Júpiter e Vênus

17 Liberte seu puto interior


Notas iniciais
Gente, eu tô roubando wifi da casa do vizinho para postar esse capítulo kkkkkkkkkk. Sério, me amem. Enfim, espero que gostem.

PEDRO

Deitei-me na cama, vestindo somente um short azul de pano mole, a primeira peça de roupa que encontrei. Havia bebido apenas cinco latas de cerveja e água tinha levado uma boa parte do seu pequeno efeito. Conseguia enxergar o ambiente ao meu redor com clareza, estava 99% sóbrio.

Não dormiria cedo, não depois de um dia tão filho da puta que começou mal e terminou mal. Porra! Primeiro acordo na cama do gato borralheiro em uma situação humilhante. Depois, ele vai me salvar de uma briga. Nem sabia como ele tinha me encontrado, nem desejava saber. Mas desconfiava de Jéssica.

Joguei um braço acima de minha cabeça. Podia ouvir o som de música pop vindo da sala. Fechei os olhos. Necessitava esvaziar a mente, só isso. Contudo, quando estava quase conseguindo, após minutos que não contei, a luz acendeu-se. Esse miserável, coisando meu momento de paz. Senti-me seriamente tentado a pular da cama e dizer tudo o que estava na goela desde cedo. Entretanto, fiquei quieto.

Eu o queria próximo. Era vergonhoso, isso já sabia, mas o queria.

Droga!

Ele sentou-se ao meu lado, na cama. Minha pele de repente quis formigar. Cacete. Sua mão tocou um machucado do meu rosto. Acabou doendo. Não segurei-me e abri os olhos. Gabriel afastou-se alguns centímetros.

— Que merda. — resmunguei, sentando-me. — O que tu quer?

Meus olhos caíram sobre um prato cheio de gelo.

— Ah.

De repente lembrei-me de que todas as vezes em que me metia numa briga, meus milhares de olhos roxos não estavam tão roxos no dia seguinte como deviam estar. Ele. Mordi o lábio.

— Posso, senhor abusadinho?

— Hum.

Meu corpo pareceu desconectar-se de meu cérebro e deitou novamente. Se bem que ele devia estar há muito tempo desconectado. Nem andava sendo de grande utilidade. Gabriel inclinou-se e apertou levemente um pano gelado contra minha pálpebra. Eu somente observei. Ele continuou e continuou até achar que estava bom.

Então, levantou-se. An? Invade meu quarto e acha que vai embora assim? Eu que mando nessa porra!

— Não... — comecei sem ter certeza do que dizer. — Não...

Uma parte de mim gritou para eu calar a porcaria da boca. Gabriel virou-se, mirando seus orbes verdes dentro dos meus. Cerrei os punhos. Ele tinha que ir. Não, ele não pode ir! Eu não admiti em pensamento que gosto de macho para esse filho da puta ir. Ponto final. Contudo, o problema era: como colocar minha vontade em palavras? Aí fudeu. Porque meu nome é Pedro Bozza.

— Não o quê? — o moreno questionou.

Não vai embora. Por favor.

— Não?

— Nada.

O gato borralheiro soltou um longo suspiro.

— Boa noite, princesinha. — e deu um passo na direção da porta.

— Não vai embora, seu bosta. — falei finalmente.

Um monte de borboletas voou no meu estômago. Que ele não me obrigasse a repetir. Gabriel parou, encarando-me. Fitei qualquer parte de seu corpo que não fosse os olhos. Eu não dizia aquele tipo de coisa.

— Quer que eu fique contigo?

Tu é lesado ou o quê? Como conseguiu uma nota absurda no Enem? Bufei. Eu estava começando a me estressar. O jovem ganhava o Oscar protagonizando Dona Lerdice em pessoa. Como se já não bastasse me humilhar de todo aquele jeito, ainda precisava ser burro. Pelo amor da Gelada Cerveja né.

— Quero que VOLTE PRA PORRA DESSA CAMA.

Gabriel pôs o prato no chão e voltou. Amém?! Sentou-se, então, novamente ao meu lado.

