Notas iniciais
Oi, gente! De volta outra vez. Preciso agradecer ao Guilherme pela linda recomendação ♥ Eu amei e fiquei muito, muito, muito, muito feliz.

GABRIEL

Quatro Anos Antes...

O som do video game de Pedro estava ensurdecendo meus ouvidos. O diabo do garoto irritante passava o dia jogando, sem parar. Graças a todos os deuses do Olimpo que eu ficava naquela casa apenas no período da tarde. Pela manhã, tinha aula. E pela noite... Bem, minha mãe não era escrava de ninguém. Suspirei entediado e guardei o último talher da louça recém-lavada. Faltava menos de duas horas para irmos embora. Às seis e meia, meu pai apareceria de bicicleta e nos levaria para casa, na cidade.

Afastei-me um pouco a fim de observar a cozinha que eu mesmo arrumei. Estava perfeita. Eu raramente fazia os serviços caseiros sozinho, minha principal função era apenas ficar de olho em Pedro. Entretanto, minha mãe estava numa TPM bruta e eu não queria que ela se matasse. Coloquei o pano de prato sobre a pia e encaminhei-me até a sala.

Inconscientemente lambi o beiço ao ver Pedro sem camisa, sentado diante da TV. Ele era um garoto mimado, chato, metido, preconceituoso e tudo mais de podre que poderia existir numa pessoa. Sério, o cara era um cu. Todavia, todavia, todavia, porém, mas, no entanto... Eu não podia negar que ele era lindo. Se nós fôssemos de sexos diferentes... Procurei afastar esse pensamento da minha cabeça. Ainda lembrava-me do dia que meu pai viu dois homens se beijando num bar. Ele disse: “quero que essa porra de boiola vá pro inferno!”. Não que eu fosse boiola. Não era e jamais seria, que fique bem claro.

— Gato borralheiro! — Pedro virou-se assim que sentei no chão, a uns dois metros de distância. — A que devo a honra de sua dispensável presença?

— Tua mãe me pediu para te lembrar que teu pai chega oito horas.

— Aff. — o loiro revirou os orbes castanhos e continuou jogando.

Pedro não simpatizava muito com o próprio pai. E era entendível. Seu Gutenberg passava de semanas a meses fora de casa e quando aparecia, geralmente dava sermões desnecessários no filho. O loiro sentia-se carente de afeição paterna. Não que ele fosse admitir isso.

Agarrei meus joelhos e mirei a tela da TV. O jogo era de luta, daqueles que você se mete num beco e atira em qualquer pessoa que aparecer. Bem, eu não entendia quase nada de jogos para ter certeza se era exatamente assim. Mas percebia que Pedro estava indo bem. Pudera, com tanta prática, se não estivesse indo bem, precisava evaporar da Terra.

— Por que fica nisso o dia todo? — perguntei. — Quer dizer, parece legal, mas tu mora numa fazenda. Aqui tem rio, cachoeira, tem cavalo, vaca, cabra, tem pé de tudo enquanto...

Ele soletrou num tom seco:

— Eu não falei contigo, então não fala comigo.

— Está falando. — repliquei, abrindo um sorriso.

O loiro revirou os orbes outra vez e atirou num homem furiosamente, de um jeito que até eu fiquei assustado. O bonequinho em 3D caiu no chão, sangrando. Uma frase em inglês surgiu na tela. Traduzi em questão de milissegundos: “Parabéns! Você entrou na fase 89”. Sempre tive facilidade com línguas. No meu tempo livre, estudava com livros antigos da biblioteca da escola. Meu sonho era fazer Relações Internacionais ou Letras.

— Eu odeio esse lugar. — Pedro respondeu por fim (após mil anos, mas respondeu). — Eu odeio aquelas malditas vacas, eu odeio a lama que fica quando chove, eu odeio andar de cavalo, eu odeio aquelas galinhas, eu odeio o nome “soja”, eu odeio... Eu odeio tudo daqui.

