meu lado ajeitando a saia quadriculada — Aliás, que tipo de uniforme pretende usar? Costuma ser a decisão mais difícil dos alunos novos.

Franzi a testa.

– Que tipo de uniforme? – perguntei confusa — O de verão ou de inverno?

Ela riu.

– Não, eu quero saber para qual time-

– Kourin-chan! – chamou minha irmã a poucos metros de nós – Venha logo! Ainda tenho que preparar o jantar.

– Muito prazer, Hakeshi-san. – levantei apressada. Aquela menina parecia ser simpática, mas pela sua conversa, devia ter um parafuso a menos – Deseje-me boa sorte.

– Esforce-se, Naruma-san! Te vejo na escola!

Fui o mais rápido que pude até Nanami e nós seguimos uma mulher baixinha de cabelos brancos que usava um crachá que dizia “secretaria” até dentro do prédio principal.

Deixei meus olhos correrem livres pelos corredores, admirando tudo. Aquela escola era realmente linda! Bem decorada, ar cheirando a rosas e todo o ambiente tinha um ar alegre.

O sinal tocou enquanto ainda estávamos do lado de fora, por isso, não havia muitas pessoas fora de sala.

– Nanami – sussurrei – Isso aqui não é o máximo?

Ela me olhou pelo rabo de olho e sorriu sem dizer nada.

Fomos para dentro de uma sala ampla e bem iluminada e a mulher nos pediu para sentar a frente da mesa de vidro que havia no centro.

– Boa tarde, Naruma-chan. Meu nome é Mao Aono, sou a supervisora geral da secretaria. Queira acompanhar a professora Sumi para que ela possa avaliar seus conhecimentos atuais – ela fez menção para que me levantasse e como só havia mais uma mulher conosco, deduzi que ela fosse Sumi-sensei e a segui até a saleta ao lado.

Como Hakeshi Kaede havia dito, as perguntas foram bem objetivas e a não ser pela parte de Cálculo, eu sabia responder a quase tudo. Quando recebi minha nota, agradeci a professora e voltamos as duas para onde Nanami e a outra mulher ainda estavam conversando.

– Ela parece se encaixar bem nos quesitos, Mao-san. – disse Sumi-sensei enquanto estendia minha prova para a de cabelos grisalhos.

– Muito bem, Kourin-san. Seja bem vinda a Academia Yatobi. – sorriu.

– Compraremos o uniforme ainda hoje e você poderá frequentar a escola a partir de amanhã. Não é legal? – perguntou minha irmã.

– Super legal! – respondi como uma criança que recebeu doces.

Nesse momento dois alunos entraram pela porta atrás de nós e o barulho que fizeram me forçou a olhá-los com ódio. O que pretendiam quebrando meu clima?

Mao-san suspirou e ajeitou os óculos no nariz miúdo.

– Sakuya-san! Touko-san! – gritou Sumi-sensei – O que fizeram desta vez?

Sakuya era uma garota mais ou menos da minha altura de cabelos negros super-longos presos num rabo-de-cavalo no topo da cabeça. Tinha porte de atleta. Seus olhos eram cor de mel. Suas sobrancelhas davam-lhe um tom zangado e sua boca deixava a mostra boa parte dos dentes, numa expressão raivosa.

Ela usava o moletom aberto, deixando a mostra o colete elegante e sua saia era um pouco curta demais.

Touko-san era estúpidamente alto. Algo como 1,90. Seus cabelos eram ruivos, tingidos é claro, e super arrepiados. Ele sim parecia um atleta, do tipo peso-pesado por causa dos músculos que transpareciam apesar da calça comprida e mangas na blusa. Assim como a menina, ele estava furioso.

– O clube de esportes feminino tem que aceitar ficar na quadra menor! – gritou ele – Nós não podemos treinar se não usarmos todo o campo!

– O seu clube é molenga e a maioria dos times é composta por viadinhos que não gostam de se sujar! – berrou a outra – Nós, garotas, pelo menos temos um troféu de basebol. E vocês?

– Basta, os dois! – ordenou a senhora – Sakuya-san, as meninas terão acesso ao campo nas segundas, quartas e a noite de sexta-feira, isso já foi estipulado! Não invada os treinos dos outros. E Touko-san, antes de se meter em brigas com os outros clubes, trate de ganhar algum troféu.

Os dois pereciam insatisfeitos com o resultado, mas seguiram Sumi-sensei porta a fora ainda discutindo. Antes de sumirem de meu campo de visão, pude ouvir o garoto gritar:

– Nem todas as garotas do seu time de basebol são do seu time. É por isso que elas invadem o nosso treino!

Minha cabeça tentava organizar suas palavras de modo que fizessem sentido. Se elas estão no time, são do time, certo? E o que isso tem a ver com a invasão de quadras e campos?

– Naruma-san?

– Hm? – voltei a fitar Mao-san.

– Desculpe por isso. Nem todos são assim por aqui. Mas esses dois me dão algum trabalho...

– Ah, não se preocupe. – sorri gentilmente – Voltando ao assunto da transferência...

– Ah sim! Você poderá começar amanhã. Seja bem-vinda.

– Obrigada! — respondi voltando a sentir-me eufórica.

– Não, eu que agradeço – disse Nanami e eu senti um calafrio percorrer a espinha.

– Agora eu quero que escolha entre estes dois modelos de uniforme. Desde 2007 que oferecemos mais esta comodidade para aqueles alunos que desejam sentir-se mais livres nos corredores. – e abaixou-se para apanhar algo na gaveta ao seus pés.

Então era disso que a menina maquiada falava...

Quando a secretária voltou com dois panfletos, observei-os por alguns segundos antes de olhar para minha irmã em dúvida.

– O que foi? Apenas escolha. – sorriu.

Voltei a olhar para a mesa.

Em um panfleto havia a foto de uma jovem mais ou menos da minha idade de cabelos curtos. Ela utilizava o uniforme que vira no site uma noite antes. Saia, meias, laço, colete e blazer.

No outro, a mesma jovem usava colete, blazer e.. Calças no lugar da saia e gravata no lugar do lenço!

– Desculpe, mas... Acho que pegou o papel err-

– Ela quer ficar com o uniforme feminino-A tamanho P, por favor. – interviu Nanami.

– Muito bem. Traga o modelo feminino-A-P para ela, auxiliar.

Uma mulher que regulava com a sensei (uns 30, 35 anos) saiu de uma mesa ao fundo da sala e foi em direção ao armário que estava ao lado trazendo um pacote de plástico com as roupas.

Eu não tive tempo nem de abrir minha boca. Minha irmã já estava pagando e acertando tudo com Mao-san quando me dei conta.

– Até mais e obrigada mais uma vez. – disse Nanami ao se levantar.

– Vejo você amanhã para seu primeiro dia de aula, Naruma-san.

E eu me vi saindo da sala em direção a saída, quando vi a cena que fez com que qualquer dúvida fosse esclarecida.

Dois garotos, um de calças e outro de saia, passaram por nós de mãos dadas.

– Nanami, – cochichei mais por medo da resposta que por vergonha de perguntar – que tipo de escola é essa?

Ela me olhou nos olhos por cinco segundos e estufou o peito antes de declarar alegremente:

– A vingança tem cheiro de rosas.

Notas finais
Nã gente. Não é uma escola gay hahahaha!Vocês entenderão no próximo cap, eu juro ;3Digam o que acharam! Beijos e ja nee!