— Tô aqui. — ele disse.

— Deita. — mandei.

O moreno riu e deitou. Seu braço miraculosamente coberto de um mínimo pano roçou no meu. Não entendo o porquê de hoje tá vestido. Vive aí se exibindo. Tudo bem. Tenho o dom de tirar roupa. Não... Pera... Eu tô pensando em tirar a roupa dele! É realmente o fundo do poço. Desceu uma vontade de puxar os cabelos.

— Tô vendo uma coisa agora. O cara entortou teu nariz. — ele gargalhou baixinho.

— QUÊ?

Meti a mão debaixo do travesseiro, desesperadamente, buscando por meu celular. Ao encontrar o aparelho, pus logo na câmara frontal e me analisei. Meu nariz de deus grego estava em um estado normal. Fabuloso como sempre. Fiz careta.

— Gato borralheiro idiota. — resmunguei, largando o telefone.

— Princesinha dramática. Sabe nem brincar.

Fuzilei Gabriel com o olhar. Ele apenas encolheu os ombros, mostrando uma expressão tranquila. Silêncio. Inclinei o rosto na sua direção. Gabriel já me fitava. Um frio cortante tomou conta do pé de minha barriga. Tão pobretão, tão filho da puta, tão lerdo, tão irritante, mas tão bonito.

Arrastei os dedos, sem querer querendo até seu peito. Gabriel segurou meu pulso. E lá vamos com o cu doce, outra vez. Suspirei desanimado. No entanto, para a minha total surpresa, o garoto aproximou-se, reduzindo o espaço entre nós dois a quase zero. Tocou o canto de meu queixo e colou suavemente seus lábios nos meus. Gelei por dentro. Ele estava me beijando! Milagres acontecem!

Sua língua abriu espaço e entrou sem pressa, arrancando-me arrepios nada discretos. Agarrei-lhe a cintura firme. O desejo acumulado de tantos dias despertou na forma de uma ereção que começava a nascer. Eu não era capaz de controlar. O gato borralheiro me provocou demais em um curto espaço de tempo.

— Pedro. — ele parou. Sua respiração morna soprou contra meu rosto.

— Puta que pariu, a gente não para, seu inútil. — virei a cara, zangado.

Gabriel acariciou meus cabelos. Meu coração estava totalmente inconstante. Tô dado de bandeja, confeitado, acompanhado de bebidas à vontade e esse gato borralheiro tirando onda com minha cara. Vá pra puta que pariu. Segurei sua camisa. Eu não queria largá-lo por nada nesse mundo. Dignidade escorreu para o ralo já faz tempo.

— Só acho melhor tu dormir.

Caralho! Não se beija as pessoas para mandá-las dormir em seguida. Esse cara merece um soco. Sério. Quase revirei os olhos. Não era possível que eu era o único que tinha fogo. Por que diabos Gabriel não libertava o puto interior do dia em que me atacou? Entortei os dedos, franzindo o nariz. Ele soltou uma risada.

— Que foi?

— Isso. — peguei sua mão e a guiei até meu membro duro por cima da short. Gabriel encarou-me de lábios semiabertos. Pelo menos, não tirou, o que era um bom início, considerando que eu estava de diabetes com o cu doce. Por favor. — Não se dorme de pau duro.

O fiz apertar minha ereção, sem paciência. Se era para desgraçar minha vida, okay, desgrace direito. Entendeu ou tenho que desenhar? Deixei sua mão livre, por fim. Mais uma vez, o silêncio reinou. Ele é caso perdido, desisto. Procurei algumas palavras para expulsá-lo do meu quarto. Punheta serve pra resolver essas coisas. Todavia, Gabriel abaixou o cós de meu short. Estremeci da cabeça aos pés. Retirou, em seguida, meu pênis de dentro da cueca.

Ele não disse nada. E começou a me masturbar. Cobri o rosto com as duas mãos. Se fosse um sonho, se eu estivesse dormindo... Meu gozo saiu entre seus dedos.

— Agora... Você dorme. — Gabriel falou enquanto afastava-se e colocava os pés no chão.