Tive a impressão de que ele não falava exatamente comigo, era mais como um... Desabafo. Procurei na minha mente algo legal para se dizer. Apesar de logicamente Pedro não merecer. Todavia, o som de uma caminhonete chegou aos meus ouvidos. Caminhei até a janela. Um menino de jeito playboyzinho desceu por um lado. Um homem que devia ser seu pai disse alguma coisa e logo saiu com o carro. Notei que Pedro estava ao meu lado, também observando.

— Finalmente esse lerdo chegou.

— Quem é? — questionei.

— Ninguém que seja da tua conta.

[...]

O sol baixava atrás da árvores do campus e eu ainda estava com Iara, montando nosso pré-projeto. Desde sempre, sabia que faculdade teria muito trabalho, mas tantos de uma vez, de um monte de disciplina... Gabriel Silva Mendes, pobre calouro. Inclinei-me na cadeira, enquanto minha amiga ditava as palavras do rascunho de seu caderno. Era só o começo de todo o esquema.

Digitei a primeira palavra que ouvi. Digitei a segunda. E parei. A imagem de Pedro enfiando a mão dentro do meu short tamanhas cinco horas da manhã pairou na minha mente. Lembrei-me tenso de como fiquei rapidamente excitado. E paralisado, sem saber o que raios fazer. Porque notei em milésimos de segundos que o jovem ainda dormia. Só consegui um jeito de abrir a boca quando vi um sêmen que não era meu pela cama. Arranjei coragem do fundo do poço para chamá-lo. Cara, se até eu fiquei com vergonha quando o playboy finalmente abriu os olhos, imagine ele.

— Gabriel, caralho. — a índia deu um tapa leve na minha testa. — Você ouviu alguma coisa que falei? Em que Universo tu tá, criatura?

Levantei a cabeça, acordando do breve transe.

— Eu... Foi mal.

— Não, não, não vai pensar no Pedro na hora que a gente tá fazendo a merda desse trabalho. Ele nem merece, para início de conversa. Tava se esfregando com umazinha ontem, tu viu, eu vi, e ele não te merece. Fim.

— É que...

— É que o quê? Fala logo.

Ela tomou o notebook de minhas mãos e o fechou, erguendo as sobrancelhas. Dei uma olhada no corredor. Não havia ninguém no prédio fazia já um bom tempo. Só as tias da limpeza, que tinham chegado para dar uma geral antes do pessoal da noite chegar. Respirei fundo. Falar sobre Pedro até para Iara não era tarefa fácil. Meu jeito sempre foi de ser mais na minha. Nada de colocar a vida pessoal nas conversas.

— Hoje de madrugada... — mordi o lábio e continuei, contando tudo o que aconteceu.

— Gabriel, eu vou te matar. Juro que vou te matar. — ela puxou meus cabelos. Doeu. — Eu vou te matar. Que merda, o cara tava na tua cama, pegou na droga desse pinto, tava claramente querendo te agarrar, tanto que teve claramente uns sonhos hots CONTIGO e tu não fez nada. Nada. Nada, Gabriel!

Sorri amarelo.

— Não.

— Ele pegou no teu pinto.

— Foi. — confirmei em meio a um enrubescimento.

— Gabriel. — Iara pulou da cadeira e começou a andar pela sala. — Existem virgens e existem virjões. Você é um virjão. — apontou o dedo indicador no meu nariz. — Toma a droga de uma atitude! Não foi tu quem começou tudo? Agora termina. Porque o bosta do Pedro te quer e tá endoidando. O remédio é tu. Fim.

Passei a mão no pescoço. Realmente, olhando agora, tive uma oportunidade escancarada. Mas... Passou. Êêê. Meu Deus, como sou idiota. Engoli a saliva que tinha na boca. Só que não consigo! Pedro era O Pegador desde o princípio dos séculos. Eu... Fiquei com quatro pessoas na vida, considerando ele e Bianca. Iara, como se lesse meus pensamentos, disse:

— Filho, se tá pensando que ele não é virgem e você é, tá erradíssimo, seu bosta molengo. Tu é o primeiro homem dele. Toma. A. Merda. Da. Atitude. De. Pegar. O. Abusado. Não vai cair pedaço, te garanto.