— Não. — tentei impedi-lo.

O jovem me ignorou e caminhou na velocidade da luz para a porta.

[...]

Acordei devagar, tendo uma pequena sensação de que deveria levantar logo e ir correndo para o banheiro. Entretanto, apenas rolei na direção do outro lado da cama. Entreabri os olhos e peguei o celular. Olhei a hora. Nove. Redondinho. Sentei instantaneamente. Minha aula era às oito e meia, o que significava que mesmo se eu desse o cu e me colocasse de quatro, não chegaria a tempo. Pera, eu não pensei em dar o cu e me colocar de quatro. Puxei uns fiapos de cabelos. Eu estava ficando, definitivamente, louco.

Levantei. Acabei tropeçando no prato esquecido no chão. Merda. A imagem de Gabriel ao meu lado, me beijando e me masturbando, de repente, apareceu nos meus pensamentos. Cerrei os punhos. Foi tão bom. Fiz careta. Não, cara, eu não podia achar bom. Arranhei o rosto já arranhado. O que eu faço comigo? Eu estava totalmente entregue. Havia atingido um nível incrivelmente mais baixo. Minha razão repugnava tudo aquilo. Mas por outro lado... Realmente gostava de... Macho.

Chutei o prato para o canto, subitamente estressado. Ele rachou ao meio. Tirei o short e peguei uma toalha fácil. Logo em seguida, segui o caminho do banheiro.

Depois de um banho frio, saí do quarto. Esperava do fundo do coração que Gabriel tivesse se mandado. Esperava que os deuses sentissem pena de mim ao menos uma única vez na vida. E aleluia. Ele havia ido embora. Porém, como sempre tem algo para dar errado, especialmente com minha pessoa, seu perfume de revista da Avon ainda tomava conta do ar.

[...]

— Tu tem que apanhar quantas vezes na vida para aprender? — Jéssica riu ao me ver entrando no prédio de Engenharia Civil. — Se não fosse pelo Gabrieeeel, nem sei o que teria acontecido com você. Porque sua plateia não tava se importando o mínimo.

Apontei-lhe o dedo médio.

— Vai se fuder, Jéssica.

Ela deu de ombros e acompanhou-me na subida de escadas. Notei que seu decote era mais do que cavado, mostrando seios brancos e nem um pouco pequenos. Entretanto, estranhamente, não desceu uma vontade louca de agarrá-la, como todas as outras vezes. Segurei o corrimão.

— Então... — ela começou.

— Então?

— Vai mesmo pra sala? Sabe que já é mais de dez, né?

Suspirei. A professora de Cálculo não me deixaria entrar. Não fazia sentido a fadiga de subir as escadas. Mas porra! Presença era algo tão importante. Podia reprovar. Bem que aquele inútil devia ter me acordado. Serve nem pra isso mais, só pra me deixar louco mesmo.

— Você não tá tendo aula? — questionei, parando.

— Não, o professor faltou. Ainda bem porque também cheguei atrasada.

— Ah.

Jéssica encostou-se à janela de vidro, exatamente na minha frente.

— Tu lembra por que brigou ontem?

— Não. — menti.

— O cara disse que tu tinha jeito de gay. Aí tu zangou assim num nível hard e já quis meter o murro.

Fechei a cara. Anotei mentalmente que jamais iria outra vez numa festa com Jéssica. Ela não era a bêbada esquecida. Passei a mão no olho inchado. Eu posso até... Cerrei os punhos. Pegar o merda do Gabriel. Mas jeito de gay não tenho. E nem sou gay. Só gosto de macho. E acabou.

— E pra que tá me dizendo isso?

— Sei lá, agora tô te analisando, vendo se tu tem alguma coisa de gay que deixei escapar.

— Vai tomar no cu, Jéssica. — quase revirei os olhos.

— Às vezes, tu é tão chato. — a morena riu. — Aposto que tem um quezinho de viadagem aí dentro desse corpo.

— Viadagem o caralho. — soletrei com a maior convicção possível.