Tá né.

A índia pegou uma vassoura esquecida por ali.

— Finge que eu sou tu e que essa vassoura é o Pedro.

— Mas tu não é eu e essa vassoura não é o Pedro. — repliquei.

— Cala a boca e presta atenção, seu inútil. — ela apontou-me o dedo médio. — Só finge. Nunca brincou de faz-de-conta não, criatura sem infância?

A menina colou a vassoura ao seu corpo magro. Acariciou (?) o cabo em toda a sua extensão, principalmente a parte do meio, que devia ser a genitália (?) da vassoura. Ou de Pedro (?). Não segurei uma gargalhada escandalosa. Iara ignorou. Continuou com o processo e beijou (?) o objeto. Ou Pedro (?).

— Fim. — ela largou a vassoura. — Ninguém morre.

— Bem... — espremi as sobrancelhas. — Bem didático.

— Sou uma ótima professora.

[...]

Uma das desvantagens do prédio em que estudava era ser bem longe da saída. Iara abandonou-me no meio do caminho ao ver uma menina de Ciências Sociais bonitinha. Típico. Continuei sozinho. Assim que cheguei na parte das lanchonetes e xerox, uma voz feminina bastante familiar chamou alto:

— Gabriel!

Virei-me. Era Jéssica. Ela estava deslumbrante, considerando que estávamos no fim do dia e pessoas normais não ficam deslumbrantes no fim do dia. A menina rapidamente alcançou-me.

— Oi. — ela disse, abrindo um sorriso.

— Oi. Aula de tarde?

— É. Cálculo III. Um saco. E você?

— Trabalho.

Uns três caras que estavam sentados debaixo de uma árvore próxima, fumando, olharam na nossa direção. Ou melhor, na direção de Jéssica. Ela pareceu não perceber ou não deu importância. Fechou um zíper aberto da mochila e indagou:

— Então, vai pra casa?

— É. Depois de passar o dia aqui, só quero dormir mesmo.

Ela riu. Mas logo em seguida, mordeu o lábio e fez uma outra pergunta, num tom ligeiramente mais baixo:

— Aconteceu alguma coisa com o Pedro nessa última noite?

Parei.

— Por quê?

— Hoje de manhã, ele tava cheio de olheiras, cara péssima. Não que a cara dele seja simpática.

— Ah... Eu... — balancei a cabeça. Sempre fui um péssimo mentiroso. — Sei lá. O Pedro tem as tretas deles.

Jéssica fez uma careta.

— É, ele tem as tretas dele. Tá... Eu... Vou ver umas coisas com meu professor de Física. Então... Tchau. Bom te ver.

— Bom te ver também. Até amanhã.

A menina saiu rápido. Observei-a até que sumisse de minhas vistas. Quando seu corpo alto e profundamente desenhado tornou-se apenas um ponto, prossegui com meu caminho. Cheguei ao portão após minutos eternos. No mesmo instante, Nick passou acompanhado de um moreno alto. Ele cravou o olhar em mim durante um instante.

— Oi, Gabriel.

— Oi. — respondi. Não gostava nem desgostava de Nick.

Os dois seguiram o caminho do estacionamento. Jurei ter visto um sorrisinho malicioso nos lábios de Nick. Todavia, quem sabe fosse apenas miragem. Meti as mãos nos bolsos e fui para a parada de ônibus.

[...]

Pedro não estava em casa. Nenhuma novidade. Eu nunca esperava a presença dele. Segui direto para o quarto. Precisava ligar para minha mãe. Já fazia uns dias que eu não mandava notícia e ela não tinha WhatsApp. Abri a janela, a fim de deixar um ventinho entrar naquele ambiente abafado. Disquei o número de dona Nadia. Ela não demorou atender.

— Gabriel, quase morri de preocupação. Tanto dia sem ligar.

— Mãe, eu liguei sábado. — repliquei, sabendo que seria em vão.

— Sabe quanta coisa pode de acontecer de sábado até uma quarta? Sabe?