A menina simplesmente soltou uma risada nada discreta. Abriu a boca para falar alguma coisa, entretanto, uma voz vinda de baixo chamou:

— Ei, Jéssica! A gente não ia na biblioteca?

Nós dois olhamos para trás. Era Valdecir, colega de Jéssica. Eu o conhecia das inúmeras festinhas que dava em casa. Ele possuía uma pele morena meio clara e cabeça raspada. Filho de algum militar de alta patente, pelo que já tinham me contado antes.

— Ah, oi, Bozza. — ele falou claramente por educação.

— Oi. — respondi também por educação.

Jéssica apertou meu nariz e desceu.

— Te vejo depois, Pedro.

Observei Valdecir passar uma mão pela cintura da morena. Algo no meu interior disse que eles não iriam para biblioteca nenhuma. Jéssica pega todo mundo. Os dois, por fim, desapareceram de minhas vistas. Subi um degrau, sem ter bem certeza de onde ir. Mal o fiz e esbarrei numa criatura. Caio. Ele desenhou uma linha sorridente nos lábios.

— Olá, Pedro.

— Oi. — resmunguei.

— Chegou atrasado?

— Não é da tua conta.

Ele suspirou.

— Me evitou o dia todo ontem. Para com isso. — Caio ajeitou o boné sobre os cachos castanhos. — Já falei para desistir de se apegar a preconceito. Se eu não tivesse falado que também gosto de homem, tu ainda taria de boa comigo. E nem iria saber.

Eu gosto de homem... Torci o nariz. Só eu posso gostar, ele não. Eu não vou aceitar que uma pessoa assim ande comigo. Cruzei os braços. Ele olhou meu rosto, obviamente analisando meu olho roxo e os machucados da véspera.

— Eu vi as fotos no WhatsApp. — pausa. — Olha, se quiser ser meu amigo, ainda tô aqui. Mas se não quiser, de boas também.

— Vai tomar no cu, Caio.

— Às vezes, eu tomo. — Caio piscou. — Quero saber como você vive, como se aguenta, sabendo que gosta do Gabriel.

[...]

Marcelo era meu colega da escola. Estava um ano na frente. Nós nos conhecemos nas aulas de Educação Física. Ele jogava bola extremamente bem. Quando comandava na formação dos times, nunca me escolhia, ao contrário de todo mundo. Motivos: eu era um baita perna de pau e ele tinha tanto dinheiro quanto eu. Não precisava me puxar o saco. Acabamos virando amigos ou algo próximo a isso.

Abri a porta. Eu odiava ficar esperando por alguém, odiava mesmo. Só minha excelente pessoa possuía o direito de se atrasar. Mas era a primeira vez que Marcelo vinha à minha casa e preferi não reclamar VERBALMENTE. Mentalmente, ele estava sendo xingado de todos os nomes feios conhecidos.

Ele subiu os degraus que levavam à sala. Seu cabelo preto e liso estava meio bagunçado. Vestia uma camisa branca de manga longa e calça jeans escura. Deixei o caminho aberto.

— Oi, Pedro. — ele disse assim que finalmente entrou. — Nossa, tua casa é grande.

— Meu pai tem outra maior na cidade. — dei de ombros.

Marcelo virou-se para o lado. Só então percebi que Gabriel ainda não havia dado o fora. Que gato borralheiro mais inútil. Será que ele não sabia que gente pobre não pode estar no mesmo espaço de gente rica? Olhei-o com cara feia.

— E você é o...? Eu sou Marcelo.

— Gabriel. — ele estendeu a mão.

— O filho da empregada. — completei.

Gabriel suspirou tranquilamente e voltou para a cozinha. Marcelo sorriu, como se achasse graça na situação. E ficou encarando o moreno até que desaparecesse.

— Ajeitadão né?

— Hum? Ajeitadão o quê? — franzi o cenho.

— Hum, nada. — Marcelo pigarreou. — Caramba, eu amo esse jogo! — exclamou ao olhar para a tela da TV.

Notas finais
Esse flash back é continuação do flash back do último capítulo, pov do Gabriel.