— Desculpa, mãe.

— Mas tá, como vai... — pausa. — Ah, a Juliana quer falar com você.

A voz suave de dona Juliana, contrastando com a voz cheia de sotaque da minha mãe, tomou lugar no outro lado da linha. Mordi o lábio. Se ela queria falar comigo é porque Pedro não atendia mais o celular. A mulher devia estar surtando.

— E o Pedro?

— Tá tudo ótimo com o Pedro. — encostei-me à janela.

— Ele não atende o celular.

— Sabe como o Pedro é distraído.

— Ele bebeu muito nessa última semana?

Ah sim, umas milhares de vezes.

— Um pouco. — nunca queimei Pedro nesses interrogatórios. Ele tinha que me agradecer. — Mas nada demais. Deu conta de ir pra aula no outro dia normalmente.

— Ele tá te dando trabalho?

— Não. Eu sei conviver com o Pedro.

— Tá... Eu vou dar o celular pra tua mãe.

Escutei um “Nadia!”.

— Oi, mãe.

— Como tá indo?

— Eu tô bem, mãe. Só um pouco cheio de trabalho da faculdade, aula puxada. Mas é só o começo.

— Não esquece de comer direito não, né?

Pensei no horror de miojo e farofa de carne que já havia metido goela abaixo nas últimas semanas.

— Esqueço não.

— E... Gabriel.

— Senhora.

— E... — o tom ficou mais baixo. — Essas modas de ser gay?

Meu coração palpitou. Fechei os olhos. Como mentiria para minha própria mãe? Ei, descobri, ou melhor, aceitei que sou gay. Cocei minha nuca, procurando palavras decentes para falar.

— An... Como é? Eu não ouvi direito. Ah, chegou alguém aqui, vou atender a porta, tchau. Fala pro pai que tô com saudade.

— Gabriel! Isso é jeito de falar com sua mãe?

Não, não era jeito de falar. Mas eu não saberia mentir. Desliguei e larguei o celular dentro do bolso. Melhor nem pensar sobre o assunto. Caso contrário, já entraria numa depressão pós-conversa com mãe. Subitamente, ouvi o som de passos. Caminhei até a porta. Pedro estava entrando no seu quarto.

— Princesinha.

Ele parou, parecendo assustado. Entretanto, não mostrou o rosto.

— Caralho. — o loiro xingou.

— Falei com tua mãe.

— Tá. — puxou o trinco da porta e meteu-se definitivamente no quarto.

Suspirei. O jovem não queria conversa. Peguei novamente o celular para distrair. Já havia um monte de mensagens, uma delas, de Iara. Abri.

“Você já fez alguma coisa pra pegar o Pedro?”

Sorri sozinho e respondi:

“Já. Fizemos sexo selvagem agorinha.”

“Seu merda. Vai pegar o playboy.”

Tamborilei os dedos na tela. Eu realmente devia tomar uma atitude. Mas não tinha nenhuma ideia no momento e Pedro estava dentro do quarto. Aproximei-me de sua porta. Barulho de passos pesados. Sou muito mole mesmo. Enlacei as mãos no pescoço. Poderia bater. Ergui o punho no ar. No entanto, o garoto logo abriu a porta, esbarrando em meu ombro. Ele levantou a cabeça, fazendo uma careta horrível.

— Você... — empurrou-me. — Fica no meio do caminho. Filho da puta.

— Vai sair?

— Claro. Até parece que ficaria contigo aqui.

Desviou-se de mim e andou até a porta da sala, sem olhar para trás. Observei a bunda marcada pela calça.

[...]

Terminei de ler umas apostilas enquanto a noite se arrastava. Oito e meia, nove, dez, onze... Doze. Pedro não voltava para casa. Provavelmente, estava enchendo a cara. Bloqueei o celular após checar a hora pela centésima vez. Todavia, um minuto depois, um número desconhecido surgiu na tela. Chamada. Atendi, desconfiando de alguma coisa sobre Pedro.

— Gabriel? — ouvi a voz de Jéssica, um pouco alterada. — Desculpa incomodar.

— O que foi?

— Pedro se meteu numa encrenca aqui.

Suspirei.

— Vocês tão aonde?

Jéssica passou o endereço, se confundindo num detalhe ou outro. Bêbados. Apesar disso, até que entendi. Era bem perto, nem precisava pegar ônibus. Vesti uma camisa e desci para a rua.

Dez minutos de caminhada e cheguei. Era uma casa legal do tipo “sou rico e sou o dono da bagaça”. Havia uma dezena de carros estacionados ao redor. Apertei a campainha. Eu conseguia ouvir o barulho horrível de música alta que vinha de dentro. Para minha surpresa, foi a própria Jéssica quem veio atender o portão. Sua face corada denunciava boas e altas doses de álcool.

— Veio rápido.

— Então, o que foi?

A garota puxou-me. Não custei a ver a cena. Pedro brigava com um cara, próximo a piscina. E claro que apanhava. Ergui a sobrancelha para Jéssica, meio que questionando silenciosamente: “desde que tu ligou até eu chegar aqui? Ninguém fez nada nessa porra?”. A morena não entendeu. Ela não era Iara. E ela estava bêbada. Deixei-a e aproximei-me do burburinho.

Pedro caiu no chão. Fui jovem e já estou velho, e parece que jamais pararei de vê-lo dessa maneira. Abri rapidamente caminho até o olho da tempestade, sendo xingado por um ou outro.

— Tá bom, não é? Chega... Chega. — levantei Pedro pelos braços. — Chega de briga.

O oponente de Pedro deu de ombros e saiu. A pequena multidão não gostou e vaiou. Não me importei. Bando de riquinhos idiotas. Arrastei o playboy até o portão. Senti que todos estavam me observando. Entretanto, um rosto especial no meio de tantos chamou minha atenção. Era o rapaz que Jéssica mostrou-me no jogo. Parei por um instante e o encarei. Subitamente, algo dentro do meu ser sussurrou-me que eu o conhecia. Mas balancei a cabeça. Devia ser só impressão.

[...]

Achei o SUV de Pedro e as chaves (por algum milagre) e levei o loiro para casa. Ele não falou durante o percurso, apenas enfiou o nariz no vidro da janela, sem nem me dirigir o olhar. Percebi que não estava tão bêbado, considerando outras vezes.

Assim que chegamos, pude analisar direito sua situação. Ele estava horrível. Arranhões, marcas vermelhas de punhos e sangue o seguiam de cima a baixo. Um olho parecia danificado. Ia ficar bem, eu sabia por outras experiências. Mesmo assim, fiquei preocupado. É a trouxicidade infinita.

— Então. — coloquei-o no sofá. — Qual o motivo da briga?

Pedro virou o rosto na direção da janela.

— Não sei mais.

— Você é tão idiota. — suspirei. — Vai tomar um banho. Consegue?

O garoto fez uma expressão de quem reviraria os olhos, caso pudesse. Pensei que ouviria um “vai se fuder” em alto e bom som. No entanto, ele apenas levantou-se e foi para o quarto. Poucos minutos e pude ouvir o som da água caindo no chão do chuveiro.

Fui até a cozinha e catei um monte de gelo. Envolvi uns três pedaços num pano de prato fácil. Coloquei tudo dentro de um prato e tornei à sala. Não demorou e a luz do quarto de Pedro apagou. Liguei a TV. O loiro nunca custava dormir. Só precisava esperar um pouco.

Coloquei um canal de clipes pop. Passaram quatro. Calculei humanamente vinte minutos e desliguei a TV. Pedro já devia ter dormido. Devia mesmo, porque gelo derrete. Entrei no quarto.

Acendi a luz. Pedro, jogado na cama, não mexeu um mínimo dedo. Sentei ao seu lado. Todavia, no momento que toquei seu rosto, ele abriu os olhos. Meu coração acelerou.

Notas finais
Eitaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. kkkkkkkk Eu amei os comentários do último capítulo. Obrigada por todo esse carinho :)